Estreia amanhã, 02/09, o documentário Assim é, Se lhe Parece, terceiro filme da série Iconoclássicos produzida pelo Itaú Cultural com direção de Carla Gallo. O filme sobre o polêmico artista plástico Nelson Leirner fica em cartaz até 29 de setembro no Arteplex Frei Caneca, nos Espaços Unibanco Pompéia e Augusta, em São Paulo, e ainda nas salas Unibanco em Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Santos. Em todas elas, a entrada é gratuita.
"Assim é, se lhe parece"/ Filme de Carla Gallo
Assim é, Se lhe Parece faz um retrato de Nelson Leirner. “O filme não tem a pretensão de alcançar a verdade e é avesso ao enaltecimento do artista”, conta a diretora que foi convidada pelo Itaú Cultural a realizar o filme sem roteiro pré-determinado. Quando ela começou a filmar, não conhecia Leirner, apenas a sua obra.
Carla Gallo também assina entre seus trabalhos mais importantes os documentários Tom Zé ou Quem Irá Colocar uma Dinamite na Cabeça do Século? de 2000, e O Aborto dos Outros, de 2008.
Leirner interpreta Leirner
O nome do filme Carla tomou emprestado do título de uma obra realizada por Leirner em 2003. O trabalho, composto de sete mapas com interferências de imagens da cultura popular, faz irônica crítica à política e sociedade mundiais. Para compor essa obra, Leirner se inspirou na obra de Luigi Pirandello, na qual o dramaturgo siciliano ironiza a ilusão das pessoas na busca da verdade.
Nesse documentário, o público se vê às voltas com a arte irreverente, crítica e provocativa de Leirner. A câmera acompanha esse paulistano residente no Rio de Janeiro há 14 anos, por exemplo, em um de seus passeios pelo Saara – o equivalente carioca da Rua 25 de Março de São Paulo. Ali ele adquire matéria prima para compor boa parte de suas obras, e adora dar um dedo de prosa com os vendedores e as pessoas que circulam pela rua. Entre outras cenas de seu cotidiano vai com o artista à casa de uma amiga mãe-de-santo que o abençoa, e, ainda, dando aula, brincando com o cachorro, em seu apartamento no Rio.
Em São Paulo o filme registra Leirner na Avenida Paulista e no Itaú Cultural, envolvido na montagem da mostra Ocupação Nelson Leirner, que abriu a série desse tipo de exposições no instituto. A tudo isso, Carla intercala depoimentos do artista sobre a sua vida e a sua vontade de não ter sido artista, nem nada. Pequenas inserções artísticas e textos curtos do artista dão o ritmo ao filme e a medida certa da história com pitadas de ironia.
O Projeto Iconoclássicos do Itaú Cultural começou com o interesse de documentar em filme o trabalho de quatro artistas brasileiros homenageados na série de mostras chamadas de Ocupação.
A estreia do projeto aconteceu em julho nos cinemas Unibanco com o filme Daquele Instante em Diante, sobre o músico Itamar Assumpção dirigido por Rogério Velloso. Em agosto entrou em cartaz Ex isto, sobre a obra Catatau de Paulo Leminski, direção de Cao Guimarães e com João Miguel como único ator. Depois de Assim É, Se Lhe Parece, em novembro entra em cartaz EVOÉ! Retrato de um Antropófago, sobre o dramaturgo Zé Celso Martinez Correa documentado por Tadeu Jungle e Eliane Cesar. Por fim, em dezembro entra em cartaz Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz, dirigido por Joel Pizzini sobre o também cineasta Rogério Sganzerla.
