MTV | Mona Dorf

sexta-feira, 29 de julho de 2011 Cinema, Exposições, Imagem | 08:00

Vídeos revelam um Warhol fascinado pela TV

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Com filmes e vídeos do acervo do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, EUA, a exposição Warhol TV estabeleceu um novo recorde de público nos centros culturais Oi Futuro Rio de Janeiro e Belo Horizonte com mais de 30 mil visitantes. Depois da temporada em Minas Gerais, a mostra internacional chega hoje, 29/07, a São Paulo graças a uma parceria entre a Oi e o SESC/SP e vai até setembro.

Antes do Brasil, a mostra Warhol TV, que tem curadoria da francesa Judith Benhamou-heut, só foi vista em Lisboa e Paris e mostra uma faceta pouco conhecida do artista pop americano, exclusivamente voltada para suas experimentações com imagens em movimento e produções para a televisão.  

Percurso da mostra no OI Futuro-RJ

Saímos do térreo onde três monitores projetam o episódio 2 do programa “Andy Warhol’s Fifteen Minutes” (com Grace Jones, Kenny Scharf, Marc Jacobs e William Burroughs, entre outros). E subimos as escadas; logo de cara, um fragmento do screen test feito por Warhol com o artista Marcel Duchamp, em 1966.  Pode se dizer que nesses testes, Warhol antecipa os realities shows, ( simplesmente deixava ligada uma câmera, na frente de um amigo ou convidado em seu ateliê, a famosa Factory) , o screen test com Duchamp aconteceu numa retrospectiva em Pasadena. Na primeira sala, comerciais muito alegres feitos pelo artista para a Coca-Cola.

Nas paredes laterais, imagens gigantes, em câmera lenta, de Andy Warhol correndo; passamos por vários experimentos e pelo Museu das telecomunicações da Oi, até chegar à sala com vídeo de Andy Warhol para o programa “Saturday Night Live”, de 1981. Convidado para para ir pessoalmente, Warhol, preferiu gravar uma impagável participação, onde surge com cabeça decepada. Segundos depois, ela aparece no chão conversando ainda com o espectador.

Antes do controle remoto

Warhol adorava assistir TV e pode até participar como convidado Vip de um seriado. No nível 5, passa o episódio de 49 minutos de “Love Boat”, gravado em 1985, onde ele atua como ele mesmo, passageiro do cruzeiro marítimo. Numa sala, foi recriado o quarto de Warhol, para que o público, deitado numa cama king size, com almofadas e duas TVs de cada lado, sinta como o artista via tevê, na era pré-zapping, antes do controle remoto.

Andy Warhol (1928-1987) experimentou vários meios de expressão: cinema, fotografia, pintura, música e vídeo.  Produziu videoclipes para diversas bandas, como The Cars. Da metade dos anos 1960 e nas duas décadas seguintes, Warhol fez uma série de filmes e vídeos para a televisão. Para viabilizar seus programas, em formatos extremamente inovadores para a época, criou sua própria produtora, com Vincent Fremont, que trabalhou com ele até sua morte, em 1987.  Fremont que esteve na abertura da mostra criou a Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais.  

A série de programas “Fashion” (dez episódios sobre moda, criadores e manequins) e “Andy Warhol’s TV” foram vistas em canais a cabo. Neles, Andy Warhol entrevistou celebridades como Steven Spielberg, Cindy Sherman,  Keith Haring, Issey Miyake, Divine, Sting. Juntou no mesmo programa ( que pode ser visto na mostra ) uma conversa improvável entre a jovem Paloma Picasso e a sexagenária pintora Georgia O´Keeffe.  A recém nascida MTV exibiu de 1986 até a morte do artista, em 1987, o “Andy Warhol’s Fifteen Minutes”, com episódios de 30 minutos cada, centrados sempre em  celebridades: Grace Jones, Courtney Love, Halston, Marc Jacobs, Blondie, David Hockney, Kenny Scharf e Basquiat…  

O último show, a transmissão da missa fúnebre

Judith Benhamou-Huet que mergulhou no acervo do Museu Andy Warhol, pesquisando filmes e vídeos feitos para a televisão quis retratar Andy Warhol a partir dessa produção: ” A mostra é uma viagem dentro das obsessões do artista. Suas fascinações, seus amores, suas surpresas e seus temores, como a morte”, diz.  A curadora comenta que em 1987 a transmissão de sua missa fúnebre acabou por ser a trágica realização de seu desejo de aparecer “no ar”. A mostra exibe a projeção da missa, na Igreja de St Patrick, em Nova York, numa sala com bancos dispostos como num templo de oração. O ambiente é escuro, como convém,  para “O último show”.

Um Warhol, produtor, outro ator

Ambos, enfeitiçados pela mídia que simbolizava o moderno naqueles anos: a TV. Nas produções feitas para canais a cabo, nos programas ‘Warhol’s TV’, ‘Warhol’s Fifteen minutes’, ‘Fashion’, aparecem temas recorrentes de seu universo: a beleza, o sexo, os artistas, o desejo de ser famoso e a transformação. Nada mais atual, na era das plásticas excessivas, da busca pela juventude eterna,  dos BBBs, de Fazenda e Casa dos Artistas… Para Judith Benhamou, esta fascinação pela celebridade se insere na ambição de Warhol por reconhecimento: “Ele procura ser visto, ao usar a televisão. Nós o vemos, a partir de sua participação em programas de sucesso na época, como “Love Boat” ou “Saturday Night Live”, e nos filmes de publicidade produzidos por ele ”. 


 

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Exposição Warhol TV
Até 25 de setembro de 2011
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros- São Paulo – SP
Terça a sábado, das 10h30 às 21h30; domingos e feriados, das 10h30 às 17h30
Livre para todos os públicos 
Grátis

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Cinema, Exposições, Imagem Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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