Ferreira Gullar | Mona Dorf

quinta-feira, 20 de outubro de 2011 Entrevista, Literatura, Poesia | 09:05

Uma conversa com Ferreira Gullar: mais de 80 anos de poesia, política e arte

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O Prêmio Jabuti, que mudou de regras esse ano – não há mais 3 finalistas para cada categoria – já tem os vencedores de 2011 para cada uma das 29 categorias. Em Alguma Parte Alguma,  publicado ano passado, por Ferreira Gullar, ganhou o Prêmio na categoria poesia. José Castello ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance com seu livro Ribamar.

Conversamos com Ferreira Gullar, em sua casa, uma ano atrás, pouco antes do aguardado lançamento do livro Em Alguma Parte Alguma, pela José Olympio, quando ele acabava de completar 80 anos. Ele nos recebeu na penumbra de seu apartamento em Copacabana, onde não é poupado dos barulhos externos. Contente com todo esse reconhecimento? com o Prêmio Camões? – pergunto. Feliz, sem dúvida, mas ainda surpreso, espantado com tanto assédio da mídia: “Não aguento mais dar entrevistas! É uma atrás da outra, esta será a última. Acho uma overexposição, eu quero sim, é que leiam a minha poesia”, brada um Gullar, um tanto cansado, mal humorado. Como bem disse na Flip, ele sempre remou contra a maré. Apesar disso, arrebatou a plateia de Paraty, ao narrar com humor, sua trajetória de percalços, onde a produção artística caminhou lado a lado com a política.

Incomodado com o gato que acabara de ganhar de presente de Adriana Calcanhoto – o bichano demanda ração especial e não aceita a que ele comprou no bairro -, aos poucos, o poeta vai se animando: “Ela quis ser gentil, eu contei que meu gato morreu, e a Adriana apareceu com esse filhote aqui, também siamês. Mas ela me arrumou um problema, sabe!”.

Nesse vídeo, ele nos fala da sua estreita relação com a arte e aponta com apreço quadros de artistas amigos que ornam as paredes de uma sala bagunçada de literatura e arte. O poeta já desejou ser pintor e tem se dedicado a fazer colagens de papel; ele nos mostra o boneco de outro livro inédito, de colagens de bichos, Zoologia bizarra, que sairá pela Casa da Palavra.

Na casa de Gullar

 

“Rilke, Elliot, Rimbaud, Mallarmé, Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Camões, Castro Alves, Olavo Bilac, tem poetas que eu leio e releio a obra toda, não me canso… É um mundo muito rico!”, festeja um Gullar, que na infância chegou a pensar que poesia era coisa de gente morta. Claro que as pessoas lêem poesia, senão meus livros não venderiam. O livro Toda Poesia está na décima nona edição, os outros estão em décima quinta, décima quarta… ” exclama.

O Duplo, um poema do novo livro de poesias

Entre um livro e outro são sempre muitos anos, o que não quer dizer que o poeta não escreve no meio tempo em que fica sem publicar. “A luta corporal foi uma aventura que nasceu de um ideal poético, impossível de atingir. O resultado é que a linguagem foi levada ao limite, implodiu. Todo livro meu é uma aventura que vai se concretizando a medida que eu faço, refaço, critico, edito”. A poesia concreta é uma experiência ultrapassada; a rigor, nunca me considerei um poeta concreto, como os irmãos Campos.  De lá eu fui para a poesia neoconcreta que veio dar depois no Poema Sujo e nos poemas de hoje”, considera. Na Flip, ele disse que fez Poema Sujo porque as pessoas estavam desaparecendo na ditadura e ele tinha medo de morrer. “Quis deixar algo em meu nome e no daqueles que sumiam, de repente.“ Gravado numa fita, o libelo foi trazido pelo poetinha Vinicius de Morais que o fez circular pelo país. Ícone, virou quase um hino dos anos de chumbo. O novo livro só tem poesias inéditas, mas carrega nos traços os versos dessa trajetória. “Não me sinto com 80 anos!”