Assim É, Se Lhe Parece 75 min, 2011
Nelson Leirner por Carla Gallo
Em cartaz: De 2 a 29 de setembro
- São Paulo
Cine Arteplex Unibanco
Rua Frei Caneca, 569 – Shopping Frei Caneca
Espaço Unibanco Pompeia
R. Turiaçu, 2.100 – Shopping Bourbon, 3º andar
Unibanco Augusta
R. Augusta, 1.470 e 1.475
- Curitiba
Unibanco Arteplex Crystal/ Shopping Crystal
Rua Comendador Araújo, 731
Espaço Unibanco Dragão do Mar
Rua Dragão do Mar, 81 – Centro
- Porto Alegre
Unibanco Arteplex Bourbon/ Shopping Bourbon Country
Av. Túlio de Rose, 80 – Passo da Areia
- Rio de Janeiro
Unibanco Arteplex Botafogo
Praia de Botafogo, 316 – Botafogo
Espaço Unibanco Glauber Rocha
Praça Castro Alves, s/n
- Santos
Espaço Unibanco Miramar/ Miramar Shopping Center
Av. Marechal Floriano Peixoto, 44 – Gonzaga
Faixa etária: 14 anos
Gênero: Documentário
Até 4 de setembro os três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural estão tomados por 10 obras de arte cibernética. Na mostra Rumos Arte Cibernética, o visitante pode interagir diretamente com as obras – entre autômatos falantes, instalações musicais, sonoras e dançantes, ruídos transformados em imagens de Mata Atlântica, corpos fragmentados em scanner, uma espécie de reprodução cibernética de um cenário imaginário, digital e caótico do mundo contemporâneo.
São oito trabalhos realizados pelos artistas contemplados no programa Rumos nesse segmento em 2009, e mais dois da edição de 2006, que promovem a interação contínua entre o observador e o trabalho exposto. “Arte cibernética é uma forma de arte tecnológica que usa a interação na poética da obra. Ela pode ser com o público ou entre elementos da obra que interagem e geram o resultado final”, explica Marcos Cuzziol, gerente do Itaulab – Núcleo de Arte Cibernética do Itaú Cultural –.
Uma das obras está exposta ao ar livre na Praça Alexandre de Gusmão, vizinha ao Parque Trianon, acompanhada por monitores que ajudam o visitante. Chama-se Campo Minado, um “game-performance”, idealizado pelo paulistano Cláudio Bueno, para ser jogado com smartphones em ambientes públicos.
Em Tijolo Esperto, de Breno Guimarães Rocha, uma matriz luminosa constituída por placas de LEDs, confeccionadas artesanalmente, apresenta imagens que expõem e criticam a natureza do meio digital. Corpo Digitalizado, obra criada pela carioca Juliana Cerqueira, discute o limiar entre o real e o virtual, e os limites entre o corpo e a máquina. Na instalação o corpo do participante é scanneado em partes em uma cabine e, os fragmentos, quando juntados, são projetados no ambiente contíguo.
Roda da Vida de Márcio Ambrósio/ Foto: Rubens Chiri
12i – A Roda da Vida do paulistano Márcio Ambrósio está sempre lotada de visitantes. É uma instalação interativa que faz uma releitura moderna do zootrópio, aparelho criado no século 19 pelo matemático inglês William Horner, que, ao rodar, cria a ilusão de movimento das figuras no seu interior. Na obra, o visitante cria uma sequência com 12 imagens e um programa a transforma em uma animação, podendo escolher temas de fundo. Diversão garantida!
Balada interativa
A pista de dança interativa, Idance, do curitibano Leandro Trindade, traz uma sequência de efeitos, formas e cores que são alteradas por meio de um software desenvolvido pelo artista, webcams modificadas, datashows de curto disparo e iluminadores infravermelhos.
Um robô carente em busca de amigos atrai a atenção de todos os que passam pela exposição. Esse é o Amigóide, um projeto do coletivo ++CAYCE POLLARD coletivodeartecomputacional, formado por Nicolau Centola e Fabrizio Augusto Poltronieri. “Atualmente a gente se relaciona muito com as máquinas, mas as pessoas se tornam dependentes dela. A gente decidiu inverter essa ordem e o Amigóide é um autômato que está sempre em busca de uma amizade”, conta Nicolau.
