Sergio Burgi explica que muitos dos retratos são inéditos – em especial os do período do exílio após a proclamação da República – ” É um mix de album de família, fotos de estúdio posadas e importantes imagens associadas a eventos que marcaram o Império, como as comemorações do fim da Guerra do Paraguai e a abolição da escravatura.
Princesa Isabel, Conde d’Eu e os netos no castelo d’Eu, Normandia, França, c. 1918. P. Gavelle/ Acervo Dom João de Orleans e Bragança
Uma das grandes imagens do século XIX: uma aglomeração pública
Um grande painel reproduz o que deve ter sido umas das primeiras aglomerações em praça pública; e mostra a Princesa Isabel e o Conde d’ Eu, reunidos a populares, de diversas classes, brancos e negros, comemorando o fim da escravidão, numa missa campal, 4 dias após, o anúncio da abolição.
As cartes de visite
Uma série de pequeniníssimos retratos nos mostram que, a partir da segunda metade do século XIX, trocar cartões de visita entre os nobres e burgueses, significava fazer circular suas imagens de mão em mão, retratos em miniatura tirados em estúdio. Não é muito diferente do que hoje ocorre nas redes sociais!
Os visitantes podem ver também registros de Marc Ferrez, agraciado pelo imperador com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa e também fotógrafo da Marinha Imperial; e Revert Henry Klumb, professor de fotografia das princesas Isabel e Leopoldina. Próximos à família imperial – ambos fotografaram momentos de maior privacidade no interior dos palácios, imagens menos formais, sem a intermediação das exigências do cargo e da vida pública.
Na exposição Retratos do Império e do exílio no Rio de Janeiro foi lançado o catálogo homônimo, com 40 imagens e texto de Sergio Burgi. Alberto Henschel, Joaquim Insley Pacheco, Luiz Terragno, Otto Hess, entre os diversos fotógrafos atuantes no Brasil integram o acervo, além de imagens de retratistas europeus como Félix Nadar e John Jabez Edwin Mayall, entre outros.
Composto por 781 itens, o acervo congrega um conjunto importante de fotografias originais de época e negativos em vidro reunidos por d. Pedro II, pela princesa Isabel e seus descendentes. Dom João de Orleans e Bragança, herdeiro e depositário deste conjunto, decidiu em 2009 confiá-lo, em regime de comodato, ao IMS, onde o acervo vem sendo preservado e restaurado, da mesma forma como ocorreu com outros acervos como o de Thomas Farkas.
Exposição Retratos do Império e do Exílio
Até 11 de setembro de 2011 Instituto Moreira Salles – São Paulo Rua Piauí, 844, 1º andar – Higienópolis
De terça a sexta, das 13h às 19h/ Sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h
Entrada franca
Classificação livre
Para este mês, a partir do dia 26, começa a exposição Fayga Ostrower – Ilustradora (IMS-RJ), com 100 obras que revelam uma faceta pouco conhecida da artista plástica. São gravuras, desenhos, colagens e projetos gráficos produzidos entre os anos de 1940 e 1970, publicados em jornais, revistas e livros, e que revelam a transição dos trabalhos de Fayga Ostrower do expressionismo figurativo à abstração. Em abril, está planejada a exposição Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826 no IMS-SP. Será a maior exposição individual das imagens feitas por Landseer como artista oficial da missão diplomática britânica – chefiada por Charles Stuart – que tinha o objetivo de negociar o reconhecimento, por parte de Portugal e da Grã-Bretanha, do recém-independente Império do Brasil.
Ainda em abril a exposiçãoAs Construções de Brasíliaseguirá para o IMS-Poços de Caldas, MG. Os desenhos do ilustrador e cartunista Saul Steinberg vão estar no IMS-RJ em maio. Para junho, Em torno dos Extremos, também no Rio de Janeiro, contará com a curadoria de Jean Luc Monterosso, diretor da Maison Européenne de La Photographie (MEP) e Milton Guran, coordenador do FotoRio. A seleção de imagens, que inclui diversos fotógrafos brasileiros, aborda situações limite da história, das sociedades, dos indivíduos e dos costumes ao longo dos últimos 50 anos, todas registradas pelas lentes de grandes nomes da fotografia mundial. Essa exposição virá para São Paulo em setembro.
