Flávio Moura | Mona Dorf

sexta-feira, 6 de agosto de 2010 Entrevista, Festivais Literários | 17:14

Terry Eagleton e Robert Crumb, as atrações na Tenda dos autores

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Uma conversa com a Flip anterior, foi assim que Flávio Moura jusificou a presença do crítico Terry Eagleton, que abre a Flip neste sábado com a mesa Andar com Fé, às 10h. Tido como um dos mais influentes críticos literários, na Inglaterra,  Terry Eagleton é autor de um livro recente que polemiza com Richard Dawkins, convidado da Flip de 2009. Para ele, o ateísmo pregado por cientistas como Dawkins se baseia numa concepção simplista e equivocada de religião. Em  Reason, faith, and revolution: reflections on the God debate, Eagleton reúne uma série de aulas dadas  na Universidade de Yale, em 2008. Nele, o crítico britânico põe em xeque o racionalismo defendido pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins e pelo jornalista Christopher Hitchens e propõe uma reflexão materialista sobre os conceitos de razão, fé e revolução. A obra gerou grande polêmica, e deve botar lenha na fogueira acesa por Dawkins( Deus, um delírio ).

 

A lenda viva do contracultura e dos HQs: Robert Crumb

À tarde, às 17h15, na mesa A origem do universo com mediação de Angeli, o mais influente artista de quadrinhos de todos os tempos e ícone da contracultura , se volta para a origem da criação no seu último trabalho: a versão em quadrinhos do Gênesis. A seu lado, o não menos carismático Gilbert Shelton, para falar da história dos quadrinhos contemporâneos e do underground americano.

Gênesis em quadrinhos

Para produzir a versão de 210 páginas desenhada do mais antigo livro da Bíblia,  o cartunista, agnóstico declarado, se voltou aos estudos religiosos durante quatros anos.  Entre os títulos publicados no Brasil, estão Kafka de Crumb, Fritz, the cat, Mr. Natural, Mr. Natural vai para o hospício e Minha vida. Com a esposa Aline Kominsky, desenhou quadrinhos autobiográficos para New Yorker,  reproduzidos no Brasil pela revista Piauí.

O underground Gilbert Shelton

Gilbert Shelton  é um dos expoentes dos quadrinhos underground. Residente em Paris, já publicou no Brasil Aventuras do gato do Fat Freddy, The fabulous Furry Freak Brothers e The Freak Brothers. O trio de maconheiros – Freewheelin’ Franklin, Phineas T. Freakears e Fat Freddy Freekowtski –, sempre acompanhado do gato Fat Freddy, que vivia imerso em sexo, drogas e rock’n’roll, ajudou a estampar a cara da contracultura dos anos1960-70.  

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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários Tags: , , ,
quinta-feira, 5 de agosto de 2010 Entrevista, Festivais Literários | 12:00

Flávio Moura sobre a best-seller Isabel Allende

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Dia dos mais agitados na FLIP 2010, em Paraty,  começaram as entrevistas coletivas com os autores da festa, agora de manhã: Lionel Schriver e Isabel Allende.

Numa sessão restrita á imprensa, à 1h da tarde, a Companhia das Letras celebra sua parceria com a Penguin, colocando Salman Rushdie pra debater com FHC, O Príncipe, de Machiavel - um dos primeiros títulos lançados pela nova empresa, com prefácio do ex-presidente.

À tarde, as aguardadas mesas de Ronaldo Correia de Brito com Beatriz Bracher e Reinaldo MoraesFábulas contemporâneas, 15h e Veias abertas, 17h, com Isabel Allende e o  jornalista e veterano da Flip Humberto Werneck.

Peruana naturalizada chilena, Isabel Allende  lança na Flip seu mais novo livro, A ilha sob o mar. Depois de três anos sem publicar – seu último trabalho, A soma dos dias, foi lançado em 2007 –, Isabel volta à ficção com a história da escrava Zarifé. Jornalista desde os dezessete anos, estreou na literatura com A casa dos espíritos, em que utilizou os manuscritos das cartas que escreveu para seu avô, enquanto ele se convalescia no leito de morte, para retratar os fantasmas da ditadura de  Pinochet. A escritora se transformou em um verdadeiro best-seller mundial, com dezoito livros publicados em mais de trinta idiomas. O curador da Flip, Flávio Moura explica porque a convidou para a festa.

