O prêmio principal de literatura brasileira foi concedido em Cuba para o romance “Domingos Sem Deus”, de Luiz Ruffato. De acordo com o UOL, a ata do júri registra que ele “apresenta diversos episódios independentes que se entrelaçam, formando o mosaico de um Brasil essencial, embora esquecido”.
Outro brasileiro, Chico Buarque, por sua vez, recebeu um prêmio honorífico de Narrativa. O Prêmio Casa de las Américas é outorgado anualmente em Havana desde 1960.
Domingos sem Deus, é o quinto e último volume do Inferno Provisório, projeto que tomou forma de uma denúncia literária, um vasto painel sobre a industrialização em Cataguazes, Minas e o cotidiano do operariado nos últimos 40 anos até a eleição do Lula… Nesta videoentrevista gravada durante o Festival da Mantiqueira, ele conta mais sobre seu processo criativo e fala do último romance.
Demorou 15 anos para escrever a pentalogia Inferno Provisório
No romance, Ruffato dá continuidade às histórias de seus premiados e elogiados livros anteriores, Mamma, son tanto felice, O mundo inimigo, Vista parcial da noite e O livro das impossibilidades. O autor constrói seu texto com tintas políticas fortes e nos apresenta a vida dos miseráveis e invisíveis, traçando um painel das mudanças ocorridas no país por mais de cinco décadas.
A semana é da letras! Desde sábado o A(o)gosto das Letras, em Ourinhos está cheio de atrações. Trouxe para bate-papos os escritores Lourenço Mutarelli, Marcelino Freire, Mário Bortolotto, Jefferson Del Rios, entre outros. Nesta noite, é a minha vez defalar sobre meu livro Autores e Ideiase debater com o jornalista e escritor Xico Sá, jornalismo e literatura.
Teatro de mamulengo, oficinas de xilogravura, gastronomia, contação de história por barbante… Vale tudo para despertar o prazer da leitura, como explica a secretária de Cultura Neusa Fleury.
Entrevista ao pé de uma árvore de livros
Lançada ontem no mar de Santos, a Tarrafa Literária , com um show de abertura, um dos eventos culturais mais importantes da baixada santista, sob o comando do livreiro José Luiz Tahan. A programação acontece entre 24 e 28 de agosto, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 10, Centro).
A entrada é gratuita e vale conferir! Cerca de 40 autores participam dos debates, entre eles Fernando Morais, Adriana Carranca, Fabrício Corsaletti e Reinaldo Moraes. Entre os destaques, Laurentino Gomes, historiador e autor de 1808 e 1822, que esteve em Santos na primeira edição, em 2009, da qual também pude participar.
Tarrafa Literária: Lourenço Mutarelli, José Luiz Tahan e Marcelo Mirisola
Volto com alegria esse ano, viajando pra lá no sábado, para um bate-papo sobre literatura com Carpinejar e o autor irlandês Ian Sansom (do irônico A verdade sobre os bebês de A a Z), que vem ao Brasil especialmente para a Tarrafa Literária 2011 .
Veja um pouco do clima da Tarrafa, nesse vídeo que gravei em 2009, na primeira edição onde pude mediar um debate filosófico com o alemão Theo Ross (Novas Vitaminas Filosóficas) e a brasileira Marcia Tiburi.
Completam o programa oficinas literárias gratuitas (sábado e domingo) e o evento infantil Tarrafinha, com atividades lúdicas, contadores de histórias e encontros com autores. Outra novidade é a criação de um espaço dedicado à poesia, que terá uma mesa redonda específica dentro do evento.
Jornada de Passo Fundo – 30 anos
Realizada a cada dois anos, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, atrai milhares de interessados do mundo das letras, por ser um dos mais importantes eventos de incentivo à leitura e à escrita, em debates que incluem a tecnologia, além de literatura e educação.
Acontece entre os dias 22 a 26 de agosto, reunindo nomes consagrados e aproximando autores de todo o planeta e leitores em debates e conversas sobre os mais diversos temas referentes à literatura. O número de participantes em uma mesma edição chegou a 30 mil em 2009, em três décadas, superou 130 mil.
