Museu Da Língua Portuguesa | Mona Dorf

terça-feira, 5 de julho de 2011 Entrevista, FLIP, Festivais Literários, Literatura | 08:00

Irmãos de travessas travessias

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A relação literária e pessoal entre os poetas modernistas Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida, por meio de imagens e documentos poderá ser vista a partir de amanhã, 06/07, na exposição Irmãos de travessas travessias organizada pela Casa Guilherme de Almeida na Flip 2011 - Festa Literária Internacional de Paraty.  O nome da mostra foi dado a partir da dedicatória que Oswald escreveu a Guilherme de Almeida na página de rosto de Pau-Brasil (1925), uma das inúmeras primeira edições que fazem parte do acervo do Museu-Casa Guilherme de Almeida.

A curadoria é de Simone Homem de Mello e de Marcelo Tápia, diretor da Casa. “Nós vamos reproduzir algumas das capas e dedicatórias de Oswald a Guilherme que mostram a relação próxima que eles tinham no início do movimento modernista e antes dele. Aqui nós temos a página de rosto da Estrela de Absinto do Oswald com essa dedicatória ‘Para o Guilherme e Baby (esposa de Guilherme) este livro sem futuro’.” 

A mostra reúne a produção elaborada pelos escritores modernistas entre os anos de 1916 a 1925 até a elaboração modernista de uma poesia genuinamente brasileira. “O que vai para a Flip e depois vem para a Casa Guilherme de Almeida é uma exposição de painéis com imagens. Nós vamos reproduzir páginas, capas e dedicatórias. Inclusive o fac-símile do primeiro livro que eles publicaram em conjunto e que foi uma reunião de duas peças escritas a quatro mãos em francês, Mon coeur balance e Leur âme em 1916″. 

Após ser apresentada em Paraty, a exposição volta para o Museu-Casa no dia 12 de julho, marcando o início da Semana Guilherme de Almeida. Essa mostra irá dialogar com exposição sobre Oswald de Andrade a ser instalada no Museu da Língua Portuguesa ainda em julho, com o objetivo colocar em evidência aspectos do movimento iniciado na Semana de Arte Moderna de 1922.

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Irmãos de travessas travessias
Flip – Festa Literária Internacional de Paraty

Local: Paraty- RJ
Conheça o mapa das tendas
Data: 6 a 10 de julho 2011
Veja programação completa
aqui

Casa Guilherme de Almeida
Início: 12 de julho, 2011, às 18h
Rua Macapá, 187, Pacaembu.
De terça a domingo, das 10h às 17h
Entrada franca

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, FLIP, Festivais Literários, Literatura Tags: , , , , , , ,
segunda-feira, 4 de julho de 2011 Entrevista, FLIP, Festivais Literários, Literatura, Poesia | 08:00

“Meu pai era um furacão” por Marília de Oswald de Andrade

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A 9ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty começa na próxima quarta-feira, 06/07, inspirada pelos ideais antropofágicos de Oswald de Andrade. Até 10 de julho, mais de 20 autores de 13 países vão discutir, em 18 mesas, ciência, filosofia, tecnologia, linguagem e muita literatura.

Infelizmente, a festa já sofreu uma baixa importante: um dos maiores escritores italianos, Antonio Tabucchi,  que estava previsto para compartilhar a mesa Noturno Italiano com a Ignacio Loyola Brandão no dia 08/07, sexta-feira, 17h15, cancelou sua vinda devido a decisão da justiça brasileira em relação ao caso Cesare Battisti. No lugar, a mesa Ficções da crônica vai contar com a presença de Loyola Brandão e do psicanalista Contardo Calligaris.

Oswald de Andrade: homem de grandes emoções

Para homenagear esse famoso escritor brasileiro que alterou todo o cenário de uma época com o seu Manifesto Antropófago, a organização da Flip contou com a ajuda da única filha viva de Oswald: Antonieta Marília de Oswald de Andrade. Ela conta que o convite a pegou de surpresa. “Que bom que ele está sendo homenageado neste ano para jovens do século XXI”. Em entrevista, Marília revelou à coluna curiosidades sobre a vida do pai.

