Sem Palavras, de Cristina Canale
Cenas corriqueiras do cotidiano, cenas familiares…
Uma dama solitária atravessa o salão, duas vizinhas confabulam numa aparente festa onírica… Uma narrativa formada por situações banais e mulheres sem rostos, uma pintura expressiva. É o universo da exposição Sem Palavras, de Cristina Canale, na Galeria Nara Roesler, em São Paulo até 13 de agosto.
Radicada na Alemanha, há 20 anos, ela tem um pé no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, onde mantém um ateliê. Egressa da chamada Geração 80 que produziu artistas como Leonilson, Daniel Senise, Leda Catunda, entre outros, ela esteve no Brasil em 2008, quando apresentou um trabalho que tinha nos animais o foco central. Agora nas pinturas sobre tela que compõem a exposição as mulheres são objeto de sua figuração poética. De Berlim onde vive, a artista, trouxe também sete obras em papel.
A força do seu trabalho está no uso da cor e a falta de rigidez entre os fundos abstratos e o primeiro plano figurativo contribui para aumentar a sedução
Para o curador Jacopo Crivelli Visconti, é necessário ir além de uma leitura formalista nas telas de Cristina Canale: “ Existe, colocado com a mesma clareza e mantido num estado de suspensão e indefinição análogo ao que caracteriza a luta entre abstração e figuração, um impasse da narrativa, que oscila entre a construção de histórias reconhecíveis e quase convencionais em sua aparente linearidade (um casamento, uma visita ao zoológico com a neta, uma aula de violino, etc.) e o abismo de um mergulho sem volta na afasia da pura cor”.
Nessa nova série, as atmosferas cênicas abrem frestas para fecundar o imaginário subjetivo de cada espectador
Para Jacopo Crivelli Visconti ainda, as histórias contadas por essas telas não estão necessariamente comprometidas com a realidade do jeito que a conhecemos, poderiam derreter-se a qualquer momento, dissolver-se em algo irreconhecível. Essa diluição de fronteiras atrai ainda mais o nosso olhar para o trabalho da artista que começou a colocar o universo feminino em sua recente produção: “São mulheres vividas, portanto, esteticamente guardam uma carga”.
Cristina Canale, mora na Alemanha desde 1993, quando recebeu uma bolsa do D.A.A.D. (serviço de intercâmbio acadêmico do governo alemão) na Academia de Artes de Düsseldorf e mudou-se para lá. Hoje, expõe em importantes galerias e centros de arte do Brasil e da Alemanha e também de outros países como Estados Unidos, França e Portugal. Participou da Bienal Internacional de São Paulo em 1991, da mostra Geração 80 e de individuais no Instituto Tomie Ohtake e na Galeria Van der Mieden, na Antuérpia.
Sem Palavras – Cristina Canale
Até 13 de agosto de 2011
Galeria Nara Roesler
Av. Europa, 655, São Paulo
De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 15h




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