Marcelo Mirisola lançanesta segunda-feira, às 19h, na Mercearia São Pedroseu novo romance Charque, pela Editora Barcarolla, e com menu gastronômico e tudo: carne de sol desfiada puxada na manteiga com cebola. O tradicional point de escritores na Vila Madalena promete lotar ainda mais para receber o irreverente Mirisola que trocou São Paulo pelo Rio sem o ônus de perder os admiradores da sua literatura.
Sobre Charque
“É uma continuação, e não uma “releitura”, ele abomina esse termo do Azul do Filho Morto, e o melhor: ele não começa onde o Azul do Filho Morto terminou, mas a partir da primeira página. Trata-se, pois, da autobiografia de um reincidente, cuja vida e a obra, às vezes, coincidem ipsis-litteris com os poucos acertos e os muitos enganos que andei cometendo por aí”, afirma, irreverente e corajoso, como sempre.
Marcamos um papo com Mirisola, num dos ambientes, que ele mais gosta, e conversamos sobre toda sua trajetória, embalados por um bom vinho.
Conversas etílicas…
O escritor que já viveu em Florianópolis, São Paulo e agora no Rio, não economiza o verbo, nem na escrita na hora de falar do meio literário. Debochado, Mirisola fala nesse trecho de Memórias da Sauna Finlandesa,editora 34, da Flip, onde é persona non grata. “Cada vez, há menos escritores brasileiros. Não sei porque vão lá, acho que em busca de vale refeição!”. Brinca que ainda vai merecer ser entrevistado por Edney Silvestre.
Mirisola lê trecho de Memórias da Sauna Finlandesa
Desde pequeno, o Rio de Janeiro é um lugar proibido para um paulistano. Memórias trata muito disso daí porque não ir para o Rio de Janeiro e por que estabelecer as bases de todos os traumas, preconceitos, de todos os entraves da infância no Boqueirão em Santos. Memórias da Sauna Finlandesa não deixa de ser autobigráfico. “É um livro de contos que fala da água suja do Rio Pinheiros que um garoto de classe média alta bebeu nos anos 70 e 80. É o resultado disso tudo”, acrescenta Mirisola. Memórias é a história de um garoto filho de comerciantes prósperos em São Paulo, meio que caipira morrendo de medo do Rio de Janeiro. Um dia veio para cá, se apaixonou pelo Rio, teve um caso de amor no Rio de Janeiro, viveu isso tudo no Rio de Janeiro, levou um pé na bunda, e voltou para São Paulo triste, mas apaixonado pelo Rio…
… A história de um cara que bebeu a água suja do Rio Pinheiros e veio depois beber a água suja aqui de Copacabana.”
A semana é da letras! Desde sábado o A(o)gosto das Letras, em Ourinhos está cheio de atrações. Trouxe para bate-papos os escritores Lourenço Mutarelli, Marcelino Freire, Mário Bortolotto, Jefferson Del Rios, entre outros. Nesta noite, é a minha vez defalar sobre meu livro Autores e Ideiase debater com o jornalista e escritor Xico Sá, jornalismo e literatura.
Teatro de mamulengo, oficinas de xilogravura, gastronomia, contação de história por barbante… Vale tudo para despertar o prazer da leitura, como explica a secretária de Cultura Neusa Fleury.
Entrevista ao pé de uma árvore de livros
Lançada ontem no mar de Santos, a Tarrafa Literária , com um show de abertura, um dos eventos culturais mais importantes da baixada santista, sob o comando do livreiro José Luiz Tahan. A programação acontece entre 24 e 28 de agosto, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 10, Centro).
A entrada é gratuita e vale conferir! Cerca de 40 autores participam dos debates, entre eles Fernando Morais, Adriana Carranca, Fabrício Corsaletti e Reinaldo Moraes. Entre os destaques, Laurentino Gomes, historiador e autor de 1808 e 1822, que esteve em Santos na primeira edição, em 2009, da qual também pude participar.
Tarrafa Literária: Lourenço Mutarelli, José Luiz Tahan e Marcelo Mirisola
Volto com alegria esse ano, viajando pra lá no sábado, para um bate-papo sobre literatura com Carpinejar e o autor irlandês Ian Sansom (do irônico A verdade sobre os bebês de A a Z), que vem ao Brasil especialmente para a Tarrafa Literária 2011 .
Veja um pouco do clima da Tarrafa, nesse vídeo que gravei em 2009, na primeira edição onde pude mediar um debate filosófico com o alemão Theo Ross (Novas Vitaminas Filosóficas) e a brasileira Marcia Tiburi.
Completam o programa oficinas literárias gratuitas (sábado e domingo) e o evento infantil Tarrafinha, com atividades lúdicas, contadores de histórias e encontros com autores. Outra novidade é a criação de um espaço dedicado à poesia, que terá uma mesa redonda específica dentro do evento.
Jornada de Passo Fundo – 30 anos
Realizada a cada dois anos, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, atrai milhares de interessados do mundo das letras, por ser um dos mais importantes eventos de incentivo à leitura e à escrita, em debates que incluem a tecnologia, além de literatura e educação.
Acontece entre os dias 22 a 26 de agosto, reunindo nomes consagrados e aproximando autores de todo o planeta e leitores em debates e conversas sobre os mais diversos temas referentes à literatura. O número de participantes em uma mesma edição chegou a 30 mil em 2009, em três décadas, superou 130 mil.
O aumento na premiação do concurso Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, de R$ 100 para R$ 150 mil foi outra novidade. O prêmio destinado ao melhor romance de língua portuguesa publicado entre junho de 2009 e maio de 2011, foi para João Almino (Cidade Livre da Editora Record) é o vencedor do Prêmio Zaffari Bourbon anunciado na abertura oficial da Jornada, dia 22 de agosto.
Para a coordenadora e idealizadora da Jornada, Tânia Rösing, a leitura e a imaginação passam por experiências interpessoais e pela inteligência coletiva: “Na defesa da leitura para todos, propomos refletir sobre a arte em todas suas formas, da oralidade popular às mídias eletrônicas, das estabelecidas nas comunidades orais às distribuídas descontroladamente na sociedade em rede”.