A mostra tem curadoria da historiadora Roberta Saraiva e apresenta obras produzidas por Steinberg entre as décadas de 1940 e 1960 (43 trabalhos foram especialmente restaurados).
Máquina, 1951/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Em Saul Steinberg: as aventuras da linha, obras que projetam Steinberg como artista internacional: trabalhos que fizeram parte de três importantes exposições: Fourteen Americans, coletiva organizada pelo MoMA, em 1946; a mostra individual em Nova York, em 1952 e nas galerias Sidney Janis e Betty Parsons e a montada no Museu de Arte de São Paulo (Masp), também em 1952.
Usando às vezes uma única linha, ele questiona em seus desenhos a rotina que levamos. A mostra junta cowboys, trens, monumentos fictícios, pássaros, gatos e bichos, com também mulheres em casacos de pele, desfiles e falsos documentos (passaportes e diplomas com assinaturas ilegíveis, selos e carimbos que Steinberg colecionava).
Dimensões gigantes
é o que o público verá nos desenhos murais que o artista criou para a Trienal da Milão, de 1954. São quatro desenhos em rolos de papel de proporções arquitetônicas: A linha, com 10 metros de comprimento, Tipos de arquitetura, com 7 metros, Litorais do Mediterrâneo, com 5 metros, e Cidades da Itália, com 3 metros. Todos possuem cerca de 45 cm de altura. Ainda na mostra, dois trabalhos com inspiração brasileira: Pernambuco, uma mistura de personagens, bichos e motivos locais; e Grande Hotel de Belém, feitos a partir de desenhos de anotação e cartões-postais colecionados por Steinberg durante uma viagem pelo país em 1952.
Caubóis, 1952/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Mulheres, 1950/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Steinberg no Brasil
Em setembro de 1952, o Masp inaugurou uma exposição individual do artista, devido a sua amizade com Pietro Maria Bardi, diretor do Museu e os irmãos Cesare e Victor Civita. Bardi, assim como Steinberg, havia colaborado, na década de 1930, com a revista Il Settebello, quando ambos moravam na Itália, época em que os irmãos Civita atuavam no mercado editorial italiano. Anos mais tarde, Cesare se tornou agente de Steinberg, intermediando as primeiras publicações de desenhos dele em revistas, como a The New Yorker e a carioca Sombra que publicou uma seleção de desenhos de Steinberg, reproduzidos na capa e no miolo do seu primeiro número, em 1940. Foi a primeira revista do mundo a publicar um desenho de Steinberg em sua primeira página.
Bingo em Venice, 1953/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Monumentos: As pessoas importantes, 1945/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Catálogo Saul Steinberg: as aventuras da linha
com imagens que fazem parte da mostra e vários textos, inclusive do crítico de arte Rodrigo Naves, será lançado na abertura . Contém também os desenhos que Steinberg fez sobre o Brasil. O artista veio para a abertura da exposição de 1952 no Masp com sua esposa Hedda Sterne, e viajou por Aparecida, Petrópolis, Salvador, Recife, Belém e Manaus, além de Rio de Janeiro e São Paulo, sempre registrando suas impressões em pequenos cadernos.
Sobre Saul Steinberg
Sob a ameaça do fascismo de Mussolini, Steinberg deixa a Itália, e chega aos Estados Unidos. Naturalizado em 1943, serviu na marinha americana em missões na China, na Índia e na Itália. Em 1944, casou-se com a pintora Hedda Sterne e estabeleceu-se em Nova York, onde obteve sucesso imediato, publicando nas principais revistas do país, destaque para a longa colaboração com a revista The New Yorker.
Boa parte de sua produção está em livros de desenhos, clássicos do gênero, como All in Line (1945), The Art of Living (1949), The Passport (1954), The Labyrinth (1960), The Inspector (1973) e The Discovery of America (1992). Sua obra foi tema de duas grandes retrospectivas: Saul Steinberg (1978), no Whitney Museum, e Illuminations (2006), na Morgan Library, ambos em Nova York. Saul Steinberg morreu em Nova York em 1999.
