Brasília
Autor: Marcel Gautherot – Brasília
Ensaios de Kenneth Frampton e Sergio Burgi
Páginas: 192
O Instituto Moreira Salles lança hoje no Rio de Janeiro, às 19h, o livro Brasília, com imagens do fotógrafo franco-brasileiro Marcel Gautherot e abre exposição sobre a capital, As Construções de Brasília.
São imagens da cidade pelo olhar de importantes fotógrafos como Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Peter Scheir e 44 obras de artes visuais modernas e contemporâneas, que ocupam todos os espaços do Instituto. Trabalhos de artistas como Cildo Meireles, Regina Silveira, Waldemar Cordeiro, entre outros.
Organizado por Samuel Titan Jr. e Sergio Burgi, mostra pela primeira vez parte do acervo de Gautherot que tirou mais de três mil fotografias da cidade. Em setembro, sai em Londres e em Nova York, a versão em inglês, pela editora Thames & Hudson.
Marcel Gautherot, tido como “o mais artista dos fotógrafos” foi chamado por Niemeyer pra fazer,a partir de 1958, a cobertura fotográfica da construção de Brasília, que em 1960 se tornaria a nova capital do Brasil e um marco da arquitetura e do urbanismo modernista. Íntimo de Paulo Costa e Niemeyer, ele frequentou os imensos canteiros de obras do planalto central, e registrou a imensidão do vazio e a esperança dos candangos na construção de um país melhor.
Nascido em Paris, Marcel Gautherot era apaixonado pelo Brasil que percorreu ao longo de sua vida, registrando com paixão e precisão os aspectos mais variados da vida nacional: das cidades históricas de Minas Gerais às festas populares do Nordeste, da paisagem amazônica à arquitetura modernista do Rio de Janeiro e de Brasília. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1996. Seu acervo de mais de 25.000 imagens passou a integrar a coleção fotográfica do Instituto Moreira Salles.
Projeção: Brasília nos muros de São Paulo
Um vídeo composto por 78 imagens do fotógrafo francês está sendo projetado na parede externa do Conjunto Nacional até amanhã, 30 de abril, ininterruptamente das 19h às 5h. A projeção ocupa toda a parede do prédio voltada para a avenida Paulista, com seis metros de altura e 35 metros de comprimento.
Exposição: As construções de Brasília Local: Instituto Moreira Salles Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea- Rio de Janeiro Até 25 de Julho de 2010
Projeção Brasília 50 anos Local: Parede externa do Conjunto Nacional Endereço: Av. Paulista, 2073-São Paulo Até 30 de abril, das 19h às 5h
A exposição Panoramas: a paisagem brasileira no acervo do Instituto Moreira Salles no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro acontece até 13/11 e reúne 313 obras, entre fotografias, desenhos e gravuras produzidas entre os anos de 1820 e 1920 que mostram os procedimentos que moldaram a representação da paisagem brasileira no decorrer do século XIX , contribuindo para a formação da imagem do país e sua divulgação no exterior.
Grande parte das imagens apresentadas na exposição do IMS-RJ retrata o Rio de Janeiro, então capital do país. Mas também serão apresentadas imagens das antigas regiões coloniais e das regiões cafeeiras do século XIX, como Salvador, Recife, Olinda, São Paulo, Santos, Mariana e Ouro Preto.
Gravuras
Panorama de Salvador, BA, 1860. Albúmen. Benjamin R. Mulock / Acervo Instituto Moreira Salles
Em Panoramas: a paisagem brasileira no acervo do Instituto Moreira Salles, os curadores Carlos Martins, consultor da área de iconografia brasileira do IMS, e Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto, escolheram gravuras, desenhos e litografias de artistas viajantes, como os alemães Johann Moritz Rugendas e Carl Friedrich von Martius e o inglês Charles Landseer, entre outros que passaram pelo Brasil.
