Jorge Amado | Mona Dorf

quarta-feira, 14 de setembro de 2011 Entrevista, Passeios, Patrimônio | 08:00

Obras raras e muita história na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro

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Mais de 9 milhões de obras! A Biblioteca Nacional é considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo.  ”O prédio sede tem dois armazéns com seis andares, em cada andar cerca de 450 estantes que estão cheias”, mostra Mônica Rizzo, diretora do centro de referência e difusão. Ela explica: “a Biblioteca recebe um exemplar de tudo o que é publicado no país como forma de preservação da memória nacional”.  Há cem anos, o acervo da Biblioteca Nacional está preservado no edifício de estilo eclético, na Cinelândia, Rio de Janeiro, onde hoje funciona a sede da Fundação Biblioteca Nacional. 

Biblioteca Nacional/ Foto: Ricardo Figueira

O acervo da Biblioteca Nacional é formado originalmente pela antiga livraria de D. José, que foi organizada por Diogo Barbosa Machado, Abade de Santo Adrião de Sever, para substituir a Livraria Real, que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa de 1º de novembro de 1755. O início da Real Biblioteca no Brasil está ligado a vinda de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808.

“Essa coleção chegou aqui em 3 etapas e era formada por cerca de 66 mil peças muito importantes como manuscritos raros e livros publicados desde o século XV”, conta Mônica. Inicialmente tudo foi acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março. Em 1810, um decreto do Príncipe Regente determinou que o lugar acomodasse a Real Biblioteca. Sendo assim, a data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi aberta ao público em 1814.
 

“Mesmo com a volta da família real, a coleção permaneceu no Brasil e foi parte de nosso Tratado de Paz e Amizade com Portugal. Ela foi paga como parte da compensação devida pelo Brasil a Portugal pela perda que eles tiveram com a nossa independência. É uma memória que pertence a Brasil e Portugal, mas é de nossa propriedade”.

O prédio atual teve sua pedra fundamental lançada em 15 de agosto de 1905 e foi inaugurado cinco anos depois, em 29 de outubro de 1910. Projetado pelo General Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, a construção foi dirigida pelos engenheiros Napoleão Muniz Freire e Alberto de Faria.

As instalações do novo edifício correspondiam na época de sua inauguração a todas as exigências técnicas: pisos de vidro nos armazéns, armações e estantes de aço com capacidade para 400.000 volumes, amplos salões e tubos pneumáticos para transporte de livros dos armazéns para os salões de leitura: ”o prédio foi projetado e planejado para ser uma biblioteca. É um prédio robusto que aguenta muito peso e foi inaugurado na data do centenário da Biblioteca, ou seja, a Biblioteca tem 200 anos e o prédio tem 100. É um prédio muito bonito, as estantes são todas em aço”, completa Mônica.

Livros raros: Bíblia de Mogúncia

O acervo de obras raras é constituído de material bibliográfico diversificado – livros, folhetos, folhas volantes, periódicos – e selecionado segundo parâmetros que o consideram raro ou precioso. Segundo esses parâmetros, não basta ser antigo, é preciso ser único, inédito, fazer parte de alguma edição especial, apresentar uma encadernação de luxo ou, até mesmo, ter o autógrafo de personalidades célebres como D. Pedro II, Coelho Neto, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado.

Um dos livros mais raros deste acervo é a famosa Bíblia de Mogúncia impressa em 1462, pouco tempo depois da descoberta da imprensa por sócios de Guttemberg. Aqui, também estão a primeira edição de Os Lusíadas(1572); o Rerum per octennium…Brasília, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores desenhadas por Frans Post; e o menor livro do mundo que, com apenas um centímetro de comprimento, ensina o “Pai Nosso” em sete línguas.

