Emanoel Araújo | Mona Dorf

sexta-feira, 2 de setembro de 2011 Entrevista, Exposições | 15:00

As Artes de Benin em exposição no Rio

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Muitos dos escravos brasileiros vieram do Benin, que também recebeu de volta uma grande população de africanos, tornados brasileiros, que voltaram para lá. Por isso, no Benin ainda hoje tem os Souzas, os Oliveiras, Os Regos, os Rochas. Os brasileiros levaram a religião católica para o Benin… Quem conta é o colecionador e curador Emanoel Araújo. Ele trouxe para o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, a mesma exposição já mostrada no Museu Afro Brasil, em São Paulo, que ele dirige. África Ancestral e Contemporânea-As Artes de Benin apresenta a arte ancestral, tradicional, e também a contemporânea produzida por um dos berços da nação brasileira, o Benin, país localizado na região ocidental da África.

Foto: Eduardo Rocha

Emanoel relata uma história muito interessante sobre um dos últimos traficantes, baiano, chamado Francisco de Souza, o Chachá de Souza, que fez um pacto de sangue com o rei Guezo. “Ele virou vice-rei de Uidá no Benin, onde fez o grande tráfico negreiro durante todo o século XIX. Ele juntou cerca de 120 milhões de dólares na época, era uma das grandes fortunas do mundo. E fez uma grande dinastia de Chachás: hoje existe o oitavo Chachá, descendente do Chachá de Souza.”

A exposição nos mostra um dos povos mais criativos da África, os artistas mais representativos da atualidade, sem esquecer a tradição, o cotidiano da vida e da cultura do Benin, berço fundamental do Brasil, já que muitos escravos vieram de lá.

Nove nomes do Benin, internacionalmente reconhecidos: Dominique Zinkpe, Tchif, Quenum, Tokoudagba, Eloi Lokossou, Kifouli Dossou e Edwige Aplogan, Aston. Impressionante perceber a estética desses jovens artistas contemporâneos, grandes criadores como pintores, escultores…

Pergunto ao co-curador, André Joli como ele selecionou os artistas. “Foram eles que me escolheram. Eu era diretor do Centro Cultural Francês e os artistas chegavam lá para ver se tinham uma oportunidade de mostrar o trabalho deles.”

Destaque para o navio negreiro

Numa sala especial, a instalação com produtos reciclados do artista Aston impressiona. “Sua obra o significado um ecológico, ou seja, não se deve jogar fora o material. Vi ele de tardinha recolhendo coisas na rua. Todo um discurso sobre o fato de que não se deve continuar a poluir. Com esse material ele cria esses personagens, um trabalho sobre a ideia da escravidão. Os escravos eram levados para a praia, os barcos ficavam ancorados e pequenas lanches os levavam para os barcos. Quando a viagem começava, alguns eram jogados ao mar quando morriam. A ideia dele é mostrar que os escravos eram considerados como um produto comercial.”

Converso em francês com Tchif, artista que tem hoje um centro cultural por lá: “A pobreza é um clichê que se faz da África. Em todo o mundo há pobres. Depende do contexto que se define a pobreza e o desenvolvimento. Nos EUA, também há pessoas morando nas ruas. A África não é assim tão pobre como se imagina. Se a África continua pobre é porque o ocidente todo poderoso a explorou. O cacau e o café vem da África.

Nas minhas telas a técnica que eu utilizo é a mista, uma mistura de cores, de pigmentos e acrílico que representam a Terra. Eu não pinto só da África, eu trabalho com o conceito do universo.

Gérard Quenum tem telas com cores fortes de fazer inveja a Basquiat

De grande impacto também, a instalação com bonecas em capacetes militares: “Essas bonecas representam os antigos combatentes, os veteranos de guerra.”

Quem vier até o centro Helio Oiticica terá uma bela oportubnidade4 de conhecer melhor a cultura dos irmãos do outro lado do Atlântico! Distribuidas em 3 espaços diferentes, 300 obras entre os apliqué (tapeçarias feitas com recorte de tecidos que mostram os símbolos reais do Benin desde o século XV ao século XIX), fotografias como as de Pierre Verger, pinturas, esculturas, grandes máscaras para os deuses do Vodou, vestimentas e outras manifestações estéticas.