Quando o pequeno autômato decide com quem quer se relacionar passa a segui-lo, emitindo sinais visuais e sonoros e perguntando: “Você quer ser meu amigo?”. Fabrizio revela que a interação pode ir além, o Amigóide tem até perfil no facebook: “Como ele é carente, ele aceita todo mundo. É só procurar por Amigóide Pollard. Ele vai postando no mural dos amigos as frases que fala. Todo mundo pode ficar amigo dele e receber as mensagens”.
Passeio Virtual
Fabrizio e Nicolau levaram um ano para projetar o Amigóide. Eles se consideram os ‘açougueiros’ da arte cibernética. Para eles, uma exposição como essa é fundamental. “Ainda hoje as pessoas consideram arte, a arte clássica. É importante que o grande público tenha contato com esse tipo de arte, que a gente chama da arte computacional, porque a maior parte do contato que as pessoas tem são com os filmes de ficção, com aquele robôs humanóides. O Amigóide, por exemplo, não remete à figura humana. É um objeto que interage com você. Aqui, as pessoas podem ver essa arte do século XXI”.
Reportagem de Anapaula Ziglio
Rumos Arte Cibernética Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Até 4 de setembro de 2011
De terça a sexta, das 9h às 20h/ Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
A Capela do Morumbi reconstitui a instalação o último trabalho criado por Leonilson, que não chegou a vê-la montada, pois faleceu antes da inauguração – a obra foi apresentada em 1993.
Visitamos a Capela com uma das expoentes da chamada Geração 80, Leda Catunda, que junto com seu ex-parceiro, Sergio Romagnolo, era próxima do artista, a quem influenciou e de quem sofreu influência. Ela destacou a visão poética de sua obra, que a partir de 1991, passa a ser impactada pela experiência de viver com a Aids e seus sintomas. A doença, o vírus HIV, o deparar-se com a finitude da vida são introduzidos nos trabalhos e caracterizam a sua produção, desenvolvida até o ano de sua morte, em 1993.
Aqui a singela da Capela, joga luz a dimensão simbólica da obra de Leonilson.
Passeamos com Leda Catunda pelo vazio e objetos que compõem a instalação. Ela comenta as inscrições: uma cadeira forrada com tecidos e a palavra bordada “los delicias”; um cabideiro com tecidos de voile branco e laranja, delicadamente superpostos, e duas camisas costuradas pela barra, com o nome “Lázaro”, referência ao personagem bíblico, ressuscitado por Cristo quatro dias depois de sua morte.
Remontagem em 2011 faz parte da retrospectiva apresentada no Itaú Cultural
Para o curador do espaço Douglas de Freitas, o lugar ressalta o romantismo, a ironia e a religiosidade, temas recorrentes em sua obra.
“O valor simbólico é construído por palavras e matéria. Camisas de uso cotidiano dispostas sobre duas cadeiras que ocupam o altar recebem as inscrições “da falsa moral” e “do bom coração”. As mangas alongadas que pendem até o chão e a aparência frágil e delicada do tecido sinalizam o corpo fragilizado pela doença. O silêncio da Capela é contraposto à inquietação causada pela simbologia da ausência explicitada pelos objetos.”
Aos 36 anos, pouco antes da abertura da instalação, Leonilson faleceu. Por esse trabalho e por outro realizado também em 1993, o artista recebeu homenagem póstuma e prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
O passeio virtual pela instalação na Capela
A instalação de Leonilson celebra 20 anos do projeto de Instalações de Arte Contemporânea na Capela do Morumbi
Localizada ao lado da antiga Fazenda do Morumbi, a charmosa Capela já vale uma visita por si só. Erguida em 1949, sobre ruínas do século 19 de uma construção em taipa-de-pilão, pelo arquiteto Gregori Warchavchik, tem recebido prestigiados artistas brasileiros: Carlos Fajardo, Iole de Freitas, Dudi Maia Rosa, Sergio Sister, Carmela Gross, Carlos Vergara, José Resende, Nelson Leirner, e recentemente, Guto Lacaz, Laura Vinci, num total de 108 instalações até hoje.