O novo livro de poesias Em Alguma Parte Alguma

Em Alguma Parte Alguma
Livraria Cultura – Loja Record /Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073, São Paulo
A partir das 19 horas

Veja também, o poeta na Flip 2010:

“A arte existe porque a vida não basta” Ferreira Gullar

“É bom fazer poesia: ninguém te obriga”

Flip 2010 foi salva pela programação do sábado

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quarta-feira, 8 de junho de 2011 Entrevista, Festivais Literários, Festival da Mantiqueira, Literatura | 08:00

Viagem Literária levará escritores para 70 cidades

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Estimular o prazer da leitura e formar novos leitores, valorizar a biblioteca pública dos municípios, por meio do contato direto entre escritores e o público. Com esses objetivos, de junho a novembro, renomados escritores saem em turnê para bate-papos com o público nas bibliotecas das 70 cidades que recebem as atrações do programa Viagem Literária. O escritor Lira Neto, por exemplo, esteve no mesmo dia 1 de junho, quando a viagem iniciou, nas cidades de Pacaembu e Tupi Paulista. 

O Viagem é dividido em cinco módulos mensais. O primeiro, em junho, chama-se Literatura para Todos. Nele, autores que se dedicam aos mais variados gêneros literários conversam com o público sobre sua obra. Ignácio de Loyola Brandão que deslumbrou a plateia no Festival Mantiqueira, visita nesta semana de 6 a 9 de junho, as cidades de Itanhaém, Ilha Comprida, Eldorado, Cananeia, Apiaí e Itapeva. O escritor, nascido em Araraquara, já é freguês; participou inúmeras vezes e conta como foi.

Histórias de Marcio de Souza e Ignácio Loyola do contato com o público

 

Entre os autores que já participaram do Viagem Literária estão Mario Prata, Milton Hatoum, Carola Saavedra, Adélia Prado, Beatriz Bracher, Menalton Braff e Ferreira Gullar, que este ano comparece novamente.

A programação prevê 350 atividades nas bibliotecas e é inteiramente gratuita e aberta ao público de todas as idades. Luiz Ruffato que faz parte dessa quarta edição, também tem histórias pra contar. O escritor percorre, de 27 a 30 de junho, os municípios paulistas de São Pedro, Pratânia, Lençóis Paulista, Macatuba, Pederneiras e Diadema. 

Levar literatura para regiões carentes encanta escritores como Luiz Ruffato

“O Viagem Literária é um dos mais importantes programas de incentivo à leitura do Governo de São Paulo. As bibliotecas ficam cheias de pessoas interessadas em conhecer os autores, ouvir seus depoimentos e conversar com eles”, diz o Secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo.

Confira a programação completa no site: www.cultura.sp.gov.br

Leia também:

Festival da Mantiqueira espalha literatura através de viagem literária

Ecos do Festival da Mantiqueira

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segunda-feira, 30 de maio de 2011 Festivais Literários, Literatura, Prêmios | 08:00

Festival da Mantiqueira espalha literatura através de viagem literária

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No encerramento do Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, o encontro literário que acontece na serra, na pequena São Francisco Xavier, André Sturm, seu coordenador, comentou é bom ver como o evento mexe com a cidade. “Não queremos crescer, se depender de nós continua assim.” – Na abertura, ele citou o ex-secretário de cultura João Sayad que há 4 anos teve a ideia de criar uma mini Flip: “Se crescer, estraga!” A pretensão das pessoas terem contato direto com os escritores, num clima descontraído vem se mantendo.

Autores viajam para as cidades e conversam com o público em bibliotecas do Estado de São Paulo

Na noite do sábado foram anunciados os 20 finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura que agora terão mais visibilidade, através dos debates que costumam acontecer nas livrarias, sem falar no destaque que elas dão para os livros premiados. “Aqui no Festival fazemos também oficinas exclusivas para professores e profissionais de bibliotecas, eles saem cheios de ideias e inspirados para receber os autores do Viagem Literária.” comenta Sturm. O projeto organiza bate-papos com escritores de vários calibres em bibliotecas do interior e litoral do estado.

O incentivo à leitura não se restringe à serra, os autores que vem para os encontros também partem para uma viagem literária, como aconteceu com Ferreira Gullar, na edição passada e Ignácio de Loyola Brandão que volta a excursionar pelo estado.

