“Bola na trave não altera o placar, bola na rede pra fazer o gol (o show), quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” Adoro a letra do Skank… Mais interessante é reconhecer o futebol arte. Passes, dribles e gols dos meninos do Santos, por exemplo, Neymar, Ganso… que enchem de alegria as torcidas pelo Brasil. A beleza do jogo não existiria sem a galera e é pra ela que as lentes do fotógrafo Ed Viggiani se voltam.
Futebol de várzea, pelada na praia, na lage ou nos gramados, a maior diversão do braileiro… Ed Viggiani retratou a atividade pelo Brasil afora, durante anos. Ele escolheu outro lugar mágico, o estádio do Pacaembu, onde hoje fica o Museu do Futebol, para nos falar do seu livro de fotos Brasileiros Futebol Clube, com apresentação de Luis Fernando Verissimo, adotado como currículo do curso de fotojornalismo da ECA-USP em 2009.
Futebol e Brasil são palavras pronunciadas juntas em qualquer parte do planeta, o esporte é a língua comum entre o pobre e o rico, o assunto que leva todas as semanas milhões de pessoas a acompanhar os jogos ao vivo ou pela TV, sem falar nas outras tantas que o praticam. O futebol é a cara do Brasil.
Para fazer o livro, Ed Viaggiani juntou um acervo de mais de 5000 fotos sobre o tema, ele escolheu mostrar a relação do brasileiro com o futebol e jogar sua lente na mobilização de milhões de aficionados. Afinal, é o torcedor que imulsiona o jopgador. A dor, a tensão, a angústia, a alegria das torcidas está tudo ali, em suas lindas fotos PB. Pela entrevista, dá pra perceber que não é um trabalho fácil dissimular-se entre qualquer torcida com uma câmera e tentar captar a emoção num clique: “Se acontece um gol do outro time, a culpa é do fotógrafo, não é do jogador”
Conversas fotográficas
Ano passado,o fotógrafo Ed Viggiani falou no Museu Lasar Segall sobre o processo de criação, do histórico da concepção de seu livro “Brasileiros Futebol Clube” até a escolha do preto-e-branco como elemento de identidade visual, dentro do projeto Conversas fotográficas no Segall que promove encontros com fotógrafos, curadores e críticos para compartilhar suas ideias e inquietações com o público.
Ed Viggiani
Começou a fotografar em 1978, trabalhou com Chico Albuquerque em Fortaleza, no jornal O Povo, e também como seu assistente no estúdio da agência Mark Propaganda. Em seguida, trabalhou nas revistas IstoÉ e Veja, no jornal Folha de S. Paulo e no Jornal do Brasil em São Paulo. Com a individual “Matando o Tempo a Golpe de Luz” (1991), na Galeria da Fotoptica, recebeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor exposição do ano. Outro premio foi o Mother Jones International Fund for Documentary Photography (1991), nos Estados Unidos, com o ensaio fotográfico “Irmãos de Fé”, sobre religiosidade popular no Brasil. Fez em 1998 a coordenação editorial do livro “Brasil Bom de Bola”.
Carnaval e Futebol no Brasil já viraram atrações turísticas. Tanto que em São Paulo foi inaugurado em outubro de 2008 o Museu do Futebol. Em dois anos de existência, o museu já atraiu mais de 830 mil visitantes, a imprensa do mundo todo e é um dos lugares preferidos do compositor Toquinho, que já recomendou o espaço aqui na coluna.
Localizado no Estádio do Pacaembu, ou melhor, embaixo da arquibancada do estádio Paulo Machado de Carvalho, o museu apresenta ao público a história do futebol brasileiro de uma forma lúdica, divertida e emocionante. “A idéia é mostrar a relação que o brasileiro tem com o futebol”, conta o educador Lucas Caldeira Brant. Ele alerta “aqui não tem destaque de um clube para o outro”. Com curadoria do jornalista Leonel Kaz, a visitação baseia-se em três eixos: emoção, história e diversão. Faça um passeio virtual e conheça a fórmula que encanta os visitantes.
