Mais de 9 milhões de obras! A Biblioteca Nacional é considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo. ”O prédio sede tem dois armazéns com seis andares, em cada andar cerca de 450 estantes que estão cheias”, mostra Mônica Rizzo, diretora do centro de referência e difusão. Ela explica: “a Biblioteca recebe um exemplar de tudo o que é publicado no país como forma de preservação da memória nacional”. Há cem anos, o acervo da Biblioteca Nacional está preservado no edifício de estilo eclético, na Cinelândia, Rio de Janeiro, onde hoje funciona a sede da Fundação Biblioteca Nacional.
Biblioteca Nacional/ Foto: Ricardo Figueira
O acervo da Biblioteca Nacional é formado originalmente pela antiga livraria de D. José, que foi organizada por Diogo Barbosa Machado, Abade de Santo Adrião de Sever, para substituir a Livraria Real, que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa de 1º de novembro de 1755. O início da Real Biblioteca no Brasil está ligado a vinda de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808.
“Essa coleção chegou aqui em 3 etapas e era formada por cerca de 66 mil peças muito importantes como manuscritos raros e livros publicados desde o século XV”, conta Mônica. Inicialmente tudo foi acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março. Em 1810, um decreto do Príncipe Regente determinou que o lugar acomodasse a Real Biblioteca. Sendo assim, a data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi aberta ao público em 1814.
“Mesmo com a volta da família real, a coleção permaneceu no Brasil e foi parte de nosso Tratado de Paz e Amizade com Portugal. Ela foi paga como parte da compensação devida pelo Brasil a Portugal pela perda que eles tiveram com a nossa independência. É uma memória que pertence a Brasil e Portugal, mas é de nossa propriedade”.
O prédio atual teve sua pedra fundamental lançada em 15 de agosto de 1905 e foi inaugurado cinco anos depois, em 29 de outubro de 1910. Projetado pelo General Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, a construção foi dirigida pelos engenheiros Napoleão Muniz Freire e Alberto de Faria.
As instalações do novo edifício correspondiam na época de sua inauguração a todas as exigências técnicas: pisos de vidro nos armazéns, armações e estantes de aço com capacidade para 400.000 volumes, amplos salões e tubos pneumáticos para transporte de livros dos armazéns para os salões de leitura: ”o prédio foi projetado e planejado para ser uma biblioteca. É um prédio robusto que aguenta muito peso e foi inaugurado na data do centenário da Biblioteca, ou seja, a Biblioteca tem 200 anos e o prédio tem 100. É um prédio muito bonito, as estantes são todas em aço”, completa Mônica.
Livros raros: Bíblia de Mogúncia
O acervo de obras raras é constituído de material bibliográfico diversificado – livros, folhetos, folhas volantes, periódicos – e selecionado segundo parâmetros que o consideram raro ou precioso. Segundo esses parâmetros, não basta ser antigo, é preciso ser único, inédito, fazer parte de alguma edição especial, apresentar uma encadernação de luxo ou, até mesmo, ter o autógrafo de personalidades célebres como D. Pedro II, Coelho Neto, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado.
Um dos livros mais raros deste acervo é a famosa Bíblia de Mogúncia impressa em 1462, pouco tempo depois da descoberta da imprensa por sócios de Guttemberg. Aqui, também estão a primeira edição de Os Lusíadas(1572); o Rerum per octennium…Brasília, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores desenhadas por Frans Post; e o menor livro do mundo que, com apenas um centímetro de comprimento, ensina o “Pai Nosso” em sete línguas.
A divisão de Manuscritos comporta cerca de 900.000 documentos e surgiu como complemento do acervo da Real Biblioteca com, aproximadamente, mil códices manuscritos e avulsos (documentos oficiais). Ao longo do tempo foram incorporados ao acervo outros importantes conjuntos documentais: “esse manuscrito foi oferecido ao príncipe João que depois viria ser D. João VI por um bacharel português. É muito interessante porque foi feito todo em pergaminho, como os livros medievais, e ele é mais ou menos uma espécie de O Príncipe de Maquiavel só que ‘menos maquiavélico’. São sonetos para o príncipe explicando como ele deve governar, como deve se comportar com seu povo. Cada soneto é ilustrado por emblemas que são ilustrações feitas a mão. Todo o livro é feito a mão”, explica a bibliotecária Ana Lúcia Merege.
