Você não pode deixar de colocar no seu roteiro turístico pelo Rio de Janeiro uma ida ao Centro Cultural Correios. Fernando Pessoa de corpo e alma, plural como o universo, está lá inteiro até o dia 22 de maio. É a mesma exposição que estava em São Paulo no Museu da Língua Portuguesa, onde gravamos a visita. Imperdível!
Ao morrer, ele deixou caixas e caixas de escritos inéditos… A medida que eram revelados, descobria-se uma das mais importantes obras da língua portuguesa e da literatura universal. Rafael Cavinato, um dos monitores do Museu da Língua Portuguesa nos conduz pela exposição multimídia e conta que apesar dessa vida interior tão intensa e da obra tão rica, Fernando Pessoa, só amou uma mulher: Ofélia Queiros. O poeta, multíplo, se desdobrava em vários personagens, dava corpo, nome e personalidade para cada um. Qual delas você prefere?
Os heterônimos, as várias identidades do poeta Fernando Pessoa
Recursos diversos nas instalações fazem o público se divertir e brincar com esse poeta multifacetado, que nunca foi tão moderno. Rafael Cavinato, nosso guia nos conta que o autor da frase “Minha pátria é a língua portuguesa” tinha como língua materna o inglês. Na exposição vários exemplares, fac-similes antigos -em especial um que veio de Lisboa de um colecionador de Fernando Pessoa-, revelam que seus versos eram lindos também na língua inglesa. Tanta foi a produção do poeta, que ainda há textos inéditos dele. Incrível saber que ele não foi reconhecido em vida. Até mesmo O livro do desassossego- na cabeceira de novo entre 10 pessoas com quem converso-, só se soube posteriormente vir da pena de Pessoa, por que antes era atribuído a Bernardo Soares, um dos seus heterônimos.
O passeio é lúdico. Difícil não brincar com o livro digital gigante!
Fernando Pessoa era um homem do mundo, trabalhou como reperesentante comercial. Viajou para lá e para cá e também se virava bem em francês. O mar era uma de suas paixões. Ao morrer, tinha deixado, apenas um livro: Mensagens. Apenas aparentemente… O mundo ainda está por descobrir outros heterônimos… e novos escritos.
Produção fantástica: aproximadamente 25 mil textos!
“O poeta é um fingidor”, não porque mente, mas sim porque cria e constantemente se reinventa. A alma do artista que nos encanta com sua ficção, é também um convite à nossa própria recriação. Faça todo dia da sua vida ser uma obra de arte e descubra a magia e a beleza que estão por trás das coisas. A experiência de visitar a exposição no Museu da Língua Portuguesa é um bom começo! Lembrando que “A arte existe porque a vida não basta!” como costuma dizer Ferreira Gullar.
Navegar é preciso! Embarque nosso passeio virtual pelo mar de poesia de Fernando Pessoa!
Fernando Pessoa, plural como o universo
Até 22 de maio de 2011 Local: Centro Cultural Correios Endereço: Rua Visconde de Itaboraí – 20 – Rio de Janeiro Horários: terça a domingo, das 12h às 19h Entrada franca
Notas para a Recordação de meu Mestre Caeiro, texto inédito de Fernando Pessoa, inspira a atriz, poetisa e cantora Elisa Lucinda a voltar aos palcos na peça A Natureza do Olhar, no Sesi no Rio. Em Agosto, ela retorna com um velho conhecido, um espetáculo que ajuda muita gente a levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O Parem de Falar Mal da Rotina, segunda ela, é uma comédia reflexiva, com 3 horas de duração, que já foi vista por mais de 700 mil espectadores, em oito anos e continua viajando pelo país. ” No segundo semestre volta com tudo!” avisa a atriz que termina com uma poesia para nós, do jeito que só ela sabe declamar.
A Natureza do Olhar estrelada, idealizada e adaptada por duas amigas, Elisa Lucinda e Geovana Pires, fala do encontro e dos diálogos entre Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, heterônimos do poeta português.
“Em sua inigualável originalidade, Fernando Pessoa inventou poetas “imaginários” com riqueza de detalhes: nome, data de nascimento, morte, profissão e estilo literário e personalidades distintas. No espetáculo, as pessoas choram e se divertem.” comenta a atriz empolgada, ele ajuda a compreender como universos inconciliáveis puderam conviver dentro de uma mesma pessoa, um gênio da literatura mundial.
Na adaptação, um Álvaro de Campos diferente daquele conhecido pelo Poema em Linha Reta. Interpretado por Elisa Lucinda, nos faz entrar em contato com as angústias e os pensamentos de um homem atordoado em busca de sua identidade poética. Com sua simplicidade de ver e agir, Alberto Caeiro, por sua vez, vivido por Geovana Pires, consegue aplacar a inquietação de seu discípulo com um olhar apurado sobre a natureza humana.
Nesse contexto as atrizes, em cena, não só aprofundam a linguagem poética e a sua força teatral, como também, brincam com a relação mestre-discípulo, em uma fina sintonia orquestrada por Amir Haddad.
A Natureza do Olhar
Até 25 de julho
Local: Teatro SESI
Endereço: Rua Graça Aranha, 1 – Centro, Rio de Janeiro
Data e horários: sexta a domingo, às 19h30
Censura livre
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Inspirada pela exposição Andy Warhol, Mr. Americana Estação Pinacoteca em São Paulo, nossa mais nova colaboradora também mandou para a coluna os trabalhos abaixo: