No Centro Cultural do Flamengo, Rio de Janeiro, Oi Futuro, três exposições simultâneas apresentam os trabalhos dos artistas Renata Parente, uma das precursoras da videoarte no país, Brígida Baltar com O que é preciso para voar e Xico Chaves com Órbita – Poética.
A exposição Letícia Parente, com curadoria de André Parente e Katia Maciel, é uma retrospectiva da obra em vídeo da artista produzida nas décadas de 1970 e 1980. Professora e química, Letícia decompõe e recompõe seu cotidiano em um laboratório de experimentações artísticas. Ela usa elementos objetos como cabide, tábua de passar, armário, balaio, linha e agulha, seringa, alfinete, caderno de vacinação, cartões perfurados, tubo de ensaio, carimbo e transforma em arte.
Os vídeos da artista exibem imagens captadas em casa. Elas expressam um elo sutil que Letícia traça entre o lar e o universo sensível da arte. Cada trabalho se confunde com a experiência vivida e dá novo significado aos ambientes. A casa é, então, a família, a religião, o país: ela é tudo e todos ao mesmo tempo.
A pouco conhecida obra da artista será exibida em mostras de julho a setembro em três capitais: Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. Letícia viveu nessas três cidades e construiu, a partir daí, um mapa particular que mistura várias sensações de Brasil. A sequência da exposição será no MAM, em Salvador, a partir de 24 de julho, e no Dragão do Mar, em Fortaleza, dia 9 de setembro.
Ela faz parte de uma geração que realizou os primeiros experimentos de videoarte no Rio de Janeiro a partir de 1974. Ao usar o suporte do vídeo para a arte, propôs um deslocamento do foco do objeto para o corpo e a subjetividade. Ela se lançou na arte tardiamente, já com 40 anos, nas oficinas de Ilo Krugli e Pedro Dominguez, no Rio de Janeiro. De volta a Fortaleza, depois de participar de várias exposições coletivas e receber um prêmio do Salão de Abril, realiza em 1973 sua primeira exposição individual (Museu de Arte da Universidade do Ceará – MAUC), com um conjunto de 29 gravuras. Em 1974, se muda para o Rio de Janeiro para fazer doutorado e continua a frequentar oficinas de arte.
Entre 1974 e 1982, Letícia Parente fez parte do grupo que ficou conhecido pelo pioneirismo em videoarte no Brasil. Formado por Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale, Sônia Andrade, Ivens Machado, Paulo Herkenhoff, Letícia Parente, Miriam Danowski e Ana Vitória Mussi. Eles produziram uma série de vídeos que circularam em grande parte dos eventos de videoarte no Brasil ou no exterior. Na verdade, o vídeo era apenas um dos meios empregados pelos artistas, entre muitos outros, como a fotografia, o audiovisual (projeção de slides com som), o cinema, a arte postal, a xerox e a instalação.
O que é preciso para voar de Brígida Baltar
A exposição traz cerca de 12 obras inéditas de Brígida Baltar, entre vídeos, objetos, maquetes e trabalhos em neon. Brígida Baltar foi buscar em suas reminiscências da infância e na relação com seu irmão, Cláudio Baltar, o mote para uma utopia: o desejo de voar. Assim, deusas e cenas míticas se misturam a castiçais e detalhes de mobiliários adquiridos em antiquários.
Brígida Baltar
Confiança de Brígida Baltar
“No projeto O que é preciso para voar, Brígida e seu irmão Cláudio Baltar rememoram a infância”, diz o curador Marcelo Campos. Quando o espectador senta em uma das obras – um balanço –, Brígida relembra sensações infantis, como se voltasse a uma praça para brincar: “Eu posso sentir ainda o cheiro do ferro e das engrenagens e elas eram como a extensão dos braços, das pernas, tão frágeis, tão confiantes. Sim, havia a possibilidade de voar, de fazer ventar, e muita confiança.” A isso, Cláudio responde: “QUERIA IR À LUA. Mais alto, mais alto, cada vez mais rápido! Havia sim, o medo de cair, de perder o controle.” O trabalho, então, adquire esta impactante sinceridade. Duas crianças e suas vertiginosas vontades de voar.
