Era uma vez um rei, uma rainha e uma mendiga que viviam num reino perdido no fim do mundo… curioso para saber o que acontece depois? É só ir ao Espaço Parlapatões em São Paulo e assistir a peça Cheiro de Céu, a nova comédia de Mário Viana. Norival Rizzo é o responsável pela direção.
Comédia para pensar
O espetáculo conta a história de Angelina, uma mendiga que tem sua vida estremecida ao receber a visita de um suposto anjo com a notícia de que fora a escolhida para ser a mãe do novo filho de Deus. Mal sabe ela que tudo não passa de uma encenação para que o Rei possa gerar seu príncipe herdeiro. Mas a história não acaba por aí!
Viana revela que a inspiração surgiu durante uma viagem a Portugal: “depois de visitar igrejas e museus e ver tantas imagens da Anunciação, decidi escrever um esboço”. O texto traz as armações dos personagens soberanos – o Rei, a Rainha e o Frade – e a revolta de uma beata , que, ao saber sobre a nova Virgem Santa, pretende fazer uma espécie de “guerra santa”.
Ao mesmo tempo que faz rir, também faz pensar… com o humor afiado de Mário Viana, a comédia mostra temas atuais como os ”jogos” políticos do poder e os questionamentos referentes a sociedade de hoje.
Essa é a primeira vez que o grupo Teatrófilos, formado por Gabi Cywinski, Gustavo Ferreira, Juliana Balbino e Tiago Moraes, encena uma peça de Mario Viana. Em 2005, o grupo estreou com Besame Mucho, de Mario Prata. Entre as peças já encenadas pela companhia estão Traições, de Jarbas Capusso Filho; e Sobre a neve em frente à Torre Eiffel, de João Fábio Cabral.
Nos figurinos, Daíse Neves utilizou apenas material reciclado para compor as roupas tanto dos mendigos quanto dos moradores do reino. Já o cenário, com grandes tecidos brancos e iluminação clara, é assinado por Marcelo Maffei.
Cheiro de Céu
Até 29 de maio 2011 Local: Espaço Parlapatões Endereço: Pça. Franklin Roosevelt, 158 – República/ Centro, São Paulo Datas e horários: Sábados, 21h/ Domingos, 20h
Classificação: 14 anos
Nunca tantos talentos estiveram reunidos numa mesma disputa. E são compositores que fazem sucesso até hoje. Que patrimônio musical, esse nosso!
Recordar é viver… E nada como a telona para lembrar os tempos gloriosos dos festivais da Record, com seu auditório repleto de fãs, que se descabelavam, na torcida por jovens músicos: ninguém menos que Chico Buarque, Sergio Ricardo, Edu Lobo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Roberto Carlos…
Uma noite em 67 de Renato Terra e Ricardo Calil é a dica do dramaturgo Mário Viana - em cartaz com a comédia Vamos? - nós estamos de acordo. Para as novas gerações, para quem viveu e quer reviver, não dá para perder filme sobre o festival que revolucionou a música brasileira.
No mesmo tom, porém, com uma década de diferença, Os Dzi Croquettesde Tatiana Issa e Raphael Alvarez, trazem o deboche, a música e a dança do grupo irreverente e precursor que inspirou Ney Matogrosso e toda a geração dos anos 80. Entenda no artigo do internauta Daniel Barbosa porque o documentário é imperdível, a importância do grupo como movimento cultural. Daniel participou da coluna no Você por Aqui.
Amizade, sexo e traição… não importa a opção sexual. Tentação à vista e gargalhadas garantidas neste Ménage a quatre deMário Viana e direção de Otávio Martins, com os atores Dalton Vigh, Tania Khalill, Rachel Ripani e Alex Gruli.
A deliciosa comédia, texto premiado traz à tona questões clássicas dos relacionamentos: paixão, desilusão, romance, traição. “É a primeira peça que fala sobre um tema espinhoso como sexo entre amigos”.
Tudo se passa num apartamento de uma metrópole, onde dois grandes amigos, no caso, os globais Dalton Vigh e Tânia Khalill, bebem e falam de sexo, amor, tentações e aventuras. “Aqui na dança do acasalamento do Vamos? meu papel é se esquivar, porém com o objetivo de alcançar!”, brinca Tania que recebe ‘cantadas’ tanto de Dalton como da colega Rachel Ripani.
O tema ganha modernidade e pitadas de irreverência, graças a linguagem com duplo sentido e um recurso do autor Mario Viana – a troca de gêneros entre os personagens-. “É uma grande brincadeira o texto do Mário com essas trocas, foi para mim um grande atrativo”, revela Dalton. Assim, na cena seguinte podem ser dois homens que discutem a relação, e na seguinte, duas mulheres e por aí afora.
Os atores contam qual é o papel de cada um nesse troca-troca
Mário Viana propõe o jogo: A quer levar B para a cama. B resiste, mas quer. Deu para entender? “Lógico que nesse meio de campo, acaba acontecendo todos os conflitos. Comédia quanto mais complicada, melhor”, comemora Otávio Martins.