Leia também:

O grito de Frans Krajcberg pela floresta

“Hereros Angola”: uma relação profunda com a África

O Museu Afro Brasil por seu fundador

A Líbia no Museu Afro no Ibirapuera

Exposição África Ancestral e Contemporânea: As Artes de Benin
Até 04 de setembro de 2011
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica do Rio de Janeiro
Rua Luis de Camões, 68, Rio de Janeiro
Terça a sexta-feira, das 11h às 18h, e sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
Entrada franca

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011 Entrevista, Exposições | 23:45

O grito de Frans Krajcberg pela floresta

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Não há como não sair impactado da  mostra KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas, no Museu Afro Brasil em Sâo Paulo. Nas 31 obras, entre esculturas em grandes dimensões, relevos, back-light e fotografias, o artista plástico polonês que adotou o Brasil, Frans Krajcberg exibe a mesma vitalidade de sempre, para erguer, em alto e bom som, sua voz em defesa da natureza. No ano em que o Brasil aprova seu controverso código florestal e que a ONU celebra  o ano internacional da floresta, a exposição vem a calhar.  

Frans Krajcberg mostrou seu trabalho em retrospetivas similares na Fundação Yves Rocher, na Bretanha, na França, na Bélgica e em Salvador. Nem por isso, está mais exultante: “Uma coisa seria bom você mencionar: quando o brasileiro vai conhecer o Brasil? E o que é importante é você lembrar que tem um povo que mora nessas florestas, na Amazônia. E se elas desaparecem, vai faltar oxigênio. E mais, nosso planeta está ficando gravemente doente ”. Há décadas, Krajcberg não economiza no discurso, e tampouco a idade o tem impedido  de seguir sua estratégia de denúncia internacional, numa agenda concorrida de exposições bem focadas.

“Ninguém fala que tem um povo que mora na Floresta”

 

“O Brasileiro não conhece o Brasil!”

É nítida a revolta do artista, através de suas criações, contra o descaso com as florestas, as queimadas incessantes, e a incapacidade brasileira de preservar o patrimônio natural com que foi abençoada.  

As obras, relevos e esculturas são feitos com sobras das matas queimadas que o próprio artista recolhe em suas incursões e passeios. Ele nos conta que já teve como companheiros Burle Marx, Jacques Cousteau, hoje ele faz peregrinações solitárias. E seu grito parece ser solitário: “Eu me pergunto: onde estão os ecologistas? O que fazem?”, lamenta sem perder a contundência.

 Krajcberg comenta que abdicou de um Museu no Ibirapuera, por conta dos trâmites burocráticos; tudo que é seu, ele doou para o estado da Bahia, já que não tem herdeiros. Entusiasmado, nos mostra as telas onde o público poderá ver  filmes – sobre ele, sua luta e sua morada -, como o de Walter Moreira são exibidos…

Sua militância vai além da arte, ele está envolvido com um tribunal internacional que levará em conta os crimes ambientais do país: ” Tem  muita violência contra os índios, por isso vai ter justiça internacional”. 

“Não quero ser famoso. Mas sou homem muito revoltado”

Um protesto contra a devastação

Nas fotografias, a imagem da real crueldade. O fogo ardendo sobre a mata prenuncia a destruição. Áreas carbonizadas, lúgubre cenário. Mas, assim mesmo a vida insiste em renascer, a natureza tem sua sabedoria. 

Para o curador, Emanoel Araujo, as sobras são mais que simples restos. “São o que resulta das atrocidades praticadas contra a natureza do Brasil”

“Essas formas de cores quentes captadas pela magia da sua lente são a mais inegável demonstração de sua luta por salvar a beleza que ainda vive nas nossas matas”, completa.

Passeio virtual

A pesquisa e utilização de elementos da natureza, em especial da Floresta Amazônica, e a defesa do meio ambiente, marcam toda sua obra.