O nome de Marília é uma homenagem do pai à mãe Maria Antonieta d’Alkmin, quinta e última mulher do escritor. ”Oswald vivia com minha mãe completamente apaixonado. Conviver com um casal assim, isso me formou, foi uma coisa muito forte. E a impulsividade… Oswald era de altos e baixos, grandes emoções que evidentemente me marcaram muito. Meu pai era um furacão até ficar muito doente. Essa fase para mim foi terrível, assisti a morte do meu pai muito prematuramente (Oswald morreu quando ela tinha 8 anos). Mas enquanto ele esteve saudável, ele era o mesmo Oswald de Andrade. Ele só falava da minha mãe, adorava ela”.  Emocionada, Marília lembrou de uma dedicatória que ele escreveu para sua mãe: “Antonieta, eu quero que você me continue”.  

Psicóloga com doutorado na Universidade Columbia (EUA), é figura importante na dança nacional. Implantou o curso de dança da Unicamp e integrou nos 70 o Ballet Stagium. Além de ajudar a organização da Festa com a abertura dos arquivos de família, ela também foi a embaixatriz do convite ao professor e crítico Antônio Cândido que vai iniciar a Flip com o compositor e professor de literatura brasileira José Miguel Wisnick na mesa Oswald de Andrade: devoração e mobilidade, 06/07, quarta-feira, às 19h. “Não conversamos sobre como será a palestra, pois ele prefere manter uma certa liberdade. Nossa conversa foi muito sobre nossa vida comum, algo bem pessoal. O convite quando eu fiz, ele realmente em princípio não aceitaria, porque ele não aceita mais falar em público. Mas aceitou”.  

As dançarinas de Oswald

Ao todo, Oswald teve quatro filhos, sendo Marília a única mulher. Ela conta que se tornou bailarina por influência do pai que aos 4 anos a levou para ter aulas de balé. ”Apesar de não ter tido dança na Semana de 22, ele era um apaixonado”. Inclusive, uma das namoradas do escritor e grande paixão foi a bailarina Landa Kosbach, que conheceu em 1912, aos 22 anos, numa viagem de navio à Europa. Outro de seus amores foi a dançarina Isadora Duncan, que, numa visita ao Brasil, dançou para ele quase nua, no pôr-do-sol.

“Isadora e meu pai eram duas pessoas muito à frente do seu tempo”, afirma Marília. Ela se tornou numa autoridade sobre a bailarina. Nos anos 1990, levou coreografias originais de Isadora para a Europa, dançando no papel que fora dela. Ela sempre teve curiosidade para saber quem era Landa. No fim dos anos 1980, uma pesquisadora da obra de Oswald solucionou o caso. Landa seria a bailarina Carmen Brandão, a mesma que fora sua primeira professora de dança. Seu pai as havia apresentado. “Eu não poderia nunca suspeitar que a minha professora era a Landa, uma senhora quando eu a conheci. Fiz aula com ela até os 7 ou 8 anos.”

Vídeo produzido pelos jovens da FlipZona inspirados por Oswald de Andrade

Durante a Flip, uma exposição vai apresentar Oswald ao público. Além de fotografias, vai ser possível ver a primeira edição de obras como Pau-Brasil, lançada com desenhos e capa da pintora Tarsila do Amaral, com quem o autor foi casado nos anos 1920. Haverá dois núcleos na exposição: um organizado pela Flip e outro, pela Casa Guilherme de Almeida, que destacará a relação de Almeida com Oswald. “Essa exposição está sendo elaborada pela curadoria. A parte que vou fazer é sobre as dançarinas de Oswald. Mostrar como ele era envolvido até a morte, desde a juventude, com dançarinas, com a paixão que ele tinha pela dança”, explica Marília. 

Depois da Flip, todo esse conjunto poderá ser visto na própria Casa Guilherme de Almeida, que, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, formará o circuito Oswald de Andrade de exposição em São Paulo. Marília não tem dúvida de que Oswald sempre foi inovador: “Oswald é um escritor deste século e tem que ser lido pelos jovens, tem que ser compreendido. Ele não é só um personagem da semana de Arte 22″. Para ela, a Festa literária de Paraty vai ser uma grande oportunidade para atrair novos leitores para a obra do pai.

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“Meu Paraty” por Roberto Toledo

Flip- Festa Literária de Paraty 2011
Local: Paraty- RJ
Conheça o mapa das tendas
Data: 6 a 10 de julho 2011
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terça-feira, 29 de março de 2011 Entrevista, Exposições, Passeios | 08:00

Fernando Pessoa, Plural como o Universo, no Rio de Janeiro

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Você não pode deixar de colocar no seu roteiro turístico pelo Rio de Janeiro uma ida ao Centro Cultural Correios. Fernando Pessoa de corpo e alma, plural como o universo, está lá inteiro até o dia 22 de maio. É a mesma exposição que estava em São Paulo no Museu da Língua Portuguesa, onde gravamos a visita. Imperdível!

