Lula | Mona Dorf

terça-feira, 21 de dezembro de 2010 Entrevista, Literatura | 08:00

Encontro marcado com o escritor Humberto Werneck

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O livro de crônicas Esse inferno vai acabar do escritor e jornalista Humberto Werneck, publicado pela Arquipélago Editorial, está entre os 60 finalistas da primeira etapa do Prêmio Portugal Telecom, na categoria Conto/Crônica onde concorrem também Ivan Angelo, com Certos Homens, da Arquipélago Editorial, João Carrascoza, com Amores mínimos, Miguel Sanches Neto, com Então você quer ser escritor? ambos da Record, entre outros nomes prestígiados como Carpinejar e Luis Fernando Veríssimo do gênero adotado pelo Brasil.
Dono de um estilo próprio já muito bem revelado no jornalismo, marcado pelo humor e pela mineirice, Werneck é ainda mais engraçado quando atua em mediações de mesas literárias e quando conversa ao vivo, como nessa entrevista que nos deu para falar de sua produção anterior.

No livro, O Espalhador de Passarinhos e outras crônicas, Editora Dubolsinho, Humberto Werneck dá o mesmo tratamento humorístico aos fatos do cotidiano, que costuma dar nos textos saborosos que escreve às sextas no caderno Outlook, do Jornal Brasil Econômico, e aos domingos no site de crônicas www.vidabreve.com. ” Quando posso melhorar a realidade, não deixo de fazê-lo”. As crônicas atravessam várias épocas e registram histórias verdadeiras que ele enfrentou como jornalista. É o caso da crônica sobre um ensaio de JR Duran para a revista Playboy, com  ninguém menos do que a filha de Fidel Castro: “Com grande sigilo e  contrato milionário, foi montado um grande aparato em Roma, para convencer a filha de Fidel, a posar nua na Playboy. Ela estava meio gordinha… mas, lá fomos nós!” conta Humberto, ao nos deliciar com a leitura do texto e o clima desse encontro.

São todas crônicas muito engraçadas, como a dos casamentos e relações que se dissolvem lentamente, quando os casais se servem através de um copo de requeijão.

Eu poderia ter sido o pai do PAC!

A crônica que não saiu no livro…  A candidata do PT, Dilma Roussef foi sua companheira de classe  nos anos 6o, em Belo Horizonte e nos bailinhos onde os homens tiravam as mulheres para dançar; elas ficavam ali à espera, perfiladas: “Minha mãe dizia, filho não dance só com as bonitinhas, dance também com as mais feinhas. E como eu não tirei a Dilminha pra dançar, eu escrevi que perdi a chance de me tornar o pai do PAC”.

O pai dos burros, um livro involuntário

Dicionário de lugares-comuns e frases feitas e pérolas sobre o futebol, o livro, da Arquipélago Editorial,  é um sucesso tão grande que já vai ganhar uma segunda edição. Ninguém falará e escreverá do mesmo jeito, depois de ver os verbetes juntados, ou melhor, colecionados, em guardanapos, anos a fio, ( ai! perdoa essa Humberto? ) pelo escritor e jornalista. ” São como pilhas gastas, essas palavras ou clichês, que não servem pra nada, mas que por hábito, repetimos o tempo todo sem pensar.”

“Futebol é bola na rede, é ópio do povo, é uma caixa de surpresa… amigo pessoal, agenda positiva, inflação galopante, girar em torno…”  Divirta-se!

Biografia de um desonhecido que inspirou artistas e intelectuais

Na biografia  O Santo Sujo, publicada pela editora Cosac Naify - sobre a qual Humberto Werneck foi o centro de uma das melhores mesas da Flip em 2008 -, Werneck discorre sobre um personagem criativo e instigante, porém desconhecido:o boêmio Jayme Ovalle.  Músico, poeta, grande artista, compositor de Azulão, com letra de Manuel Bandeira, foi amigo de Villa Lobos, Portinari e tantos outros artistas. “Ele costeou as figuras mais importantes da cultura brasileira de seu tempo. Sem ter obra, ele influenciou seus amigos, os intelectuais: Murilo Mendes, Fernando Sabino – o personagem Germano de Sabino é o próprio Jayme Ovalle –  Manuel Bandeira, Vinicius de Morais, essa mania de diminutivo do poetinha, veio dele…”

Adjetivos ovallianos – A Nova Gnomonia

“Ovalle não tinha meios de produzir, mas foi um grande artista! Produziu poesia, 33 músicas, mas sua arte vazava no convívio. Era um homem criativo, muito original, seus amigos anotavam tudo que ele falava, nas conversas de bar. Ele  inventou por exemplo um modismo, a Nova Gnomonia, para classificar a humanidade e adjetivar as coisas. Ele botou todos os seres humanos em 5 categorias:

- o Exército dos Parás – homenzinhos terríveis s que descem do norte pra vencer na capital da República.

- os mozarlescos, os sentimentais que choram no cinema.

