Hilda Lucas | Mona Dorf

quarta-feira, 9 de maio de 2012 Comportamento, Entrevista, Literatura | 15:00

Um presente para o dia das mães

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Já pensou no seu presente para o dia das mães, deixou para a última hora? Então, não quebre a cabeça e vá correndo comprar o livro Coisas de mãe para filha, da Brinque-Book, editora reconhecida e premiada por sua produção infantil, que agora inaugurou um selo adulto. 

O livro com prefácio de Davi Arriguci funciona tanto para mães como para filhas, e de todas as idades, tem belas intervenções gráficas. E é uma delícia poder compartilhar o prazer da maternidade, se reconhecer nos depoimentos emocionados de vinte e três mulheres, que abrem seu coração. Conhecidas ou não, todas se expressam de formas interessante sobre a beleza e o mistério de ser mãe, o significado desta experiência em suas vidas.

Marina , filha de Cláudia Costin, atual secretária de educação do Rio de Janeiro, conta que ficou emocionada ao ler o que a mãe escreveu: “Ela nunca havia verbalizado isso!” O depoimento de de Claudia é, de fato,  síncero e pungente. E faz pensar… ” O que posso lhe dar como conselhos de vida? Seja autônoma, não dependa de mestres, nem da opinião de pessoas médias ou de líderes geniais das massas. Mostre-se solidária com os que sofrem. Envolva-se em projetos de transformação da realidade, não vendendo quimeras, mas ajudando efetivamente.”

Conversamos também com a senadora Marina Silva, ex-Ministra do Meio Ambiente, que fez questão de escrever individualmente para a cada uma de suas três filhas. E por fim, também ao seu filho, sobre a importância de não abrir mão de ideais, apesar das dificuldades: “Quem subtrai o seu desejo, cria filhos anêmicos de alma…  A renúncia e o sacrifício nunca podem desconstituir aquilo que é o fundamento da existência de uma pessoa, porque é daí que vêm a densidade e a força para sustentar o outro e ser sustentado por ele.”

 

Estas mulheres, mães que já foram filhas, dividem as angústias e responsabilidades por suas escolhas. E, apesar do sofrimento, revelam a força para seguir adiante, como a Monja Coen, líder zen-budista, que recorre ao exercício do desapego para suportar a dor ao distanciar-se da filha: “Filha, eu estou morrendo. A cada instante me despeço de você e do mundo. Com tristeza. Porque continua sendo dolorido partir e me separar de você – assim como foi nas inúmeras vezes em que nos separamos.”

O livro por Adília Belotti

Do encontro de cinco amigas e do desejo de uma delas de escrever à filha que iria se casar, surgiu a ideia, conta Adília Belotti, editora de projetos especiais do iG. Junto com as outras organizadoras, Hilda Lucas, Regina Amaral, Suzete Capobianco e Vera Tarantino escolheram outras mulheres que pudessem compartilhar suas histórias de maternidade.

Não faltam, listas e conselhos, como nos casos da escritora Eugênia Zerbini, da geneticista Lygia Carramaschi. Outras preferiram expressar-se através da arte, como a psicanalista Luciana Pires, que escreveu uma divertida historieta em minicapítulos. A artista plástica Denise Milan, nos mostra que fez uma representação das relações familiares usando a imagem das pedras, como uma escultura.

Como uma delicada colcha de retalhos, costurada pelas diferentes visões de mundo de cada mãe, o livro é um belo presente que nos  faz pensar sobre o legado que as une e que queremos deixar para filhos e filhas.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Comportamento, Entrevista, Literatura Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

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