Instalação Leonilson: sob o peso de meus amores
Até 29 de maio de 2011
Local: Capela do Morumbi
Endereço: Av. Morumbi, 5387, São Paulo
Datas e horários: de terça a domingo, das 9h às 17h
Entrada franca
Os Pensamentos do Coração, 1988/ Foto: Rômulo Fialdini
É a mais abrangente mostra da obra de José Leonilson, – artista-chave da geração 80, que faleceu precocemente em 1993, de aids -, desde a retrospectiva organizada por Lisette Lagnado, curadora da Bienal de São Paulo, em 2006, e fundadora da Sociedade Amigos do Projeto Leonilson.
Ricardo Resende um dos curadores, ao lado de Bitu Cassundé, conduziu nossa visita pelos 3 andares da exposição no Itaú Cultural, e nos deu uma aula sobre a obra, repleta de símbolos e índices e as metáforas mais utilizadas por Leonilson: rios, caminhos, trajetos, artérias, vias, órgãos, cidades, desejos, vida, doença e morte.
“Leonilson relata-se por meio das repetições”
Como escrevem os curadores… É nesse fluxo de poesia autobiográfica, que nos deixamos levar, entre telas e tecido, palavras e imagens, brinquedos, bordados e botões, carregados de intensidade e afeto.
Na exposição, obras inéditas do alemão Albert Hien
Mapa-mundi e globos também ocupam lugar de destaque na obra de Leonilson que compartilhou seu desejo de mudar o mundo com o artista alemão Albert Hien. Pela primeira vez, obras inéditas dele e outras feitas em conjunto são mostradas no país, como por exemplo How to Rebuilt at Least One Eight Part of the world, feita a 4 mãos, logo depois do acidente nuclear em Chernobyl.
De personalidades distintas ambos tinham em comum na tradução da geografia do mundo e da natureza, o colecionismo, a inclusão de brinquedos e signos recorrentes em suas obras (ampulheta, símbolo do infinito, números, navio, escada, ponte, relógio, avião, farol, instrumentos musicais, átomo, vulcão, montanha, cadeira, bússola, torre).
Um percurso biográfico onde reina a palavra como imagem
O recurso gráfico em suas construções ”poético-visuais” faz o diálogo entre as artes visuais e a literatura, a palavra e a imagem se conjugam numa estética semelhante àquela das histórias em quadrinhos. A curadoria de Ricardo Resende e Bitu Cassundé explicita o legado de Leonilson, as 300 obras expostas propôem uma reflexão sobre seu trabalho; fica impossível sair da mostra sem perceber a amplitude de sua contribuição para a produção artística contemporânea.
Taxonomia: a arte de traduzir o mundo em listas, números, coleções…
Em toda exposição é possível reconhecer símbolos, repetições, recorrências de Leonilson… Nas palavras dos curadores: “Seu legado constitui um grande arquivo, impregnado de memórias, classificações, vida e transposições. Esses arquivos de referências pessoais são compostos por materiais recolhidos do cotidiano, como tíquetes de viagens, entradas de cinema, matérias de jornais e revistas com informações pessoais, de amigos ou de sua obra, programações das exposições, fotos, contas, endereços, telefones, cartões, relatos de viagem, uma refinada escrita poética, esboços de trabalhos e demais particularidades.”
Agendas e cadernos de desenhos e de anotações digitalizados
Sobre o artista
Nasceu em Fortaleza, mas mudou-se para São Paulo em 1961, onde cursou a Fap. Ficou reconhecido pelo uso de costuras e bordados. Morreu em decorrência da aids em 1993.
