O nu e os pelos, a metáfora e a realidade na Casa França-Brasil
Há um ano Evangelina Seiler assumia a direção da Casa França-Brasil para mudar o perfil da programação. A abertura de Grande - nesse sábado, 18/12, para convidados e domingo para o público- é acompanhada com grande expectativa: “Laura Lima é um dos maiores talentos da arte contemporânea brasileira. Seus trabalhos são instigantes, desafiadores e nos fazem pensar o papel da arte no nosso tempo”. Ela desaconselha o acesso de menores a algumas das obras.
De fato, a mostra não deverá passar despercebida já que a marca registrada de Laura Lima é usar pessoas, corpos humanos vivos, como parte da obra. Não se trata de uma performance ou happening: ” A presença humana, nas ações propostas que podem ser repetidas infinitamente, é totalmente dissociada do conceito de performance; os corpos-esculturas são a própria matéria da criação.” comenta a artista. Para dar conta, modelos/atores vão se revezar para todos os personagens/esculturas humanas durante a exposição.
Quatro grandes instalações ocupam todos os espaços expositivos da Casa França-Brasil. Obras impactantes, tanto em função do tamanho como em termos conceituais, abrem espaço à imaginação do visitante.
Aqui uma idéia de Pelos + Rede (1997/2010): numa rede de mais de 30 metros, que atravessa todo o vão central da Casa, um casal nu, em atitude contemplativa. A mulher tem seus pelos pubianos alongados e o homem, as sobrancelhas.
A base de construção poética , segundo a artista, “flerta com a obscuridade da criação”. A obra Pelos+Rede foi concebida dentro do conceito do conjunto Homem=carne/Mulher=carne, que Laura Lima desenvolve há alguns anos, bem como Baixo, outra das quatro obras que compõem a mostra.
Um imaginário povoado por pessoas-esculturas e metáforas que jogam com opostos que habitam a vida e a arte – organização e caos, razão e loucura, labor e contemplação.
O mágico nu (2010)
Circundado por uma inusitada estante que ocupa o vão central da Casa França-Brasil, um mágico, bem vestido, produz, sem parar, esculturas num torno de argila, fundidas a outros materiais. Ao mesmo tempo, ele organiza e reorganiza objetos e ferramentas na hiper-estante que, à sua frente. A argila, como na Criação, é matéria de tudo o que acontece nesse espaço e cria o contraste entre a elegância do mágico e a aparente “sujeira” da massa.
Destaque da nova safra
A mineira Laura Lima é um dos nomes promissores da arte contemporânea brasileira, tem uma interessante carreira internacional: expôs na Arco Madrid 2008, Bienal de São Paulo (1998 e 2006), duas edições da Bienal do Mercosul (Porto Alegre), To Age (Chapter Art Centre – Cardiff, Inglaterra); A little bit of history repeated (Kunst Werke, Berlim), Alegoria Barroca na arte contemporânea (Centro Cultural Banco do Brasil, RJ), Troca Brasil PNCA(Portland, Oregon, EUA) entre outras.
Grande
Até 20/02/2011
Local: Casa França-Brasil
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro- Rio de Janeiro
Horário: de terça a domingo, das 10h às 20h
Entrada franca


Orkut