Viagem literária vai percorrer 70 cidades

Saiba mais:

Conversa com um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura

Ecos do Festival da Mantiqueira

Encontro literário começa na Serra da Mantiqueira

Festival da Mantiqueira: todos os narradores são grandes mentirosos

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 Cinema, Entrevista, Literatura | 08:00

O legado de Clarice

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Se viva, Clarice Lispector completaria nessa sexta-feira 90 anos. Nascida na Ucrânia, em 1920, emigrou aos cinco anos, com a família, para Recife e depois mudou-se aos 15 para o Rio. Ela foi a homenageada da Festa Literária de Pernambuco que contou também com a presença de seu biográfos Nadia Gotlib, Clarice Um vida que se conta (Edusp), Clarice Fotobiografia (Imprensa Oficial) e Benjamim Moser, Clarice, (Cosac Naify) com quem já conversamos aqui.

Mais moderna do que nunca

A escritora e sua vida atribulada inspiram na web uma legião de claricianos: blogs, fóruns e comunidades, as atrizes Beth Goulart no teatro, Cassia Kiss no cinema.

Clarice costumava tomar, banhos de mar, em Olinda, nas primeiras horas da manhã, levada pelo pai, como num ritual de purificação. Lá encontramos sua sobrinha neta Nicole Algranti, que participava da Fliporto e produziu o filme De Corpo Inteiro, exclusivamente para o mercado de DVD e TV. (69 minutos)


Nos anos 60 e 70, Clarice que atuava como jornalista entrevistou dezenas de personalidades para a Revista Manchete e para o Jornal do Brasil, reunidas hoje no livro Entrevistas, lançado em maio de 2007, pela editora Rocco. São conversas de vida com 25 personalidades como Ferreira Gullar, Tônia Carrero, Maria Bonomi, Nélida Pinõn e os falecidos Érico Veríssimo, Fernando Sabino, Helio Pellegrino, Tom Jobim…

De Corpo Inteiro: Uma Clarice simples revelada por Nicole

Inspirada nessas entrevistas, a diretora Nicole Algranti, sobrinha neta de Clarice, filmou De Corpo Inteiro com pitadas de ficção: a personagem principal é Clarice Lispector, em encontros dramatizados com as mais variadas personalidades com quem ela conversou. Clarice dá uma verdadeira aula de jornalismo ao mergulhar poeticamente no mundo de seus entrevistados. “Era uma pessoa simples, agradável, que gostava de crianças e animais” conta Nicole.

Clarice vai se revelando aos poucos, a cada entrevista que realiza

De acordo com a diretora do documentário ficcional, “O filme contextualiza as décadas de 60 e 70, que foram os anos nos quais ela trabalhou como jornalista.” faceta que poucos conhecem…

Três irmãs escritoras

Além de Clarice, Elisa e tania, avó de Nicole também escreviam.
Em Exílio, Elisa Lispector contou a saga da família parecida como a de muitos judeus que emigravam daquela região, fugindo dos pogroms, perseguições.

“Eram pobres, mas tinham fome de saber. A necessidade de aprender a português fez com que elas mergulhassem de cabeça na língua”, conta Nicole, cuja avó publicou um livro aos 89 anos, pouco antes de falecer, dois anos atrás.

O filme é uma homenagem aos amigos que foram entrevistados pela escritora. “Ela tinha um toque especial na hora de entrevistar. Procuramos os textos publicados pela artista, as pessoas que ainda estão vivas foram entrevistadas novamente. É um filme interessante para o jornalista ver”, comenta.

Clarice Lispector

Outros posts sobre Clarice Lispector:

Clarice, sou eu! Cássia Kiss

Os biógrafos de Clarice Lispector

Clarice fala da alma humana

Dose dupla de Benjamin Moser no domingo da Flip

Que mistério tem Clarice?

Clarice Lispector: influência nordestina e mudança radical

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terça-feira, 9 de novembro de 2010 Festivais Literários, Literatura, Poesia | 15:30

Fórum das Letras agita Ouro Preto

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Se agosto foi o mês das letras no eixo Rio-SP com a Flip e a Bienal do Livro, novembro não deixa por menos, com vários eventos espalhados pelo país, a começar pelo o Fórum das Letras, em Ouro Preto, MG, que abre oficialmente nesta quarta, dia 10, com uma homenagem ao poeta o mineiro Affonso Ávila e segue até 15 de novembro.