Créditos das fotos: Eduardo Brandão/ Eduardo Ortega/ Rômulo Fialdini/ Albert Hien/ Vicente de Mello
Sob o Peso dos Meus Amores – Retrospectiva de Leonilson
Até 29 de maio 2011
Local: Itaú Cultural Endereço: Av. Paulista, 149
Datas e horários: terças a sexta das 9h às 20h/ sábados e domingos das 11h às 20h
Entrada gratuita
A Ocupação Haroldo de Campos – H LÁXIA que abre amanhã, quinta-feira (17/02), no Itaú Cultural em São Paulo é a oitava da série de “ocupações” promovida pelo instituto desde 2009 . As edições anteriores foram dedicadas à apresentação da produção de artistas referenciais como Regina Silveira. Além de inaugurar 2011, a exposição, pela primeira vez, se estende para um espaço além do endereço do instituto: a Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, da Secretaria de Estado da Cultura. Em ambas, permanece em cartaz até 10 de abril.
Haroldo de Campos e Carmen de Arruda/ Coleção Família Haroldo de Campos/ Reprodução Ivson
Com curadoria do “decompositor” Lívio Tragtenberg, do poeta Frederico Barbosa e dos professores Marcelo Tápia e Gênese Andrade, a ocupação possui oito núcleos temáticos, distribuídos entre as duas instituições, e apresenta a trajetória de Haroldo de Campos com ênfase em seu processo de criação como poeta, tradutor e crítico.
Baseado no livro-poema Galáxias, a exposição traz instalações sobre a a obra de Haroldo – como a peça sonora e visual inédita de Lívio Tragtenberg, H LÁXIA, e que dá título à exposição. Também é destaque a exibição, pela primeira vez, de uma seleção de livros anotados pelo autor – sua marginália. Assim, o público descobre o que o poeta e tradutor pensou no momento de ler estas obras.
Outros escritores
Em um espaço ocupado por nichos é apresentada a relação de Haroldo com os autores que ele traduziu, os poetas com os quais dialogou por meio das obras que leu, estudou e trabalhou, as relações deles documentadas pelas dedicatórias, volumes com mais anotações. Entre os autores presentes na mostra estão Homero, James Joyce, Dante Alighieri, Ezra Pound, Max Bense, Umberto Eco, Roman Jakobson, Walter Benjamin, Octavio Paz, João Cabral, Murilo Mendes, Mallarmé.
Ocupação Haroldo de Campos
De 17 de fevereiro até 10 de abril de 2011
Local: Itaú Cultural Endereço: Avenida Paulista, 149, Metrô Brigadeiro, São Paulo
Datas e horários: de terça a sexta, das 9h às 20h/ sábs. doms. e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
A casa reúne todo o acervo do poeta doado pelos seus herdeiros à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 2004. Nesse espaço, é exibido o percurso poético de Haroldo de Campos.
Dentro da Casa há cinco instalações. A primeira, também de Lívio Tragtenberg, é sobre o poema o â mago do ô mega e abriga os cartazes originais dessa série, que integraram a histórica Exposição Nacional de Arte Concreta realizada no MAM-SP, em 1956. Em um trabalho feito em parceria com Haroldo, nesse espaço ouve-se uma composição musical com a oralização desses poemas por ele mesmo.
Ao visitar a Ocupação Haroldo de Campos – H LÁXIA, o público encontra pistas para conhecer não somente a obra como também o personagem.
Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
De 17 de fevereiro até 10 de abril de 2011 Local: Casa das Rosas Endereço: Av. Paulista, 37 – Bela Vista, São Paulo
Datas e horários: de terça a sábado, das 10h às 22h / domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada franca
O rompimento de seu namoro, por email, com escritor Grégoire Bouiller, forneceu a fotógrafa francesa Sophie Calle inspiração e amplo material para produzir o que talvez seja o seu maior projeto artístico, até hoje. Com o email em mãos, ela pediu a mulheres de diferentes profissões que fizessem do “limão, uma limonada”, interpretassem o ‘fora’ do ex-namorado ou criassem alguma obra em cima dele. Resultado: um livro, uma exposição, uma vinda ao Brasil, com direito a debater em mesa da Flip com o ex, que por sua vez, também colocou em livro, a sua versão dele do fim do caso.
Foto: Ivson
A brasileira Inês Cardoso faz mais, com seu projeto Museu Virtual dos Corações Partidos onde ela dá voz a um contingente de pessoas e suas decepções amorosas.