Voar de Brígida Baltar
Brígida Baltar
Começou a desenvolver sua obra nos anos 1990, criando uma poética a partir de elementos bastante simples e essenciais. A casa onde morou por quinze anos, no bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio, inspirou diversos trabalhos de sua autoria. Em 2005, Baltar partiu para uma nova fase em seu trabalho, com elementos que dialogam com a produção anterior. Como os livros/objetos feitos de pó de tijolo e intitulados Utopias e devaneios. Ou os desenhos Floresta vermelha, de 2006, que também se apropriam do pó de tijolos. Utilizando elementos que se conectam com a obra de outros artistas-chave na contemporaneidade brasileira, como Hélio Oiticica e Lygia Clark, Baltar participou de importantes exposições. Entre elas estão Panorama da arte brasileira (2007) e Paralela (2008).
Órbita – Poética de Xico Chaves
A exposição é uma panorama da produção do artista que, desde a década de 70, vem trabalhando com diversas mídias simultaneamente e possibilidades de linguagem. A proposta é apresentar ao público a obra e o pensamento de um artista cuja tônica sempre foi o experimentalismo em diversas áreas. A integração de som e imagem proporcionam a criação de um ambiente multidimensional de memórias e atualidades, num diálogo entre o cosmos e a realidade.
Xico Chaves não é um artista convencional, ele é um desses casos raros de artista que se mantém na vanguarda há mais de quatro décadas. Ele trabalha de maneira lúcida e engajada diversas linguagens – pintura, criação de objetos, instalações, performances, intervenções, fotografia, vídeo, poesia, música.
Xico Chaves
Artista multimídia com extensa produção em artes visuais, música, teatro, TV, cinema e poesia, Xico Chaves é um dos principais artífices da cena cultural contemporânea brasileira. Formado em Artes e Ciências da Comunicação pela CEUB – DF, há quatro décadas ele vem trabalhando em múltiplos campos de expressão. Desde o início de sua trajetória, na década de 70, sua produção esteve centrada na pesquisa de novas formas de expressão, como os poemas gráficos e experimentações no campo da música eletroacústica. Nos anos 80, liderou a criação de alegorias e adereços poético-carnavalescos, com a fundação do Bloco Suvaco do Cristo e outros. Com o trabalho de pintura com minerais e pigmentos, participou da exposição Como Vai Você, Geração 80. Atuou em grandes projetos culturais e em parcerias com artistas como Nelson Felix. Como diretor do Centro de Artes Visuais da Funarte, vem contribuindo significativamente para o estímulo, difusão e fomento das artes visuais contemporâneas brasileiras. Xico Chaves participou de mais de 80 exposições nacionais e internacionais. Suas obras fazem parte de coleções como a do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e a do Museu Nacional de Belas Artes, entre outras.
Até 28 de agosto de 2011
Local: Oi Futuro Flamengo Rua Dois de dezembro, 63– Flamengo – Rio de Janeiro
Horário: terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada: Franca
Com filmes e vídeos do acervo do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, EUA, a exposição Warhol TV estabeleceu um novo recorde de público nos centros culturais Oi Futuro Rio de Janeiro e Belo Horizonte com mais de 30 mil visitantes. Depois da temporada em Minas Gerais, a mostra internacional chega hoje, 29/07, a São Paulo graças a uma parceria entre a Oi e o SESC/SP e vai até setembro.
Antes do Brasil, a mostra Warhol TV, que tem curadoria da francesa Judith Benhamou-heut, só foi vista em Lisboa e Paris e mostra uma faceta pouco conhecida do artista pop americano, exclusivamente voltada para suas experimentações com imagens em movimento e produções para a televisão.
