Cora Coralina: uma poetisa no coração do Brasil
Depois de estrear com sucesso em 2009 no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, a exposição Cora Coralina – Coração do Brasil pode ser vista até 13 de março no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, onde também acontece a mostra imperdível sobre O Mundo Mágigo de Escher.
Idealizada pela curadora Júlia Peregrino, Cora Coralina – Coração do Brasil ocupa o segundo andar do CCBB e possibilita ao visitante fazer um mergulho visual no universo da poetisa, intelectual, comerciante, sitiante, doceira e militante das causas nobres Cora Coralina.
Correspondência, manuscritos, artigos, fotografias e os mais diversos documentos…
É uma visão sobre o universo da poetisa e intelectual brasileira entre 1889, quando nasceu, e 1985, ano de sua morte, traduzida em fotos, vídeos, documentos e arquivos que nunca haviam saído da Casa de Cora Coralina, hoje, um espaço memorial instalado na casa em que ela viveu na Cidade de Goiás. A cenografia, assinada por Daniela Thomas e Felipe Tassara, ajudam a entender as sensações deixadas por Cora Coralina na nossa literatura, com sua poesia profundamente ligada à terra e à memória de sua região natal.
São quase 200 imagens que fazem ecoar um mundo de histórias, como as que ouvia da bisavó Vicência (vó Dindinha). Elas também mostram os sonhos da adolescente e da aluna considerada uma das mais atrasadas, que só conseguiu aprender devido ao esforço da Mestra Silvina – sua única professora –. Aos14 anos, publicou seu primeiro texto e colaborou, ao longo da vida, com centenas de jornais em Goiás, São Paulo e várias outras cidades brasileiras.
Uma mulher de coragem
Em 1911, Cora decidiu viver com um homem separado e partiu para São Paulo, onde criou cinco filhos, quatro seus e uma do primeiro casamento do marido. A incansável trabalhadora, como se autodefinia, chegou a vender livros da Editora José Olympio de porta em porta na capital paulista e foi comerciante, sitiante, líder de diversas causas, voluntária da Revolução Constitucionalista de 32, batalhou pelo voto feminino e recomeçou a vida aos 67 anos, de volta a Goiás, fazendo doce pra fora para sobreviver.
Seus doces de laranja da terra, banana, figo e mamão, ficaram famosos em toda parte. “Meus doces pode comprar, os livros pode deixar, pois os doces se estragam e os livros não”, brincava ela.
A escritora
Nascida Anna Lins dos Guimarães Peixoto, mais tarde conhecida como Cora Coralina, ela teve de se auto-inventar muito cedo como escritora: “Por medo de que minha glória literária fosse atribuída a outra Ana mais bonita do que eu”. Então, ela decidiu encontrar um nome “que não tivesse xará” e, após muita busca, decidiu-se por Cora. “Mas ainda era pouco para mim”e não descansou até encontrar Coralina. Um nome sonoro como as águas do seu amado Rio Vermelho.
A fama aconteceu ao estrelar uma brilhante e emocionada crônica de Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, em 1980. Depois disso, o país enfim se abriu para a sua obra. Foi amiga de Jorge Amado e chegou a receber um agradecimento oficial do Papa Pio XII pelos doces que lhe enviou, por intermédio do arcebispo de Goiás.
Veja o que acontece também no CCBB-SP:
Um pedaço do Islã no Brasil, agora, em São Paulo
Até 13/03/2011
Centro Cultural do Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66 – Rio de Janeiro
Horário: de 3ª a domingo, das 9h às 21h
Entrada franca
Orkut