Ainda nesta semana, na sexta, dia 12 abre Fliporto em Olinda, e quinta-feira 18 de novembro, a Balada Literária invade a Vila Madalena, em São Paulo. É festa literária para todos os gostos, e ninguém botar defeito!

No Fórum das Letras de Ouro Preto é influência africana na cultura brasileira – ainda mais em Ouro Preto, cidade erguida por escravos -, que dá o tom dessa sexta edição. Ela traz nos encontros escritores dos países de língua portuguesa como os moçambicanos Mia Couto e Paulina Chiziane, a primeira mulher moçambicana a publicar um romance; outros destaques são os angolanos Pepetela, Ondjaki, Carmo Neto, João de Melo, Adriano Botelho e João Maimona, entre outros convidados do evento.


De Portugal, vem Luandino Vieira, Inocência da Mata e Margarida Paredes, do Brasil, Ferreira Gullar, Alberto Mussa, Nei Lopes, Flávio Carneiro, Marina Colasanti, Laurentino Gomes, Décio Pignatari, Daniel Galera, Rafael Coutinho, João Paulo Cuenca, Ronaldo Correia de Brito, Clóvis Bulcão, Affonso Romano de Sant’anna, só para citar alguns nomes…

O português é a quarta língua mais falada do mundo, mas a literatura produzida nos países lusófonos ainda não é muito conhecida, nem mesmo nos próprios países de língua portuguesa dos três continentes. Os países de língua portuguesa da África, assim como o Brasil, foram colônias, tem problemas, questionamentos e expectativas semelhantes aos brasileiros. O diálogo e o conhecimento mútuo das realidades e manifestações culturais só pode ser uma troca enriquecedora para todos os lados. O Fórum das Letras busca uma política de promoção e divulgação da cultura e da literatura brasileira, em interação com países cujos ideais se assemelham aos nossos”, comenta a coordenadora do Fórum das Letras é Guiomar de Grammont, diretora do Instituto de Filosofia, Artes de Cultura (IFAC) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Além da programação acontecem vários eventos paralelos: o Fórum das Letrinhas, Literatura em Cena, Via-Sacra Poética e Ciclo Bravo! de Jornalismo e Literatura.

 Noite ouropretana iluminada pelas letras

As atrações paralelas seguem noite adentro na Via-Sacra Poética, onde poetas levam a poesia para pontos inusitados da cidade, a céu aberto, bares e restaurantes. O encontro do público com autores jovens ou já consagrados, se mistura com o cotidiano da população. A programação tem também lançamentos de livros, leitura de poesias, exibição de vídeo-poemas, performances poéticas, cortejos e shows musicais ligados à literatura.

Fórum das Letras
Ouro Preto- Minas Gerais
10 e 15 de novembro de 2010

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terça-feira, 28 de setembro de 2010 Poesia | 09:14

Um grito contra a opressão: Poema Sujo de Ferreira Gullar sai em DVD

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Poeta e crítico de arte, Ferreira Gullar vive um grande momento, além do aniversário, 80 anos de vida e poesia, acaba de lançar Em Alguma Parte Alguma, seu novo livro de poemas, pela José Olympio, após uma década sem publicar. Prepara-se para lançar um livro de colagens -  Zoologia bizarra, pela Casa da Palavra -  e hoje recebe homenagem no Instituto Moreira Salles  .

VideoFilmes, leia-se João Moreira Salles e o Centro Cultural do IMS lançam nesta terça, 28/09, às 20h, no Rio de Janeiro, o DVD Poema Sujo lido por Ferreira Gullar.  Conhecido como o grande libelo contra a ditadura, ele foi escrito no exílio por Gullar, um grito de revolta contra os que estavam desaparecendo. “Eu também tinha medo de sumir”, comentou na Flip 2010 na noite em que brilhou falando de sua trajetória conturbada. 

No evento, gratuito, serão exibidos trechos do DVD e  haverá uma mesa-redonda com o poeta e os críticos Antonio Carlos Secchin e Alcides Villaça, mediada por Eucanaã Ferraz.