O projeto integrou a Mostra Rumos Cinema e Vídeo 2009/2011 – Linguagens Expandidas, que passou pelo Itaú Cultural em São Paulo e pelo Centro Cultural Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.
A videomaker Inês Cardoso se dedica a falar dos rompimentos amorosos. O Museu dos Corações Partidos é um espaço museográfico na rede onde estão acessíveis os depoimentos de anônimos coletados por ela, via Skype, no Brasil, Finlândia, Inglaterra e Portugal. As conversas tornaram-se matéria poética para o desenvolvimento de um filme, uma cartografia amorosa.
“O objetivo principal deste documentário é uma investigação contemporânea sobre o amor, das noções do afeto e do desejo”, conta Inês. Para elaborar esse projeto, ela se apropriou de inúmeros arquivos, depoimentos, imagens e sons.
Na exposição, além do documentário, também podem ser vistas imagens doadas por diversos artistas, como Camille Kachani, Cao Guimarães, Cláudio Bueno, Cris Bierrenbach, Edith Derdyk, Gui Mohallem, Guto Lacaz, Helena Carvalhosa, Jac Leirner, Joan Rabascall, José Roberto Aguillar, Kika Nicolela, Léa Van Steen, Lenora Barros, Mônica Rubinho, Néle Azevedo, Nina Moraes, Nuno Ramos, Paulo Pasta, Regina Silveira, Sidney Philocreon e Tadeu Jungle.
Um passeio virtual pelo espaço
Na internet, o site Museu Virtual de Corações Partidos e o Blog Museu dos Corações Partidos continuam existindo. É lá que as pessoas, anônimas ou não, podem compartilhar virtualmente suas frustrações e decepções amorosas. “É a retomada do discurso autobiográfico sob forma coletiva. Não importam os personagens, o retrato social do fenômeno do desejo, dos critérios com os quais o social se inventa”. É a perda sofrida, compartilhada pela internet.
Inês Cardoso
Curadora independente, realiza vídeos, filmes e instalações. Retrospectivas de seu trabalho foram apresentadas no Festival de Cinema de Tiradentes e no MAM/BA. Suas videoinstalações foram exibidas no Videobrasil, no Sesc, no Paço das Artes, no Museu da Casa Brasileira e na Virada Cultural.
É programação para ninguém botar defeito. Quem reclama que não consegue viajar para assistir às mesas da Flip, em Paraty, Fórum de Letras de Ouro Preto, ou Fliporto, pode voltar sua atenção para o bairro da Vila Madalena e adjacências onde acontece á partir dessa quinta-feira aBalada Literária, em Pinheiros, São Paulo.
Abrindo a rodada de bate-papos com o público, Lygia Fagundes Telles, homenageada desta edição, cuja obra foi relançada pela Companhia das Letras. Dizem que o autor nunca consegue colocar um ponto final numa história… Veja só o que a escritora conta sobre um novo acréscimo ao romance As Meninas e sobre o livro de contos Antes do Baile Verde.
“Desde o ano passado anunciamos esta celebração à grande Lygia. Ela aceitou com alegria o brinde que, agora, vamos levantar para ela. Mas esta edição presta também homenagem ao editor Massao Ohno, ao poeta Roberto Piva e ao escritor e ator Alberto Guzik, mortos este ano”, lembra o curador, o escritor pernambucano Marcelino Freire.
Em cinco anos, o evento que começou na Livraria da Vila, point literário de São Paulo, expandiu suas fronteiras para outros locais e se consolidou como uma das mais importantes festas do país, cuja marca registrada é a descontração. A ponto dos melhores encontros se darem na Mercearia São Pedro, espécie de sucursal da Livraria da Vila para muitos escritores. Com outros artistas eles conversam, debatem, em mesa de bar, no palco, trocam ideias, celebram as letras com seus lançamentos, em diálogos transversais entre todas as artes.