Sucesso estrondoso de público, desde A casa dos espíritos, de 1982, tem mais de 56 milhões de livros vendidos em trinta idiomas. Ao lado de Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e Carlos Fuentes, Isabel Allende é um dos nomes mais bem-sucedidos da literatura latino-americana e um ícone do “realismo mágico”, que marcou a prosa no continente desde os anos 1970. Sobre essa trajetória singular, ela conversa com Werneck na mesa que foi das mais disputadas- os ingresssos se esgotaram em menos de 10 minutos! Quando junta um aestrela com best-seller dá nisso. Tentarei passar um pouco do clima da conversa dos dois através do tuitter, e você poderá acompanhar ao vivo por aqui.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010 Entrevista, Festivais Literários | 14:10

FHC inaugura olhar sobre Gilberto Freyre, um pensador do Brasil

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Na abertura da Flip 2010, hoje á noite, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, autor do prefácio da edição mais recente de Casa-grande & senzala fala de um dos maiores intérpretes do Brasil, Gilberto Freyre. A seu lado, o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores conhecedores da escravidão no Brasil, comenta a palestra. Debaixo de polêmica que a festa teria “tucanado”, o curador Flavio Moura explica a atualidade de Freyre:”Queremos mostrar que ele é de fato um escritor, aliás dos mais publicados fora do Brasil “. Para ele, a oportunidade do tema também está no momento que vive o país, foco das atenções do mundo todo e com grande protagonismo nas relações políticas internacionais.

Outras mesas durante a Flip sobre Freyre

Mesa Ao correr da pena, 05/08, quinta-feira às 10h com mediação de Ángel Gurría-Quintana. “A escrita é meu veículo. Vaidosamente ou não, considero-me um escritor literário, com uma forma literária de expressão”, declarou Freyre. Parte da crítica concorda: há consenso de que não há pensador social no Brasil que seja páreo para ele quanto à qualidade da escrita. Ela será debatida pelo ficcionista Moacyr Scliar, o crítico literário Edson Nery da Fonseca, o tradutor Berthold Zilly.

Mesa Além da Casa-grande, 06/08, sexta-feira ao 12h, com mediação de Lilia Schwarcz. Apesar de muito vasta, a obra de Gilberto Freyre costuma ser lembrada apenas por Casa-grande & senzala e Sobrados e mucambos. A proposta desta mesa é examinar a obra de Gilberto Freyre para além de seus livros mais famosos. Nordeste será o tema do africanista Alberto Costa e Silva. A historiadora Maria Lúcia Pallares-Burke fala sobre Ingleses no Brasil. E a socióloga Ângela Alonso discorre sobre Ordem e progresso.

Mesa Gilberto Freyre e o século 21, 08/08, domingo às 11h45. Na mesa que encerra a homenagem a Gilberto Freyre, três de seus maiores intérpretes analisam a atualidade da obra do sociólogo. Herdeiro da tradição uspiana, José de Souza Martins explica por que Freyre tornou-se um clássico.  O historiador Peter Burke analisa o pioneirismo de Freyre nesse segmento. E o antropólogo Hermano Vianna discute a miscigenação e a identidade nacional na obra do autor pernambucano.

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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
terça-feira, 27 de julho de 2010 Entrevista, FLIP, Festivais Literários | 12:53

Contagem regressiva para a FLIP

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O cancelamento de última hora da vinda do compositor Lou Reed não abateu os animos dos organizadores da 8ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty que acontece entre 4 e 8 de agosto. A mesa não terá substituto, em compensação a poesia ganhará espaço no sábado com um sarau de peso: Chacal, Antonio Cícero, Eucanaâ Ferraz farão um tibuto a Drummond, lendo poemas de Alguma Poesia. Ferreira Gullar também participa, ele mesmo com homenagem já prevista anteriormente, como explica o curador Flavio Moura. Ele está nessa função, à frente do “conteúdo” das mesas, há 3 anos e nos conta como é programar e pensar o evento, 1 ano antes: “Gullar completa 80 anos e lança um livro, depois de muito tempo sem publicar… É sempre um grande acontecimento um livro dele, recém agraciado com o maior prêmio da literatura – Prêmio Camões”.  