Acervo Instituto Moreira Salles
Acervo Instituto Moreira Salles
Fotografia
Os visitantes poderão ver obras de renomados fotógrafos estabelecidos no Brasil como Augusto Stahl, Victor Frond, Militão Augusto Azevedo, Georges Leuzinger, Marc Ferrez, entre outros, que se especializaram no registro da paisagem urbana e natural e deixaram um legado primordial para a história e memória do país.
Acervo Instituto Moreira Salles
Acervo Instituto Moreira Salles
Também compõem a mostra panoramas com registros da vegetação, de rochas, rios e cadeias de montanhas, temas apreciados por viajantes e naturalistas, além de registros fotográficos produzidos, por exemplo, por Marc Ferrez para a Comissão Geológica e Geográfica do Império e por Georges Leuzinger para o naturalista Louis Agassiz.
Acervo Instituto Moreira Salles
Haverá ainda na mostra uma sala voltada para a história dos ofícios relacionados à captação e reprodução da imagem, na qual serão exibidos: pedras litográficas, câmaras escuras, máquinas fotográficas, lentes e equipamentos que pertenceram ao fotógrafo Marc Ferrez, entre outros itens.
Essa exposição conta com a recente incorporação da Coleção Martha e Érico Stickel de iconografia somada à coleção de fotografia oitocentista existente no Instituto.
Panoramas: a paisagem brasileira no acervo do Instituto Moreira Salles
Até 13 de novembro de 2011
Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
De terça a sexta, das 13h às 20h/ Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação livre
A mostra tem curadoria da historiadora Roberta Saraiva e apresenta obras produzidas por Steinberg entre as décadas de 1940 e 1960 (43 trabalhos foram especialmente restaurados).
Máquina, 1951/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Em Saul Steinberg: as aventuras da linha, obras que projetam Steinberg como artista internacional: trabalhos que fizeram parte de três importantes exposições: Fourteen Americans, coletiva organizada pelo MoMA, em 1946; a mostra individual em Nova York, em 1952 e nas galerias Sidney Janis e Betty Parsons e a montada no Museu de Arte de São Paulo (Masp), também em 1952.
Usando às vezes uma única linha, ele questiona em seus desenhos a rotina que levamos. A mostra junta cowboys, trens, monumentos fictícios, pássaros, gatos e bichos, com também mulheres em casacos de pele, desfiles e falsos documentos (passaportes e diplomas com assinaturas ilegíveis, selos e carimbos que Steinberg colecionava).
Dimensões gigantes
é o que o público verá nos desenhos murais que o artista criou para a Trienal da Milão, de 1954. São quatro desenhos em rolos de papel de proporções arquitetônicas: A linha, com 10 metros de comprimento, Tipos de arquitetura, com 7 metros, Litorais do Mediterrâneo, com 5 metros, e Cidades da Itália, com 3 metros. Todos possuem cerca de 45 cm de altura. Ainda na mostra, dois trabalhos com inspiração brasileira: Pernambuco, uma mistura de personagens, bichos e motivos locais; e Grande Hotel de Belém, feitos a partir de desenhos de anotação e cartões-postais colecionados por Steinberg durante uma viagem pelo país em 1952.
Caubóis, 1952/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Mulheres, 1950/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Steinberg no Brasil
Em setembro de 1952, o Masp inaugurou uma exposição individual do artista, devido a sua amizade com Pietro Maria Bardi, diretor do Museu e os irmãos Cesare e Victor Civita. Bardi, assim como Steinberg, havia colaborado, na década de 1930, com a revista Il Settebello, quando ambos moravam na Itália, época em que os irmãos Civita atuavam no mercado editorial italiano. Anos mais tarde, Cesare se tornou agente de Steinberg, intermediando as primeiras publicações de desenhos dele em revistas, como a The New Yorker e a carioca Sombra que publicou uma seleção de desenhos de Steinberg, reproduzidos na capa e no miolo do seu primeiro número, em 1940. Foi a primeira revista do mundo a publicar um desenho de Steinberg em sua primeira página.