A divisão de Manuscritos comporta cerca de 900.000 documentos e surgiu como complemento do acervo da Real Biblioteca com, aproximadamente, mil códices manuscritos e avulsos (documentos oficiais). Ao longo do tempo foram incorporados ao acervo outros importantes conjuntos documentais: “esse manuscrito foi oferecido ao príncipe João que depois viria ser D. João VI por um bacharel português. É muito interessante porque foi feito todo em pergaminho, como os livros medievais, e ele é mais ou menos uma espécie de O Príncipe de Maquiavel só que ‘menos maquiavélico’. São sonetos para o príncipe explicando como ele deve governar, como deve se comportar com seu povo. Cada soneto é ilustrado por emblemas que são ilustrações feitas a mão. Todo o livro é feito a mão”, explica a bibliotecária Ana Lúcia Merege.

“Esse outro é um dos códices de Francisco Lemão, que foi médico e botânico no século XVIII.  Ele deixou cerca de 3800 páginas de seus diários de campo mostrando uma parte interessante da flora brasileira, principalmente na região sudeste, e que hoje tem a maior importância para pesquisadores na área da flora e da botânica. Nosso trabalho não é só descrever esses documentos, mas também disponibilizar. Estamos trabalhando para fazer com que esses documentos sejam digitalizados e se tornem acessíveis online”.

Texto: Anapaula Ziglio/ Reportagem: Mona Dorf

 

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Biblioteca do futuro

Biblioteca Nacional
Avenida Rio Branco, 219 -Rio de Janeiro
De 2ª a 6ª feira de 9:00 às 20:00 horas/ Sábados de 9:00 às 15:00 horas

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Passeios, Patrimônio Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
terça-feira, 1 de março de 2011 Exposições, Literatura | 08:00

Cora Coralina: uma poetisa no coração do Brasil

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Depois de  estrear com sucesso em 2009  no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, a exposição Cora Coralina – Coração do Brasil pode ser vista até 13 de março no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, onde também acontece a mostra imperdível sobre O Mundo Mágigo de Escher.

Idealizada pela curadora Júlia Peregrino, Cora Coralina – Coração do Brasil ocupa o segundo andar do CCBB e possibilita ao visitante fazer um mergulho visual no universo da poetisa, intelectual, comerciante, sitiante, doceira e militante das causas nobres Cora Coralina.  

Correspondência, manuscritos, artigos, fotografias e os mais diversos documentos…

É uma visão sobre o universo da poetisa e intelectual brasileira entre 1889, quando nasceu, e 1985, ano de sua morte, traduzida em fotos, vídeos, documentos e arquivos que nunca haviam saído da Casa de Cora Coralina, hoje, um espaço memorial instalado na casa em que ela viveu na Cidade de Goiás. A cenografia, assinada por Daniela Thomas e Felipe Tassara, ajudam a entender as sensações deixadas por Cora Coralina na nossa literatura, com sua poesia profundamente ligada à terra e à memória de sua região natal.

São quase 200 imagens que fazem ecoar um mundo de histórias, como as que ouvia da bisavó Vicência (vó Dindinha). Elas também mostram os sonhos da adolescente e da aluna considerada uma das mais atrasadas, que só conseguiu aprender devido ao esforço da Mestra Silvina – sua única professora –.  Aos14 anos, publicou seu primeiro texto e colaborou, ao longo da vida, com centenas de jornais em Goiás, São Paulo e várias outras cidades brasileiras.

Uma mulher de coragem

Em 1911, Cora decidiu viver com um homem separado e partiu para São Paulo, onde criou cinco filhos, quatro seus e uma do primeiro casamento do marido. A incansável trabalhadora, como se autodefinia, chegou a vender livros da Editora José Olympio de porta em porta na capital paulista e foi comerciante, sitiante, líder de diversas causas, voluntária da Revolução Constitucionalista de 32, batalhou pelo voto feminino e recomeçou a vida aos 67 anos, de volta a Goiás, fazendo doce pra fora para sobreviver.

Seus doces de laranja da terra, banana, figo e mamão, ficaram famosos em toda parte. “Meus doces pode comprar, os livros pode deixar, pois os doces se estragam e os livros não”, brincava ela.

