Um bom passeio nas férias ou durante o fim de semana é visitar a Casa Guilherme de Almeida, no Pacaembu em São Paulo. O local é considerado o primeiro museu-casa biográfico e literário da cidade; trata-se da antiga residência do poeta, tradutor, jornalista, crítico e advogado paulista Guilherme de Almeida e de sua esposa. Junto com seu diretor, o poeta Marcelo Tápia, percorremos as várias salas, repletas de obras de arte. O casal Baby e Guilherme se dava com Lasar Segall, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e toda a turma modernista, por quem foram retratados…
Guilherme de Almeida foi um dos princípais articuladores da Semana de 22
Um dos destaques da sala de estar é a peça em bronze criada por Brecheret, intitulada Sóror Dolorosa (mesmo nome de um poema de Guilherme) – exposta durante a Semana de Arte Moderna de 1922, no Theatro Municipal. Guilherme de Almeida foi editor da Klaxon, a revista porta-voz do movimento modernista, como nos conta Marcelo Tápia, ao nos guiar pela casa.
Guilherme de Almeida teve uma ação plural
Ele gostava de se dedicar à heráldica, a arte de fazer brasões e fez o de São Paulo e Brasília….
O museu-casa tem cerca de 5 500 livros que pertenceram ao poeta que dialogou com a vanguarda, que sempre foi antenado e é referência por sua vasta produçãopara a poesia brasileira. Ele foi jornalista, colunista e diretor da Folha de São Paulo. Atuou também como crítico de cinema e tradutor, sobretudo do francês.
Em sintonia com uma das principais atividades de Guilherme de Almeida, cujas traduções são consideradas exemplares pela crítica, aqui funciona um Centro de Estudos de Tradução Literária com cursos avançados de tradução e também, sessões de cinema com filmes comentados.
Um rico Museu Biográfico e Literário com raridades
Os livros e documentos estão disponíveis para pesquisadores. Durante o tempo em que a casa ficou fechada, foi realizada a catalogação do acervo – a relação de títulos pode ser consultada pela internet -, e executadas ações de higienização e restauro de obras e objetos.
Quem desejar saber mais sobre esse importante autor modernista vai encontrar o conjunto de obras publicadas por ele, em sua primeira edição e as primeiras edições, com dedicatória, de livros de nossos maiores escritores: Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Guimarães Rosa…
O belo sobrado, quarto imóvel construído na Rua Macapá, no então ermo bairro do Pacaembu, foi projetado pelo arquiteto Sílvio Jaguaribe Ekman, em 1944. Com a esposa Baby, Guilherme de Almeida ali residiu de 1946 até sua morte, em 1969. Lar e ponto de encontro da inteligência artístico-literária paulistana, era chamado pelo poeta de “Casa da Colina”, nome dado recentemente a uma praça próxima ao imóvel. A Secretaria de Cultura organiza visitas guiadas, que podem ser agendadas. É possível subir até o topo da mansarda, onde Guilherme de Almeida se refugiava para escrever. De lá, ele avistava até a Praça da República, no centro…
O museu abriga quadros e objetos que o poeta e sua esposa, Baby de Almeida, colecionaram durante uma vida. Merece destaque o conjunto de telas assinadas por pintores como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Gomide, Tarsila do Amaral e Samson Flexor. Além dos retratos diversos, por vários pintores, do casal, há também uma interessante cabeça de Baby esculpidada pelo suíço William Zadig, além de um busto do poeta feito por Joaquim Figueiras. Litografias de Rugendas, desenhos, aquarelas e iluminuras, de diversos artistas brasileiros, compõem os ambientes. Sem falar na vitrine extarordinária que atesta a amizade de dois poetas: Guilherme de Almeida e Oswald de Andrade.
A escada de minha mansarda
Conhecendo pessoalmente ou não a Casa Guilherme de Almeida, você não pode deixar de ouvir o poema que ele fez sobre um assunto tão prosaico: a escada de sua casa que conduz ao piso superior, na voz do poeta Márcelo Tápia.