Bingo em Venice, 1953/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Monumentos: As pessoas importantes, 1945/ Saul Steinberg/ The Saul Steinberg Foundation
Catálogo Saul Steinberg: as aventuras da linha
com imagens que fazem parte da mostra e vários textos, inclusive do crítico de arte Rodrigo Naves, será lançado na abertura . Contém também os desenhos que Steinberg fez sobre o Brasil. O artista veio para a abertura da exposição de 1952 no Masp com sua esposa Hedda Sterne, e viajou por Aparecida, Petrópolis, Salvador, Recife, Belém e Manaus, além de Rio de Janeiro e São Paulo, sempre registrando suas impressões em pequenos cadernos.
Sobre Saul Steinberg
Sob a ameaça do fascismo de Mussolini, Steinberg deixa a Itália, e chega aos Estados Unidos. Naturalizado em 1943, serviu na marinha americana em missões na China, na Índia e na Itália. Em 1944, casou-se com a pintora Hedda Sterne e estabeleceu-se em Nova York, onde obteve sucesso imediato, publicando nas principais revistas do país, destaque para a longa colaboração com a revista The New Yorker.
Boa parte de sua produção está em livros de desenhos, clássicos do gênero, como All in Line (1945), The Art of Living (1949), The Passport (1954), The Labyrinth (1960), The Inspector (1973) e The Discovery of America (1992). Sua obra foi tema de duas grandes retrospectivas: Saul Steinberg (1978), no Whitney Museum, e Illuminations (2006), na Morgan Library, ambos em Nova York. Saul Steinberg morreu em Nova York em 1999.
Exposição Saul Steinberg: as aventuras da linha
Até 06 de novembro de 2011 Pinacoteca do Estado de São Paulo Datas e horários: terça a domingo, das 10h às 18h
Grátis aos sábados
É sempre encantador ver o Brasil pelo olhar dos viajantes… O Centro Cultural do IMS em São Paulo abre nesta terça-feira, 10/05, a exposição Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826, que esteve ano passado no IMS-Rio. Ao lado de Taunay, Debret e Rugendas, ele é considerado como um dos mais importantes artistas viajantes, que visitaram e descreveram o Brasil, após a chegada da Corte, em 1808.
Landseer veio como artista oficial da missão diplomática britânica – chefiada por Charles Stuart – que tinha o objetivo de negociar o reconhecimento, por parte de Portugal e da Grã-Bretanha, do recém-independente Império do Brasil.
Nessa que é a maior exposição individual de imagens feitas pelo artista, vemos também o que ele pintou nos três meses que passou em Portugal. São 90 desenhos e aquarelas dos mosteiros, igrejas, palácios e castelos de Lisboa e arredores e o povo das ruas lisboetas: marinheiros, barqueiros, camponeses, trabalhadores, mendigos, padres.
O famoso aqueduco que se destaca até hoje na paisagem de Lisboa
Charles Landseer/ Highcliffe Album/ Acervo Instituto Moreira Salles
Landseer também acompanhou Stuart em viagens pelo litoral e registrou as paisagens e os moradores das cidades por onde passaram: Recife, Olinda, Salvador, Vitória, Florianópolis, Santos e São Paulo.
Centena de desenhos e aquarelas resultaram dos cinco meses, em que ficou no Rio de Janeiro, onde se impressionou com a natureza tropical e os escravos africanos que faziam o trabalho doméstico ou como carregadores…
Charles Landseer/ Highcliffe Album/ Acervo Instituto Moreira Salles
Charles Landseer/ Highcliffe Album/ Acervo Instituto Moreira Salles
Charles Landseer/ Highcliffe Album/ Acervo Instituto Moreira Salles
Charles Landseer/ Highcliffe Album/ Acervo Instituto Moreira Salles
Livro: Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826
A exposição reúne cerca de 90 desenhos e aquarelas e mais dois óleos, estes últimos feitos pelo artista, anos após a missão, baseando-se nos registros feitos em Brasil e Portugal. Além dela, o IMS lançou uma publicação com 200 imagens da narrativa pictória de Landeser, ao longo do trajeto da missão Stuart. A curadoria é do professor emérito de história latino-americana na Universidade de Londres, Leslie Bethell.
