Caruso: a realidade brasileira supera a caricatura
Tudo começou há trinta anos atrás, com um botequim, o Bar Brasil…
Inspirado no temperamento ciclo-tímico do General João Batista Figueiredo, que ia da depressão à euforia galopante (pra usar um termo da cavalaria que ele tanto apreciava… ) Caruso inicia sua série sobre o país, que sofreria muitos e muitos solavancos, entre planos econômicos, impeachment e escândalos variados, como os da pasta rosa, mensalão e Erenicegate.
Nunca antes nesse país, se viu uma eleição tão disputada … Ás vésperas da votação, o chargista ficou ainda mais inspirado para compor a paródia:
Dilma e Serra, feitos um para o outro
Avenida Brasil: retrato dos 25 anos de uma democracia tupiniquim
Retrato do momento político, o Bar Brasil era uma metáfora dos tempos em que falar abertamente poderia ser considerado ofensa. Com a esperança morte de Tancredo Neves, fica claro que a abertura rumo à democracia seria uma caminhada lenta, gradual e insegura… conta Caruso.
“Intitulei a primeira coletânea da série de Avenida Brasil, porque é a imagem da transição, da transição pela via das dúvidas… Agora, o país é profícuo em piadas, a realidade supera a caricatura!”.
Do fusca e da modelo sem calcinhas que acompanhou num carnaval o ex-presidente Itamar àquele fatídico camarote, dos cartunistas Jaguar e Ziraldo, aquinhoados com indenização milionária dos tempos áureos do Pasquim às gravatas de Henry Sobel, ninguém escapa do píncel de Caruso.
Os escândalos são permanentes, os governos passageiros
Para Caruso, o Shopping Center é a melhor imagem para falar do nosso congresso, traduzir as negociatas que alí se passam: “Usei o Shopping como um lugar onde os pais congressistas levam os filhos candidatos a aprender como gastar o seu, o meu, o nosso dinheiro”.
Para cada governo uma coletânea e dezenas de traços. O reinado de Sarney e sua família, perpetuada no poder, aparece em “A Transição Pela Via das Dúvidas”, Collor em ”A Sucessão está nas Ruas”, “O Bonde da História”, e “Assim Caminha a Modernidade”. Itamar, mereceu a sátira em “Se Meu Fusca Falasse”, FHC “O Circo do Poder” e “O Conjunto Nacional”, e finalmente o governo Lula, que já havia sido contemplado com o volume anterior, “Se Meu Rolls Royce Falasse” agora é retratado em “Enfim Um País Sério!”.
“E com investment grade, finalmente podemos ser considerados um país sério!” comemora em tom de blague, mas a classificação como um país longe de riscos para investimentos não significou necessàriamente uma evolução em nossos padrões éticos e comportamentais nesta república com viés sindicalista e que poderá emplacar a primeira mulher presidente do Brasil.
O poder das mulheres
As mulheres, agora na política também viram piada. Super-poderosas, são postas à prova pelo machismo reinante que discute a passagem do poder para mãos de mães zelosas e cuidadoras, como Dilma Roussef, Yeda Crusius, Ana Júlia e Vilma Farias.
No Roda Viva, desde o primeiro dia do programa
“Durante esses trinta anos, a cada semana, depois de concluída mais uma página, me perguntava como seria a seqüencia final dessa história. Essa experiência agora se encerra aqui, como o fim de uma era. Uma era de transição, a transição pela via das dúvidas, por esta imensa avenida chamada Brasil. Ao mesmo tempo em que noso operário padrão se despede do poder efêmero,com o nada efêmero comandante Fidel, que faz tudo pra não sair de cena.” Paulo Caruso.
Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Imagem, Literatura, Música Tags: Ana Júlia, Avenida Brasil, Carla Bruni, casal Kirchner, Collor, CPI, democracia, Dilma, Dilma Roussef, Enfim um país sério, FHC, Fidel, Itamar, Jaguar, Lula, Marina Silva, Marisa, Marta Suplicy, Michael Jackson, Obama, Paulo Caruso, Roda Viva, Sarkozy, Sarney, Serra, Tancredo Neves, TV Cultura, Vilma Farias, Yeda Crusius, Ziraldo
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