A escritora

Nascida Anna Lins dos Guimarães Peixoto, mais tarde conhecida como Cora Coralina, ela teve de se auto-inventar muito cedo como escritora: “Por medo de que minha glória literária fosse atribuída a outra Ana mais bonita do que eu”. Então, ela decidiu encontrar um nome “que não tivesse xará” e, após muita busca, decidiu-se por Cora. “Mas ainda era pouco para mim”e não descansou até encontrar Coralina. Um nome sonoro como as águas do seu amado Rio Vermelho.

A fama aconteceu ao estrelar uma brilhante e emocionada crônica de Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, em 1980.  Depois disso, o país enfim se abriu para a sua obra. Foi amiga de Jorge Amado e chegou a receber um agradecimento oficial do Papa Pio XII pelos doces que lhe enviou, por intermédio do arcebispo de Goiás. 

Veja o que acontece também no CCBB-SP:

Um pedaço do Islã no Brasil, agora, em São Paulo

Até 13/03/2011
Centro Cultural do Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66 – Rio de Janeiro
Horário: de 3ª a domingo, das 9h às 21h
Entrada franca

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terça-feira, 2 de novembro de 2010 Você por Aqui | 08:00

A Brasilidade Revolucionária de Marcelo Ridenti

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Aqui seu trabalho pode virar destaque. Mande seu vídeo, podcast, charge, crônica, poesia ou desenho. Interaja com a nossa coluna! Envie para nosso e-mail: vcporaqui@ig.com.br

Vídeos e texto enviados pelo sociólogo Marcelo Ridenti:

Ao revisar a trajetória de artistas e intelectuais que compõem certa intelligentsia brasileira de esquerda ao longo do século XX, eu decidi analisar a “utopia de brasilidade”. O resultado desta reflexão está no meu livro Brasilidade Revolucionária: um século de cultura e política, editado pela Unesp.

Para mim, nos anos 60, mais que uma crença no socialismo, a condição de ser brasileiro poderia contribuir decisivamente na construção de uma nova civilização que aproveitasse todas as suas potencialidades, provenientes de sua formação multicultural-racial-étnica notabilizada pela valorização da igualdade de direitos, da expressão popular e outros ideais de ordem nacionalista e socialista.

Em Brasilidade Revolucionária , identifico a canção Metamorfose Ambulante de Raul Seixas com a “individualidade libertária” contida na obra do inglês Marshall Berman. Elementos como a valorização do individual, a junção dos contrários e a mudança permanente são características contraculturais perceptíveis em ambas as obras.

O livro, que pode ser encontrado na Ponto do Livro em São Paulo, faz um balanço de um século de cultura e política de esquerda no Brasil. Os primeiros capítulos trazem à luz a trajetória do jornalista Everardo Dias, que foi líder operário e intelectual à época da República Velha, e de outros protagonistas do movimento esquerdista como Nelson Pereira dos Santos, Jorge Amado, fundadores do Partido Comunista, clubes da gravura, congressos de cinema e o Tropicalismo. 

Marcelo Ridenti

Sou professor titular de sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Ensinei na Unesp, campus de Araraquara (1990-1998) e da UEL (1983-1990). Autor e organizador de vários livros como O fantasma da revolução brasileira (Editora Unesp,1993) e Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV (Record, 2000).

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010 Entrevista, Literatura, Prêmios | 08:00

Os livros infantis de Kiko Farkas

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Renomado designer Kiko Farkas também é autor pela Companhia das Letrinhas. Quando teve os primeiros filhos, ele escreveu e ilustrou os livros Uma letra puxa a outra ( FNLIJ 92 e Prêmio  Jabuti 93 ) e Um número depois do outro, em parceria com o poeta  José Paulo Paes.

São obras altamente recomendáveis, inclusive com o selo da FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil! Uma cartilha moderna e ricamente ilustrada para brincar com a alfabetização dos pequenos. 