Pergunto sobre os temas: “Mais do que temas, a gente tenta prioriza autores interessantes, gente  que tenha coisa a dizer”. Alguns dos 35 autores, de 14 diferentes países, que estarão reunidos em mesas literárias. A conferência de abertura será comandada por Fernando Henrique Cardoso, sobre Gilberto Freyre, tema de diversos outros debates.

De política e escravidão aos quadrinhos, das fábulas aos thrillers policiais,  do ebook e ipad às letras de música e poesia, da perseguição à intolerância e convivência, das diversas formas de constuir narrativas… nada escapa à programação 2010 da Flip, que tem ainda eventos paralelos como o FlipZona e a Flipinha

O livro ontem, o livro amanhã

O tema das possibilidades da leitura, na era da digitalização estará presente em 2 mesas que já são obrigatórias para o mercado livreiro com grandes nomes das discussões sobre mídia e  futuro dos livros: os historiadores Peter Burke e Robert Darnton, diretor da bilblioteca de Harvard, que negociou com o Google, a digitalização de seu acervo. Sobre esse processo de transformação em que se encontra também o mercado editorial taqmbém estará presente no debate, John Makinson, CEO da Editora Penguin, uma das maiores casas editoriais, associada agora no Brasil, à Companhia das Letras.

Vozes diferentes para contar as fábulas contemporâneas

Universos muito distintos que vão do sertão ao mundo underground paulistano, com narrativas refinadas, devem aparecer numa das mesas da quinta-feira que reúne 3 autores dae uma nova geração que conquista aos poucos seu espaço. Quem debate são os escritores brasileiros Reinaldo Moraes ( Pornopopeia ) , Ronaldo Correia de Brito ( Galileia – Prêmio São Paulo de Literatura ) e Beatriz Bracher ( Antonio ) ampliaram muito seu público, amadureceram e ocupam hoje um espaço importante na literatura brasileira.

A cubana Wendy Guerra, que vive à sombra da ditadura castrista, e a brasileira Carola Saavedra, que escreve em plena democracia, irão partilhar suas experiências ficcionais falando da literatura epistolar que se faz através de diários, blogs, cartas, mensagens, gravações, torpedos. Porque não?

O indiano Salman Rushdie volta à Flip para fazer o lançamento mundial de Luka e o fogo da vida (Companhia das Letras). O retorno de Rushdie - presente na 3ª edição, em 2005 -, reforça sua condição de autor-síntese de uma literatura multicultural.  “É a pluralidade que faz da Flip um dos encontros de literatura mais representativos. A riqueza está no encontro de vozes diferentes, na mistura que faz toda a diferença”, comenta o diretor de programação, Flávio Moura. Essa multiculturalidade aparece também em outra mesa. A do israelense Abraham B. Yehoshua e a iraniana Azar Nafisi, a autora que se recusava a usar burka, virou persona non grata em seu país, depois de escrever Lendo Lolita em Teerã.  Na Tenda dos Autores, certamente também uma conversa sobre a paz entre árabes e israelenses, já que  o escritor Abraham B. Yehoshua é tão militante pacifista, quanto como seus conterrâneos Amós Oz e David Grosman compondo a tríade de frente da literatura de Israel.

Nomes como o do cartunista Robert Crumb, prometem atrair todo tipo de leitor à festa, além de toda a comunidade acadêmica, intelectuais e visitantes que já viraram “habitués”, voltando todos anos a Paraty.

Como todos os anos, o público terá á disposição um cardápio variado. Os fãs da chilena Isabel Allende, esgotaram os ingressos em menos de 10 minutos! A mesa dela terá o jornalista e escritor Humberto Werneck como debatedor; ele nos contou da experiência anterior em que esteve com a escritora para uma entrevista à Playboy. Em breve, vamos postar aqui!  

Da violência dos regimes políticos aos crimes nas páginas dos livros, a paulista Patricia Melo vai dialogar com a americana Lionel Shriver sobre os suspenses psicológicos e a criminalidade presente nas narrativas contemporâneas.

O show de abertura será todo dedicado e inspirado nas obras de Freyre. Com direção artística de Arthur Nestrovski, o Quarteto de Cordas da Academia Osesp e Edu Lobo farão um show único, especialmente produzido para a Flip.

Para acompanhar pela internet:
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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, FLIP, Festivais Literários Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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