Beatriz Bracher esteve na FLIP 2010, em Paraty, na mesa Fábulas contemporâneas com Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes. Os três autores já estiveram em Flip anteriores, o que para Beatriz, pareceu aumentar a responsabilidade: “Falar em público sempre me deixa um pouco apreensiva. Mesmo porque o que os escritores fazem de bom, é escrever, e, em geral, não tem nada de muito interessante a dizer. Some-se a isso o fato da Flip ser um lugar de muita visibilidade e de eu me apresentar com dois escritores que admiro, Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes. O compromisso que tenho é com a minha obra e a relação que posso ajudar a estabelecer entre ela e o público. Poder fazer isso em um lugar tão especial como Paraty, no final, é sempre um privilégio”.
Formada em Letras, Beatriz Bracher (1961, São Paulo, Brasil) foi uma das editoras da revista de literatura e filosofia 34 Letras e cofundadora da Editora 34, onde trabalhou por oito anos.
Meu amor: denominador comum é a violência
Com ele, ultrapassa a fronteira dos genêros e da língua, tem até um poema, em inglês: My love, que dá título ao livro. Meu amor mereceu da Fundação Biblioteca Nacional, o Prêmio Clarice Lispector de melhor livro de contos de 2009. A violência é um denominador comum, mas para ela, o título tem a ver com coisas íntimas e intensas. Aqui nos lê um trecho.
Além de escritora, ela é roteirista de cinema. Em 1994, escreveu o argumento do filme Cronicamente inviável, com Sérgio Bianchi, diretor de quem é amiga, de longa data. A parceria se estendeu no longa-metragem Os inquilinos, com o qual conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio 2009.
Azul e dura: escrevi e reescrevi mil vezes …
Bracher, que já esteve na Flip em 2005, relançou esse ano seu primeiro romance, Azul e dura, ( 2002) que foi seguido de Não falei (2004). ” Escrevi e rescrevi mil vezes … É a história de uma moça, ex-hippie no Rio de Janeiro, que se aburguesa e acaba atropelando uma deficiente física. ” Agora prepara novo livro.
Seu romance Antonio se classificou nos prêmios mais prestigiados do país: segundo lugar no Portugal Telecom, entre os 10 finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, da Secretaria de Estado da Cultura, terceiro lugar no Jabuti, na categoria Romance
Antonio: romance com narradores múltiplos
“ Escrever as três vozes de cada personagem e mais o ouvido do Benjamim, que só escuta a história, foi o jeito que encontrei de contar sobre todo um grupo de pessoas, um tempo e um lugar” me contou ela no programa Letras & Leituras . ” O tempo são os anos 70, sobre o qual eles falam, e o tempo também é a passagem do tempo, como ele existe hoje dentro de cada um. Cada vez que eu escrevia uma voz eu tinha que mudar não o só ponto de vista do qual a história é contada, mas também o vocabulário e gramática do texto, foi trabalhoso e divertido.”
Bracher brinca com o idioma e escreve contos intimistas. Moraes fala do universo underground paulistano e da rotina de abusos, drogas e álcool de personagens desregrados. Brito cria um sertão mítico com ecos de parábolas bíblicas. O que aproxima três vozes tão distintas? O fato de figurarem entre as mais densas e originais da literatura brasileira. Isso basta para justificar a conversa que travaram esse ano em Paraty.
No último domingo de maio, a Tenda principal da Praça matriz de São Francisco Xavier recebeu a atriz Maitê Proença (Entre Ossos e a Escrita e Uma Vida Inventada), a escritora Carola Saavedra (Paisagem com Dromedário e Flores azuis) e Tatiana Salem Levy, (Prêmio São Paulo de Literatura). As três conversaram sobre A Mulher na Escrita ao Longo dos Tempos. Carola tem uma obra reconhecida e um projeto bem próprio de construção da sua escrita. Já a atriz Maitê aventurou-se nas letras, com uma espécie de autobiografia, não assumida, como ficou claro na entrevista que me deu ao Letras e Leituras.
“Paisagem com Dromedário é meu livro mais otimista”.
“A mesa vai ser bem interessante, o tema – A mulher na escrita ao longo dos tempos – é um assunto que nunca se esgota… Vai ser uma oportunidade para trocar ideias, muitas vezes, trazer autores com trajetórias diferentes é uma ótima forma de enriquecer o debate.” comenta Carola Saavedra.