De 18 a 21 de novembro, passarão na Vila Madalena, Antonio Nóbrega, Alice Ruiz, Augusto de Campos, Beth Goulart, Botika, Cid Campos, Emicida, Eunice Arruda, Jorge Furtado, José Castello, Marcelo Rubens Paiva, Siba e Vitor Ramil, Luiz Antonio de Assis Brasil (que também coordenará uma oficina de criação), entre muitos outros convidados.
O argentino Alberto Manguel que foi uma das estrelas da Fliporto, e encantou a plateia ao falar da função humanizante da literatura. Manguel que lia textos para Borges comentou também que teve a sua relação com a leitura abalada ao descobrir, anos depois, que o professor responsável pela biblioteca, que o formou como leitor na juventude, delatava estudantes durante o regime militar na Argentina.
O autor de Todos os homens são mentirosos, lançado pela Companhia das Letras, merece um pulo ao Sesc – Pinheiros nessa quinta, ás 19h.
Destaque também para a apresentação da peça “Los Críticos También Lloran”, baseada na obra do chileno Roberto Bolaño e encenada por um grupo que reúne autores/atores espanhóis e venezuelanos, e o escritor alemão Ulrich Peltzer, inaugurando a parceria da Balada Literária com o Goethe-Institut.
Regina Silveira é mestre em projeções e distorções que “enganam” ou distraem o olhar. Convidada pelo Itaulab – Núcleo de Arte e Tecnologia do instituto Itau– a artista ocupa o espaço central do Instituto com maquetes produzidas depois de intervenções prontas. É uma forma de tentar dar alguma permanência a obras efêmeras. Como projetos arquitetônicos feitos a posteriori, elas são exibidas em conjunto com os padrões apresentados em escala real, revelando a verdadeira medida para cada obra. É uma oportunidade única de visualizar diversas obras da artista, que jamais estariam juntas devido às proporções e ao seu caráter transitório.
As lâminas com estudos do projeto de cada uma delas permitem acessar os processos criativos de Regina, revelando a maneira como cada uma foi solucionada antes de se tornar um projeto executado.
Em Ocupação Regina Silveira, um conjunto de 10 maquetes de obras site specific que Regina Silveira, um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, realizou sobre arquiteturas diversas, entre 2004 e 2007. A cenografia remete ao ambiente do ateliê da artista: uma grande mesa onde estão os modelos tridimensionais; nas paredes e painéis, estudos que fez para seus projetos junto a fragmentos dos padrões que caracterizaram as obras no espaço real.
Making-of das obras
Uma vídeo-montagem produzida pela Olhar Periférico Filmes exibe três vídeos simultaneamente mostrando fotos, registros do arquivo pessoal da artista e o making-of das obras. Nas telas colocadas lado a lado, o visitante é convidado a refletir sobre o processo de criação.
As maquetes
As obras da exposição correspondem a trabalhos realizados em espaços e arquiteturas diversas, no Brasil e no exterior, entre 2004 e 2007. Todas foram realizadas dentro do estúdio da artista. Lúmen, que ocupou o Palácio de Cristal, do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía em 2005, e Derrapagens, de 2006, foram produzidas em parceria com Roberto Gorgati.
As outras sete maquetes – Mundus Admirabilis (2007), Intro (2005), Irruption (2005), Saga (2006), Desapariencia: Taller (2004), Frenazos (2004) e Observatório (2006) – foram realizadas por Renato Pera e Marcelino Ros Lopez.
Regina começou a produzi- las no início dos anos 80, privilegiando projetos que seriam necessariamente efêmeros. “Fazer maquetes foi sonhar a permanência de trabalhos que desapareciam quase sempre em um par de meses”, explica. Outras sâo de instalações que ainda não foram realizadas.
“Estas maquetes que, por diversas razões, nunca tiveram o projeto realizado, precisam se sustentar sozinhas, como obras em miniatura”. Diferentemente das maquetes de instalações site specific já realizadas, foram criados para que a artista consiga visualizar a obra para além da tela de computadores e dos desenhos sobre fotografias e projetos que acompanham o processo criativo de suas obras.