A arquitetura da Casa foi mantida praticamente original permitindo ao visitante, uma rica experiência de imersão no universo do gosto e da abrangência cultural do poeta. Além de vermos como o casal vivia, há um belo acervo de arte para ser apreciado.
Você pode conhecer a habilidade do poeta tradutor Guilherme de Almeida, através da reedição dos Poetas de França, obra de 1936 que apresenta uma ampla e diversificada mostra da produção de 31 dos mais importantes poetas franceses. A edição, bilingue da Babel, traz desde do medieval François Villon aos célebres Stéphane Mallarmé, Charles Baudelaire, Paul Verlaine e Paul Valéry
Casa Guilherme de Almeida
Rua Macapá, 187, Pacaembu- São Paulo
De terça a domingo, das 10h às 17h
Entrada franca
Hoje, 18 de maio, é o Dia Internacional dos Museus! Como parte das comemorações, o Museu Lasar Segall em São Paulo organizou uma programação repleta de eventos. Nesta quarta-feira acontece das 17h às 20h no Museu Lasar Segall uma mesa redonda com participação de Celso Lafer, Raquel Arnaud e Marcus Mazzari em homenagem à tradutora Jenny Klabin Segall. Confira a programação no site.
Destaque para a exposição temporária Segall Pinturas que reúne 20 pinturas do acervo do importante pintor russo que veio para o Brasil na década de 20 e inspirou os modernistas. Concebida em ordem cronológica, a mostra evidencia as transformações ocorridas na obra do artista, desde seus primeiros trabalhos até a última produção nos anos 50.
Oásis cultural
Idealizado por Jenny Klabin Segall, viúva de Lasar Segall, o Museu foi criado em 1967 por Mauricio Segall e Oscar Klabin Segall, filhos do artista. Seu principal objetivo é conservar, pesquisar e divulgar a obra de Lasar Segall. Lugar ideal para dar uma parada no corre-corre estressante da cidade grande. “Um verdadeiro oásis no meio da Vila Mariana”, como define o diretor Jorge Schwartz. Durante o passeio pelo museu, ele comentou uma das obras mais importantes do acervo: Navio de Imigrantes.
O espaço projetado pelo arquiteto Carlos Warchavchik abriga 3.000 trabalhos do artista e também funciona como um importante centro de atividades culturais, nas áreas de gravura, fotografia, criação literária, além de abrigar uma biblioteca especializada em teatro, ópera, dança, cinema, fotografia, rádio e televisão e extensa documentação sobre a vida e a obra de Lasar Segall. O Museu conta ainda com uma sala de cinema de 92 lugares, o Cine Segall, onde são exibidos filmes do circuito de São Paulo.
No Brasil, acontece a 9ª Semana de Museus com programação especial por todo o lado. O Instituto Brasileiro de Museus celebra a data com várias atividades. No site do IBRAM é possível saber o que acontece no Museu de sua cidade!
Segall Pinturas
Até 26 de junho de 2011 Museu Lasar Segall
Endereço: Rua Berta, 111, Vila Mariana, São Paulo-SP
Horário: de terça a sábado e feriados das 14h às 19h/ domingos das 14h às 18h
Entrada gratuita
O Museu Lasar Segall traz a mostra Verdade – Fraternidade – Arte. Secessão de Dresden – Grupo 1919 e contemporâneos. São 50 obras de 19 artistas, entre pinturas, aquarelas e gravuras, produzidas entre 1912 e 1933 como a A bestialidade avança, de George Grosz, e que já anunciava a ascensão do nazismo. Tem também um álbum com 12 gravuras editado pelo próprio Grupo 1919, na época de sua fundação.
A exposição apresenta trabalhos dos fundadores do grupo, entre eles Otto Dix, Conrad Felixmüller e o próprio Lasar Segall, além de obras de outros artistas, como Egon Schiele, Max Pechstein, Marc Chagall, Schmidt-Rottluff, Käthe Kollwitz e Paul Klee.