 

Escrito em Buenos Aires entre maio e outubro de 1975, o Poema Sujo chegou ao Brasil no mesmo ano, gravado em uma fita cassete trazida por Vinicius de Moraes. Depois de transcritos, os versos de Gullar tornaram-se um clássico da literatura brasileira.

A ideia de regravar o poema partiu de Antonio Fernando de Franceschi, poeta e então diretor do Instituto Moreira Salles, em 2005, quando os versos completaram 30 anos. A filmagem foi realizada no IMS-RJ em outubro deste ano, com coordenação de João Moreira Salles e fotografia de Walter Carvalho.

Além da leitura integral do poema, o DVD traz uma entrevista concedida por Gullar a Franceschi, na qual o poeta descreve o contexto em que produziu a obra. Textos de Paulo Mendes Campos e Vinicius de Moraes acompanham o DVD, no encarte. 

Capa DVD do Poema sujo lido por Ferreira Gullar

Para saber mais:

Ferreira Gullar – 80 anos de poesia, política e arte“A arte existe porque a vida não basta” Ferreira Gullar

“É bom fazer poesia: ninguém te obriga”

Flip 2010 foi salva pela programação do sábado

Lançamento: Poema sujo lido por Ferreira Gullar
Mesa-redonda com Ferreira Gullar, Antonio Carlos Secchin e Alcides Villaça, mediada por Eucanaã Ferraz
Data: 28/09/2010, terça-feira, às 20h
Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Entrada gratuita. Lugares limitados

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domingo, 8 de agosto de 2010 Festivais Literários | 13:25

“A arte existe porque a vida não basta” Ferreira Gullar

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Ovacionado e aplaudido, durante dez minutos por um público de pé, Gullar agradecia: “Muito bom ver que ainda há quem goste de poesia”. A cena do Festival da Mantiqueira – Diálogos com a literatura, se repetiu mais uma vez, no sábado, no encerramento de uma das mesas mais interessantes dessa Flip. Conduzida por Samuel Titan Jr, professor de literatura, e coordenador cultural do Instituto Moreira Salles a conversa conseguiu variar da trajetória política do poeta, passando pela criação, das diversas fases de sua poesia, ao convívio com os artistas plásticos, Lygia Pape, Lygia Clark, Oiticica, Mario Pedrosa, ” o estado maior do neoconcretismo”, nas palavras do próprio Gullar.
Ele estava inspirado e divertiu a plateia ao contar os percalços de sua vida, contando que sempre remou contra a maré.
Da amizade e depois ruptura com os poetas concretistas, os irmãos Campos e Pignatari, a vida no Rio sempre inventando com os artistas plásticos, ao exílio na Rússia e Buenos Aires, onde escreveu o famoso “Poema Sujo” (1976) durante a ditadura, para falar dos que desapareciam… Difícil dizer o que foi mais interessante.

Sempre com muito bom humor, mostrou que a poesia nasce do espanto:” É um milagre; eu vivo um dos melhores estados quando estou escrevendo minha poesia, mas infelizmente não é quando eu quero. Às vezes passo meses inteiros sem escrever… Cara, qualquer coisa pode surpreender um poeta. Quer ver? Outro dia, escrevi o poema “Acidente na sala” depois que bati o osso hilíaco num móvel. Cara, eu tenho osso, e osso pergunta? Não dá pra explicar entende… Vem do acaso.”
Foi mais um momento em que a plateia veio abaixo.

Para logo em seguida, ficar hipnotizada pela leitura desse e mais dois poemas do livro inédito, Em Alguma parte alguma, que ele lança em Setembro, após dez anos sem publicar.

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quinta-feira, 22 de julho de 2010 Entrevista, Exposições, Literatura | 10:53

Na Estação dos livros, um convite à leitura

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Não, não se trata de uma biblioteca. Também não é a Bienal do Livro, tampouco as livrarias espaçosas que andam cada vez mais convidativas. Trata-se de uma bela coleção de livros, com nomes e títulos de peso que invadiu o espaço de uma Estação que costuma abrigar pinturas em suas paredes. 