O aumento na premiação do concurso Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, de R$ 100 para R$ 150 mil foi outra novidade. O prêmio destinado ao melhor romance de língua portuguesa publicado entre junho de 2009 e maio de 2011, foi para João Almino (Cidade Livre da Editora Record) é o vencedor do Prêmio Zaffari Bourbon anunciado na abertura oficial da Jornada, dia 22 de agosto.
Para a coordenadora e idealizadora da Jornada, Tânia Rösing, a leitura e a imaginação passam por experiências interpessoais e pela inteligência coletiva: “Na defesa da leitura para todos, propomos refletir sobre a arte em todas suas formas, da oralidade popular às mídias eletrônicas, das estabelecidas nas comunidades orais às distribuídas descontroladamente na sociedade em rede”.
Miguel Sanches Neto lê um trecho do romance que também é finalista do Prêmio Portugal Telecom
Miguel Sanches Neto também publica poesia; boa parte dela está reunida em Venho de um país obscuro e outros poemas (Bertrand Brasil).
Antes ele lançou Chove sobre minha infância (Editora Record), romance com traço mais autobiográfico, Venho de um país obscuro, Um Amor Anarquista e A Primeira Mulher.
O escritor conta que este que foi seu primeiro romance, na verdade, ficou 8 anos na gaveta! Foi escrito em 2002, mas ele recebia conselhos para não se aventurar a publicá-lo, uma vez que mexia com as vaidades do meio literário. ”É uma espécie de Ilusões Perdidas – livro do romancista francês Honoré de Balzac que retrata as agruras de um jovem e provinciano aspirante a poeta e como funcionava o mercado editorial na época-”, conta Miguel Sanches:” Pensava nele não para não ser publicado, mas como um livro para ficar inédito, só que ele se tornou conhecido sem ter sido publicado.” É um romance de formação, com um personagem ficcional que sai da cidade onde eu me criei Peabiru e vai para Curitiba onde passa a conviver com o meio literário.”
A história
Para deixar para trás as brigas com o pai alcoólatra e com a mãe superprotetora, Beto ouve os conselhos de sua tia e se muda para Curitiba. Na capital, ele se torna jornalista e se aproxima de um renomado escritor excêntrico. A amizade dos dois, porém, chega ao fim e a vida de Beto muda novamente. Passado o tempo, entre esperanças, frustrações, mentiras e o êxito como escritor, o encontro com o passado e com seus familiares o faz encarar a morte e encontrar sentido onde não esperava. Miguel Sanches Neto nasceu em Bela Vista do Paraíso (PR) e é Doutor em Letras pela Unicamp.
Minha mãe se matou sem dizer adeus é o primeiro volume de uma nova trilogia do autor dos elogiados Grogotó!, Araã! e Catrâmbias! Durante quase um ano, Evandro passou quatro horas de seu dia em uma doceria de um shopping paulistano. Não entrevistou ninguém, apenas observou o comportamento de quem passava por ali e imaginou histórias. Chegou ao texto final ali mesmo, rabiscando em vários blocos, que só depois digitou no computador.
A história
Sentado à mesa de uma confeitaria num shopping, o narrador, um escritor à beira dos 80 anos, vê a vida passar e espera a morte, enquanto relembra acontecimentos de sua infância — como o suicídio da mãe, uma artista fracassada, bêbada e louca, mas com quem mantinha um forte laço. O velho decrépito conversa telepaticamente com outros freqüentadores do shopping, e justifica sua existência melancólica escrevendo sem parar um livro que talvez jamais seja publicado.
Amanhã, dia 28 de junho, às 19h30, no auditório da Casa Fiat de Cultura , em Belo Horizonte, Minas Gerais, a filósofa e escritora Marcia Tiburi lança o livro Olho de Vidro - A Televisão e o Estado de Exceção da Imagem (Editora Record). No mesmo dia, ela participa do Sempre um Papo para debater com o público o tema A Felicidade na Era Digital. Será o último de uma série de seis encontros que tentou responder ao questionamento sobre este desejo universal. Os encontros do Sempre um Papo com a filósofa também vão acontecer em São Paulo e Rio de Janeiro.