A Secessão de Dresden – Grupo 1919 foi um movimento que reuniu artistas plásticos expressionistas interessados numa arte com forte viés social e cujas palavras de ordem eram “verdade”, “fraternidade” e “arte”. O grupo nasceu durante a República de Weimar, que instaurou na Alemanha um novo sistema de governo, logo após a Primeira Guerra Mundial. Esse período teve intensa efervescência cultural. Sob o caos do fim do Império, artistas se organizaram em movimentos, ligas e associações em busca de uma completa renovação cultural, revendo valores e apontando novos caminhos artísticos.
Obra inédita de Schiele
Autorretrato/ Egon Schiele
Um autorretrato em aquarela inédito de Egon Schiele (1890-1918) nunca exposto no mundo é o grande destaque da exposição. Durante seis décadas, a obra fez parte da coleção particular de uma família paulistana e, agora, pode ser vista pelo público. Para o diretor do Museu Lasar Segall, Jorge Schwartz, a obra com assinatura de 1912 é o único trabalho do artista expressionista austríaco que se tem notícia no Brasil.
“Muito provavelmente a obra chegou ao Brasil na bagagem de imigrantes austríacos, que fugiram do nazismo, mas que conseguiram salvar seus pertences. No início da década de 1940, a aquarela foi comprada por uma família paulistana, permanecendo restrita ao ambiente privado até recentemente, quando foi cedida em comodato à Associação Cultural Amigos do Museu Lasar Segall.”, conta Schwartz.
O autorretrato foi autenticado pela especialista na obra de Schiele, a americana Jane Kallir, autora do catálogo raisonné e de outros dois livros sobre o artista. Depois da mostra paulistana, a aquarela que retrata Schiele em nu frontal segue para Viena, onde participará de uma grande exposição de retratos e autorretratos do artista no palácio-galeria Belvedere.
Também fazem parte da mostra livros como “O cavaleiro azul”, editado por Wassily Kandinsky e Franz Marc, e periódicos publicados na Alemanha nas décadas de 1910 e 1920, com referências ao grupo, e que fazem parte do arquivo de Segall. O conjunto apresenta diferentes tendências e influências que atravessaram a produção alemã do período. “O Grupo 1919 especificamente tinha preocupações claras com a injustiça social testemunhada nas grandes cidades. Eles tinham um olhar voltado para os desfavorecidos, para as vítimas da guerra, de onde vem a ideia de fraternidade, ao mesmo tempo em que falavam de uma arte verdadeira, com mais liberdade e sintonizada com o seu tempo e que anunciava o futuro”, explica a curadora da mostra, Vera d´Horta, coordenadora do setor de Pesquisa em História da Arte do Museu Lasar Segall.
Outros destaques
Jogadores de Cartas/ Otto Dix
A litografia “Velho”, de Marc Chagall, um álbum de gravuras de Max Beckmann especialmente emprestado pelo MASP, a ponta seca “Jogadores de cartas”, de Otto Dix, e a pintura “Eternos Caminhantes”, de Lasar Segall, de 1919, época em que o pintor vivia na Alemanha, pouco antes de emigrar para o Brasil, em 1923 são pontos fortes da exposição que valem a visita.
A mostra conta ainda com obras de Chaim Soutine, Constantin von Mitschke-Collande, Eugen Hoffmann, George Grosz, Karl Schmidt-Rottluff, Käthe Kollwitz, Kurt Schwitters, Lyonel Feininger, Otto Lange, Peter August Böckstiegel, Walter Jacob e Wilhelm Heckrott. “Esta é a primeira exposição no Brasil que foca especificamente no trabalho do Grupo 1919, mostrando em qual contexto este movimento foi criado e que artistas e idéias inspiraram seus fundadores”, completa a curadora Vera d´Horta.
VERDADE – FRATERNIDADE – ARTE.
Secessão de Dresden – Grupo 1919 e contemporâneos
Em cartaz até 20 de fevereiro de 2011
Local: Museu Lasar Segall Endereço: Rua Berta 111, Vila Mariana, São Paulo
Datas e horários: de terça a sábado, das 14h às 19h; domingo e feriados, das 14h às 18h
Entrada Franca
Não é todo dia que temos a oportunidade de ver uma coleção particular em exibição num museu. A idéia de mostrá-la veio do Programa de Estudo e Divulgação de Coleções – denominado Coleções Paulistanas – da Fundação José e Paulina Nemirovsky, que por sua vez foi criada à partir do acervo da família Nemirovsky “emprestado” à Pinacoteca. A Coleção Domingos Giobbi – arte, como relação afetivainaugura uma série de quatro módulos, a cada ano, uma coleção será enfocada, tendo em vista a contribuição do colecionismo privado em São Paulo para a constituição de uma história da arte brasileira.
