Fernando Alvim | Mona Dorf

quinta-feira, 14 de abril de 2011 Cinema, Exposições, Imagem | 08:00

Willian Kentridge:o vídeo como expressão do desenho

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Willian Kentridge é um dos artista mais representativos da Africa do Sul, já foi visto na Documenta de Kassel e Bienal de Veneza. Ele usa o vídeo como suporte para seus desenhos, sempre em preto e branco e pouca cor. No Brasil, sua produção audiovisual esteve em exposição na Bienal de São Paulo, Bienal do Mercosul e VideoBrasil. Apesar disso, o videoartista é pouco conhecido, mas sua obra chama a atenção!

Até 21 de maio de 2011, a exposição Willian Kentridge pode ser vista no espaço SOSO+ Cultura. Trata-se de uma série de 7 filmes, suas primeiras experiências audiovisuais do artista, onde aborda temas políticos e sociais, e assuntos pessoais. O interessante é que ele é autor e personagem de seus próprios trabalhos.

Esse vídeo resume sua obra, nele dá pra ver a mistura de imagens reais com desenhos, feitos pelo artista.

 

Kentridge utiliza, em seus desenhos, sobretudo o carvão e giz pastel, criando um universo visual particular. A técnica de animação do seu trabalho é singular: diferentemente da animação tradicional em que cada movimento é desenhado em folhas separadas, o artista usa uma mesma folha de papel para realizar todas as cenas de um vídeo.

Kentridge marca o início do Programa Transit, intercâmbio permanente entre a Fundação Sindika Dokolo de arte digital em Luanda e a SOSO+ Cultura.  A ideia é apresentar por aqui obras de diferentes artistas contemporâneos do continente africano que fazem parte da coleção Sindika Dokolo e fazer uma itinerância para várias cidades do Brasil: “um repertório artístico que irá possibilitar uma re-significação de conceitos a respeito da produção, da cultura e da atualidade do continente Africano”, afirma Daniel Rangel, curador do programa junto com Fernando Alvim. 

Um pedaço da Africa no Brasil 

Em fevereiro de 2009, se instalou em São Paulo, no segundo andar do Edifíco das Seguradoras, um prédio projetado por Oscar Niemeyer, na Avenida São João, a Galeria SOSO arte contemporânea africana, criada com o objetivo de ser um ponto de encontro e diálogo entre o que há de melhor na produção atual de artes visuais do Brasil e de países africanos. 

De propriedade do empresário angolano Mário Almeida, a galeria surgiu com o objetivo de apresentar, difundir e comercializar no Brasil obras contemporâneas de africanos, tendo como parceiro conceitual, o também angolano Fernando Alvim, artista, curador e vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo.

Exposição Willian Kentridge
 Até 21 de maio de 2011
Local: Galeria SOSO arte contemporânea africana
Endereço: Av. São João, 284, Centro – São Paulo
Horário: Terça a sexta das 11h às 19h; sábados das 11h às 17h.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Cinema, Exposições, Imagem Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
terça-feira, 21 de setembro de 2010 Entrevista, Exposições | 01:17

Uma conversa com Agnaldo Farias, curador da Bienal de São Paulo

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 A 29ª Bienal de São Paulo  abre nesta terça para convidados e para o público, a partir deste sábado 25 de setembro, até o dia 12 de dezembro, no Pavilhão do Ibirapuera, anunciando, como sempre, muita polêmica. Depois da frustrada Bienal do “vazio”, a responsabilidade da curadoria é ainda maior. Mas debates, discussões e controvérsias sempre fizeram parte do processo criativo, sâo esperadas e bem-vindas, brinca um dos curadores Agnaldo Farias, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, que também desenvolve projetos para o Instituto Tomie Ohtake. Junto com Moacir dos Anjos, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, que também atuou como cocurador da Bienal do Mercosul de 2007, eles tiveram menos de um ano para dar forma à Bienal, pensar num conceito suficientemement forte para apagar as lembranças de crise e má gestâo.  E parece que conseguiram, pelo que já deu pra ver nos bastidores da montagem. 


Conversamos com o curador Agnaldo Farias para entender suas escolhas. Sâo cerca de 850 obras de 159 artistas, uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida e a sociedade.  Mais do que nunca, arte e política se misturam nessa  29ª Bienal de São Paulo,  regada também à poesia, como explica Agnaldo. Um verso da obra Invenção de Orfeu (1952), do poeta Jorge de Lima – “Há sempre um copo de mar para um homem navegar” - dá  título à mega exposição. 

