quinta-feira, 3 de maio de 2012 Cinema, Entrevista | 10:20

Longa de Toni Venturi é uma ode a São Paulo

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Com seu último filme Estamos Juntos, Toni Venturi, que no ano passado lançou o documentário Rita Cadillac- a Lady do Povo, quis fazer um poema para São Paulo. Ele que é italiano, nascido na capital lembra: “ É meu sétimo filme, mas o primeiro sobre São Paulo!” vibra. 

Estamos Juntos – que já saiu em DVD – recebeu nessa quarta-feira, dia 2 de maio, na noite do Prêmio FIESP/CIESP do Cinema Paulista, três trofeús: o de melhor ator, o prêmio de melhor ator coadjuvante e o de melhor atriz, para Leandra Leal!

“É um filme sobre o coração da cidade. Os bairros são mais segregados, o centro não. No centro os mundos estão lá misturados, os mundos se encontram, colidem, se separam, convivem. Muita gente vive no centro de SP. É meu primeiro filme que fala de hoje, de São Paulo contemporânea”.

As cenas iniciais de sobrevoo sobre a cidade são de tirar o fôlego, durante mais de um minuto, a câmera passeia pelo céu paulistano, de tetos e telhados humildes – parecem caixas de fósforos – chegando até os prédios sofisticados do Morumbi. A cena prenuncia o entrelace de dramas humanos no centro de São Paulo.

O bom resultado das vivências e improviso dos atores, segundo Toni Venturi e Débora Duboc

Toni Venturi explica como o elenco participou da criação: “Eu os coloquei em ambientes reais onde aqueles personagens existiam para que contruissem os personagens e depois fizémos as experimentações, os ensaios, que eram improvisos, e a gente foi reescrevendo os diálogos. Eu precisava da contribuição deles. Todos participaram desse laboratório que  interferiu na estrutura do roteiro. A idéia é ter um filme vivo, essa é a proposta.”

Débora Duboc, atriz casada com o cineasta, com quem fez os excelentes Latitude Zero e Cabra Cega, descreve a vivência: “Esse universo de pronto-socorro é muito intenso. Foi muito legal estar lá para tirar muitos pré-conceitos. São pessoas lindas”, comenta Débora Duboc que faz o papel da enfermeira Elisa: “Ela faz a ponte da Carmen com o pessoal do MSTC, é uma enfermeira-padrão com formação universitária e muito bom-humor. Nós ficamos um tempo no Hospital Universitário (USP) e eu levei para o Toni uma frase maravilhosa que uma enfermeira falou para um paciente. “Dona Adriana, quando é que o médico vai me dar alta?” Aí, ela respondeu: “Mas já?! Eu estou aqui há 19 anos e não reclamo!’”

Leandra Leal comenta seu papel e como elaborou sua Carmen

Leandra Leal é Carmem, médica, que divide seu cotidiano no hospital público, com o contato com o movimento dos Sem-Teto. Na agitada São Paulo, ao lado do seu amigo DJ, Murilo (Cauã Reymond), ele se distrai do trabalho, na aventura amorosa com um músico argentino, Juan (Nazareno Casero).  Quando os sintomas de uma grave doença surgem na rotina da médica residente, sua vida se transforma, com o contato humano.

7 tróféus  Calunga para Estamos Juntos em Recife

Consagrado como o grande vencedor no 15º Cine PE Festival do Audiovisual, levou 7 troféus: Melhor Filme, Prêmio da Crítica, Melhor Diretor (Toni Venturi), Melhor Atriz (Leandra Leal), Melhor Roteiro (Hilton Lacerda), Melhor Montagem (Marcio Hashimoto) e Melhor Fotografia (Lula Carvalho). ” O filme tocou as pessoas e esse foi o objetivo principal. Fazer um filme que emocionasse que trouxesse um pouco da mágica do cinema. A premiação foi uma surpresa para nós.” comenta o cineasta. 