Outro objetivo é conhecer melhor o perfil dessas coleções, seu processo de formação e as relações estabelecidas pelos colecionadores com os artistas, a crítica e o mercado de arte. Eles vão privilegiar coleções constituídas nas décadas de 1960 e 70, quando se firmou o comércio de arte na capital paulista, sob a égide dos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio, do MASP e das Bienais Internacionais de SP. Ao concluir-se o programa, as quatro coleções deverão fornecer um recorte significativo do colecionismo paulistano.
Visitar a mostra é uma boa dica de programa ou roteiro cultural para qualquer idade. Você pode também acompanhar nosso passeio virtual por algumas das 115 obras de arte sacra brasileira, pelas imagens religiosas e mobiliário, dos primeiros séculos da colonização, e pelas telas de Ismael Nery, Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, José Antonio da Silva, Lasar Segall, entre outros.
Passeio virtual
O modernismo, a arte colonial e uma vertente popular esses são os três vetores da coleção, diz Maria Alice Milliet, curadora que selecionou as obras de Domingos Giobbi e convidou para o projeto expográfico o arquiteto Pedro Mendes da Rocha.
O tempo em suspensão
Em Volpi, e em Di Cavalcanti, Domingos encontrou o mesmo silêncio do Novecento, do início do século XX, o vazio, o tempo parado, suspenso… ”Aqui temos uma sequência exemplar, quase didática, eu diria. A gente vê como Volpi vai reduzindo a sua pintura inicial do casario de Itanhaém para linhas e planos das fachadas, e depois das bandeirinhas”. Maria Alice Milliet nos guia pela exposição e nos mostra como é possível perceber claramente a evolução de Volpi das primeiras telas com paisagens figurativas para o concretismo, apesar do pintor nunca ter se declarado concreto.
Nas telas de Volpi, sequência didática
A harmonização das obras no apartamento do colecionador
No vídeo abaixo as obras da Coleção Domingos Giobbi, como ficam expoxtas em sua residência onde convivem o sacro e o profano, o erudito e o popular, sob o mesmo teto, sem qualquer constrangimento.
“As preferências de Domingos Giobbi dão pistas para um melhor conhecimento da arte brasileira e fazem aproximações entre o culto e o popular. É estimulante ver essa aproximação e o ecletismo da coleção, uma vez que museus costumam organizar mostras, mais por períodos e movimentos”, comenta a curadora.
Coleção Domingos Giobbi – arte, uma relação afetiva
Até o dia 05 de dezembro de 2010
Local: Estação Pinacoteca
Endereço: Lgo. General Osório, 66
Datas e horários: Aberta de terça a domingo, das 10 às 18h
Grátis aos sábados
Uma coleção que reúne Di Cavalcanti, Ismael Nery, Volpi, arte sacra, tem espaço também para a arte popular, primitiva brasileira e está sendo mostrada pela primeira vez na Estação Pinacoteca. É uma das coleções particulares mais representativas do melhor de nossos pintores, mas também de imaginária e móveis do período colonial.
Logo na entrada da exposição, um conjunto de leões em cerâmica feito por Nuca de Tracunhaém (PE), um dos mais renomados artistas populares, que descobriu nos anos 90.
O colecionador se diverte mostrando, um a um, os leões de barro do sertão de Pernambuco: “Entre eles, tem um que é o delegado, olha como ele tem uma cara de mandão! São meus soldadinhos de chumbo!”
Emociona-se ao lembrar Tracunhaém, a cidade de onde sai a arte de barro de Nuca: “É uma aldeia formada por artistas, que de noite fica toda iluminada, parecendo um presépio”. Fala de sua amizade com Volpi e conta como arrematou num leilão uma jóia: o belíssimo Autorretrato com Torre Eiffel de Ismael Nery, disputado, lance a lance, com a esposa do psicanalista Chaim Hamer, conhecido colecionador de Nerys. A cotação e o interesse por Nery só fizeram subir desde então, convertendo as obras do artista em peças de museu.
