Itamar | Mona Dorf

sexta-feira, 29 de outubro de 2010 Entrevista, Imagem, Literatura, Música | 16:42

Caruso: a realidade brasileira supera a caricatura

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 Tudo começou há trinta anos atrás, com um botequim, o Bar Brasil…

Inspirado no temperamento ciclo-tímico do General João Batista Figueiredo, que ia da depressão à euforia galopante (pra usar um termo da cavalaria que ele tanto apreciava… )  Caruso inicia sua série sobre o país, que sofreria muitos e muitos solavancos, entre planos econômicos, impeachment e escândalos variados, como os da pasta rosa,  mensalão e Erenicegate. 

Nunca antes nesse país, se viu uma eleição tão disputada … Ás vésperas da votação, o chargista ficou ainda mais inspirado para compor a paródia:

Dilma e Serra, feitos um para o  outro

Avenida Brasil: retrato dos 25 anos de uma democracia tupiniquim

Retrato do momento político, o Bar Brasil era uma metáfora dos tempos em que falar abertamente poderia ser considerado ofensa. Com a esperança morte de Tancredo Neves, fica claro que a abertura rumo à democracia seria uma caminhada lenta, gradual e insegura… conta Caruso.

“Intitulei a primeira coletânea da série de Avenida Brasil, porque é a  imagem da transição, da transição pela via das dúvidas… Agora, o país é profícuo em piadas, a realidade supera a caricatura!”.

Do fusca e da modelo sem calcinhas que acompanhou num carnaval o ex-presidente Itamar àquele fatídico camarote, dos cartunistas Jaguar e Ziraldo, aquinhoados com indenização milionária dos tempos áureos do Pasquim às gravatas de Henry Sobel,  ninguém escapa do píncel de Caruso.

Os escândalos são permanentes, os governos passageiros

Para Caruso, o Shopping Center é a melhor imagem para falar do nosso congresso, traduzir as negociatas que alí se passam:  “Usei o Shopping como um lugar onde os pais congressistas levam os filhos candidatos a aprender como gastar o seu, o meu, o nosso dinheiro”.

Para cada governo uma coletânea e dezenas de traços. O reinado de Sarney e sua família, perpetuada no poder, aparece em “A Transição Pela Via das Dúvidas”, Collor em ”A Sucessão está nas Ruas”, “O Bonde da História”, e “Assim Caminha a Modernidade”. Itamar, mereceu a sátira em “Se Meu Fusca Falasse”, FHC  “O Circo do Poder” e “O Conjunto Nacional”, e finalmente o governo Lula, que já havia sido contemplado com o volume anterior, “Se Meu Rolls Royce Falasse” agora é retratado em  “Enfim Um País Sério!”.

“E com investment grade, finalmente podemos ser considerados um país sério!” comemora em tom de blague, mas a classificação como um país longe de riscos para investimentos não significou necessàriamente uma evolução em nossos padrões éticos e comportamentais nesta república com viés sindicalista e que poderá emplacar a primeira mulher presidente do Brasil.

O poder das mulheres

As mulheres, agora na política também viram piada. Super-poderosas, são postas à prova pelo machismo reinante que discute a passagem do poder para mãos de mães zelosas e cuidadoras, como Dilma Roussef, Yeda Crusius, Ana Júlia e Vilma Farias.

No Roda Viva, desde o primeiro dia do programa

“Durante esses trinta anos, a cada semana, depois de concluída mais uma página, me perguntava como seria a seqüencia final dessa história. Essa experiência agora se encerra aqui, como o fim de uma era. Uma era de transição, a transição pela via das dúvidas, por esta imensa avenida chamada Brasil. Ao mesmo tempo em que noso operário padrão se despede do poder efêmero,com o nada efêmero comandante Fidel, que faz tudo pra não sair de cena.” Paulo Caruso.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Imagem, Literatura, Música Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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