Miguel Sanches Neto lê um trecho do romance que também é finalista do Prêmio Portugal Telecom
Miguel Sanches Neto também publica poesia; boa parte dela está reunida em Venho de um país obscuro e outros poemas (Bertrand Brasil).
Antes ele lançou Chove sobre minha infância (Editora Record), romance com traço mais autobiográfico, Venho de um país obscuro, Um Amor Anarquista e A Primeira Mulher.
O escritor conta que este que foi seu primeiro romance, na verdade, ficou 8 anos na gaveta! Foi escrito em 2002, mas ele recebia conselhos para não se aventurar a publicá-lo, uma vez que mexia com as vaidades do meio literário. ”É uma espécie de Ilusões Perdidas – livro do romancista francês Honoré de Balzac que retrata as agruras de um jovem e provinciano aspirante a poeta e como funcionava o mercado editorial na época-”, conta Miguel Sanches:” Pensava nele não para não ser publicado, mas como um livro para ficar inédito, só que ele se tornou conhecido sem ter sido publicado.” É um romance de formação, com um personagem ficcional que sai da cidade onde eu me criei Peabiru e vai para Curitiba onde passa a conviver com o meio literário.”
A história
Para deixar para trás as brigas com o pai alcoólatra e com a mãe superprotetora, Beto ouve os conselhos de sua tia e se muda para Curitiba. Na capital, ele se torna jornalista e se aproxima de um renomado escritor excêntrico. A amizade dos dois, porém, chega ao fim e a vida de Beto muda novamente. Passado o tempo, entre esperanças, frustrações, mentiras e o êxito como escritor, o encontro com o passado e com seus familiares o faz encarar a morte e encontrar sentido onde não esperava. Miguel Sanches Neto nasceu em Bela Vista do Paraíso (PR) e é Doutor em Letras pela Unicamp.
O escritor Cristovão Tezza costuma dizer que a internet jogou novos holofotes sobre a literatura, abriu novos espaços para toda e qualquer pessoa que se aventure a escrever e não conseguia antes publicar e ser lida. Antes de falarmos dos possíveis encontros virtuais, quero convidá-los para um encontro ao vivo nesse sábado, dia 16/07, com 4 escritores da nova geração.
Bate-papo aberto com finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura
Origens, raízes e busca são o tema da conversa com os que junta numa mesa da Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo, autores como Joca Reiners Terron (São Paulo), Miguel Sanches Neto (Paraná), Carola Saavedra (Rio de Janeiro) e Nelson de Oliveira (São Paulo). Em alguns casos o deslocamento geográfico na literatura é claro, como aconteceu com Joca Terron que foi ao Cairo, pelo projeto Amores Expressos, escrever sua história de amor que resultou no livro Do Fundo do Poço se vê a Lua. Em outros, a viagem é mais sútil, a busca é interna, uma volta às próprias raízes. É comum a tentativa de encontrar a própria essência, resgatar o passado e a história individual, familiar? Como tudo isso resulta na viagem literária de cada um? É o que eu tentarei descobrir, a partir de 11h30 da manhã, nesse bate-papo que tem a minha mediação e para qual todos estão convidados!
Blogues literários que já fazem história
Para Nelson de Oliveira, um dos convidados, blogues são amor e humor, notícia e devaneio, crônica e confissão; provocam dependência, efeitos colaterais, mas não têm contra-indicação!
Ele reuniu na antologia BLABLAblogue, vinte e um blogueiros entre escritorers veteranos e estreantes a caminho de serem reconhecidos.
O escritor Nelson de Oliveira, que veio a São Francisco Xavier dar oficinas de criação literária, ficou sabendo na noite de sábado que é um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, com seu romance Poeira: demônios e maldições, da Editora Língua Geral.
A história
Em uma cidade não nomeada, a publicação dos livros foi proibida. Aos poucos, novas obras começam a aparecer numa biblioteca e depois em todo o planeta. Junto com o surgimento dos livros clandestinos, cada vez mais numerosos, pessoas desaparecem. Os sequestrados são obrigados a trabalhar para demônios fazedores de livros em uma gráfica, no centro da Terra. Aqui o escritor dá mais detalhes do livro que foi premiado também com o Casa de las Américas.
O escritor ensina a escrever
Nelson de Oliveira acostumado a coordenar, oficinas de criação literária para estudantes, diletantes, interessados em aprimorar a linguagem literária e escritores com obra ainda em formação, em várias instituições, como a Unicsul, teve um contato intenso com professores, bibliotecários e alunos nas oficinas exclusivas de Criação Literária. Direcionadas a estudantes maiores de 18 anos, as aulas do autor de mais de vinte livros, têm o objetivo de estimular a produção e leitura de textos em prosa e verso… Comentei com ele seu trabalho de “oficineiro” e o de sua colega, a escritora Ivana Arruda Leite, que esteve em outra edição do Mantiqueira, em oficina de criação e incentivo à leitura.
Escritor e doutor em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros,entre eles Naquela época tínhamos um gato e outros contos, Subsolo infinito (romance), O filho do crucificado (contos, também lançado no México), A maldição do macho (romance, publicado também em Portugal), Algum lugar em parte alguma (contos) e A oficina do escritor (ensaios). Em 2001, organizou a antologia Geração 90: manuscritos de computador e, em 2003, Geração 90: os transgressores, com os melhores prosadores brasileiros surgidos no fim do século XX. Dos prêmios que recebeu destacam-se Casa de las Américas (1995), Fundação Cultural da Bahia (1996), duas vezes o da APCA (2001 e 2003) e o Fundação Biblioteca Nacional (2007).