Regina Silveira já expôs anteriormente suas maquetes, como no Instituto Tomie Otake, na exposição Do Conceito ao Espaço. Em 2009, um grande conjunto de modelos, lâminas e vídeos documentários seus estiveram em exposição individual no Museum of Sketches, em Koege, na Dinamarca.
Ocupação Regina Silveira
Até 2 de outubro
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
De terça a sexta, das 9h às 20h
Sábs., doms. e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
O poder transformador da arte e da cultura em ambientes marcados pela violência é o foco da quinta edição do Antídoto – Mostra Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, no Itaú Cultural até o dia 30 de maio quando o Grupo Cultural AfroReggae, parceiro do evento encerra a programação. 4o relatos de violência urbana e no campo estão no site O Veneno e o Antídoto , lançado no evento pelo cineasta Estevâo Ciavatta, da Pindorama Filmes. Os depoimentos gravados em vídeo ao longo de 2009 sâo de pessoas que vivem em diferentes regiões do país, especialmente onde é alto o índice de homícidios. Aqui Ciavatta comenta também as UPPs no Rio de Janeiro.
O evento conta com shows, mostra de filmes e debates com convidados de diversas partes do mundo. Há ainda o Espaço Antídoto, na sede do Itaú Cultural, que resgata o histórico do projeto. Também acontece uma programação fora do instituto: no cinema na Laje, da Cooperifa, Associação comunitária Desperatar, Biblioteca de São Paulo, Instituto Pombas Urbanas e Casa do Zezinho.
Os 4 anos anteriores também aparecem em uma “Escopetarra” (fuzil AK – 47 transformado em uma guitarra pelo músico colombiano César López, presente em outra edição do Antídoto) e a mostra permanente de curtas, documentários e filmes.
Entre outros, Conexões Urbanas, onde José Júnior, coordenador-executivo do AfroReggae, mostra o conflito nas favelas do Rio em quatro partes de 25 minutos: Violência, Polícia, Bandido, Empregabilidade.
Favela Rising, também realizado pelo AfroReggae, com produção americana, é um documentário de longa-metragem que conta a história de Anderson Sá. Ele foi um revolucionário social na favela mais temida do Rio, a Vigário Geral, tendo como arma o hip-hop, e quase perde a vida no auge do sucesso.
Pra quem quer saber mais sobre a formação do Grupo Cultural AfroReggae a dica é o documentário Nenhum Motivo Explica a Guerra com a história de vida de cada um de seus principais integrantes, e a mudança de rumos que o projeto proporcionou às suas vidas.
On the Road – Em 2007 o AfroReggae foi convidado a conhecer a experiência pacificadora da Colômbia. A visita resultou em documentário, O Veneno e o Antídoto: Uma Visão da Violência na Colômbia, dirigido por Estavão Ciavatta. ” Há um caminho muito grande ainda a ser percorrido” , comenta o cineasta para quem o filme serve como reflexão, fazendo parte do projeto de pesquisas desenvolvido pelo Grupo AfroReggae e a produtora Pindorama Filmes.
O Veneno e O Antídoto – Uma Visão da Violência na Colômbia
As próprias UPPs se inspiraram na experiência colombiana, conta Ciavatta que pretende fazer um longa com as histórias dos anônimos presentes no site. Bogotá e Medellín, até os anos 90 eram exemplos de caos e violência urbana, conseguiram controlar a criminalidade na última década. O interior da Colômbia, entretanto, ainda vive um intenso conflito armado, que constrasta com a aparente tranquilidade dos dois centros urbanos. Quais são as estratégias adotadas pelo país rumo à paz, à justiça, à reconciliação? O que você acha? A experiência colombiana vale para o Brasil?
Trecho do documentário O Veneno e o Antídoto – Uma Visão da Violência na Colômbia de Estevão Ciavatta e Grupo AfroReggae, 2008
V Antídoto – Mostra Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito
Até 30 de maio, com programação variada
Local: Itaú Cultural
Endereço: Av. Paulista, 149 – estação Brigadeiro do metrô – SP