Na Estação Pinacoteca, gente que faz a cena cultural: os poetas Ferreira Gullar, Paulo Vanzolini, o arquiteto Oscar Niemeyer, os artistas Carybé, Maria Bonomi, Maureen Bisiliat, Lasar Segall, Oswald de Andrade, William Faulkner, Jorge Luis Borges… só para citar alguns. Eles aparecem  em livros, imagens e textos estrategicamente situados para atrair o olhar e curiosidade do leitor. Como bem disse certa vez Jo Soares, num Roda Viva: “Com o livro, existe o prazer de ler, o prazer de ter, de comprar. E o prazer de pegar.” 

E isso se aplica bem aos livros da Imprensa Oficial que programou inclusive um canto, o Espaço do Leitor, onde os livros podem ser manuseados, folheados.


Nas paredes, frases de João Guimarães Rosa, Saramago, Jean-Paul Sartre, Graciliano Ramos, Cortázar, Shakespeare, Borges, Victor Hugo, Lobo Antunes, entre outros ajudam a despertar e a consolidar a paixão pela leitura. De Guimarães Rosa: “Toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada”.

A Imprensa Oficial é conhecida pela qualidade de sua impressão e bom gosto quem podem ser apreciados  em O Romanceiro da Inconfidência, com desenhos de Renina Katz, no livro que traz a obra completa de Leon Ferrari, editado com a Edusp e Cosac ou ainda nas belas fotobiografias como a de Clarice, e a recente Viva Pagu, com fotos, textos e escritos da irreverente Patrícia Galvão, musa modernista.

Para Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a iniciativa amplia a possiblidade de fruição dos belos exemplares publicados pela empresa, já que a Estação Pinacoteca é muito visitada: “ É um prazer dar nossa contribuição e colocar à disposição do público, parte dos mais belos e procurados livros publicados pela empresa. Nossa proposta foi criar ambientes para instigar os visitantes e provocar  sua interação com a linguagem e a palavra”.

São mais de 300 títulos, distribuídos por 400 m², edições que representam várias áreas do conhecimento. A curadoria é de Cecília Scharlach, coordenadora editorial da Imprensa Oficial. O arquiteto Haron Cohen assina a direção de arte e a produção gráfica é de Alex Wissenbach.

Vitrines com prêmios, peças gráficas, convites, marcadores de páginas, postais e bonecos mostram o processo de produção até a impressão. Na mostra, livros da parcerias da Imprensa Oficial com editoras universitárias e instituições culturais, como a Biblioteca Nacional, a Pinacoteca do Estado, Academia Brasileira de Letras, o Museu Afro Brasil, o Instituto Tomie Ohtake, o Instituto Moreira Salles.

Tem ainda os títulos da famosa Coleção Aplauso, que hoje pode ser baixada na internet, com as biografias de nossos mais renomados artistas. Dos mais atuais como Sérgio Ricardo: canto vadio e Célia Helena: atriz visceral, passando pelo vencedor do Jabuti, Raul Cortez, Beatriz Segall, Tonia Carrero, até os primeiros exemplares, como Sérgio Cardoso: imagens de sua arte ou Maria Della Costa: seu teatro, sua vida.


Em todo acervo, há obras premiadas como o vencedor do Jabuti, Monteiro Lobato livro a livro, de Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini e Resmungos, de Ferreira Gullar, premiado pela Câmara Brasileira do Livro. Em todas as edições, impressiona a excelência gráfica. Agora é só ir lá conferir!  E apreciar, tem para todos os gostos: Arte sacra colonial, barroco memória viva; Caixa Modernista , da gravura à arte pública (organização de Jorge Schawartz, Maria Bonomi); Mestres do modernismo; Roupa de artista: o vestuário na obra de arte (Cacilda Teixeira da Costa), Igrejas paulistas:  barroco e rococó; Fotógrafos franceses em São Paulo na primeira metade do século XX; Joias da Mata Atlântica; Escritos sobre arte, Tinhorão, o legendário; Impressões de Carybé nas suas visitas ao Benin (1969-1987).

Há ainda resgate de nossa memória histórica, jornalística e política através de edições institucionais de interesse gráfico-editorial e uma vitrine com os jornais antigos como o Ex, com a notícia da morte de Vladimir Herzog.