Do europeu Lasar Segall à imaginária católica afro-brasileira
Domingos nos conduz pela exposição e aponta um quadro de Lasar Segall, pintado em seu ateliê em Dresden, com traços do expressionismo produzido na Alemanha, antes se ser banido por Hitler. A tela antecede a chegada do pintor russo que depois da Europa emigrou para o Brasil, onde se tornaria conhecido. Nosso foco se desvia para outra tela, a pintura de uma mulher, que impressionava Volpi - Figura com Persiana -, da série intitulada As Erradias. “Era uma prostituta, mas veja como ele a descreve… Com que classe!”
Seguimos pela vitrine que exibe as imagens de santos. Ele prefere a imaginária paulista, mais sóbria, menos decorativa do que o barroco mineiro: “As primeiras imagens feitas em Sâo Paulo têm muito a ver com o imaginário medieval, com as antigas estátuas de barro existentes em Portugal e na Itália.” Chegamos à uma preciosidade tributária da cultura africana: as figuras de Santo Antônio, miniaturas de 2 a 10 cm, esculpidas em nó de pinho por escravos, presentes apenas no Brasil, como explica o colecionador.
Contemporaneidade da pintura brasileira com o silêncio do novecento
Colecionar é uma paixão. A coleção nasce e vai crescendo com o passar do tempo: “Gosta-se de uma peça, de um móvel, de um quadro, depois de outro e vai-se comprando dentro de um critério instintivo. Não há, de antemão, o propósito de fazer uma coleção disso ou daquilo”, revela Domingos.
E como é interessante ouvir o colecionador falar das peças do seu tesouro: comentar o que o atraí na pintura de Di Cavalcanti, José Antonio da Silva, entre outros.
A coleção inclui, além de outros artistas modernos, um segmento dedicado à arte colonial. com destaque para as telas de Di Cavalcanti , O Gasômetro (1929), primeiro quadro adquirido no Brasil, quando estava de passagem pelo Rio de Janeiro, com traços cubistas. Paramos na frente de outra preciosidade, que o colecionador que é também clarinetista gosta especialmente: Os Músicos, pintado de memória por Di Cavalcanti, em Paris.
Nascido na Itália, ele conta que após a Segunda Guerra, na Europa, galerias e movimentos artísticos que haviam estancado retomaram com entusiasmo. Atento, ele pode ver e conhecer o novecento italiano: “as obras do De Chirico, do Carrà, Morandi… Enfim, de todos os artistas da época. Gostei muito daquelas pinturas, especialmente as de conotação metafísica. Quando voltei ao Brasil, em 51, procurei na pintura brasileira alguma coisa similar. Aquele silêncio… que encontrei, sobretudo, na obra de Volpi e Di Cavalcanti.”
Coleção Domingos Giobbi – arte, uma relação afetiva
Até 05 de dezembro de 2010
Local: Estação Pinacoteca
Endereço: Lgo. General Osório, 66, Centro, São Paulo
Aberta de terça a domingo, das 10 às 18h
Grátis aos sábados
Não, não se trata de uma biblioteca. Também não é a Bienal do Livro, tampouco as livrarias espaçosas que andam cada vez mais convidativas. Trata-se de uma bela coleção de livros, com nomes e títulos de peso que invadiu o espaço de uma Estação que costuma abrigar pinturas em suas paredes.
Na Estação Pinacoteca, gente que faz a cena cultural: os poetas Ferreira Gullar, Paulo Vanzolini, o arquiteto Oscar Niemeyer, os artistas Carybé, Maria Bonomi, Maureen Bisiliat, Lasar Segall, Oswald de Andrade, William Faulkner, Jorge Luis Borges… só para citar alguns. Eles aparecem em livros, imagens e textos estrategicamente situados para atrair o olhar e curiosidade do leitor. Como bem disse certa vez Jo Soares, num Roda Viva: “Com o livro, existe o prazer de ler, o prazer de ter, de comprar. E o prazer de pegar.”
