Uma platéia seleta de convidados formada por economistas, jornalistas e intelectuais ouviu nessa segunda no Cultura Artística Itaim, em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discursar sobre Maquiavel. Ele já havia discutido na Flip com Salman Rushdie, mas ontem fez uma palestra especial precedida de coquetel no lançamento da parceria Penguin-Companhia das Letras.
O editor Luiz Schwarcz comenta, na abertura do evento, que convidou Fernando Henrique para fazer o prefácio de Il principe, o “príncipe dos sociólogos” na nova edição lançada dentro da parceria Penguin-Companhia das Letras que o ex-presidente é um clássico. Aqui um trecho da palestra.
Na saída FHC fala com os jornalistas, sobre política, Serra e Lula, e Maquiavel
Porque não tem participado da campanha? Diz que não tem mais tanta energia, mas que tem escrito, dado entrevistas, fala com Serra toda hora, por telefone… Acredita que os debates são engessados, mas que o candidato do PSDB foi bem no primeiro, o da Band.
Sobre a afirmação de Lula dizendo que quer ensiná-lo a ser ex-presidente: “Tou louco para aprender!” (risos). E continua: “Pra ele, ex-presidente não deve fala nada, a não ser a favor. Os outros ex-presidentes, com exceção do Itamar, só falam a favor dele, não é?“
Pergunto: ”O senhor disse que a maior virtude de um político é saber manter-se no poder?”. Mais uma vez ele responde sorrindo:
”Eu não, quem disse isso foi Maquivael, eu não sou maquiavélico!“
Presentes para ouvir FHC: os escritores Bernardo Carvalho, Lygia Fagundes Telles, João e Pedro Moreira Salles, os editores Luiz e Lilia Moritz Schwarcz, John Makinson, o livreiro Pedro Herz e os economistas, André Lara Resende, Elena Landau, Eduardo Gianetti da Fonseca.
Matinas Suzuki Jr o editor da Penguin, comentou os novos lançamentos e as trocas entre as duas editoras. Elas lançaram O Príncipe, de Maquiavel, Pelos olhos de Maisie, de Henry James, Essencial Joaquim Nabuco e O Brasil Holandês (organizado por Evaldo Cabral de Mello) e vão levar autores nacionais como Jorge Amado para serem publicados no exterior.
Na saída da mesa inaugural feita pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso conversamos com dois habitués da Flip: o psicanalista Jorge Forbes e o produtor musical Zuza Homem de Mello. Opiniões divididas…
Minutos antes da mesa que abre oficialmente a Flip 2010 em Paraty, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso conversou com a imprensa. Em meio ao tumulto de jornalistas que se formou no hotel onde está hospedado, ele concedeu uma rápida entrevista à coluna e revelou o que pensa sobre Gilberto Freyre.
Na abertura da Flip 2010, hoje á noite, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, autor do prefácio da edição mais recente de Casa-grande & senzala fala de um dos maiores intérpretes do Brasil, Gilberto Freyre. A seu lado, o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores conhecedores da escravidão no Brasil, comenta a palestra. Debaixo de polêmica que a festa teria “tucanado”, o curador Flavio Moura explica a atualidade de Freyre:”Queremos mostrar que ele é de fato um escritor, aliás dos mais publicados fora do Brasil “. Para ele, a oportunidade do tema também está no momento que vive o país, foco das atenções do mundo todo e com grande protagonismo nas relações políticas internacionais.
Outras mesas durante a Flip sobre Freyre
Mesa Ao correr da pena, 05/08, quinta-feira às 10h com mediação de Ángel Gurría-Quintana. “A escrita é meu veículo. Vaidosamente ou não, considero-me um escritor literário, com uma forma literária de expressão”, declarou Freyre. Parte da crítica concorda: há consenso de que não há pensador social no Brasil que seja páreo para ele quanto à qualidade da escrita. Ela será debatida pelo ficcionista Moacyr Scliar, o crítico literário Edson Nery da Fonseca, o tradutor Berthold Zilly.
MesaAlém da Casa-grande, 06/08, sexta-feira ao 12h, com mediação de Lilia Schwarcz. Apesar de muito vasta, a obra de Gilberto Freyre costuma ser lembrada apenas por Casa-grande & senzala e Sobrados e mucambos. A proposta desta mesa é examinar a obra de Gilberto Freyre para além de seus livros mais famosos. Nordeste será o tema do africanista Alberto Costa e Silva. A historiadora Maria Lúcia Pallares-Burke fala sobre Ingleses no Brasil. E a socióloga Ângela Alonso discorre sobre Ordem eprogresso.
Mesa Gilberto Freyre e o século 21, 08/08, domingo às 11h45. Na mesa que encerra a homenagem a Gilberto Freyre, três de seus maiores intérpretes analisam a atualidade da obra do sociólogo. Herdeiro da tradição uspiana, José de Souza Martins explica por que Freyre tornou-se um clássico. O historiador Peter Burke analisa o pioneirismo de Freyre nesse segmento. E o antropólogo Hermano Vianna discute a miscigenação e a identidade nacional na obra do autor pernambucano.