Olho de Vidro - A Televisão e o Estado de Exceção da Imagem Grupo Editorial Record Editora Record Páginas: 352
O livro é um ensaio que une filosofia e televisão. A filósofa questiona a hegemonia da televisão na sociedade atual a partir do pensamento de Bauman, Debord e Muniz Sodré. ”Eu escrevi durante o período que fiz o programa Saia Justa na GNT e como filósofa eu tinha que me perguntar o que eu estava fazendo. Como estava na televisão, resolvi escrever um livro sobre ela porque é a minha experiência pensada com a televisão, aquilo que eu compreendi da televisão, mas também uma tentativa de oferecer para as pessoas que assistem a ela, um pouco de reflexão sobre a ação que elas tem todos dias ao ligar a TV. Por que quem vê TV, em geral, não pensa no que está fazendo. Então, me deu essa ideia de que era fundamental questionar o sentido dessa experiência que toma o cotidiano de muitas pessoas.”
Marcia vai além, para ela, é preciso compreender a televisão como parte da história evolutiva da visão, assim como a pintura e a fotografia. As ciências da comunicação dedicam-se a entender a televisão, mas é preciso cada vez mais inserí-la no campo dos Estudos Visuais para entender como a conexão com a estética determina o que nela é política. “Neta da fotografia, filha do cinema e do rádio, a televisão é, no sistema de administração do sensível, um mecanismo poderoso e até mesmo a lógica que comanda o mundo da experiência visual definindo-a como televisual”.
Mas não basta entender só a televisão, é preciso conhecer também aqueles que a assistem: “esse livro é sobre a experiência com televisão e uma investigação sobre essa subjetividade do telespectador. Quem é o telespectador? O livro será lançado no Rio de Janeiro,em 2 de julho, em São Paulo (09) e Rio Grande do Sul (02) em agosto. Mas já pode ser encontrado na livrarias de todo o Brasil.
Marcia Tiburi
Graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia pela UFRGS. É professora do programa de pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura da Universidade Mackenzie, editora da revista TRAMAInterdisciplinar e colunista da revista Cult. Autora de diversos livros de filosofia e de literatura, entre eles Filosofia em comum (Record, 2008), Filosofia brincante (Record, 2010) e Diálogo/Desenho (SENAC, 2010), dos romances Magnólia, A mulher de costas e O manto (Record, 2009).
Seminário “Felicidade?” e lançamento do livro “Olho de Vidro – A Televisão e o Estado de Exceção da Imagem”
Data: 28 de junho – terça-feira, às 19h30
Local: Casa Fiat de Cultura
Endereço: Rua Jornalista Djalma de Andrade, 1.250 – Belvedere, Belo Horizonte, MG
Entrada Gratuita por ordem de chegada
Sempre Um Papo com Marcia Tiburi no Rio de Janeiro
Data: 02 de julho de 2011, sábado, às 16h
Local: Espaço Cultural Eletrobrás Furnas
Endereço: Rua Real Grandeza, 219, pilotis do Bloco B, Botafogo, RJ
Sempre Um Papo com Marcia Tiburi em São Paulo
Data: 09 de agosto de 2011, terça-feira, às 20h
Local: SESC Vila Mariana Endereço: Rua Pelotas 141 – Vila Mariana, SP
É tempo de festas, amigo secreto, festa da firma, reuniões de amigos e familiares… Para esse período de confraternização e troca intensa de presentes, a coluna entra na campanha Dê um livro de presente! À partir de hoje, vamos sugerir bons autores e obras, que você pode presentear e levar com você, no feriado de fim de ano ou nas sonhadas férias.
Agora, em primeira mão, o autor que mora em Curitiba e vive hoje de escrever, nos conta um pouco do seu novo romance, publicado pela Editora Record, Um Erro Emocional. Ouça abaixo a leitura em voz alta pelo próprio autor que adianta um pouco dessa história de amor.
Título: Um Erro Emocional
Autor: Cristovão Tezza
Editora: Record Assunto: Literatura Brasileira- Romances
1ª Edição – 2010
Páginas: 192
Tezza conta que a narrativa surgiu de um conto e de uma personagem Beatriz, que cresceram mais do que o autor imaginava. “Começava assim, cometi um erro emocional, me apaixonei… e tinha uma personagem recorrente Alice, que insistia em reaparecer e acabou se transformando em Beatriz”
E não deixe de acompanhar nas próximas duas semanas as nossas indicações de leitura. Aproveite e faça também uma viagem literária!