E isso se aplica bem aos livros da Imprensa Oficial que programou inclusive um canto, o Espaço do Leitor, onde os livros podem ser manuseados, folheados.
Nas paredes, frases de João Guimarães Rosa, Saramago, Jean-Paul Sartre, Graciliano Ramos, Cortázar, Shakespeare, Borges, Victor Hugo, Lobo Antunes, entre outros ajudam a despertar e a consolidar a paixão pela leitura. De Guimarães Rosa: “Toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada”.
A Imprensa Oficial é conhecida pela qualidade de sua impressão e bom gosto quem podem ser apreciados em O Romanceiro da Inconfidência, com desenhos de Renina Katz, no livro que traz a obra completa de Leon Ferrari, editado com a Edusp e Cosac ou ainda nas belas fotobiografias como a de Clarice, e a recente Viva Pagu, com fotos, textos e escritos da irreverente Patrícia Galvão, musa modernista.
Para Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a iniciativa amplia a possiblidade de fruição dos belos exemplares publicados pela empresa, já que a Estação Pinacoteca é muito visitada: “ É um prazer dar nossa contribuição e colocar à disposição do público, parte dos mais belos e procurados livros publicados pela empresa. Nossa proposta foi criar ambientes para instigar os visitantes e provocar sua interação com a linguagem e a palavra”.
São mais de 300 títulos, distribuídos por 400 m², edições que representam várias áreas do conhecimento. A curadoria é de Cecília Scharlach, coordenadora editorial da Imprensa Oficial. O arquiteto Haron Cohen assina a direção de arte e a produção gráfica é de Alex Wissenbach.
Vitrines com prêmios, peças gráficas, convites, marcadores de páginas, postais e bonecos mostram o processo de produção até a impressão. Na mostra, livros da parcerias da Imprensa Oficial com editoras universitárias e instituições culturais, como a Biblioteca Nacional, a Pinacoteca do Estado, Academia Brasileira de Letras, o Museu Afro Brasil, o Instituto Tomie Ohtake, o Instituto Moreira Salles.
Tem ainda os títulos da famosa Coleção Aplauso, que hoje pode ser baixada na internet, com as biografias de nossos mais renomados artistas. Dos mais atuais como Sérgio Ricardo: canto vadio e Célia Helena: atriz visceral, passando pelo vencedor do Jabuti, Raul Cortez, Beatriz Segall, Tonia Carrero, até os primeiros exemplares, como Sérgio Cardoso: imagens de sua arte ou Maria Della Costa: seu teatro, sua vida.
Em todo acervo, há obras premiadas como o vencedor do Jabuti, Monteiro Lobato livro a livro, de Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini e Resmungos, de Ferreira Gullar, premiado pela Câmara Brasileira do Livro. Em todas as edições, impressiona a excelência gráfica. Agora é só ir lá conferir! E apreciar, tem para todos os gostos: Arte sacra colonial, barroco memória viva; Caixa Modernista , da gravura à arte pública (organização de Jorge Schawartz, Maria Bonomi); Mestres do modernismo; Roupa de artista: o vestuário na obra de arte (Cacilda Teixeira da Costa), Igrejas paulistas: barroco e rococó; Fotógrafos franceses em São Paulo na primeira metade do século XX; Joias da Mata Atlântica; Escritos sobre arte, Tinhorão, o legendário; Impressões de Carybé nas suas visitas ao Benin (1969-1987).
Há ainda resgate de nossa memória histórica, jornalística e política através de edições institucionais de interesse gráfico-editorial e uma vitrine com os jornais antigos como o Ex, com a notícia da morte de Vladimir Herzog.
Exposição de Livros da Imprensa Oficial Até 15 de agosto.
Local: Estação Pinacoteca
Endereço: Largo General Osório, 66 – Centro, São Paulo
Datas e horários: Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h
Grátis aos sábados
Três grandes artistas plásticos, donos de visões muito particulares sobre o expressionismo: Lasar Segall, um dos pioneiros da gravura e xilogravura; Oswaldo Goeldi, que ficou conhecido por seu trabalho de gravuras e suas ilustrações e Iberê Camargo, estão reunidos numa mostra impactante no Museu Lasar Segall, com curadoria da historiadora Vera Beatriz Siqueira.