Exposição de Livros da Imprensa Oficial
Até  15 de agosto.
Local: Estação Pinacoteca
Endereço: Largo General Osório, 66 – Centro, São Paulo
Datas e horários: Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h
Grátis aos sábados

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segunda-feira, 31 de maio de 2010 Festivais Literários, Literatura, Passeios, Prêmios | 11:00

Festival da Mantiqueira: todos os narradores são grandes mentirosos

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Ronaldo Correia de Brito vem de uma família de contadores de histórias. E uma das histórias mais contadas era a história da morte de seu avô. “Eu cresci ouvindo essa história; tinha dia que eu ouvia minha avó contar três vezes a história da morte do meu avô! Até a hora que eu mesmo resolvi escrever e contar a história da morte de meu avô – virou o conto ‘Da morte de Francisco Vieira’ no Livro dos Homens Cosac Naify - Os familiares ficaram todos revoltados. Disseram que eu havia mudado a história do meu avô!”.

Foi com essa delíciosa história que Ronaldo Correia de Brito abriu a primeira mesa do Festival da Mantiqueira junto com outro vencedor do Prêmio SP de literatura 2009, Altair Martins e o compositor e escritor Arnaldo Antunes, convocado para mediar o diálogo. Para ele, todos os narradores são grandes mentirosos! “Eu sempre escutei como eu desejava ouvir. Escrever é trabalhar com a memória inventada, jamais com a história.”  O escritor tem de ser capaz de transformar, explica Ronaldo que assim começa respondendo à pergunta sobre processo de criação, para acrescentar que leu muito na infância e adolescência. Fala especificamente de duas obras:  Ilíada e Odisseia, de Homero, para arrebatar de vez a platéia com outra história. ” Os livros que eu lia eram cheios de buracos de traças, mas eu não me importava, lia-os assim mesmo, eles tinham cada vez mais buracos e eu ficava imaginando o pedaço da história que faltava “. O leitor completa a narrativa, e certamente o escritor Ronaldo Correia de Brito agradece às traças que ajudaram a alimentar sua imaginação. Ano passado, esse médico, cearense de nascimento, pernambucano de coração que já havia publicado anteriormente, recebeu o Prêmio Sâo Paulo de Literatura, com seu romance Galiléia. Ele abriu o III Festival da Mantiqueira lendo um trecho para a plateia, bem ao estilo da Flip.

De fato, é o melhor jeito de conquistar leitores: ouvir o autor ler seu texto, com seu sotaque, suas paradas para respirar, seus pontos de exclamação.


Leitura de trecho do romance Galiléia, Prêmio SP de Literatura 2009

 

A região é bem servida de pousadas e todas as cidadezinhas próximas são encantadoras: Santo Antonio do Pinhal, Monteiro Lobato, mas talvez a mais charmosa da Mantiqueira seja São Francisco Xavier, a 91 km da capital paulista, perto de São José dos Campos. Há três anos ela sedia um encontro literário que traz os grandes autores nacionais para o interior do estado. Na praça central, uma tenda abriga as mesas do Festival, abertas ao público, em geral. Numa outra, os escritores conversam com os estudantes da região, após a leitura do livro deles. Esse ano vieram Walcyr Carrasco, Marina Colasanti, Spacca, entre outros. Carpinejar deu oficinas de prosa poética. Chacal declamou seus poema, Ferreira Gullar contou que prepara um livro de poemas, o primeiro em anos. ” Se você não se inventa, você não existe! ” bradou o escritor diante de Cadão Volpato, editor de Cultura do IG, que atuava como mediador. A mesa seguinte, não menos interessante, falava sobre o tema Desejo… Coube ao português Agualusa e ao diplomata e escritor João Almino debate-lo com a jovem Carola Saavedra. Os autores estão lá para falar de suas obras, dialogar com o público, autografar livros e tudo mais. O Festival é o ponta pé inícial de uma Viagem Literária que os leva para outras cidades para bate-papos em bibliotecas. E como é bom chegar perto dos autores, poder prosear com eles!


Ronaldo Correia de Brito estará na FLIP 2010, em Paraty, na mesa Fábulas contemporâneas com Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes com mediação de Cristiane Costa.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Festivais Literários, Literatura, Passeios, Prêmios Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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