Na capital paulista, acontecerá em junho uma retrospectiva da obra do alemão Hans Gunter Flieg, que desde 1945 estabeleceu-se no Brasil como fotógrafo de indústria, publicidade e arquitetura. Flieg registrou, por 40 anos, o desenvolvimento industrial brasileiro, além de ter documentado o design, a arquitetura e a publicidade no país entres os anos de 1940 e 1980 – fotografando instalações industriais, edificações e objetos que revelam esse período.
Quem perdeu, em julho, terá a chance de ver a exposição Thomaz Farkas: uma antologia pessoalem Poços de Caldas. No início de setembro, a exposição Panoramas (IMS-RJ) vai reunir originais dos acervos iconográfico e fotográfico do IMS dos séculos XVIII e XIX, com obras de artistas como Spix e Martius e fotógrafos como Stahl e Marc Ferrez. A idéia é estabelecer um diálogo entre as diferentes formas de representação visual que documentaram e construíram, no Brasil e no exterior, a imagem do país neste período. Ainda nesse mês, também no Rio de Janeiro, a exposição de Mira Schendel pretende mostrar exemplares dos diversos núcleos ou momentos da produção de pinturas da artista, realizada sobre outros suportes que não o papel, de modo a dar conta do percurso de sua linguagem pictórica. Os paulistas poderão apreciar essa mostra apenas em dezembro.
Manuel Alvarez Bravo
No final de novembro, terá início a exposição de Manuel Alvarez Bravo no Rio. Será uma retrospectiva do fotógrafo mexicano com mais de 200 imagens deste que é o mais importante fotógrafo moderno no México. Simultaneamente o IMS exibirá na Nova Galeria do Centro Cultural do IMS do Rio de Janeiro, a exposição O México de Marcel Gautherot, reunindo 90 imagens que Gautherot realizou em 1936/37 no México, quando inclusive conheceu pessoalmente Manuel Alvarez Bravo.
Para 2012… aguardem, novidades vem por aí! Uma retrospectiva sobre a obra do cineasta Fellini já está reservada. A mostra virá diretamente de Paris e com direito a mostra de cinema.
É Carnaval! Veja como a festa do Rei Momo era diferente nas fotos do Rio de Janeiro desde os anos 1910 até meados da década de 1950.
Marcel Gautherot/ Acervo Instituto Moreira Salles
Carlos Moskovics/ Acervo Instituto Moreira Salles
José Medeiros/ Acervo Instituto Moreira Salles
Augusto Malta/ Acervo Instituto Moreira Salles
Essa delícia de folia pode ser melhor apreciada na exposição Até quarta-feira! O folião e o carnaval carioca nas coleções do IMS. Com curadoria do coordenador de fotografia Sergio Burgi e do consultor do IMS, Paulo Roberto Pires.
São 50 imagens de importantes fotógrafos do acervo IMS que registraram o carnaval da cidade: Augusto Malta, Marcel Gautherot, José Medeiros, Carlos Moskovics e Peter Scheier.
Marcel Gautherot/ Acervo Instituto Moreira Salles
Marcel Gautherot/ Acervo Instituto Moreira Salles
Augusto Malta/ Acervo Instituto Moreira Salles
Carlos Moskovics/ Acervo Instituto Moreira Salles
José Medeiros/ Acervo Instituto Moreira Salles
Os visitantes poderão ver também as edições especiais de publicações da época, como a revista O Cruzeiro, assim como partituras de importantes compositores brasileiros, entre eles Lamartine Babo, todos itens pertencentes ao acervo de música do IMS, nas coleções de José Ramos Tinhorão e Humberto Franceschi.
O jornalista Sérgio Augusto, a partir do acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles, fala da tradição dos bailes de Carnaval no Cassino da Urca na década de 1940 e de artistas que ali foram descobertos, como Carmen Miranda, Grande Otelo e Herivelto Martins fizeram dupla em shows na casa. Orson Welles também está entre as celebridades que frequentaram o cassino. As fotos foram selecionadas dos acervos de José Medeiros, Carlos Moskovics e Otto Stupakoff. Para acompanhar outros trechos dessa conversa em que o jornalista comenta o carnaval e o Rio de Janeiro entre as décadas de 40 e 50, acesse o Blog do IMS.