Aqui seu trabalho pode virar destaque. Mande seu vídeo, podcast, charge, crônica, poesia ou desenho. Interaja com a nossa coluna! Envie para nosso e-mail:vcporaqui@ig.com.br
Vídeos e texto enviados pelo sociólogo Marcelo Ridenti:
Ao revisar a trajetória de artistas e intelectuais que compõem certa intelligentsia brasileira de esquerda ao longo do século XX, eu decidi analisar a “utopia de brasilidade”. O resultado desta reflexão está no meu livro Brasilidade Revolucionária: um século de cultura e política, editado pela Unesp.
Para mim, nos anos 60, mais que uma crença no socialismo, a condição de ser brasileiro poderia contribuir decisivamente na construção de uma nova civilização que aproveitasse todas as suas potencialidades, provenientes de sua formação multicultural-racial-étnica notabilizada pela valorização da igualdade de direitos, da expressão popular e outros ideais de ordem nacionalista e socialista.
Em Brasilidade Revolucionária , identifico a canção Metamorfose Ambulante de Raul Seixas com a “individualidade libertária” contida na obra do inglês Marshall Berman. Elementos como a valorização do individual, a junção dos contrários e a mudança permanente são características contraculturais perceptíveis em ambas as obras.
O livro, que pode ser encontrado na Ponto do Livro em São Paulo, faz um balanço de um século de cultura e política de esquerda no Brasil. Os primeiros capítulos trazem à luz a trajetória do jornalista Everardo Dias, que foi líder operário e intelectual à época da República Velha, e de outros protagonistas do movimento esquerdista como Nelson Pereira dos Santos, Jorge Amado, fundadores do Partido Comunista, clubes da gravura, congressos de cinema e o Tropicalismo.
Ele já foi pipoqueiro, torneiro mecânico, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, jornalista, antes de se voltar totalmente para o mundo das letras. Pela renovação de linguagem da sua pentalogia Inferno Provisório (Editora Record), escritor Luiz Ruffato bem que poderia estar na FLIP 2010, em Paraty, na mesa das novas narrativas literárias, denominada Fábulas contemporâneas, com Correia de Britto, Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes. Os cinco volumes retratam a transformação da vida operária na cidade mineira de Cataguases e dão corpo a uma obra monumental; Tijolo por tijolo, a construção se ergue por parábolas gráficas que desafiam o leitor.
O autor confessa com orgulho que a paternidade o ajudou na construção de sua trajetória. Trata-se de uma paternidade dupla já que Ruffato acumula várias funções em casa, é pai e mãe ao mesmo tempo, o que hoje chamamos de “pãe” ( Pai + mãe ). Disciplinado, ele reserva parte de seu dia pra escrever, mas para a filha Helena está sempre disponível, faz comida, vai às compras e leva até ao ginecologista. Ele não se queixa da jornada dupla, que já dura 7 anos. Pelo contrário: ” Minha filha me ensinou muito. Virou minha grande leitora. Ela escreve diariamente, eu digo que tem de publicar…”
Vencedor de vários prêmios, Luiz Ruffato poderá receber mais um, nessa noite de segunda, já que está entre os 10 finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, concorrendo ao Melhor Livro do Ano, com Estive em Lisboa e lembrei de você ( Companhia das Letras). A premiação acontece no Museu da Língua Portuguesa às 20h, quando será contemplado ainda um vencedor na categoria Melhor Livro do Ano – Autor Estreante-. Ambos receberão R$200,000,00 quando sair a decisão do juri.
Assim como Bernardo Carvalho e outros poucos escritores, Luiz Ruffato foi convidado pelo Projeto Amores Expressos, de Rodrigo Teixeira a viajar para uma capital do mundo, se inspirar pelo deslocamento geográfico e narrar sua história de amor, no estrangeiro. Mais uma vez, ele buscou em Cataguases seu personagem: Serginho, mineiro desiludido com o casamento e a falta de emprego vai para Portugal, tentar a sorte e novo amor.