Currículo invejável
A comunicação ou a falta da comunicação é um tema constante na obra dessa talentosa e criativa escritora, finalista com seus livros anteriores do Jabuti, Portugal Telecom e Prêmio São Paulo de Literatura, entre outros.
Nascida no Chile, mora no Brasil, desde os três anos de idade. Morou na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e Espanha e França, ela vive no Rio de Janeiro onde nos deu a entrevista falando dessa trilogia (Companhia das Letras) que se completa agora depois de Toda Terça e Flores Azuis, premiado pela APCA como melhor romance em 2009.
Autoexilada numa ilha, a artista plástica Érika grava mensagens endereçadas a Alex, seu amado. Mais uma vez, inovando na construção da narrativa, a escritora Carola Saavedra, nos lê um trecho do seu novo romance Paisagem com Dromedário e fala do desafio de encontrar um novo formato. Através de 22 gravações a personagem tenta reconstituir e compreender seu passado.
Em Flores Azuis Carola Saavedra explorou o fluxo de consciência, através do gênero epistolar
Carola Saavedra participou da FLIP 2010, em Paraty, na mesa Cartas, diários e outras subversões com a cubana Wendy Guerra com mediação do escritor João Paulo Cuenca.
Coquette, de óculos Chanel, chapéu e roupas claras de marca, a jovem escritora cubana atrai a atenção por onde passa. Wendy Guerra quer que discutam a sua literatura e não a ditadura castrista. Não conhece a obra da escritora Carola Saavedra, com quem dividiu a mesa Cartas, diários e outras subversões em Paraty,mas ficou brava comigo por eu näo ter lido seu livro até o fim. Esgotada com o assédio da mídia, a cubana performática, que passou 14 anos na TV como apresentadora de programa infantil, mostrou-se cheia de energia, de noite, na festa Buena Vista Social Club que a editora Saraiva fez em Paraty para lançar em grande estilo, seu livro Nunca fui primeira dama.
A literatura é como sexo
Tem que mostrar um pouco e deixar o resto sugerido. Para ela, a poesia começa quando entra o silêncio na literatura… Desde o primeiro livro Todos se van, ela escreve a partir dos seus diários, que reelabora. Quando questiono o que há de ficcional e de autobiográfico na sua obra, ela compara com a arte contemporânea: “ Você não pergunta à um artista o que há de real na sua performance… O real é como posso roubar minha própria vida e exibir-la performaticamente nas letras”.
Há um vazio do poder feminino em Cuba
Wendy pertence à terceira geração de filhos da revolução: “É muito difícil, aonde quer que estejamos, nós cubanos, devemos sustentar nossas mães, mandar dinheiro de Miami, da Espanha – não é meu caso - Mas é uma situação comum, elas que foram mulheres fabulosas, que fizeram a revolução, estão sem funçâo. Voltaram pra casa sem encontrar os filhos que emigraram por razões econômicas…Essa primeira dama então está só, esperando que a ajudem”.
Wendy gostaria de ver um protagonismo maior da mulher em Cuba, mas não gosta de falar de política: “Desconheço as razões reais pelas quais a blogueira Yoani Sanchez – que se opôe ao regime de Fidel - não pode sair de Cuba, para mim é um mistério…” Para sair de Cuba, ela tem de pedir autorização como todo cubano.
Não se dá com Yoani Sanchez, mas é amiga de Pedro Juan Gutierrez
” Gosto muito da literatura de Gutierrez, como vive… Não é meu mundo, mas gosto muito. São livros que vão ficar, pois é um registro histórico.” Wendy comenta que é muito fácil se enrolar em política em Cuba e que suspeita dos políticos.Quanto ao título, ela quis desafiar a superstição a de que quando você começa um livro negando, ele não vai bem. Nele, fala da revolucinária Celia Sanchez: ” a relação dela com a minha familia é a relação de Celia com a família cubana, as pessoas depositam flores em seu túmulo. Ela não foi uma primeira dama mas um canal entre o poder e o povo, poucos políticos estiveram nesse cordão umbilical, Gandhi talvez…”
As línguas francesa e italiana ganharão mais espaço na edição 2011. Não só por conta da ligação de Manuel da Costa Pinto, novo curador da Flip, com esses idiomas, mas também porque ele acredita,- e concordo com ele! – que houve um predomínio da literatura de língua inglesa, nos anos anteriores. Ele adianta para a coluna que não haverá grandes mudanças em relação às outras edições: ” É um modelo que funciona. Vimos isso no Festival da Mantiqueira, na Flip, Fórum das Letras, Fliporto…”.