“O que eu mais gosto é do cara que comeu 8 biscoitos. Esse aqui, por exemplo”, diverte-se Kiko apontando sua ilustração no livro Uma letra puxa a outra. Escolhido pelo governo, ele já vendeu mais de 100 mil exemplares e teve de ser reeditado. “A gente acabou de colocar o K,Y e o W. Eu tive que desenhar para essas novas letras que não estavam na edição anterior, pois não existiam no vocabulário brasileiro. Fazer o K foi muito bom, o  K de Kiko. Não tinha K no alfabeto! … E só no meu nome tem 3 Ks!”


Outra dica é o livro A bola e o goleiro, de Jorge Amado, também ilustrado por Kiko. Ele conta que  ganhou a concorrência para fazer toda a ilustração da obra do Jorge Amado, reeditada pela Companhia das Letras o chamou para fazer o projeto gráfico de todos os livros: “Já fizemos mais de 20 livros. Capa, diagramação…. E esse livro A bola e o goleiro veio como um bônus! A história é linda.”

É a história de uma bola que se apaixona por um goleiro frangueiro. Ela é escalada para o jogo do milésimo gol do rei e  fica dividida entre a honra de ser a bola do milésimo gol e o amor ao goleiro frangueiro – ele queria também ser o goleiro do milésimo gol-. E no fim, numa declaração de amor, a bola desiste de entrar no gol e vai para os braços do goleiro, eles se apaixonam e se casam. E a bola vira a lua.

“Eu escrevi a minha biografia, escrevi minha relação com goleiros, pois eu já fui goleiro. Depois disso, resolveram escrever a biografia do Jorge Amado num tom futebolístico!” brinca Kiko.

Veja mais sobre Kiko Farkas:

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4 anos, 300 cartazes e uma boa convivência com o maestro John Neschling

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terça-feira, 10 de agosto de 2010 Entrevista, Festivais Literários, Literatura | 15:18

O olhar de FHC sobre Maquiavel

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Uma platéia seleta de convidados formada por economistas, jornalistas e intelectuais ouviu nessa segunda no Cultura Artística Itaim, em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discursar sobre Maquiavel. Ele já havia discutido na Flip com Salman Rushdie, mas ontem fez uma palestra especial precedida de coquetel no lançamento da parceria Penguin-Companhia das Letras.

O editor Luiz Schwarcz comenta, na abertura do evento, que convidou  Fernando Henrique para fazer o prefácio de Il principe, o “príncipe dos sociólogos” na nova edição lançada dentro da parceria Penguin-Companhia das Letras que o ex-presidente é um clássico. Aqui um trecho da palestra.

Na saída FHC fala com os jornalistas, sobre política, Serra e Lula, e Maquiavel

Porque não tem participado da campanha? Diz que não tem mais tanta energia, mas que tem escrito, dado entrevistas, fala com Serra toda hora, por telefone… Acredita que os debates são engessados, mas que o candidato do PSDB foi bem no primeiro, o da Band.

Sobre a afirmação de Lula dizendo que quer ensiná-lo a ser ex-presidente: “Tou louco para aprender!” (risos). E continua: “Pra ele, ex-presidente não deve fala nada, a não ser a favor. Os outros ex-presidentes, com exceção do Itamar, só falam a favor dele, não é?“

Pergunto: ”O senhor disse que a maior virtude de um político é saber manter-se no poder?”. Mais uma vez ele responde sorrindo:
”Eu não, quem disse isso foi Maquivael, eu não sou maquiavélico!“

Presentes para ouvir FHC: os escritores Bernardo Carvalho, Lygia Fagundes Telles, João e Pedro Moreira Salles, os editores Luiz e Lilia Moritz Schwarcz, John Makinson, o livreiro Pedro Herz e os economistas, André Lara Resende,  Elena Landau, Eduardo Gianetti da Fonseca.

Matinas Suzuki Jr o editor da Penguin, comentou os novos  lançamentos e as trocas entre as duas editoras. Elas lançaram O Príncipe, de Maquiavel, Pelos olhos de Maisie, de Henry James, Essencial Joaquim Nabuco e O Brasil Holandês (organizado por Evaldo Cabral de Mello) e vão levar autores nacionais como Jorge Amado para serem publicados no exterior.

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