Frans Krajcberg, escultor, pintor, gravador, fotógrafo


Nasceu em 1921 na Polônia, estudou  engenharia e artes na Universidade de Leningrado. Na Segunda Guerra Mundial, perde toda a família em um campo de concentração. Muda-se para a Alemanha, onde faz a Academia de Belas Artes de Stuttgart. Chega ao Brasil em 1948. Em 1951, participa da 1ª Bienal Internacional de São Paulo com duas pinturas. Reside por um breve período no Paraná, isolando-se na floresta para pintar. Em 1956, muda-se para o Rio de Janeiro, onde divide ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911 – 2005).

Desde 1972, reside em Nova Viçosa, no litoral sul da Bahia. Viaja constantemente para a Amazônia e Mato Grosso, onde fotografa os desmatamentos e queimadas. Dessas viagens, retorna com raízes e troncos calcinados, que resultam em esculturas e imagens dramáticas que reverberam pelo mundo.

“KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas”
Até 06 de Novembro de 2011
Museu Afro Brasil
Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Parque do Ibirapuera – Portão 10, São Paulo 
Horário: De terça a domingo das 10h às 17h

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sexta-feira, 1 de julho de 2011 Exposições, Imagem, Passeios | 08:00

“Hereros Angola”: uma relação profunda com a África

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A relação do fotógrafo pernambucano Sérgio Guerra com a Angola é tão profunda que deu origem a cinco livros que reúnem um dos mais completos registros fotográficos do país e suas populações. Em Hereros, seu livro mais recente, Guerra aprofunda seu olhar sobre a cultura de Angola. A partir das fotos desse livro foi criada a exposição Hereros Angola. São cerca de 100 fotos selecionadas pelo artista plástico e curador Emanoel Araujo, no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera em São Paulo. A mostra faz parte das comemorações do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, declarado pela Assembléia Geral das Nações Unidas.

O Olhar/ Foto: Sérgio Guerra

Após ter sido realizada em Luanda e Lisboa, em 2009, com ampla repercussão, a mostra Hereros Angola ganhou novos contornos e dimensão maior para exibição em São Paulo. Sérgio Guerra realizou mais viagens ao deserto do Namibe, produziu novas fotos, fruto do estreitamento das relações com os Hereros. Além das fotografias, em diversos formatos, algumas plotadas em grandes formatos, a mostra inclui uma cenografia que reúne vestimentas, adereços e objetos de uso tradicional e ritualístico da etnia.

Hereros

Vida trançada/ Foto: Sérgio Guerra

As imagens e depoimentos levam o expectador ao universo destes pastores de hábitos seminômades, que são exemplo da perpetuidade e resistência de uma economia e cultura ancestrais ameaçadas pelo acelerado processo de modernização e ocidentalização dos países africanos.

Os hereros se dividem entre Angola, Namíbia e Botsuana, totalizando mais de 240.000 representantes da etnia. Apesar dos subgrupos, todos falam o mesmo idioma, o herero, além de português em Angola, inglês em Botsuana e inglês e africâner na Namíbia. São um povo mítico, com uma história marcada por sangue. Em Angola, resistiram à colonização portuguesa. Na Namíbia, resistiram à escravidão e se opuseram à dominação alemã, ação que os tornou vítimas de um dos maiores genocídios da história. Em 1904, o general Lothar von Trotha ordenou às tropas alemãs o cumprimento de uma “ordem de extermínio” e dizimou cerca de 80 % da população dos hereros.

O fotógrafo e a comunidade dos Hereros

Foto: Sérgio Guerra

Pastores/ Foto: Sérgio Guerra

O trabalho que resultou no livro, na exposição e no futuro documentário Hereros Angola teve início em junho de 2009, quando Guerra viajou para as províncias do Namibe e Kunene, acompanhado por 17 pessoas. Foram 60 dias de documentação dos hábitos e costumes dos hereros, resultando em mais de 10 mil imagens e uma centena de depoimentos. De lá para cá, somaram-se mais de 10 viagens e pelo menos mais 10 mil imagens.