Ao morrer, ele deixou caixas e caixas de escritos inéditos… A medida que eram revelados, descobria-se uma das mais importantes obras da língua portuguesa e da literatura universal. Rafael Cavinato, um dos monitores do Museu da Língua Portuguesa nos conduz pela exposição multimídia e conta que apesar dessa vida interior tão intensa e da obra tão rica, Fernando Pessoa, só amou uma mulher: Ofélia Queiros. O poeta, multíplo, se desdobrava em vários personagens, dava corpo, nome e personalidade para cada um. Qual delas você prefere?

Os heterônimos, as várias identidades do poeta Fernando Pessoa

Recursos diversos nas instalações fazem o público se divertir e brincar com esse poeta multifacetado, que nunca foi tão moderno. Rafael Cavinato, nosso guia nos conta que o autor da frase “Minha pátria é a língua portuguesa” tinha como língua materna o inglês. Na exposição vários exemplares, fac-similes antigos -em especial um que veio de Lisboa de um colecionador de Fernando Pessoa-, revelam que seus versos eram lindos também na língua inglesa. Tanta foi a produção do poeta, que ainda há textos inéditos dele. Incrível saber que ele não foi reconhecido em vida. Até mesmo O livro do desassossego- na cabeceira de novo entre 10 pessoas com quem converso-, só se soube posteriormente vir da pena de Pessoa, por que antes era atribuído a Bernardo Soares, um dos seus heterônimos.

O passeio é lúdico. Difícil não brincar com o livro digital gigante!

Fernando Pessoa era um homem do mundo, trabalhou como reperesentante comercial. Viajou para lá e para cá e também se virava bem em francês. O mar era uma de suas paixões. Ao morrer, tinha deixado, apenas um livro: Mensagens. Apenas aparentemente… O mundo ainda está por descobrir outros heterônimos… e novos escritos.

Produção fantástica: aproximadamente 25 mil textos!

“O poeta é um fingidor”, não porque mente, mas sim porque cria e constantemente se reinventa. A alma do artista que nos encanta com sua ficção, é também um convite à nossa própria recriação. Faça todo dia da sua vida ser uma obra de arte e descubra a magia e a beleza que estão por trás das coisas. A experiência de visitar a exposição no Museu da Língua Portuguesa é um bom começo! Lembrando que “A arte existe porque a vida não basta!” como costuma dizer Ferreira Gullar.

Navegar é preciso! Embarque nosso passeio virtual pelo mar de poesia de Fernando Pessoa!

Fernando Pessoa, plural como o universo
Até 22 de maio de 2011
Local: Centro Cultural Correios
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí – 20 – Rio de Janeiro
Horários: terça a domingo, das 12h às 19h
Entrada franca

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Exposições, Passeios Tags: , , , , ,
segunda-feira, 2 de agosto de 2010 Comportamento, Entrevista, Literatura, Prêmios | 08:00

O desafio de ser “pãe”, pai e mãe ao mesmo tempo

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Ele já foi pipoqueiro, torneiro mecânico, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil,  jornalista, antes de se voltar totalmente para o mundo das letras. Pela renovação de linguagem da sua pentalogia Inferno Provisório (Editora Record), escritor Luiz Ruffato bem que poderia estar na FLIP 2010, em Paraty, na mesa das novas narrativas literárias, denominada Fábulas contemporâneas, com Correia de Britto, Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes. Os cinco volumes retratam a  transformação da vida operária na cidade mineira de Cataguases e dão corpo a uma obra monumental; Tijolo por tijolo, a construção se ergue por parábolas gráficas que desafiam o leitor.  

