Autora dos livros Meu amor, Azul e dura, Não falei e Antonio, a escritora Beatriz Bracher também é roteirista de cinema. Em 1994, escreveu o argumento do filme Cronicamente inviável, com Sérgio Bianchi. A parceria se estendeu no longa-metragem Os inquilinos, com o qual conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio 2009 e os troféus de melhor filme, melhor direção, melhor ator no Prêmio Fiesp/Sesi-SP. Tanta criatividade tem explicação: Beatriz é uma leitora voraz e aqui nos brinda com suas recomendações.
Formada em Letras, Beatriz Bracher (1961, São Paulo, Brasil) foi uma das editoras da revista de literatura e filosofia 34 Letras e cofundadora da Editora 34, onde trabalhou por oito anos.
O rompimento de seu namoro, por email, com escritor Grégoire Bouiller, forneceu a fotógrafa francesa Sophie Calle inspiração e amplo material para produzir o que talvez seja o seu maior projeto artístico, até hoje. Com o email em mãos, ela pediu a mulheres de diferentes profissões que fizessem do “limão, uma limonada”, interpretassem o ‘fora’ do ex-namorado ou criassem alguma obra em cima dele. Resultado: um livro, uma exposição, uma vinda ao Brasil, com direito a debater em mesa da Flip com o ex, que por sua vez, também colocou em livro, a sua versão dele do fim do caso.
Foto: Ivson
A brasileira Inês Cardoso faz mais, com seu projeto Museu Virtual dos Corações Partidos onde ela dá voz a um contingente de pessoas e suas decepções amorosas.
O projeto integrou a Mostra Rumos Cinema e Vídeo 2009/2011 – Linguagens Expandidas, que passou pelo Itaú Cultural em São Paulo e pelo Centro Cultural Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.
A videomaker Inês Cardoso se dedica a falar dos rompimentos amorosos. O Museu dos Corações Partidos é um espaço museográfico na rede onde estão acessíveis os depoimentos de anônimos coletados por ela, via Skype, no Brasil, Finlândia, Inglaterra e Portugal. As conversas tornaram-se matéria poética para o desenvolvimento de um filme, uma cartografia amorosa.
“O objetivo principal deste documentário é uma investigação contemporânea sobre o amor, das noções do afeto e do desejo”, conta Inês. Para elaborar esse projeto, ela se apropriou de inúmeros arquivos, depoimentos, imagens e sons.
Na exposição, além do documentário, também podem ser vistas imagens doadas por diversos artistas, como Camille Kachani, Cao Guimarães, Cláudio Bueno, Cris Bierrenbach, Edith Derdyk, Gui Mohallem, Guto Lacaz, Helena Carvalhosa, Jac Leirner, Joan Rabascall, José Roberto Aguillar, Kika Nicolela, Léa Van Steen, Lenora Barros, Mônica Rubinho, Néle Azevedo, Nina Moraes, Nuno Ramos, Paulo Pasta, Regina Silveira, Sidney Philocreon e Tadeu Jungle.
Um passeio virtual pelo espaço
Na internet, o site Museu Virtual de Corações Partidos e o Blog Museu dos Corações Partidos continuam existindo. É lá que as pessoas, anônimas ou não, podem compartilhar virtualmente suas frustrações e decepções amorosas. “É a retomada do discurso autobiográfico sob forma coletiva. Não importam os personagens, o retrato social do fenômeno do desejo, dos critérios com os quais o social se inventa”. É a perda sofrida, compartilhada pela internet.
Inês Cardoso
Curadora independente, realiza vídeos, filmes e instalações. Retrospectivas de seu trabalho foram apresentadas no Festival de Cinema de Tiradentes e no MAM/BA. Suas videoinstalações foram exibidas no Videobrasil, no Sesc, no Paço das Artes, no Museu da Casa Brasileira e na Virada Cultural.
Obra: Bandeira Branca de Nuno Ramos no Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, 2008
Ele ocupa o vão central do Pavilhão, que já foi de Tunga. É impossível não olhar para a instalação de Nuno Ramos, de onde quer que se esteja. Uma rede une os 3 andares do prédio, fechando numa imensa gaiola, urubus e grandes blocos de areia negra compactada, sobre as quais repousam lâminas de granito. Nâo há artista que não sonhe em ocupar esse espaço nobre da Bienal, mas, os urubus confinados ou melhor, a obra, já está despertando a ira dos defensores de animais que estão com um abaixo assinado circulando pela web, com mais de 2000 assinaturas. A Bienal nem abriu para o público e já tem problemas com várias obras. Nuno já tinha apresentado essa mesma instalação, em dimensão bem menor, no CCBB de Brasília. Para ele, a montagem na Bienal ficou muito mais rica pois interage com a arquitetura: os blocos ou colunas dialogam com as formas curvílineas do prédio de Niemayer. Quanto às aves, pertencem ao Parque dos Sertôes, em Sergipe e serão alimentadas por tratador. Já são parceiras de Nuno: são as mesmas 3, que já ficaram engaioladas na última instalação em Brasília. O artista não gosta de falar da obra, mas não resisto em perguntar, ao encontrá-lo na pré-montagem pelos corredores.
