Autora dos livros Meu amor, Azul e dura, Não falei e Antonio, a escritora Beatriz Bracher também é roteirista de cinema. Em 1994, escreveu o argumento do filme Cronicamente inviável, com Sérgio Bianchi. A parceria se estendeu no longa-metragem Os inquilinos, com o qual conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio 2009 e os troféus de melhor filme, melhor direção, melhor ator no Prêmio Fiesp/Sesi-SP. Tanta criatividade tem explicação: Beatriz é uma leitora voraz e aqui nos brinda com suas recomendações.
Formada em Letras, Beatriz Bracher (1961, São Paulo, Brasil) foi uma das editoras da revista de literatura e filosofia 34 Letras e cofundadora da Editora 34, onde trabalhou por oito anos.
Os Inquilinos – Os Incomodados que se Mudem, de Sérgio Bianchi, recebeu premiação tripla na noite do Prêmio Fiesp/ Sesi-SP de cinema: levou os troféus de melhor filme, melhor direção e de melhor ator, para Marat Descartes.
Aqui a nossa conversa com o diretor e a roteirista, um ano atrás, quando o filme foi lançado.
No estúdio do IG, Sergio Bianchi e Beatriz Bracher comentam a parceria no filme. A roteirista conta que adaptou um texto anônimo de um de seus alunos de Oficina literária. No filme, a atriz Cássia Kiss também trabalha o conto “Morte do Leiteiro” de Carlos Drummond de Andrade numa aula de alfabetização de adultos.
Beatriz Bracher esteve na FLIP 2010, em Paraty, na mesa Fábulas contemporâneas com Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes. Os três autores já estiveram em Flip anteriores, o que para Beatriz, pareceu aumentar a responsabilidade: “Falar em público sempre me deixa um pouco apreensiva. Mesmo porque o que os escritores fazem de bom, é escrever, e, em geral, não tem nada de muito interessante a dizer. Some-se a isso o fato da Flip ser um lugar de muita visibilidade e de eu me apresentar com dois escritores que admiro, Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes. O compromisso que tenho é com a minha obra e a relação que posso ajudar a estabelecer entre ela e o público. Poder fazer isso em um lugar tão especial como Paraty, no final, é sempre um privilégio”.
Formada em Letras, Beatriz Bracher (1961, São Paulo, Brasil) foi uma das editoras da revista de literatura e filosofia 34 Letras e cofundadora da Editora 34, onde trabalhou por oito anos.
Meu amor: denominador comum é a violência
Com ele, ultrapassa a fronteira dos genêros e da língua, tem até um poema, em inglês: My love, que dá título ao livro. Meu amor mereceu da Fundação Biblioteca Nacional, o Prêmio Clarice Lispector de melhor livro de contos de 2009. A violência é um denominador comum, mas para ela, o título tem a ver com coisas íntimas e intensas. Aqui nos lê um trecho.
Além de escritora, ela é roteirista de cinema. Em 1994, escreveu o argumento do filme Cronicamente inviável, com Sérgio Bianchi, diretor de quem é amiga, de longa data. A parceria se estendeu no longa-metragem Os inquilinos, com o qual conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio 2009.
Azul e dura: escrevi e reescrevi mil vezes …
Bracher, que já esteve na Flip em 2005, relançou esse ano seu primeiro romance, Azul e dura, ( 2002) que foi seguido de Não falei (2004). ” Escrevi e rescrevi mil vezes … É a história de uma moça, ex-hippie no Rio de Janeiro, que se aburguesa e acaba atropelando uma deficiente física. ” Agora prepara novo livro.
Seu romance Antonio se classificou nos prêmios mais prestigiados do país: segundo lugar no Portugal Telecom, entre os 10 finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, da Secretaria de Estado da Cultura, terceiro lugar no Jabuti, na categoria Romance
Antonio: romance com narradores múltiplos
“ Escrever as três vozes de cada personagem e mais o ouvido do Benjamim, que só escuta a história, foi o jeito que encontrei de contar sobre todo um grupo de pessoas, um tempo e um lugar” me contou ela no programa Letras & Leituras . ” O tempo são os anos 70, sobre o qual eles falam, e o tempo também é a passagem do tempo, como ele existe hoje dentro de cada um. Cada vez que eu escrevia uma voz eu tinha que mudar não o só ponto de vista do qual a história é contada, mas também o vocabulário e gramática do texto, foi trabalhoso e divertido.”
Bracher brinca com o idioma e escreve contos intimistas. Moraes fala do universo underground paulistano e da rotina de abusos, drogas e álcool de personagens desregrados. Brito cria um sertão mítico com ecos de parábolas bíblicas. O que aproxima três vozes tão distintas? O fato de figurarem entre as mais densas e originais da literatura brasileira. Isso basta para justificar a conversa que travaram esse ano em Paraty.
Os Inquilinos – Os Incomodados que se Mudem, de Sérgio Bianchi, recebeu premiação tripla na noite do Prêmio Fiesp/ Sesi-SP de cinema: levou os troféus de melhor filme, melhor direção e de melhor ator, para Marat Descartes.
Aqui a nossa conversa com o diretor e a roteirista, um ano atrás, quando o filme foi lançado.
No estúdio do IG, Sergio Bianchi e Beatriz Bracher comentam a parceria no filme. A roteirista conta que adaptou um texto anônimo de um de seus alunos de Oficina literária. No filme, a atriz Cássia Kiss também trabalha o conto “Morte do Leiteiro” de Carlos Drummond de Andrade numa aula de alfabetização de adultos.
O diretor Michael Haneke (Fita Branca) dirigiu Cache com Daniel Auteuil e Juliette Binoche disponível em DVD. O filme me lembra muito Os Inquilinospela sensação de insegurança que passa e pela tensão crescente que vai sendo criada. Apesar de se tratar de uma familia francesa de intelectuais burgueses, eles também se vêm incomodados pela eterna ameaça que os europeus sentem de imigrantes, suspeitos até provar o contrário. Sergio Bianchi não viu o filme, Bea viu e gostou da relação que fiz. O ator Marat Descartes me disse que se inspirou, de uma certa maneira, no protagonsita de Daniel Auteuil.