Destaque para as séries Pescadores de Goeldi, os Emigrantes de Segall e os Ciclistas de Iberê Camargo, que exemplificam o tema proposto: a busca por expressão e afirmação do eu.
O diálogo da obra dos três artistas que podem aqui ser cotejados é o maior mérito da mostra que reúne 64 trabalhos. Não é a primeira vez que Goeldi é colocado lado a lado com o artista lituano, Lasar Segall, arrebatado pela temática da imigração, desde sua chegada ao Brasil, e pelas questões sociais.
Discípulo de Guignard, amigo de Goeldi e profundo admirador de sua obra, a inserção de Iberê Camargo permite tratá-lo, como precursor de seus antecessores. O confronto de Segall e Goeldi possibilita uma interpretação desdobrada do expressionismo no Brasil, que atinge no artista do Rio Grande do Sul um estágio intenso e original. Cálculo de Expressão é consequência de uma parceria do Museu Lasar Segall com a Fundação Iberê Camargo.
Arte expressionista
O diretor do Museu, Jorge Schwartz comenta as três obras escolhidas para despertar o olhar do visitante na abertura da exposiçao.
Na obra de arte expressionista, no lugar de uma representação do mundo tal como este nos aparece, surgem imagens de uma realidade, modificada de acordo com a subjetividade do artista. A linguagem da arte – particularmente a da gravura, com todo o processo artesanal de impressão – requer para sua execução um elaborado cálculo formal. O rigor artesanal dos três artistas, sua economia formal, a compreensão da potência poética da técnica da gravura são alguns dos elementos que os aproxima, assim como a escolha de determinados temas.
Cálculo da Expressão Local:
Museu Lasar Segall
Endereço: Rua Berta 111, Vila Mariana, telefone: (11) 5574-7322
Até 10 de julho de 2010
Funcionamento: de terça a sábado, das 14h00 às 19h00; domingo e feriados, das 14h00 às 18h00
Entrada gratuita
Ela ainda inspira arquitetos como Isay Weinfeld, Marcio Kogan, Paulo Mendes da Rocha…
Ícone da arquitetura moderna brasileira, a casa da rua Itápolis no Pacaembu, em SP, foi reformada pelo arquiteto Carlos Warchavchik, neto de Gregori. Durante anos, ela foi habitada e agora está aberta à visitação pública até 21 de Abril. A exposição é uma oportunidade única para conhecer o lugar.
Dentro da casa, móveis e luminárias desenhados pelo arquiteto. Destaque para o quarto com mobiliário infantil (cama-barco) onde vários membros da família cresceram. Objeto de desejo de todo estudante de arquitetura, a entrada na casa não é mais um privilégio de poucos, comenta o arquiteto Fabio de Paula do site Arq!Bacana que elogia ainda a recuperação do patrimônio histórico. Nós aqui da coluna também!
Despojamento de linhas, concreto armado e laje em balanço eram a grande novidade.
Para Warchavchik, a casa tinha de ter, acima de tudo, funcionalidade e a arquitetura moderna deveria inovar nesse sentido. A casa representava para a arquitetura da época a mesma ruptura que a Semana de Arte Moderna de 22 promoveu em outras áreas. Gregori era amigo dos escritores Mario de Andrade e Oswald de Andrade, dos pintores Lasar Segall, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. A casa foi inaugurada com uma exposição de arte modernista como conta a arquiteta Marta Bogea.
Exposição “Modernista 80 anos”
Casa Modernista
Rua Itápolis, 961, Pacaembu – São Paulo (SP)
Até 21/04
De quarta-feira a sexta-feira, das 13h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada gratuita
Vans partem do Museu da Casa Brasileira , que abriga a exposição complementar Warchavchik: Panorama Modernista 1925-1932, em diversas datas e horários rumo a Casa Modernista. As visitas são gratuitas e contam com o acompanhamento de educadores.