Conversamos com o curador que substituiu Flavio Moura, à frente da Flip por 2 anos, em Olinda na Fliporto, Manuel nos disse que está em conversação com as editoras para negociar os nomes dos autores nacionais e estrangeiros que virão para a Festa Literária de Paraty em 2011: “É importante ouvir os editores. E certamente teremos algum homenageado, mas não dá pra falar, pois depende de direitos autorais, de negociar com a família… ”
A 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)acontecerá entre os dias 6 e 10 de julho de 2011, na cidade do sul fluminense. “Já estamos trabalhando na Flip 2011, sempre no intuito de manter a qualidade do evento que já conquistou a agenda literária mundial”, comenta Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul, organização responsável pela Flip.
Este ano, excepcionalmente a Flip foi realizada em agosto devido à Copa do Mundo. Em 2011, o evento volta a figurar no mês de julho no calendário cultural do país.
Até o dia 5 de setembro, quem for a Paraty, poderá ver a exposição Olhar de João. Elareúne 30 fotografias (em PB e Cor) do livro homônimo, lançado no início deste ano, que mostra um resumo do percurso fotográfico de Dom João de Orleans e Bragança.
“O olhar de João realmente vê, vai além da fachada das coisas. Seu olhar nos traz a cena por detrás da cena e é isso que separa um fotógrafo de alguém que simplesmente fotografa. A pessoa João se mistura com as muitas pessoas que habitam suas imagens, como amigos, parceiros na aventura da vida.” comenta o curador Milton Guran.
Sua estreia na fotografia profissional foi em 1977, na Manchete e na Revista Geográfica. Realizou a primeira exposição, Sombras e grafismos, em 1987, na Galeria Maurício Leite Barbosa, no Rio de Janeiro, e publicou o primeiro livro no ano seguinte: Rio Imperial. Desde então, desenvolve intensa atividade expositiva e editorial quase que toda centrada em temas brasileiros, com exceção do ensaio dedicado ao oásis de Siwa, com o qual voltou às origens da família - o Egito é a terra natal de sua mãe .
Dividindo-se com igual talento entre a cor e o preto e branco, entre o retrato e a fotografia de paisagem, João especializou-se também na fotografia aérea, seduzido pelo que o país-continente tem de mais característico e encantador: o encontro entre terra e mar. O movimento das ondas, rios, praias, pedras, encostas, matas ou areias esculpidas pelo vento atraem seu olhar, tanto quanto a diversidade de etnias que compõem a identidade o povo brasileiro.
Na saída da mesa Veias Abertas, o escritor Moacyr Scliar comentou a participação de Isabel Allende. Ele diz que, apesar de já conhecê-la, se surpreendeu com a escritora. “Com o tempo, ela ficou cada vez mais brilhante, mais inteligente, mais irônica, mais bem-humorada. É uma pessoa que tem um carisma muito grande”, contou. Moacyr revela que seu livro preferido dela é A Casa dos Espíritos.
Amanhã, 06/08, sexta-feira, ele mediará a partir das 17h15, a mesa Promessas de um velho mundo com um dos grandes nomes da prosa de Israel, Yehoshua, ao lado de Amós Oz e David Grossman. Yehoshua, como os colegas, é voz ativa no debate sobre o processo de paz no Oriente Médio. Azar Nafisi é o grande nome da literatura iraniana, país cujo regime teocrático critica de forma feroz em seu trabalho. Nesta mesa, os autores dão testemunho sobre o papel da literatura como caminho para um diálogo entre as culturas em conflito. Moacyr adianta que sua função será deixar que todos falem e conduzir as perguntas do público: “O depoimento deles será fundamental”.
Hoje, durante a coletiva de imprensa que concedeu a imprensa na Flip em Paraty, RJ, a escritora chilena Isabel Allende defendeu as mulheres que fazem política nos dias de hoje e disse que são boas administradoras. Ela citou o caso de Ruanda, onde mulheres foram obrigadas a assumir o poder depois que 70% dos homens foram assassinados num genocídio. Ela também comentou o “realismo mágico” em seu último romance A Ilha sob o Mar e afirmou que fazer parte da Flip é uma festa. Ela estará hoje na mesa “Veias abertas” às 17h15 ao lado do jornalista e escritor Humberto Werneck. Acompanhe pelo twitter @monadorf um pouco do clima da conversa dos dois, e por aqui continue acompanhando nossa cobertura ao vivo da Flip 2010.