“Esse outro é um dos códices de Francisco Lemão, que foi médico e botânico no século XVIII. Ele deixou cerca de 3800 páginas de seus diários de campo mostrando uma parte interessante da flora brasileira, principalmente na região sudeste, e que hoje tem a maior importância para pesquisadores na área da flora e da botânica. Nosso trabalho não é só descrever esses documentos, mas também disponibilizar. Estamos trabalhando para fazer com que esses documentos sejam digitalizados e se tornem acessíveis online”.
Uma platéia seleta de convidados formada por economistas, jornalistas e intelectuais ouviu nessa segunda no Cultura Artística Itaim, em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discursar sobre Maquiavel. Ele já havia discutido na Flip com Salman Rushdie, mas ontem fez uma palestra especial precedida de coquetel no lançamento da parceria Penguin-Companhia das Letras.
O editor Luiz Schwarcz comenta, na abertura do evento, que convidou Fernando Henrique para fazer o prefácio de Il principe, o “príncipe dos sociólogos” na nova edição lançada dentro da parceria Penguin-Companhia das Letras que o ex-presidente é um clássico. Aqui um trecho da palestra.
Na saída FHC fala com os jornalistas, sobre política, Serra e Lula, e Maquiavel
Porque não tem participado da campanha? Diz que não tem mais tanta energia, mas que tem escrito, dado entrevistas, fala com Serra toda hora, por telefone… Acredita que os debates são engessados, mas que o candidato do PSDB foi bem no primeiro, o da Band.
Sobre a afirmação de Lula dizendo que quer ensiná-lo a ser ex-presidente: “Tou louco para aprender!” (risos). E continua: “Pra ele, ex-presidente não deve fala nada, a não ser a favor. Os outros ex-presidentes, com exceção do Itamar, só falam a favor dele, não é?“
Pergunto: ”O senhor disse que a maior virtude de um político é saber manter-se no poder?”. Mais uma vez ele responde sorrindo:
”Eu não, quem disse isso foi Maquivael, eu não sou maquiavélico!“
Presentes para ouvir FHC: os escritores Bernardo Carvalho, Lygia Fagundes Telles, João e Pedro Moreira Salles, os editores Luiz e Lilia Moritz Schwarcz, John Makinson, o livreiro Pedro Herz e os economistas, André Lara Resende, Elena Landau, Eduardo Gianetti da Fonseca.
Matinas Suzuki Jr o editor da Penguin, comentou os novos lançamentos e as trocas entre as duas editoras. Elas lançaram O Príncipe, de Maquiavel, Pelos olhos de Maisie, de Henry James, Essencial Joaquim Nabuco e O Brasil Holandês (organizado por Evaldo Cabral de Mello) e vão levar autores nacionais como Jorge Amado para serem publicados no exterior.
Dia dos mais agitados na FLIP 2010, em Paraty, começaram as entrevistas coletivas com os autores da festa, agora de manhã: Lionel Schriver e Isabel Allende.
Numa sessão restrita á imprensa, à 1h da tarde, a Companhia das Letras celebra sua parceria com a Penguin, colocando Salman Rushdie pra debater com FHC,O Príncipe, de Machiavel - um dos primeiros títulos lançados pela nova empresa, com prefácio do ex-presidente.
Peruana naturalizada chilena, Isabel Allende lança na Flip seu mais novo livro, A ilha sob o mar. Depois de três anos sem publicar – seu último trabalho, A soma dos dias, foi lançado em 2007 –, Isabel volta à ficção com a história da escrava Zarifé. Jornalista desde os dezessete anos, estreou na literatura com A casa dos espíritos, em que utilizou os manuscritos das cartas que escreveu para seu avô, enquanto ele se convalescia no leito de morte, para retratar os fantasmas da ditadura de Pinochet. A escritora se transformou em um verdadeiro best-seller mundial, com dezoito livros publicados em mais de trinta idiomas. O curador da Flip, Flávio Moura explica porque a convidou para a festa.
Sucesso estrondoso de público, desde A casa dos espíritos, de 1982, tem mais de 56 milhões de livros vendidos em trinta idiomas. Ao lado de Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e Carlos Fuentes, Isabel Allende é um dos nomes mais bem-sucedidos da literatura latino-americana e um ícone do “realismo mágico”, que marcou a prosa no continente desde os anos 1970. Sobre essa trajetória singular, ela conversa com Werneck na mesa que foi das mais disputadas- os ingresssos se esgotaram em menos de 10 minutos! Quando junta um aestrela com best-seller dá nisso. Tentarei passar um pouco do clima da conversa dos dois através do tuitter, e você poderá acompanhar ao vivo por aqui.