Humor ácido, diálogos secos e impactantes, situações do cotidiano retratam o desejo e o amor em contexto contemporâneo. Uma noitada de uísque, risadas, memórias e propostas inusitadas. Depois de certas revelações, ninguém volta para casa da mesma forma.
A direção de Otávio Martins
“Eu não sou diretor, eu sou ator que escreve e dirige, o que é bem diferente”, conta Otávio Martins, que recentemente atuou em Side Man e foi indicado ao prêmio Shell, como melhor ator. Para ele, o grande segredo da peça, além do texto de Viana, é trabalhar com os amigos Dalton Vigh, Tania Khalill, Rachel Ripani e Alex Gruli.
Ele explica que Vamos? é quase como se fossem duas peças ao mesmo tempo: a que o público vê, e a que acontece nas coxias. Um dos aspectos interessantes, que acrescenta ainda mias graça ao espetáculo, é que os atores fazem comentários pessoais, e o público se pergunta quem é que está falando: o personagem ou quem o representa.
Peça Vamos?
Local: Teatro Imprensa
Endereço: Rua Jaceguai, 400 – Bela Vista – São Paulo
Até 28 de novembro
Horários: sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h
Censura: 14 anos
Duração: 70 minutos
Versátil, Mário Viana é o autor mais montado na cidade. Na estreia da comédia Vamos? no Teatro Imprensa, – com direção de Otávio Martins e elenco formado por Dalton Vigh, Tânia Khalill, Alex Gruli e Rachel Ripani -, ele somou cinco peças simultâneas acontecendo em São Paulo.
Vamos? não é um texto difícil de ser resumido: “A quer sair com B, mas B resiste… Para escrever montei um organograma, tinha um mapa na parede ao lado do meu computador, eu ia fazendo desenho para saber onde o ator ia entrar, foi uma operação matemática! “, revela. Um quer levar o outro para a cama, seguem-se noitadas de uísque, risadas, memórias e propostas surpreendentes.
Sexo, amor, tentações, aventuras são os ingredientes da comédia que envolve dois casais, e todas as possibilidades de acasalamento. Um homem e a mulher do outro…Dois homens, ou talvez duas mulheres?
Escrito no final dos anos 90, o texto nasceu de uma conversa de bar, a partir de uma frase , o então jornalista Mário Viana foi montando o enredo todo, misturando com histórias de outras pessoas.
Volta e meia nos ensaios, ele ouvia: “Nossa, mas eu já disse isso, já escutei tanto isso…”. Para ele, a traição, o desejo, a “pulada de cerca” são assuntos universais, um clássico.
Um dramaturgo, várias peças
Autor de humor, ele vem ajudando a construir a história recente do teatro paulistano. Desde 2003, nunca ficou fora dos palcos, Carro de Paulista é um sucesso que virou telefilme na TV Cultura. Há 7 anos em cartaz no Teatro Ruth Escobar: ”Uma grande brincadeira. A história dos meninos que saem da Zona Leste e vem para o Jardins pegar as ‘mina’. É muito engraçado!”.
Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagem esteve em cartaz até o último fim de semana, foi realizado com os Parlapatões. É o delicioso happy-hour de uma turma de firma que decide fazer um dicionário de escatologias: “É uma peça para estômagos fortes!”.
O Médico e os Monstros, que vai até o fim de agosto, foi adaptado para o grupo de circo La Minina, em cima da história do Stevenson, de O médico e Monstro: “Eu fiz uma história para adolescentes em que o monstro é legal. É muito rock´n roll”.
Amanhã é Natal é a história de uma família de classe média baixa tentando fazer a ceia de Natal até que acontece a visita inesperada de uma filha desaparecida há 20 anos.
Sobre Mário Viana
Formado em jornalismo pela Faculdades Cásper Líbero. Trabalhou nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, e revista Veja, entre outras publicações. Formou o Núcleo dos 10, sob orientação do dramaturgo Luís Alberto de Abreu. Os textos Vamos? e Vestir o Pai receberam prêmios em duas edições do concurso de dramaturgia promovido pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, em 2000 e 2001.
Em televisão, colaborou na telenovela Seus Olhos, no SBT, ao lado de Fábio Torres, sob a coordenação de Aimar Labaki (2004). Também com ele, em 2006 fez Paixões Proibidas, adaptação de Camilo Castelo Branco para Rede Bandeirantes (Brasil) e RTP (Portugal). Em 2009 , integra a equipe de “Poder Paralelo”, novela de Lauro César Muniz sobre o crime organizado e Farcs que ficou no ar até março de 2010, na Rede Record.
Peça Vamos?
Local: Teatro Imprensa
Rua Jaceguai, 400 – Bela Vista – São Paulo
Até 28 de novembro
Horários: sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h
Censura: 14 anos
Duração: 70 minutos