Exposição Saul Steinberg: as aventuras da linha
Até 06 de novembro de 2011 Pinacoteca do Estado de São Paulo Datas e horários: terça a domingo, das 10h às 18h
Grátis aos sábados
A artista Leda Catunda recomenda, na Pinacoteca, a retrospectiva de Paula Rego (Portugal, Lisboa, 1935) que já passou pelo Museo de Arte Contemporáneo de Monterrey (MARCO), México acontece até o dia 05 de junho de 2011.
Com 110 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos e colagens, de uma das mais importantes artistas contemporâneas portuguesas. Para Leda Catunda, ela pode ser considerada uma “Picasso de saias”, de tão excepcional! A retrospectiva passeia pelos últimos 56 anos de sua obra, Paula Rego é conhecida pela construção de uma narrativa visual da condição humana, aborda temas como violência, jogo de poder, crueldade e a situação da mulher.
Mostra, em ordem cronológica, exibe todas as fases da produção de Paula Rego
Das pinturas iniciais, quando era uma jovem estudante de arte, passando pelos desenhos, gravuras, até os pastéis em grandes formatos.
Nas primeiras salas, Celebration (The Birthday Party) [Celebração (A festa de aniversário), 1953, e Life Painting (Pintura de modelo vivo), 1954; pinturas em grandes dimensões, dos anos 1980: The Policeman’s Daughter (A filha do policial), The Maids (As criadas),The Family (A família) e The Cadet and His Sister (O cadete e sua irmã).
Nos anos 1990, Paula Rego começa a trabalhar com pastel e cria imagens em grande formato (120 x 160 cm), a partir de modelos humanos. A primeira série com a técnica foi intitulada Dog Woman (Mulher-cão),1994. “O pastel me trouxe um olhar diferente. Eu podia desenhar mais com ele e não tinha que usar o pincel, o que era maravilhoso”.
Destaque para a série Abortion (O aborto),1997, pastéis que retratam adolescentes e jovens mulheres praticando arriscados abortos clandestinos, que a artista fez para chamar a atenção das autoridades portuguesas. Já The Company of Women (Na companhia de mulheres ), 1997 e Angel (anjo), 1998, mostram como a literatura também serviu-lhe de inspiração.
Nos trabalhos realizados nos anos 2000, a sua história pessoal. Em Misericórdia I, 2001, a dolorosa morte de sua mãe. The Pillowman (O homem-almofada), 2004, e The Fisherman (O pescador), 2005, mesclam motivos literários com recordações das roupas vestidas por seu pai.
A violência praticada contra mulheres, tráfico de pessoas e mutilação genital aparecem em Human Cargo (Carga humana), 2007-2008, e na série Female Circumcision (Circuncisão feminina), 2009.
Filha única de uma próspera família, Paula Rego cresceu durante o regime fascista de Salazar e, aos 16 anos, foi estudar na Inglaterra. Cursou a Slade School of Art, Londres, entre 1952 e 1956. Nesse período conheceu o artista inglês Victor Willing, com quem se casou e teve três filhos. Entre 1963 e 1975, Paula divide-se entre Londres e Portugal, mudando para Londres em 1976. Nesse mesmo período, seu marido sofre um ataque cardíaco, a morte do pai e os problemas de saúde do marido impulsionaram uma crise criativa que duraria até o final dos anos 1970.
Paula Rego integra importantes coleções: Fundação Gulbenkian, Lisboa, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, Tate e Victoria & Albert Museum, em Londres. Já expôs em diversas mostras individuais e coletivas como retrospectivas na Tate Gallery Liverpool, (Inglaterra), no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, (Espanha), no National Museum of Women in the Arts (Estados Unidos). No Brasil, participou da 10ª (1969) e 13º (1975) edições da Bienal Internacional de São Paulo, representando Portugal, e na 18ª edição (1985) representando a Inglaterra.