O contato inicial de Sérgio Guerra com os hereros causou impacto imediato no artista. “Quando os vi pela primeira vez, foi como se uma porta da minha percepção tivesse sido aberta para algo que sabia existir, mas hesitava em acreditar”, recorda. Guerra registrou imagens dos mukubais, um dos subgrupos dos hereros. Sete anos depois, retornou ao Namibe e descobriu outros subgrupos: os muhimbas, os muhacaonas, os mudimbas e os muchavícuas. ‘Comecei a entender que aqueles povos, apesar da aparência diferente, eram todos da mesma raiz, da mesma família”.

Para conhecer mais de perto o modo de vida dos hereros, Guerra passou uma temporada vivendo dentro das comunidades e observando suas práticas cotidianas. “Vi que, mesmo diante da escassez, dividem sempre o alimento com os demais. Vi que cultivam a solidariedade, que evitam o personalismo e o egocentrismo, que praticam uma economia familiar de grande inteligência, sempre voltados para a ampliação de um patrimônio cujo usufruto é sempre coletivo. Vi que honram e festejam os seus antepassados. Vi que praticam com grande eficácia a justiça, coibindo infrações com pesadas multas que, a um só tempo, são prejuízo econômico e reprimenda moral”.

Quase rei/ Foto: Sérgio Guerra Xadrez/ Foto: Sérgio Guerra

Mãe/ Foto: Sérgio Guerra

Sérgio Guerra

Fotógrafo, publicitário e produtor cultural, Sérgio Guerra nasceu em Recife, morou em São Paulo e no Rio de Janeiro, até se fixar na Bahia nos anos 80. A partir de 1998, passou a viver entre Salvador, Rio de Janeiro e Luanda, onde desenvolve um programa de comunicação para o Governo de Angola. Em suas constantes viagens pelo país, testemunha momentos decisivos da luta pela paz e reconstrução, constituindo um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas.

Veja também:

O Museu Afro Brasil por seu fundador

Exposição Hereros Angola
Até  24/07/ 2011
Museu Afro Brasil
Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, Parque Ibirapuera-Portão 10 – São Paulo
Terça-feira a domingo, das 10h às 17h
Entrada gratuita

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 Entrevista, Exposições, Passeios | 08:00

O Museu Afro Brasil por seu fundador

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Um bom passeio para essa época de férias é visitar o Museu Afro Brasil dentro do Parque do Ibirapuera. Emanoel Araújo, seu fundador e também artista plástico, dá a dica do que você vai encontrar na visita.

A Arte do Povo Brasileiro. Quatro Olhares. Uma homenagem

Essa é a atual exposição do Museu Afro Brasil que vai até 06 de março. Ela aborda a arte popular sob os olhares de quatro pensadores e apaixonados pela criação artística não erudita: Clarival do Prado Valladares, Lélia Coelho Frota, o colecionador Jacques Van de Beuque e a arquiteta Janete Costa.

Para Emanoel Araujo, a criação popular está no tênue limite entre arte e o artesanato. Esses olhares trazem argumentos para dizer o que é de fato arte e artesanato.

Coleção sobre o Barroco Brasileiro de Emanoel Araujo também faz parte do acervo

A Arte do Povo Brasileiro
Até 06 de março 2011
Local: Museu Afro Brasil
Parque do Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n (entrada pelo portão 10)
De terça a domingo das 10h às 17h (permanência até as 18h)

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quarta-feira, 10 de março de 2010 Exposições, Recomendo | 12:06

A Líbia no Museu Afro no Ibirapuera

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O Museu Afro Brasil, em São Paulo, exibe até 18 de abril uma mostra de arte líbia com telas do artista plástico Saif El Islam El Gaddafi, filho do líder líbio Muammar Kadafi, além de trabalhos de outros dois pintores do país árabe, Fawzi Suwei e Salaheddine Shagroun. A exposição traz também 28 peças arqueológicas pertencentes ao acervo da Líbia.

O diretor e curador do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo comenta o acervo e fala para a coluna sobre a exposição que trouxe da Líbia.

Exposição “O Deserto Não é Silente”
Museu Afro Brasil
Parque do Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n (entrada pelo portão 10)
De terça a domingo das 10h às 17h (permanência até as 18h)
Entrada gratuita

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Exposições, Recomendo Tags: ,

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