Percurso da mostra no OI Futuro-RJ
Saímos do térreo onde três monitores projetam o episódio 2 do programa “Andy Warhol’s Fifteen Minutes” (com Grace Jones, Kenny Scharf, Marc Jacobs e William Burroughs, entre outros). E subimos as escadas; logo de cara, um fragmento do screen test feito por Warhol com o artista Marcel Duchamp, em 1966. Pode se dizer que nesses testes, Warhol antecipa os realities shows, ( simplesmente deixava ligada uma câmera, na frente de um amigo ou convidado em seu ateliê, a famosa Factory) , o screen test com Duchamp aconteceu numa retrospectiva em Pasadena. Na primeira sala, comerciais muito alegres feitos pelo artista para a Coca-Cola.
Nas paredes laterais, imagens gigantes, em câmera lenta, de Andy Warhol correndo; passamos por vários experimentos e pelo Museu das telecomunicações da Oi, até chegar à sala com vídeo de Andy Warhol para o programa “Saturday Night Live”, de 1981. Convidado para para ir pessoalmente, Warhol, preferiu gravar uma impagável participação, onde surge com cabeça decepada. Segundos depois, ela aparece no chão conversando ainda com o espectador.
Antes do controle remoto
Warhol adorava assistir TV e pode até participar como convidado Vip de um seriado. No nível 5, passa o episódio de 49 minutos de “Love Boat”, gravado em 1985, onde ele atua como ele mesmo, passageiro do cruzeiro marítimo. Numa sala, foi recriado o quarto de Warhol, para que o público, deitado numa cama king size, com almofadas e duas TVs de cada lado, sinta como o artista via tevê, na era pré-zapping, antes do controle remoto.
Andy Warhol (1928-1987) experimentou vários meios de expressão: cinema, fotografia, pintura, música e vídeo. Produziu videoclipes para diversas bandas, como The Cars. Da metade dos anos 1960 e nas duas décadas seguintes, Warhol fez uma série de filmes e vídeos para a televisão. Para viabilizar seus programas, em formatos extremamente inovadores para a época, criou sua própria produtora, com Vincent Fremont, que trabalhou com ele até sua morte, em 1987. Fremont que esteve na abertura da mostra criou a Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais.
A série de programas “Fashion” (dez episódios sobre moda, criadores e manequins) e “Andy Warhol’s TV” foram vistas em canais a cabo. Neles, Andy Warhol entrevistou celebridades como Steven Spielberg, Cindy Sherman, Keith Haring, Issey Miyake, Divine, Sting. Juntou no mesmo programa ( que pode ser visto na mostra ) uma conversa improvável entre a jovem Paloma Picasso e a sexagenária pintora Georgia O´Keeffe. A recém nascida MTV exibiu de 1986 até a morte do artista, em 1987, o “Andy Warhol’s Fifteen Minutes”, com episódios de 30 minutos cada, centrados sempre em celebridades: Grace Jones, Courtney Love, Halston, Marc Jacobs, Blondie, David Hockney, Kenny Scharf e Basquiat…
O último show, a transmissão da missa fúnebre
Judith Benhamou-Huet que mergulhou no acervo do Museu Andy Warhol, pesquisando filmes e vídeos feitos para a televisão quis retratar Andy Warhol a partir dessa produção: ” A mostra é uma viagem dentro das obsessões do artista. Suas fascinações, seus amores, suas surpresas e seus temores, como a morte”, diz. A curadora comenta que em 1987 a transmissão de sua missa fúnebre acabou por ser a trágica realização de seu desejo de aparecer “no ar”. A mostra exibe a projeção da missa, na Igreja de St Patrick, em Nova York, numa sala com bancos dispostos como num templo de oração. O ambiente é escuro, como convém, para “O último show”.