Em 2009 foi inaugurada a Casa das Histórias Paula Rego, um museu dedicado à sua obra em Cascais, Portugal.
Paula Rego
Até 05 de junho 2011
Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo Endereço: Praça da Luz, 02 São Paulo – SP
Datas e horários: de terça a domingo, das 10h às 18h
Grátis aos sábados
Cerca de 60 fotografias realizadas na China, em 2010, por Mauricio Nahas, Paulo Mancini e Ricardo Barcellos estão em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo na exposição Trilogia Vermelha: China. Também estão sendo exibidas outras 20 imagens captadas na Rússia, em 2007, e em Cuba, em 2005.
Essas obras integram o projeto Trilogia Vermelha, iniciado em 2005 na Pinacoteca do Estado, que já apresentou o cotidiano de Havana em Cuba e de Moscou e São Petesburgo, pós-abertura política em 1985, na então União Soviétiva sob o olhar dos fotógrafos viajantes. Segundo o curador da mostra, Diógenes Moura, “a importância deste projeto se dá pela possibilidade de reunir três fotógrafos com olhares diferentes, em três países muito distintos e isso, de certa maneira, provoca um possível diálogo entre a fotografia documental e o retrato”
Nesta última parte da Trilogia, os três fotógrafos apresentam pequenos ensaios, cenas da religiosidade e do cotidiano chinês. As imagens foram captadas durante 40 dias nas cidades de Pequim (Beijing) e Xangai, e em outras 18 em pequenas cidades e províncias espalhadas pela China. Confira abaixo um pouco sobre cada artista e as belas imagens capturadas por cada um deles.
Ricardo Barcellos
Ricardo Barcellos
Ricardo Barcellos
Ricardo Barcellos graduou-se em Comunicação Social na PUC-RS em 1991. Neste período, mudou para São Paulo e trabalhou como assistente de fotografia para Enio Berwanger e Paulo Vainer. Em 1997 morou em Nova Iorque, onde fez um curso em manipulação de fotografia digital no International Center of Photography. Durante sua estadia nos Estados Unidos foi assistente do fotógrafo Craig Cutler. Em 1999, voltou ao Brasil e iniciou sua carreira em editoriais e fotografia publicitária.
Paulo Mancini
Paulo Mancini
Paulo Mancini
Nasceu em São Paulo e começou a fotografar moda. Fixou-se em Milão por três anos e, em 1993, retornou ao Brasil, focando seu trabalho na publicidade. Participou de várias exposições coletivas e uma individual na Pinacoteca do Estado, intitulada Milagre.
Paulo Mancini, Trilogia Vermelha, China, 2010
Mauricio Nahas
Mauricio Nahas
Mauricio Nahas
Maurício Nahas ganhou dois leões de prata e um leão de bronze em Cannes. Ficou em 2º lugar no prêmio Conrado Wessel de Fotografia no ano de 2002 e em 2006, ficou em 1º lugar no prêmio Conrado Wessel de fotografia.
Maurício Nahas, Trilogia Vermelha, China, 2010
Maurício Nahas, Trilogia Vermelha, China, 2010
Trilogia Vermelha: China
Até 03 de julho de 2011
Local: Pinacoteca do Estado
Endereço: Praça da luz, 02, Centro- São Paulo
Datas e horários: de terça a domingo, das 10h às 18h
Grátis aos sábados
Diversidade e qualidade é o que promete para 2011, o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo. Ele nos conta aqui que abre o ano com uma retrospectiva da artista portuguesa Paula Rêgo – é sua primeira grande individual no Brasil - e encerra a programação com uma grande mostra de Caravaggio. Aqui ele comenta o que vem pela frente, numa articulação com vários institutos como o Moreira Salles, e numa conversa entre produção nacional e estrangeira, histórica e contemporânea. O ano termina com a brasileira Jac Leirner, destaque entre outras boas atrações.
O acervo da Pinacoteca vai ser o grande destaque, mostrando todo um panorama da arte colonial