José Resende | Mona Dorf

sábado, 10 de setembro de 2011 Eventos, Exposições, Imagem | 08:00

Exposição inédita com pinturas de Mira Schendel no IMS-RJ

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Abre neste sábado, 10/09, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro , às 17h, a exposição Mira Schendel, pintora, com 27 obras da artista plástica suíça radicada no Brasil. Na abertura, será realizada uma mesa-redonda aberta ao púbico com a participação da curadora e historiadora Maria Eduarda Marques, do crítico de arte Ronaldo Brito e do artista plástico José Resende. Os lugares são limitados.

Mira Schendel

A exposição reúne alguns dos melhores exemplos da pintura de Mira Schendel, produzidos entre os anos de 1950 e 1980, pertencentes a acervos de coleções particulares e instituições. Ao longo de sua carreira, Mira Schendel trabalhou com diferentes materiais e linguagens, sendo mais conhecidos seus trabalhos em papel, tais como as monotipias e os objetos gráficos. Mas a pintura sempre permeou sua trajetória artística. Na mostra, vão estar obras que exemplificam as diversas fases da produção pictórica da artista.

Mira Schendel

Mira Schendel

Segundo a curadora Maria Eduarda Marques, em Mira Schendel, pintora, é possível perceber que muitos dos conteúdos que a artista desenvolveria em outros suportes surgem primeiramente de suas experiências no campo da pintura.

Mira Schendel

No mesmo dia da abertura da exposição será lançado o catálogo homônimo com a reprodução das obras expostas e texto da curadora. Além disso, a publicação reúne uma seleção de textos históricos sobre a pintura de Mira Schendel dos críticos Mário Pedrosa, Mario Schenberg, Theon Spanudis, Rodrigo Naves e Ronaldo Brito, e depoimentos inéditos de três pintores contemporâneos: Marco Giannotti, Sérgio Sister e Paulo Pasta, cujos trabalhos dialogam com aspectos da produção de Mira.

Sobre a artista

Myrrha Dagmar Dubb nasceu em 7 de junho de 1919, em Zurique, na Suíça. Após a separação de seus pais (ambos de origem judaica), muda-se para Milão, acompanhando a mãe e o padrasto. Ali, frequenta a escola de arte a partir de 1936 e estuda filosofia na Universidade Católica entre 1938 e 1940. Com a Segunda Guerra Mundial, Mira interrompe os estudos e deixa a Itália. Em Sófia, na Bulgária conhece seu primeiro marido, Jossip Hargesheimer, com quem viaja para o Brasil em 1946. Mira se registra como Mirra Hargesheimer. A viagem termina em Porto Alegre, onde o casal fixa residência.

Nos anos 1950, Mira já vive um período de intensa atividade artística. Sua primeira exposição individual acontece na sede do jornal Correio do Povo, em 1950. No ano seguinte, Mira é selecionada para integrar a I Bienal de São Paulo. Em 1953, Mira e Jossip se separam. A artista muda-se para São Paulo. No ano seguinte, conhece Knut Schendel, com quem se casaria oficialmente em 1960, quando passa a usar o sobrenome do marido. As séries das Fachadas e das Geladeiras compõem a primeira exposição individual de Mira em São Paulo, no Museu de Arte Moderna, em outubro de 1954.

O início da década de 1960 representa um período de pesquisa e de produção intensas na pintura. Em 1964, trabalha com têmpera sobre papel umedecido. No ano seguinte, Mira realiza a série das Bombas, apresentadas numa individual na galeria carioca Petite Galerie. Entre 1964 e 1966, Mira realiza a série de monotipias em papel de arroz, posteriormente trabalhando também com signos e sinais de pontuação em letraset. Em 1966, Mira desenvolve as séries Droguinhas e Trenzinhos. Em 1968, a convite do jornalista e crítico de arte Jayme Maurício, Mira participa da 34ª Bienal de Veneza, expondo seus objetos gráficos. Sua participação na X Bienal de São Paulo, em 1969, acontece com a instalação Ondas paradas de probabilidade.

