Leonilson: sob o Peso de seus Amores
É a mais abrangente mostra da obra de José Leonilson, – artista-chave da geração 80, que faleceu precocemente em 1993, de aids -, desde a retrospectiva organizada por Lisette Lagnado, curadora da Bienal de São Paulo, em 2006, e fundadora da Sociedade Amigos do Projeto Leonilson.
Ricardo Resende um dos curadores, ao lado de Bitu Cassundé, conduziu nossa visita pelos 3 andares da exposição no Itaú Cultural, e nos deu uma aula sobre a obra, repleta de símbolos e índices e as metáforas mais utilizadas por Leonilson: rios, caminhos, trajetos, artérias, vias, órgãos, cidades, desejos, vida, doença e morte.
“Leonilson relata-se por meio das repetições”
Como escrevem os curadores… É nesse fluxo de poesia autobiográfica, que nos deixamos levar, entre telas e tecido, palavras e imagens, brinquedos, bordados e botões, carregados de intensidade e afeto.
Na exposição, obras inéditas do alemão Albert Hien
Mapa-mundi e globos também ocupam lugar de destaque na obra de Leonilson que compartilhou seu desejo de mudar o mundo com o artista alemão Albert Hien. Pela primeira vez, obras inéditas dele e outras feitas em conjunto são mostradas no país, como por exemplo How to Rebuilt at Least One Eight Part of the world, feita a 4 mãos, logo depois do acidente nuclear em Chernobyl.
De personalidades distintas ambos tinham em comum na tradução da geografia do mundo e da natureza, o colecionismo, a inclusão de brinquedos e signos recorrentes em suas obras (ampulheta, símbolo do infinito, números, navio, escada, ponte, relógio, avião, farol, instrumentos musicais, átomo, vulcão, montanha, cadeira, bússola, torre).
Um percurso biográfico onde reina a palavra como imagem
O recurso gráfico em suas construções ”poético-visuais” faz o diálogo entre as artes visuais e a literatura, a palavra e a imagem se conjugam numa estética semelhante àquela das histórias em quadrinhos. A curadoria de Ricardo Resende e Bitu Cassundé explicita o legado de Leonilson, as 300 obras expostas propôem uma reflexão sobre seu trabalho; fica impossível sair da mostra sem perceber a amplitude de sua contribuição para a produção artística contemporânea.
Taxonomia: a arte de traduzir o mundo em listas, números, coleções…
Em toda exposição é possível reconhecer símbolos, repetições, recorrências de Leonilson… Nas palavras dos curadores: “Seu legado constitui um grande arquivo, impregnado de memórias, classificações, vida e transposições. Esses arquivos de referências pessoais são compostos por materiais recolhidos do cotidiano, como tíquetes de viagens, entradas de cinema, matérias de jornais e revistas com informações pessoais, de amigos ou de sua obra, programações das exposições, fotos, contas, endereços, telefones, cartões, relatos de viagem, uma refinada escrita poética, esboços de trabalhos e demais particularidades.”
Agendas e cadernos de desenhos e de anotações digitalizados
Sobre o artista
Nasceu em Fortaleza, mas mudou-se para São Paulo em 1961, onde cursou a Fap. Ficou reconhecido pelo uso de costuras e bordados. Morreu em decorrência da aids em 1993.
Créditos das fotos: Eduardo Brandão/ Eduardo Ortega/ Rômulo Fialdini/ Albert Hien/ Vicente de Mello
Sob o Peso dos Meus Amores – Retrospectiva de Leonilson
Até 29 de maio 2011
Local: Itaú Cultural
Endereço: Av. Paulista, 149
Datas e horários: terças a sexta das 9h às 20h/ sábados e domingos das 11h às 20h
Entrada gratuita

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