A obra Passageiro do fim do dia, do autor brasileiro Rubens Figueiredo, foi a grande vencedora do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2011. O segundo lugar foi atribuído ao escritor português Gonçalo Tavares, com o livro Uma viagem à Índia, e Minha guerra alheia, de Marina Colasanti, obteve o terceiro lugar do pódio.
Passageiro do fim do dia
Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora – uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, sua namorada.
De radinho no ouvido, lendo a intervalos, ele observa o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas. No fim da viagem ele não será mais o mesmo: ele revê durante o trajeto, os fatos de sua vida, seus afetos, e o mundo opressivo em que está imerso não deixa dúvida sobre a importância de Rubens Figueiredo no cenário literário contemporâneo no Brasil.
O autor
Nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Formado em letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é tradutor e professor de português e tradução literária. Cronista e romancista, é autor de As palavras secretas, Barco a seco, ambos prêmio Jabuti, Contos de Pedro e O livro dos lobos (Companhia das Letras), entre outros. A obra do autor brasileiro já tinha ganho o Prêmio São Paulo de Literatura como melhor livro do ano.
2009: “Ó” (Nuno Ramos); “Acenos e afagos” (João Gilberto Noll) e “A arte de produzir efeito sem causa” (Lourenço Mutarelli)
2008: “O filho eterno” (Cristovão Tezza) “Antonio” (Beatriz Bracher) empatado em segundo lugar com “Eu hei-de amar uma pedra” (António Lobo Antunes)”; O sol se põe em São Paulo” (Bernardo Carvalho)
2007: “Jerusalém” (Gonçalo M. Tavares); “História natural da ditadura” (Teixeira Coelho); “Macho não ganha flor” (Dalton Trevisan)
Michel Laub faz parte da nova geração de escritores talentos, perto dos 40 anos, que temos procurado mostrar aqui na coluna. Gaúcho, se divide entre o jornalismo e a literatura, e ultimamente viaja o país para divulgar seu último lançamento: Diário da queda. Michel Laub participou da Bienal do Livro do Rio de Janeiro na mesa O autor entre a busca da expressão justa e a aventura da metáfora com Gonçalo Tavares, e Carola Saavedra, três autores publicados pela Companhia das Letras. ”Foi uma conversa bem interessante. Apesar das diferenças de estilo e temática, uma mesa bastante homogênea, três autores da mesma geração, e sob muitos aspectos, com visões semelhantes da literatura”, comenta Carola. O escritor português Gonçalo Tavares, premiado aqui com o Portugal Telecom, pelo romance Jerusalem, deu seu recado: “Escrever é cortar, o leitor tem de introduzir as palavras que faltam.”
Michel ressaltou seu interesse atual pela oralidade: ”Antes meus romances eram mais literários. Tenho procurado escrever como se fala, como se tivesse contando uma estória numa roda em volta da lareira.” É isso que se vê no seu último romance Diário da queda.
Diário da queda- livro selecionado pela Bolsa Funarte de Criação Literária vai virar filme. A versão cinematográfica está nos planos da RT Features, produtora de filmes como Natimorto e O Cheiro do ralo, de Lourenço Mutarelli, que comprou os direitos do livro.
No romance,o tempo escolar, bullying, mal de Alzheimer, referências judaicas… “O escritor sempre fala de si”, comenta Laub sobre a história de um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Já adulto, um de seus colegas vai narrar o episódio e as consequências na sua vida nas décadas seguintes. O protagonista tem um avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário. A história toca três gerações, cujas lembranças se juntam de maneira fragmentada, como numa lista, que o autor faz questão de enumerar ao longo da narrativa, marcando um estilo próprio no romance, em tom coloquial. Uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda.
A paixão nacional, o futebol é o centro desse romance, que se passa em dia de final de campeonato. Em 12 de fevereiro de 1989, Grêmio e Internacional entram no gramado do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, para aquele que ficou conhecido como o mais importante confronto da história do esporte gaúcho – o chamado Gre-Nal. Na arquibancada, um garoto de quinze anos divide-se entre a atenção aos lances do campo e um dilema: dar ou não a Bruno, o irmão caçula, a notícia que vai mudar a vida de ambos.
Em Segundo Tempo, Laub usa de uma forma original o futebol para entrar no universo dos afetos. Fala do que aconteceu numa partida real, através da memória, e reflete ficcionalmente sobre uma experiência íntima. As descrições do pique de um centroavante ou do giro de corpo de um ponteiro direito, seguidas das reações dos torcedores, mexem com o protagonista. Inicialmente acuado pelos segredos terríveis que guarda sobre a desintegração iminente de sua família, decide enfrentá-los, à medida que mudam os rumos da jogada e as expectativas quanto ao resultado final do jogo.
O autor
Nasceu em Porto Alegre, em 1973. Publicou cinco romances e recebeu o prêmio Erico Verissimo/Revelação, da União Brasileira dos Escritores, e foi finalista dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom, entre outros. Também teve textos publicados na Itália e na Coreia.