Sobre Charles Landseer
Landseer recebeu rigorosa formação de seu pai, o gravador John Landseer, de professores particulares e na Academia Real em Londres. Os mais de 300 desenhos (a lápis, tinta e carvão) e aquarelas realizados durante a missão Stuart a Portugal e ao Brasil, guardados em um grande caderno de desenhos, atestam a seriedade com que realizou sua tarefa como artista oficial.
A história do caderno de desenhos
De volta à Inglaterra, o chefe da missão, sir Charles Stuart insistiu em ficar com o caderno de desenhos de Landseer que permaneceu, quase um século, sob a guarda da família Stuart, no castelo de Highcliffe. Em 1926 foi adquirido pelo empresário e colecionador carioca Guilherme Guinle, que, que antes de morrer, em 1960, dá de presenteou para seu sobrinho – o banqueiro Cândido Guinle de Paula Machado. O caderno de Landser, conhecido como Álbum Highcliffe, foi incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles em 1999.
Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826
Até 10 de julho
Local: Instituto Moreira Salles
Endereço: Rua Piauí, 844, 1° andar, Higienópolis- São Paulo
Horário: de terça a sexta-feira, das 13h às 19h/ Sábados e domingos, das 13h às 18h
Entrada franca
Classificação livre
Para este mês, a partir do dia 26, começa a exposição Fayga Ostrower – Ilustradora (IMS-RJ), com 100 obras que revelam uma faceta pouco conhecida da artista plástica. São gravuras, desenhos, colagens e projetos gráficos produzidos entre os anos de 1940 e 1970, publicados em jornais, revistas e livros, e que revelam a transição dos trabalhos de Fayga Ostrower do expressionismo figurativo à abstração. Em abril, está planejada a exposição Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826 no IMS-SP. Será a maior exposição individual das imagens feitas por Landseer como artista oficial da missão diplomática britânica – chefiada por Charles Stuart – que tinha o objetivo de negociar o reconhecimento, por parte de Portugal e da Grã-Bretanha, do recém-independente Império do Brasil.
Ainda em abril a exposiçãoAs Construções de Brasíliaseguirá para o IMS-Poços de Caldas, MG. Os desenhos do ilustrador e cartunista Saul Steinberg vão estar no IMS-RJ em maio. Para junho, Em torno dos Extremos, também no Rio de Janeiro, contará com a curadoria de Jean Luc Monterosso, diretor da Maison Européenne de La Photographie (MEP) e Milton Guran, coordenador do FotoRio. A seleção de imagens, que inclui diversos fotógrafos brasileiros, aborda situações limite da história, das sociedades, dos indivíduos e dos costumes ao longo dos últimos 50 anos, todas registradas pelas lentes de grandes nomes da fotografia mundial. Essa exposição virá para São Paulo em setembro.
Na capital paulista, acontecerá em junho uma retrospectiva da obra do alemão Hans Gunter Flieg, que desde 1945 estabeleceu-se no Brasil como fotógrafo de indústria, publicidade e arquitetura. Flieg registrou, por 40 anos, o desenvolvimento industrial brasileiro, além de ter documentado o design, a arquitetura e a publicidade no país entres os anos de 1940 e 1980 – fotografando instalações industriais, edificações e objetos que revelam esse período.