Ele explica que 5 curadores internacionais os ajudaram na seleção das obras, performances e instalações de artistas da nova e velha guarda. Sem nenhum tipo de hierarquia, a mostra aproxima obras recentes de outras feitas há muitos anos. Não há divisão histórica, o traço comum a todos os participantes é a arte transgressora, a busca pelo novo e a experimentação.

Uma Bienal para todos

O projeto educativo é de grande envergadura, envolve a formação de 40 mil professores da rede pública, que desde janeiro estão recebendo informações sobre os artistas, a coordenação é da experiente Stella Barbieri, artista plástica e educadora que foi a comunidades carentes munida de fichas dos artistas e temas da mostra. Uma parceria com a Secretaria de Educação do Estado trará ao pavilhão 400 mil visitantes, só pelo programa educativo.

Os Terreiros e a celebração do encontro

Um palco, uma tribuna, um espaço de discussão para o público interagir e participar. Além de servirem de pit-stop antes de seguir adiante no percurso da mostra, os chamados terreiros,  prometem ser um sucesso. Os seis espaços de convívio também foram projetados por artistas e serão usados para atividades diversas, como shows, projeções, performances e leituras. Eles remetem aos largos, praças, terraços, templos e quintais, lugares abertos ou fechados, onde em quase todo canto do Brasil se dança, se briga, canta, brinca, toca, chora, conversa ou se ritualiza a religiosidade sincrética do país. O terreiro “A pele do invisível” por exemplo, do artista esloveno Tobias Putrih é reservado para projeções audiovisuais.

A conversa com Agnaldo se deu em frente ao terreiro elaborado por Ernesto Neto, intítulado “Lembrança e esquecimento”. Segundo ele, a armação em forma de tenda servirá como um “oasis”, para dar uma parada, respiro, reflexão e descanso.

 Brasil  pandeiro: ” Brasil esquentai vossos pandeiros, iluminais os terreiros…”

Os terreiros estão para a Bienal da mesma forma que os cafés para uma cidade, é lá que a vida acontece. A música, a poesia, os discursos, a animação. O terreiro “Dito, não dito, interdito” que evoca a obra do escritor Guimarães Rosa, foi idealizado pelo arquiteto Roberto Loeb e o grafiteiro Kboco para mais debates, prosa e conversa. Um texto do escritor  Antonio Bivar, por sua vez, dá nome ao terreiro projetado pelos artistas Marilá Dardot e Fábio Morais, “Longe daqui aqui mesmo”, um labirinto que abriga uma biblioteca diferente onde livros poderão ser deixados e lidos.  Os arquitetos do UN Studio, de Amsterdã, vão criar um espaço para atividades discursivas, é o terreiro “Eu sou a rua”, que celebra o jornalista e cronista carioca João do Rio.  Já o terreiro de performances “O outro, o mesmo” foi pensado pelo arquiteto Carlos Teixeira que emprestou o título ao escritor  Jorge Luís Borges.

Os blocos e semi tons do branco para (des)orientar a rota da visita

A partir da arquitetura pensada por Marta Bogéa, o visitante poderá fazer suas escolhas pessoais, percorrer caminhos para adentrar blocos onde se aninham as obras da mostra ou desviar deles. Mais uma vez, a ideia é que a visita à Bienal não seja apenas contemplativa, que o público participe de forma a experimentar o potêncial transformador da arte.

As paredes que formam blocos não alinhados interferem claramente na arquitetura do prédio de Niemayer, - que costuma ser criticada pela força de suas curvas e colunas, ora mascarando-as ora chamando atenção para elas – e fucionam bem como solução expositiva. Pode se dizer que aqui também houve curadoria, com um projeto extremamente autoral e por si só, criativo.
 

Nossa visita se deu durante a montagem da Bienal, poucos dias depois o acesso  à imprensa foi fechado. Se as diagonais e paralelas da arquitetura de Marta Bogea vão interferir nas obras ainda não está claro, mas que o público será brindado com um espaço cheio de surpresas e aberto a diversão compartilhada, ah isso vai! A programação das atividades nos terreiros “Eu sou a rua” e “Dito, não dito, interdito”, vão se estender ao longo de todo o período de funcionamento da mostra envolvendo a participação de muitos outros artistas na 29ª Bienal de São Paulo, além daqueles do espaço expositivo.

Saiba Mais:

Bandeira branca para Nuno Ramos

Paralela 2010, a arte contemporânea brasileira em exibição

29ª Bienal de São Paulo
De 25 de Setembro a 12 de Dezembro, 2010
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera,Portão 3, sem numero, São Paulo
Horários de funcionamento:
- De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
- 5ª e 6ª feira: das 9 às 22h (entrada até as 21h)
- Sábado e domingo: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
Entrada gratuita

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Exposições Tags: , , , , , , , , , , , ,

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