Em 1974, Mira inicia a série dos datiloscritos, obras feitas com tipos datilografados, por vezes associados à caligrafia. Sua participação na XVI Bienal de São Paulo, em 1981, acontece com I Ching, série de 12 têmperas sobre madeira. Os Sarrafos, o último conjunto de obras finalizado por Mira, são compostos por 12 têmperas realizadas em 1987. Foram expostos na galeria paulistana Gabinete de Arte Raquel Arnaud e, no Rio de Janeiro, na galeria Sérgio Milliet/Funarte. Mira morreu em São Paulo, no dia 24 de julho de 1988, deixando inconclusa uma nova série das pinturas matéricas, feitas com pó de tijolo e cola. Apenas três dessas obras foram terminadas.

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Mira Schendel, pintora
Até 20 de novembro de 2011
Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
De terça a sexta, das 13h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação livre

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sábado, 14 de maio de 2011 Entrevista, Exposições | 08:00

Réquiem para Leonilson na Capela do Morumbi

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Capela do Morumbi  reconstitui a instalação o último trabalho criado por Leonilson, que não chegou a vê-la montada, pois faleceu antes da inauguração – a obra foi apresentada em 1993.   

Visitamos a Capela com uma das expoentes da chamada Geração 80, Leda Catunda, que junto com seu ex-parceiro, Sergio Romagnolo, era próxima do artista, a quem influenciou e de quem sofreu influência. Ela destacou a visão poética de sua obra, que a partir de 1991, passa a ser impactada pela experiência de viver com a Aids e seus sintomas. A doença, o vírus HIV, o deparar-se com a finitude da vida são introduzidos nos trabalhos e caracterizam a sua produção, desenvolvida até o ano de sua morte, em 1993.

Na exposição Sob o PESO dos meus AMORES, no Instituto Itaú Cultural, as aventuras, dramas e angústias, expressos nos desenhos, pinturas, bordados, globos, mapas e brinquedos. 

Aqui a singela da Capela, joga luz a dimensão simbólica da obra de Leonilson.

Passeamos com Leda Catunda pelo vazio e objetos que compõem a instalação. Ela comenta as inscrições: uma cadeira forrada com tecidos e a palavra bordada “los delicias”; um cabideiro com tecidos de voile branco e laranja, delicadamente superpostos, e duas camisas costuradas  pela barra, com o nome “Lázaro”, referência ao personagem bíblico, ressuscitado por Cristo quatro dias depois de sua morte.

Remontagem em 2011 faz parte da retrospectiva apresentada no Itaú Cultural 

Para o curador do espaço Douglas de Freitas, o lugar ressalta o romantismo, a ironia e a religiosidade, temas recorrentes em sua obra.

“O valor simbólico é construído por palavras e matéria. Camisas de uso cotidiano dispostas sobre duas cadeiras que ocupam o altar recebem as inscrições “da falsa moral” e “do bom coração”. As mangas alongadas que pendem até o chão e a aparência frágil e delicada do tecido sinalizam o corpo fragilizado pela doença. O silêncio da Capela é contraposto à inquietação causada pela simbologia da ausência explicitada pelos objetos.”

Aos 36 anos, pouco antes da abertura da instalação, Leonilson faleceu. Por esse trabalho e por outro realizado também em 1993, o artista recebeu homenagem póstuma e prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

O passeio virtual pela instalação na Capela

A instalação de Leonilson celebra 20 anos do projeto de Instalações de Arte Contemporânea na Capela do Morumbi

Localizada ao lado da antiga Fazenda do Morumbi, a charmosa Capela já vale uma visita por si só. Erguida em 1949, sobre ruínas do século 19 de uma construção em taipa-de-pilão, pelo arquiteto Gregori Warchavchik,  tem recebido prestigiados artistas brasileiros: Carlos Fajardo, Iole de Freitas, Dudi Maia Rosa, Sergio Sister, Carmela Gross, Carlos Vergara, José Resende, Nelson Leirner, e recentemente, Guto Lacaz, Laura Vinci, num total de 108 instalações até hoje.

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Instalação Leonilson: sob o peso de meus amores
Até 29 de maio de 2011
Local: Capela do Morumbi
Endereço: Av. Morumbi, 5387, São Paulo
Datas e horários: de terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada franca

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Exposições Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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