Um Warhol, produtor, outro ator
Ambos, enfeitiçados pela mídia que simbolizava o moderno naqueles anos: a TV. Nas produções feitas para canais a cabo, nos programas ‘Warhol’s TV’, ‘Warhol’s Fifteen minutes’, ‘Fashion’, aparecem temas recorrentes de seu universo: a beleza, o sexo, os artistas, o desejo de ser famoso e a transformação. Nada mais atual, na era das plásticas excessivas, da busca pela juventude eterna, dos BBBs, de Fazenda e Casa dos Artistas… Para Judith Benhamou, esta fascinação pela celebridade se insere na ambição de Warhol por reconhecimento: “Ele procura ser visto, ao usar a televisão. Nós o vemos, a partir de sua participação em programas de sucesso na época, como “Love Boat” ou “Saturday Night Live”, e nos filmes de publicidade produzidos por ele ”.
Exposição Warhol TV
Até 25 de setembro de 2011 Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros- São Paulo – SP
Terça a sábado, das 10h30 às 21h30; domingos e feriados, das 10h30 às 17h30
Livre para todos os públicos
Grátis
Inspirado em uma notícia de jornal, o filme De Pernas Pro Ar estreia hoje, sábado, 01/01, em todo o Brasil. Diversão e boas gargalhadas no começo de ano, garante a atriz Maria Paula. ”É uma data muito boa, porque no primeiro de janeiro está todo mundo de ressaca, ninguém consegue sair de casa e todo mundo vai para o cinema”. Ela interpreta Marcela, a dona de uma sexy shop. Maria Paula nos contou um pouco mais sobre o filme e falou sobre os 17 anos no programa Casseta&Planetadepois de participar de uma palestra na Fliporto em Olinda sobre a biografia de Bussunda por Guilherme Fiuza.
“Uma comédia romântica para todo mundo entrar em 2011 bem-humorado”
“Um dia li uma matéria sobre uma vendedora de produtos eróticos porta-a-porta. E achei aquilo tão interessante e, ao mesmo tempo, tão simbólico, que resolvi que faria um filme sobre isso”, conta o diretor Roberto Santucci.
Espécie de fábula realista sobre a vida da mulher moderna, De Pernas Pro Ar conta a história de Alice, uma executiva que trabalha demais e não tem tempo para nada. Tudo parece em ordem até que seu marido, papel de Bruno Garcia, resolve pedir um tempo do casamento no mesmo dia em que ela é demitida. Depois de perder o emprego, ela se une à vizinha Marcela, interpretada por Maria Paula. ”A Alice começa a me ajudar na sexy shop e a loja ‘bomba’. A sexy shop que vivia atolada em dívidas de repente vira um grande sucesso. A gente faz como se fosse a Avon, senhoras indo vender produtos da sexy shop em casa para todo Brasil. Realmente é uma história muito engraçada. Vale a pena ser vista. Comédia para a galera rir bastante.”
Assim, Alice acaba descobrindo um novo universo e aprende que é possível ser uma profissional de sucesso sem deixar os prazeres da vida de lado. Abaixo, assista ao trailler.
O filme tem orçamento geral de R$ 6 milhões e foi rodado no Rio de Janeiro, Paulínia e Campinas. O patrocínio é da Oi e o apoio cultural do Oi Futuro.
“É uma comédia sensacional. Eu, Ingrid Guimarães e Bruno Garcia…É uma história muito boa, muito engraçada para toda a família. “, recomenda Maria Paula.
17 anos de Casseta&Planeta
Rodeada pelos filhos, ela falou sobre sua participação no programa humorítico Casseta&Planeta da Rede Globo: “é um casamento. É muito importante a gente fazer uma coisa que as pessoas curtem e tem uma repercussão enorme. E também porque é um texto muito bom, uma crítica social, política. E a gente fala da gente mesmo, critica até a Globo, as próprias novelas. O único porém foi a morte do Bussunda que deu aquela dor no coração. O Casseta em si é só alegria na minha vida”.
O trabalho de um dos mais importantes nomes da videoarte mundial, o artista americano Tony Oursler – presente na Bienal de São Paulo em 1998 -pode ser visto no Oi Futuro no Flamengo, Rio de Janeiro, na exposição individual Projetor, que ocupa todo o prédio.