O autor confessa com orgulho que a paternidade o ajudou na construção de sua trajetória. Trata-se de uma paternidade dupla já que Ruffato acumula várias funções em casa,  é pai e mãe ao mesmo tempo, o que hoje chamamos de “pãe” ( Pai + mãe ). Disciplinado, ele reserva parte de seu dia pra escrever, mas para a filha Helena está sempre disponível, faz comida, vai às compras e leva até ao ginecologista. Ele não se queixa da jornada dupla, que já dura 7 anos. Pelo contrário: ” Minha filha me ensinou muito. Virou minha grande leitora. Ela escreve diariamente, eu digo que tem de publicar…”

Vencedor de vários prêmios, Luiz Ruffato poderá receber mais um, nessa noite de segunda, já que está entre os 10 finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, concorrendo ao Melhor Livro do Ano, com Estive em Lisboa e lembrei de você ( Companhia das Letras). A premiação acontece no Museu da Língua Portuguesa às 20h, quando será contemplado ainda um vencedor na categoria  Melhor Livro do Ano – Autor Estreante-. Ambos receberão R$200,000,00 quando sair a decisão do juri. 

Assim como Bernardo Carvalho e outros poucos escritores, Luiz Ruffato  foi convidado pelo Projeto Amores Expressos, de Rodrigo Teixeira a viajar para uma capital do mundo, se inspirar pelo deslocamento geográfico e narrar sua história de amor, no estrangeiro.  Mais uma vez, ele buscou em Cataguases seu personagem: Serginho, mineiro desiludido com o casamento e a falta de emprego vai para Portugal, tentar a sorte e novo  amor.

Coleção: Amores Expressos, Vol. 3
Autor: Luiz Ruffato
Editora: Companhia das letras

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Comportamento, Entrevista, Literatura, Prêmios Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
quarta-feira, 14 de julho de 2010 Imagem, Patrimônio | 10:00

Museu do Amanhã no Porto Maravilha

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Com este vídeo, o arquiteto espanhol Santiago Calatrava, apresentou como seria o museu, no chamado Porto Maravilha. O vídeo animado mostra o projeto arquitetônico, ocupando o PíerMauá, com um espaço dedicado ao conhecimento, ao tema da sustentabilidade, às questões do homem moderno e ao futuro. Calatrava inspirou-se no movimento das plantas para criar uma estrutura metálica, uma espécie de ”lagarta“ futurista, que se abre para permitir a entrada da luz.

Promete ser um novo marco arquitetônico da cidade, ainda mais, se for mesmo enterrado o Elevado da Perimetral, que se estende da Praça Quinze, onde fica o Paço Imperial, até a Praça Mauá, onde se localiza o porto. Além de contribuir para deteriorar a região do porto, o elevado prejudica a vista do Centro da cidade que se poderia ter a partir da área revitalizada.

O projeto foi apresentado de forma espetacular pelo arquiteto que pintou aquarelas diante do público, ampliadas por uma retroprojeção. Ele gosta de documentar seu projetos com esboços coloridos e afirma ter consciência do quanto é problemático e desafiador interferir numa paisagem tão bela quanto a do Rio.


A Fundação Roberto Marinho (Museu da Língua Portuguesa e Museu do futebol ) é parceira da prefeitura no projeto, com custo estimado de 130 milhões de reais.

Leia mais:
Rio terá museu voltado para ciência e tecnologia

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Imagem, Patrimônio Tags: , , , , , , , ,
terça-feira, 13 de julho de 2010 Passeios, Recomendo | 10:00

O templo multimídia da nossa Língua Portuguesa

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atriz Beth Goulart dá uma dica para quem vem a São Paulo nas férias de julho ou já está por aqui: o Museu da Língua Portuguesa. Segundo ela, além de ser um espaço lindo, lá se dá atenção a algo que muitas vezes nos esquecemos: a linguagem.

A mostra temporária Menas: o certo do errado, o errado do certo foi prorrogada até o próximo dia 18 de julho. Com curadoria dos linguistas Ataliba T. de Castilho e Eduardo Calbucci, a exposição discute, de maneira muito didática e bem-humorada, os vários padrões de linguagem. Ela também está repleta de dicas que auxiliam no uso do padrão culto da língua portuguesa, sem, entretanto, discriminar os demais padrões.  Vale a vista! 

Uma outra dica: quem visita o Museu da Língua Portuguesa durante os finais de semana e feriados tem a oportunidade de mergulhar na história do importante prédio da Estação da Luz. As visitas monitoradas têm em média 50 minutos de duração e percorrem pontos históricos e arquitetônicos da Estação.

Esses passeios são gratuitos e acontecem todos os sábados, domingos e feriados, às 12h e 14h, partindo da entrada de visitantes do Museu.

Museu da Língua Portuguesa
Estação da Luz
Praça da Luz, s/nº
Centro – São Paulo – SP

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Passeios, Recomendo Tags: , , , ,

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