Quem perdeu, em julho, terá a chance de ver a exposição Thomaz Farkas: uma antologia pessoalem Poços de Caldas. No início de setembro, a exposição Panoramas (IMS-RJ) vai reunir originais dos acervos iconográfico e fotográfico do IMS dos séculos XVIII e XIX, com obras de artistas como Spix e Martius e fotógrafos como Stahl e Marc Ferrez. A idéia é estabelecer um diálogo entre as diferentes formas de representação visual que documentaram e construíram, no Brasil e no exterior, a imagem do país neste período. Ainda nesse mês, também no Rio de Janeiro, a exposição de Mira Schendel pretende mostrar exemplares dos diversos núcleos ou momentos da produção de pinturas da artista, realizada sobre outros suportes que não o papel, de modo a dar conta do percurso de sua linguagem pictórica. Os paulistas poderão apreciar essa mostra apenas em dezembro.
Manuel Alvarez Bravo
No final de novembro, terá início a exposição de Manuel Alvarez Bravo no Rio. Será uma retrospectiva do fotógrafo mexicano com mais de 200 imagens deste que é o mais importante fotógrafo moderno no México. Simultaneamente o IMS exibirá na Nova Galeria do Centro Cultural do IMS do Rio de Janeiro, a exposição O México de Marcel Gautherot, reunindo 90 imagens que Gautherot realizou em 1936/37 no México, quando inclusive conheceu pessoalmente Manuel Alvarez Bravo.
Para 2012… aguardem, novidades vem por aí! Uma retrospectiva sobre a obra do cineasta Fellini já está reservada. A mostra virá diretamente de Paris e com direito a mostra de cinema.
Milhares de quilômetros viajando por estradas precárias, quase vinte anos de trabalho e um olhar aguçado resultaram no livro lançado, nessa quarta-feira 16 de junho em SP, pelo Instituto Moreira Salles. Anna Mariani, muito festejada nos últimos dias, depois do sucesso da coleção Maria Bonita, inspirada nas suas fachadas, exibida no SP Fashion Week comemora a publicação do livro, tão aguardado.
Em meio à paisagem árida do agreste, surgem formas e cores radicais que impressionam pela beleza abstrata e elementos geométricos usados com economia singular. Faça um passeio virtual pela exposição!
Anna Mariani: pinturas e platibandas
Local:Instituto Moreira Salles – São Paulo
Endereço: Rua Piauí, 844 – primeiro andar
Até 8 de agosto
Datas e horários: de terça a sexta-feira, das 13h à 19h/ sábados e domingos, das 13h às 18h
Entrada franca
Classificação livre
Conheci Anna Mariani na primeira Bienal que cobri profissionalmente, há mais de 20 anos. A fotógrafa exibia essa série de fachadas de casas brasileiras que havia descoberto em inúmeras incursões e viagens ao sertão. Fiquei impressionada com o cenário de um novo sertão que ela nos revelava: a extrema beleza das linhas retas, as cores escolhidas para caiar as casas que resultavam naquele bom gosto sem excessos, numa estética quase art-deco. Impressionou-me sobretudo o olhar aguçado da artista Anna Mariani que conseguiu enxergar um sertão diferente daquele retratado no cinema e que dominava o nosso imaginário. Na ocasião, ela me contou que havia fotogrado para um livro brinde de um banco com edição limitada. Por inúmeras vezes nos encontramos ao longo desses anos e eu perguntava: ” Quando é que vamos ver aquelas lindas fotos novamente? Quando você reedita esse livro para um público maior? ”
Pois bem, agora, as imagens podem ser vistas no Instituto Moreira Salles, em SP até 8 de agosto, depois de ter passado pelo Rio de Janeiro, na mostra Anna Mariani: pinturas e platibandas. São 25 fachadas retratadas pela fotógrafa em sete estados do Nordeste do Brasil: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.
Ao curador e crítico de arte Rodrigo Naves, coube a dura missão de selecionar mais de 2 mil fotos de platibandas que a fotógrafa fez na região entre os anos de 1976 e 1987. As fotografias de Anna Mariani apresentam as fachadas sempre em um ângulo frontal, sem a presença de pessoas e sem a interferência da paisagem. Essas casas, simples, porém conservadas com capricho, expressam um modo de vida singelo e o que o brasileiro tem de melhor: a alegria.