“Os urubus têm essa carga intensa, essa relação entre morte e vida que tem a ver com o trabalho” comenta Nuno, ganhador do primeiro lugar do Prêmio Portugal Telecom. Ao falar de vida e morte, a obra dele conversa com a instalação de outro artista, de outra geração: os trabalhos conceituais dos anos 60 e 70 de Antônio Cícero Dias.
Antônio Cícero Dias – um clássico da vanguarda
Fotos: Gabriele Basilico e Udo Grabow
Obras: O País Inventado / Dias-de-Deus-dará e Faça Você Mesmo: Território Liberdade de Antônio Cícero Dias
Faça Você Mesmo: Território Liberdade (1968), uma experiência com marcações em fitas adesivas colocadas no chão para que os visitantes criem seu próprio itinerário no espaço marcado.
29ª Bienal de São Paulo
De 25 de Setembro a 12 de Dezembro, 2010
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera,Portão 3, sem número, São Paulo
Horários de funcionamento:
- De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
- 5ª e 6ª feira: das 9 às 22h (entrada até as 21h)
- Sábado e domingo: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
Entrada gratuita
O escritor e artista plástico Nuno Ramos – autor de O Pão e o Corvo e do premiado livro Ó – participa hoje, 21/09, de um bate-papo com o público no projeto Estante Viva do SESC Belenzinho. O encontro acontece na Sala de Expressão Corporal 2, às 20 horas, com entrada franca. A conversa tem como foco cerca de 30 livros que Nuno Ramos selecionou do acervo da biblioteca do SESC Belenzinho para compor, em setembro, a Estante Viva. No bate-papo, o autor vai justificar a escolha das publicações e revelar a importância de cada uma dessas obras literárias em sua vida ou trajetória profissional.
Além de preparar uma exposição no Rio de Janeiro e outra na Bienal de São Paulo, Nuno Ramos acaba de lançar um novo livro, O Mau Vidraceiro (Global). Formado em filosofia, o artista que já era reconhecido nas artes plásticas, conquistou seu espaço também na literatura, ao vencer o Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009, com Ó (Iluminuras), uma reunião de “falsos ensaios” ou ainda “ensaios amalucados”, como ele mesmo qualifica: ”O meu esforço sempre é procurar encontrar uma voz ensaística, mas acho que o Ó, está mais perto do poema, se tivesse de decidir por um genêro.” Se Ó é uma obra inclassificável, O Mau vidraceiro reforça sua incapacidade de ater-se a um gênero só: ” o novo livro é um híbrido, marcado por vários genêros, como tudo que eu faço, são pequenos relatos”, adianta.
Antes, Nuno já havia publicado o livro em prosa Cujo, o livro objeto Balada, o livro de contos, O Pão do Corvo e Ensaio Geral, com artigos sobre literatura, artes plásticas, música popular e futebol.
Com sua criatividade habitual, ele revela um pouco da instalações que fará, para surpreender, mais uma vez… Na Bienal, esculturas de areia com bichos vivos, soltos. No MAM-Rio, já agora em Setembro, bolhas e areia.
A dupla jornada de Nuno Ramos
Incansável, Nuno Ramos também compõe letras de música com o parceiro Romulo Fróes. Como concilia tudo isso?
Com muita disciplina: “Escrevo pela manhã e à noite, à tarde trabalho como artista plástico”. Para ele, pouca coisa mudou depois do Prêmio Portugal Telecom: “aumentam a visibilidade e a responsabilidade, mas sempre produzi muito como artista.”
Aqui as preferências de Nuno Ramos, escritores e artistas prediletos
Anunciados dez finalistas Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2010
A curadoria da oitava edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em língua portuguesa divulgou nesta terça-feira 30 de agosto, o resultado que antecede a última etapa que contempla três vencedores.
Entre eles, dois notáveis poetas cariocas, como apontou um dos curadores, Manoel da Costa Pinto: “São autores relevantes de sua geração, dos anos 80 e 90, Carlito Azevedo, com Monodrama (7Letras), incorpora a violência urbana e o tráfico e Armando Freitas Filho, reflete a geração marginal, da contracultura dos anos 70, com Lar, publicado pela Companhia das Letras, editora com mais 5 autores seus classificados.
Bate-papo: Estante Viva com Nuno Ramos
Dia 21 de setembro – quarta-feira – às 20 horas SESC Belenzinho- Sala de Expressão Corporal 2
Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho/SP
Grátis
Duração: 1h30
Classificação etária: Livre