- os kernianos, impulsivas , são pessoas de bom coração, mas capazes da maior barbaridade.

- os dantas, os puros de coração.

-  os onésimos, pessoas não tão más, mas que fazem baixar uma sombra, um frio onde elas chegam.

A Nova Gnomonia pegou a tal ponto, que a inteletualidade toda se divertia divindo e separando a humanidade nessas 5 categorias. Objetos e eventos da natureza, como um luar também podiam ganhar adjetivos ovallianos: ”Me lembro de Antonio Cândido contar que ele e Sergio Buarque de Hollanda passavam noites classificando e adjetivando as coisas.”

Outros livros

O escritor e jornalista Humberto Werneck tem vários livros publicados e constantemente relançados. 

Entre eles, os da Companhia das LetrasVultos da República , com perfis políticos e O Desatino da Rapaziada, sobre seus conterrâneos de Minas Gerais: Rubem Braga, Drummond, Ivan Ângelo, Otto Lara Resende, Affonso Romano de Sant´Anna e tantos outros  escritores que se renderam em algum momento também à paixão do jornalismo.

Saiba Mais:

Isabel Allende por Humberto Werneck

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Literatura Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
sexta-feira, 29 de outubro de 2010 Entrevista, Imagem, Literatura, Música | 16:42

Caruso: a realidade brasileira supera a caricatura

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 Tudo começou há trinta anos atrás, com um botequim, o Bar Brasil…

Inspirado no temperamento ciclo-tímico do General João Batista Figueiredo, que ia da depressão à euforia galopante (pra usar um termo da cavalaria que ele tanto apreciava… )  Caruso inicia sua série sobre o país, que sofreria muitos e muitos solavancos, entre planos econômicos, impeachment e escândalos variados, como os da pasta rosa,  mensalão e Erenicegate. 

Nunca antes nesse país, se viu uma eleição tão disputada … Ás vésperas da votação, o chargista ficou ainda mais inspirado para compor a paródia:

Dilma e Serra, feitos um para o  outro

Avenida Brasil: retrato dos 25 anos de uma democracia tupiniquim

Retrato do momento político, o Bar Brasil era uma metáfora dos tempos em que falar abertamente poderia ser considerado ofensa. Com a esperança morte de Tancredo Neves, fica claro que a abertura rumo à democracia seria uma caminhada lenta, gradual e insegura… conta Caruso.

“Intitulei a primeira coletânea da série de Avenida Brasil, porque é a  imagem da transição, da transição pela via das dúvidas… Agora, o país é profícuo em piadas, a realidade supera a caricatura!”.

Do fusca e da modelo sem calcinhas que acompanhou num carnaval o ex-presidente Itamar àquele fatídico camarote, dos cartunistas Jaguar e Ziraldo, aquinhoados com indenização milionária dos tempos áureos do Pasquim às gravatas de Henry Sobel,  ninguém escapa do píncel de Caruso.

Os escândalos são permanentes, os governos passageiros

Para Caruso, o Shopping Center é a melhor imagem para falar do nosso congresso, traduzir as negociatas que alí se passam:  “Usei o Shopping como um lugar onde os pais congressistas levam os filhos candidatos a aprender como gastar o seu, o meu, o nosso dinheiro”.

Para cada governo uma coletânea e dezenas de traços. O reinado de Sarney e sua família, perpetuada no poder, aparece em “A Transição Pela Via das Dúvidas”, Collor em ”A Sucessão está nas Ruas”, “O Bonde da História”, e “Assim Caminha a Modernidade”. Itamar, mereceu a sátira em “Se Meu Fusca Falasse”, FHC  “O Circo do Poder” e “O Conjunto Nacional”, e finalmente o governo Lula, que já havia sido contemplado com o volume anterior, “Se Meu Rolls Royce Falasse” agora é retratado em  “Enfim Um País Sério!”.

“E com investment grade, finalmente podemos ser considerados um país sério!” comemora em tom de blague, mas a classificação como um país longe de riscos para investimentos não significou necessàriamente uma evolução em nossos padrões éticos e comportamentais nesta república com viés sindicalista e que poderá emplacar a primeira mulher presidente do Brasil.

O poder das mulheres

As mulheres, agora na política também viram piada. Super-poderosas, são postas à prova pelo machismo reinante que discute a passagem do poder para mãos de mães zelosas e cuidadoras, como Dilma Roussef, Yeda Crusius, Ana Júlia e Vilma Farias.

No Roda Viva, desde o primeiro dia do programa

“Durante esses trinta anos, a cada semana, depois de concluída mais uma página, me perguntava como seria a seqüencia final dessa história. Essa experiência agora se encerra aqui, como o fim de uma era. Uma era de transição, a transição pela via das dúvidas, por esta imensa avenida chamada Brasil. Ao mesmo tempo em que noso operário padrão se despede do poder efêmero,com o nada efêmero comandante Fidel, que faz tudo pra não sair de cena.” Paulo Caruso.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Imagem, Literatura, Música Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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