O cancelamento de última hora da vinda do compositor Lou Reed não abateu os animos dos organizadores da 8ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty que acontece entre 4 e 8 de agosto. A mesa não terá substituto, em compensação a poesia ganhará espaço no sábado com um sarau de peso: Chacal, Antonio Cícero, Eucanaâ Ferraz farão um tibuto a Drummond, lendo poemas de Alguma Poesia. Ferreira Gullar também participa, ele mesmo com homenagem já prevista anteriormente, como explica o curador Flavio Moura. Ele está nessa função, à frente do “conteúdo” das mesas, há 3 anos e nos conta como é programar e pensar o evento, 1 ano antes: “Gullar completa 80 anos e lança um livro, depois de muito tempo sem publicar… É sempre um grande acontecimento um livro dele, recém agraciado com o maior prêmio da literatura – Prêmio Camões”.
Pergunto sobre os temas: “Mais do que temas, a gente tenta prioriza autores interessantes, gente que tenha coisa a dizer”. Alguns dos 35 autores, de 14 diferentes países, que estarão reunidos em mesas literárias. A conferência de abertura será comandada por Fernando Henrique Cardoso, sobre Gilberto Freyre, tema de diversos outros debates.
De política e escravidão aos quadrinhos, das fábulas aos thrillers policiais, do ebook e ipad às letras de música e poesia, da perseguição à intolerância e convivência, das diversas formas de constuir narrativas… nada escapa à programação 2010 da Flip, que tem ainda eventos paralelos como o FlipZona e a Flipinha.
O livro ontem, o livro amanhã
O tema das possibilidades da leitura, na era da digitalização estará presente em 2 mesas que já são obrigatórias para o mercado livreiro com grandes nomes das discussões sobre mídia e futuro dos livros: os historiadores Peter Burke e Robert Darnton, diretor da bilblioteca de Harvard, que negociou com o Google, a digitalização de seu acervo. Sobre esse processo de transformação em que se encontra também o mercado editorial taqmbém estará presente no debate, John Makinson, CEO da Editora Penguin, uma das maiores casas editoriais, associada agora no Brasil, à Companhia das Letras.
Vozes diferentes para contar as fábulas contemporâneas
Universos muito distintos que vão do sertão ao mundo underground paulistano, com narrativas refinadas, devem aparecer numa das mesas da quinta-feira que reúne 3 autores dae uma nova geração que conquista aos poucos seu espaço. Quem debate são os escritores brasileiros Reinaldo Moraes ( Pornopopeia ) , Ronaldo Correia de Brito ( Galileia – Prêmio São Paulo de Literatura ) e Beatriz Bracher ( Antonio ) ampliaram muito seu público, amadureceram e ocupam hoje um espaço importante na literatura brasileira.
A cubana Wendy Guerra, que vive à sombra da ditadura castrista, e a brasileira Carola Saavedra, que escreve em plena democracia, irão partilhar suas experiências ficcionais falando da literatura epistolar que se faz através de diários, blogs, cartas, mensagens, gravações, torpedos. Porque não?
O indiano Salman Rushdie volta à Flip para fazer o lançamento mundial de Luka e o fogo da vida (Companhia das Letras). O retorno de Rushdie - presente na 3ª edição, em 2005 -, reforça sua condição de autor-síntese de uma literatura multicultural. “É a pluralidade que faz da Flip um dos encontros de literatura mais representativos. A riqueza está no encontro de vozes diferentes, na mistura que faz toda a diferença”, comenta o diretor de programação, Flávio Moura. Essa multiculturalidade aparece também em outra mesa. A do israelense Abraham B. Yehoshua e a iraniana Azar Nafisi, a autora que se recusava a usar burka, virou persona non grata em seu país, depois de escrever Lendo Lolita em Teerã. Na Tenda dos Autores, certamente também uma conversa sobre a paz entre árabes e israelenses, já que o escritor Abraham B. Yehoshua é tão militante pacifista, quanto como seus conterrâneos Amós Oz e David Grosman compondo a tríade de frente da literatura de Israel.
Nomes como o do cartunista Robert Crumb, prometem atrair todo tipo de leitor à festa, além de toda a comunidade acadêmica, intelectuais e visitantes que já viraram “habitués”, voltando todos anos a Paraty.
Como todos os anos, o público terá á disposição um cardápio variado. Os fãs da chilena Isabel Allende, esgotaram os ingressos em menos de 10 minutos! A mesa dela terá o jornalista e escritor Humberto Werneck como debatedor; ele nos contou da experiência anterior em que esteve com a escritora para uma entrevista à Playboy. Em breve, vamos postar aqui!
Da violência dos regimes políticos aos crimes nas páginas dos livros, a paulista Patricia Melo vai dialogar com a americana Lionel Shriver sobre os suspenses psicológicos e a criminalidade presente nas narrativas contemporâneas.
O show de abertura será todo dedicado e inspirado nas obras de Freyre. Com direção artística de Arthur Nestrovski, o Quarteto de Cordas da Academia Osesp e Edu Lobo farão um show único, especialmente produzido para a Flip.