Ele já fez mostras individuais e coletivas em prestigiosas instituições ao redor do mundo, mas é primeira grande exposição na América Latina.
Tony Oursler inspirou toda uma geração de videoartistas e videomakers brasileiros, muitos dos quais já mostramos aqui: Eder Santos, Lucas Bambozzi, Inês Cardoso… Desde os anos 1980, desenvolveu um original processo de animação que o destaca entre os pioneiros da videoarte e das técnicas multimídia, associadas à instalação, onde a imagem é projetada em outros suportes, nunca em tela plana. As obras de Oursler quase sempre incluem a animação de objetos com o uso de projetores e fazem uso de bonecos, espécie de marca registrada de seu trabalho.
Destaque para os vídeos do início da carreira de Tony Oursler
Completam a Mostra desenhos, dois trabalhos de uma das séries expostas, neste momento, na Galeria Lehman Maupin, em Nova York, dois trabalhos da última década – Cell phone (2008), e Climaxed (2005) –.
E também duas instalações, incluindo a antológica Judy, de 1994, inspirada na síndrome da múltipla personalidade, em que uma figura vai se transformando em outra.
O curador Paulo Venancio Filho quer mostrar ao público uma síntese concentrada e atual da obra do artista: “Tony Oursler é um artista que está no mesmo patamar de importância de Bill Viola e Gary Hill, pioneiros da videoarte, e se distingue deles por sua atração e obsessão pela esquizofrênica imagética da cultura visual norte-americana e global, que não se cansa de explorar e revelar”.
A constante absorção de toda evolução técnica da reprodução de imagens, em que utiliza a tecnologia de ponta disponível é característica de seu trabalho. A instalação da obra também é parte fundamental do trabalho, a montagem ficou a cargo da produtora Automática.
Nas instalações, o espectador vê flores animadas, olhos gigantes que piscam, bonecos que falam. O resultado é uma atmosfera fantástica e delirante que nos devolve de forma crítica em relação a todo o entulho de imagens que nos envolve diariamente.
Tony Oursler
Vive e trabalha em Nova York. Formou-se em artes plásticas no Instituto de Arte da Califórnia (Cal Art), em 1979. Sua arte abrange uma gama de meios de trabalho com vídeo, escultura, instalação, performance e pintura; está nas coleções de importantes instituições: MOMA e Whitney Museum of American Art, em Nova York, Centro Georges Pompidou, em Paris, Museu Ludwig de Colónia, Museu Hirshhorn, em Washington e a Tate Modern de Londres.
Tony Oursler – Projetor
Até 23 de janeiro de 2011
Local: Oi Futuro Flamengo, Rio
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação etária: Livre
Três exposições simultâneas: Revídeo de Lenora de Barros,Night Painting do fotógrafo Renan Cepeda e Qualia, obra inédita da artista Simone Michelin, feita especialmente para a exposição, prometem mexer com os sentido no Centro Cultural do Flamengo, Rio de Janeiro, na Oi Futuro.
Lenora de Barros sempre foi moderna. Filha do fotógrafo Geraldo de Barros, não só teve a quem puxar, como também, foi educada numa casa que respirava arte, desde sempre. Pela primeira vez, uma exposição reúne todas as videoperformances dessa artista paulistana; a retrospectiva abrange mais de 25 anos, com trabalhos feitos desde 1984.
O humor é uma característica constante em sua produção. “Me interessa o que surpreende pelo inusitado, situações engraçadas, humor patético, ironia, paradoxos…”, conta Lenora. Os trabalhos sonoros, que tomam como ponto de partida a palavra escrita ou falada, também fazem parte da produção da artista.
Revídeo, além de reapresentar trabalhos antigos, também sinaliza novos caminhos em sua produção: “Não sou videomaker, e o vídeo me interessa como ‘linguagem suporte’, no seu aspecto ‘documental’, como um meio”.