 

No longa, as cenas de repressão policial ao movimento dos Sem Teto, têm a minha locução jornalística. Muitas delas são reais, foram feitas por Toni Ventuni quando ele gravou o documentário Dia de Festa. O roteiro original é assinado por Hilton Lacerda (Amarelo Manga), que provou não ser regional, com participação do colaborador e longa data, Di Moretti: “É um roteiro original. Mexemos muito na edição final, é a dificuldade de uma obra inédita, diferente da adaptada que já foi testada. É um roteiro de camadas (á la Cortázar) e tem história de amor, dos jovens, o drama de Carmen quando descobre a doença, tem a questão social. Eu sinto que cada um pega um lado do filme, o que eu acho legal” 

A direção de arte de Renata Pinheiro (Feliz Natal) e direção de fotografia de Lula Carvalho (Tropa de Elite 2) e a trilha sonora do músico BiD, premiado por seus trabalhos em Chega de Saudade e As Melhores Coisas do Mundo.

Veja no Blog especial de Estamos Juntos mais detalhes da produção, curiosidades e novidades deste longa, que estreia em 3 de junho em 41 salas de cinema, por todo o país.

Entrevista com Toni Venturi:
O documentário me dá argumento para a ficção

Veja no IG:

Leandra Leal brilha em “Estamos Juntos”

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Cinema, Entrevista Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
terça-feira, 2 de agosto de 2011 Entrevista, Teatro | 08:00

“O homem, a besta e a virtude” de Débora Duboc

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Débora Duboc estreia a partir de hoje, 02/08, no Teatro dos Quatro no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro, a comédia O Homem, a Besta e a Virtude que foi sucesso de público e crítica em São Paulo. 

“É uma comédia linda de Pirandello que estou muito orgulhosa de fazer. Na década de 60, teve uma única montagem que foi com a Fernanda Montenegro, o Sérgio Brito, o Ítalo Rossi”, conta Débora.

No espetáculo estão atores da nova geração como Gabriel Miziara, Fernando Fecchio, Thiago Adorno e Luiz Alex Tasso. O texto tem tradução do autor e ator Marcos Caruso, direção de arte do carnavalesco Chico Spinosa e encenação do talentoso Marcelo Lazzaratto.

Comédia dell´arte

A peça é uma sátira sobre a moral e sociedade burguesa do início do século XX. “Uma comédia hilariante que pensa a questão da hipocrisia, de como somos escravos de mácaras nessa sociedade tão hipócrita e falso moralista”.

Suavemente erótica, a comédia joga com a possibilidade de uma pessoa ser várias, ou seja, o dilaceramento do “eu”: questão central no teatro de Pirandello e atual em nossos dias. Débora completa: “essa peça pensa muito a questão da educação e a entrada vai ser franca para professores e alunos da rede pública. Esse é um sonho que eu realizei”.

Uma mulher nada virtuosa

Uma mulher fica grávida do professor de seu filho. O marido (a Besta) é um rude capitão de navio que há três anos não cumpre com os afazeres matrimoniais e passa mais tempo no mar do que em casa.

Tudo acontece no dia em que ele está de volta e o infeliz professor (o Homem) e a virtuosa mulher (a Virtude) têm que fazer de tudo para que a cópula entre o casal aconteça e, assim, o bebê chegue ao mundo de forma natural sem levantar suspeitas do marido traído.

As tentativas de esconder o adultério e a gravidez acidental geram cenas hilárias onde a falsa moral da sociedade é desmascarada num jogo cênico inteligente e muito divertido.

O Homem, a Besta e Virtude
Até 07 de setembro de 2011
Teatro dos Quatro- Shopping da Gávea
Rua Marques de São Vicente, 52 – Gávea/RJ
Terças e quartas às 21h30
Classificação etária: 10 anos
Duração: 80 minutos

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Teatro Tags: , , , , , , , , , , , ,

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