Até 13 de março de 2011
Local: Instituto Moreira Salles- Rio de Janeiro Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Datas e horários: de terça a sexta, das 13h às 20h/ sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação livre
Para homenagear o fotógrafo Thomaz Farkas, que faleceu no dia 25/03, aos 86 anos, o Instituto Moreira Salles está apresentando a exposição Thomaz Farkas: uma antologia pessoal na Casa do IMS na 9ª Festa Literária Internacional de Paraty. É a maior retrospectiva dedicada à obra do consagrado fotógrafo, com cerca de 100 imagens, parte delas inéditas. Húngaro, naturalizado brasileiro, Thomas Farkas teve seu acervo vasculhado durante dois anos pelos seus filhos, o diretor de cinema João e o designer gráfico Kiko Farkas, em conjunto com o IMS, que hoje preserva sua obra fotográfica.
Fotografia de Thomaz Farkas/ Acervo Instituto Moreira Salles
O passeio por sua incrível trajetória rendeu, além da exposição, o livro, Thomaz Farkas – Uma antologia pessoal, do tipo coffee-table com 140 imagens e texto do filho: ” O pai que fui descobrindo era um apaixonado pelo Brasil, sua gente, sua música e manifestações culturais: da cachaça à arquitetura modernista, do samba à cozinha rústica nordestina “, escreve João Farkas, na introdução do livro, para completar que o pai transitava sem nenhum preconceito entra a mais antenada visão de mundo e as mais profundas tradições populares.
Na retrospectiva, imagens produzidas a partir da década de 1940, época em que Farkas se associa ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), local de debate sobre a atividade fotográfica, frequentado também por Geraldo de Barros e e outros fotógrafos atuantes como José Yalenti, José A. Vergareche, German Lorca, formadores da fotografia moderna brasileira afinados com as vanguardas europeias e norte-americanas, os membros do clube buscavam uma estética, novos temas, enquadramentos e pontos de vista.
Na mostra, fotografias com uma abordagem mais humanista, que se aproximam do fotojornalismo, como as séries sobre o Rio de Janeiro onde são retrados moradores de bairros populares e centro histórico da então capital federal. Também presentes, imagens coloridas, datadas de 1975, feitas parte durante uma expedição científica ao Amazonas e a Salvador.
Thomaz Farkas
Thomaz Farkas é um dos grandes expoentes da fotografia moderna no Brasil. Sua família fundou a Fotoptica, empresa pioneira no comercio de equipamentos fotográficos no Brasil.
Aos oito anos de idade, em 1932, ganha de seu pai a primeira câmera fotográfica e durante os dez anos seguintes, começa a experimentar com seu brinquedo: fotografa família, animais domésticos, o grupo de amigos de bicicleta, fatos relevantes como a passagem do Zeppelin e a construção do estádio do Pacaembu.
Pioneiro, Farkas estabeleceu contato com o fotógrafo Edward Weston, na Califórnia, e o curador de fotografia do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York, Edward Steichen. A pedido de Pietro Maria Bardi, montou o laboratório fotográfico do MAM/SP, junto com Geraldo de Barros.
A abertura da mostra Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826, inicialmente marcada para 12 de abril no IMS-SP, será cancelada e remarcada para 10 de maio. Ela ficará aberta ao público até 10 de julho.
Palestras
Começa no dia 12 de fevereiro, às 11h30, uma série de encontros sobre fotografia. Eles vão acontecer uma vez por mês (sempre aos sábados) na loja do Instituto Moreira Salles por Livraria Cultura, com a participação de convidados.
Thomaz Farkas: uma antologia pessoal
Casa do IMS na Flip 2011
Rua do Comércio, 13 – Centro Histórico, Paraty/RJ
De quinta a sábado, das 12h às 22h e domingo, das 12h às 16h
Classificação livre