Temporal (inédito, 2010), faz parte da série Lugar de Sempre, trabalho que Lenora de Barros apresenta, em parte, na edição deste ano da exposição Paralela em São Paulo , são novos vídeos que apontam para o campo semântico do “excesso, do acúmulo, da saturação do tempo”.
Night Painting
Na parede do nível 8, as fotos projetadas de Renan Cepeda, imagens feitas em completa escuridão. Apenas com uma lanterna comum e duas câmeras, utilizando eventualmente alguns filtros, Cepeda ilumina as cenas noturnas criando as paisagens e retratos de rara beleza. Além desta exibição, o trabalho de Cepeda está permanentemente disponível na galeria virtual de fotografias do site do Oi Futuro.
Qualia
Também em retrospectiva, os 30 anos de trajetória de Simone Michelin, artista gaúcha, radicada no RJ. O trabalho, que conta com a curadoria do Paulo Herkenhoff, está dividido em dois espaços e reafirma seu interesse pela tecnologia e a imagem.
No primeiro, uma estrutura de acrílico transparente abriga, em cima de uma esteira rolante em látex, três canhões de laser que imprimem marcas diferenciadas em sua superfície. Elas revelam estatísticas sobre mortes, drogas e lavagem de dinheiro. Três mostradores digitais indicam ao público quais dados estão sendo gravados naquele momento. “A história deixa um registro, uma marca, uma memória gravada”.
Na sala ao lado, uma videoinstalação em 3D mostra imagens de moléculas de substâncias entorpecentes, como o THC (encontrada na maconha), cocaína e ecstasy. Espelhos laterais multiplicam as imagens projetadas e causam um efeito hipnótico. ”Nesse trabalho busco entender essa tecnologia e produzir uma experiência intensa”, conta Simone Michelin.
Quando a Bienal de São Paulo elege como tema a relação entre Arte e Política, Simone observa: “Ações de ordem social, baseadas em escolhas individuais me interessam. O que para mim tem de mais político na minha produção é essa escolha. As escolhas feitas por cada um afetam a comunidade. O coletivo não existe sem o individual e vice-versa”, explica. “Pessoas estão por trás dessas estatísticas presentes em Qualia, têm suas vidas marcadas e se posicionam em relação a elas”.
Revídeo/ Night Paintings (Nível 8)/ Qualia Oi Futuro Flamengo
Até 17 de outubro de 2010
Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro 21
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação etária: Livre
A intervenção da fachada da Oi Futuro em Ipanema, RJ, chama a atenção para a exposição que termina nesse fim de semana, com trabalhos inéditos da artista Adriana Varella e do poeta Renato Rezende. Além do projeto da fachada, Adriana traz para a galeria a videoinstalação Trans pequenos esboços. Já Renato Rezende participa da terceira edição do Projeto Passagem com o poema visual Eu posso perfeitamente mastigar abelhas vivas, onde usa sons, luzes e imagens para criar um ambiente visual e sonoro de uma colméia.
Como não poderia deixar de ser, a abertura teve performance comme il faut.
Brasileira residente em Nova Iorque, Adriana Varella utiliza múltiplas mídias em suas obras, tais como instalação, vídeo, som, fotografia, desenho e escultura. Em seu trabalho, busca desafiar o imaginário ao usar experimentações e novas propostas. As obras inéditas dela são inspiradas na idéia Trans, que contempla o homem e sua relação com o espaço público, seja ele urbano ou rural. A videoinstalação Trans pequenos esboços traz cinco projeções que ocupam as paredes e chão da galeria, em um clima imaginário de sonho. O vídeo abaixo é uma delas.
Artes Visuais: Renato Rezende e Adriana Varella
Até 25 de julho
Local: Oi FUTURO – Ipanema, Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Pirajá, 54
De terça a domingo, das 13h às 21h
Entrada franca
Classificação etária: Livre