A emoção de ser recebido pelo astro de futebol Pelé
Ao entrar no Museu, o vistante se depara com um painel formado por objetos de colecionadores. ”São flâmulas, jogos, quadros, escudos de alguns times que nem existem mais. É um painel que reúne a emoção dos colecionadores”, conta Lucas. Esse é o objetivo da primeira parte do passeio, isto é, tratar do futebol a partir da emoção que ele desperta nas pessoas.
Uma exposição de bolas que fizeram parte das Copas do Mundo de 1970 até 2010 também chama a atenção. Logo no primeiro andar, Pelé, como bom anfitrião, dá as boas-vindas e conversa com os vistantes em diversas línguas. O passeio não acaba por aí, a sala dos Anjos Barrocos e da Exaltação reservam grandes surpresas.
A história do futebol em imagens
Passando por Charles Miller, Leônidas da Silva, Tarsila do Amaral, Getúlio Vargas entre outros, a história do futebol é contada por meio de fotos e vídeos que reconstituem, antes de tudo, a história do país. ”O objetivo é entender como o futebol moderno começou no Brasil”, acrescenta o educador Marcelo Continelli. “O futebol começa no Brasil como um esporte muito chique. Mas o povo sempre teve interesse de conhecer o esporte por ser simples e fácil de jogar’.
Incrível notar a interatividade oferecida pelo espaço onde podem ser vistas cerca de 400 fotos. “Nessa sala, o visitante pode girar os quadros e ver o que tem em cada um das fotos”, explica Marcelo.
Na sala das Copas do Mundo é possível acompanhar tudo o que aconteceu em imagens em cada ano desde a Copa do Mundo de 1930 até 2006. ” Só não tem a Copa de 2010, que ainda está sendo elaborada”, adverte Marcelo. Essa é uma sala que tem um peso de memória muito grande, já que é possível relembrar e se identificar com diversos fatos vividos por todos. “Aqui, a associação da história com a memória com o futebol se entrelaça de uma vez”. Não é difícil andar pela sala e ouvir as pessoas dizendo: “eu me lembro disso!”
Homenagem
Como não poderia faltar, a sala Pelé-Garrincha relembra os feitos dos maiores jogadores brasileiros, que “sempre que jogaram juntos nunca perderam uma partida. Tem até uma camisa do Pelé usada por ele no final da Copa de 70″.
Futebol como jogo
Nesta parte do museu fica a parte mais divertida do futebol. Aqui, os vistantes ficam sabendo de curiosidades como as dos 22 jogadores que foram expulsos do jogo Portuguesa X Botafogo em 1954!
“Nesse espaço, buscamos ensinar pela diversão”, conta o educador Daniel Magnanelli. Também é possível conhecer frases famosas de jogadores e técnicos como Telê Santana e Romário.
Uma das partes mais emcionantes é conhecer o Pacaembu a cores. Sim, desta parte do museu é possível ter uma visão completa do estádio de uma varanda. “Daqui, mostramos aos vistantes as cabines de rádio e televisão e também por onde os jogadores entram no campo. Detalhes que, às vezes, passam desapercebidos no momento do jogo de futebol”, explica Daniel. O lugar é tão bonito que até serviu de cenário para nossa entrevista com o fotógrafo Ed Viggiani.
Depois de todo o passeio, só falta jogar futebol. Na salaJogo de Corpo, os vistantes podem fazer penâltis, conhecer o futebol no cinema 3D e, ainda tem a oportunidade de jogar bola num campo virtual.
Uma vista que vale a pena. Seja você amante ou apenas admirador do futebol-arte brasileiro!
Reportagem: Anapaula Ziglio
Museu do Futebol Local: Estádio do Pacaembu
Endereço: Praça Charles Miller, s/número, Pacaembu-São Paulo
Horário: terça a domingo, das 10 às 17h
Entrada gratuita às quintas-feiras