O Festival da Mantiqueira, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, chega à quinta edição, nesse fim de semana, entre os dias, 25 a 27 de maio (sexta a domingo), em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (138 km de São Paulo). Entre os destaques, autores em processo de criação, e outros, com obras prontas para serem lançadas.
A curadoria de André Sturm, traz também na programação, autores que apresentam novas obras nos próximos meses. João Paulo Cuenca lança, em maio, A última madrugada, coletânea de crônicas publicadas entre 2003 e 2010.
A última mesa do sábado reúne José Castello (Vinicius de Morães: O Poeta da Paixão e Ribamar) e os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2011, Rubens Figueiredo (Passageiro do Fim do Dia) e Marcelo Ferroni (Método Prático da Guerrilha), para falar sobre ficção e realidade e responder à pergunta: Em que medida uma interfere na outra?
Dar visibilidade aos escritores e aos dois grandes vencedores da quarta edição do Prêmio São Paulo de Literatura, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura, e anunciados em 2011 virou o objetivo maior da Secretaria. Em breve, conheceremos os premiados desse ano. Rubens Figueiredo, autor de Passageiro do fim do dia, conquistou o prêmio na categoria Melhor Livro do Ano e Marcelo Ferroni foi o vencedor da categoria Melhor Livro do Ano – Autor Estreante, com Método prático da guerrilha.Na cerimônia, no Museu da Língua Portuguesa, cada escritor recebeu R$ 200 mil. Além da visibilidade: o Ministério das Relações Exteriores vai divulgar os vencedores em outros países.
Ao conceder os prêmios a Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni, Andrea Matarazzo prometeu aumentar o número de cidades incluídas no projeto Viagem literária e comentou os investimentos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, no incentivo à literatura e novos autores: ” Este ano, foram 221 romances concorrentes, contra 217 em 2009 e em 2010, o que mostra como o Prêmio São Paulo de Literatura já está consolidado”
Anúncio Melhor Livro – Autor estreante para Marcelo Ferroni e entrevista
Em maio de 2004, o Departamento de Estado dos EUA libera a transcrição do interrogatório de Paul Neumann, ex-aluno de história da PUC-RS, realizado em 1967, em um hospital militar na Bolívia, por dois renegados cubanos a serviço da CIA. Essa é sumariamente a moldura ficcional deste thriller de espionagem, centrado na figura de um Che Guevara amargo, careca e barrigudo.
Valendo-se de paráfrases da história, através de diários e relatórios, Ferroni apresenta os bastidores da ação, na formação das redes urbanas do movimento da esquerda internacional e as frentes de batalha em Ñancahuazú, recriando os acontecimentos daquela trágica (e por vezes cômica) guerrilha.
Leitura de Método prático da guerrilha, pelo autor Marcelo Ferroni, gravada pela Companhia das Letras
Em Método prático da guerrilha, Ferroni põe à prova, com uma pesquisa minuciosa, os métodos preconizados pelo próprio Guerra de guerrilhas, de Che, e aponta, com algumas doses de ficção, as contradições da prática revolucionária.
O autor
Nasceu em 1974, em São Paulo. Vive atualmente no Rio de Janeiro, com a mulher e um filho. É editor da Alfaguara, selo de literatura da Editora Objetiva. Método prático da guerrilha é seu primeiro romance.
Prêmio de melhor livro do ano
O livro Passageiro do fim do dia (Companhia das Letras) é o quinto romance de Rubens Figueiredo. Assim mesmo ele se mostrou emocionado e surpreso com o prêmio por concorrer com outros 9 finalistas, autores de grande qualidade. Na entrevista, ele comenta que quis falar da opressão social, através do narrador que viaja dentro de um onibus, e se questiona.
Anúncio do Melhor Livro do Ano para Rubens Figueiredo e entrevista
Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora – uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, sua namorada.
De radinho no ouvido, lendo a intervalos, ele observa o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas. No fim da viagem ele não será mais o mesmo: ele revê durante o trajeto, os fatos de sua vida, seus afetos, e o mundo opressivo em que está imerso.
não deixa dúvida sobre a importância de Rubens Figueiredo no cenário literário contemporâneo no Brasil.
O autor
Nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Formado em letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é tradutor e professor de português e tradução literária. Cronista e romancista, é autor de As palavras secretas, Barco a seco, ambos prêmio Jabuti, Contos de Pedro e O livro dos lobos (Companhia das Letras), entre outros.
A literatura em quadrinhos vem ganhando impulso no Brasil nos últimos anos, com versões de obras clássicas em HQ, mas também, com o lançamento de histórias originais como é o caso da graphic novel Cachalote, da Companhia das Letras, que como outras grandes editoras criou um selo especial para o “genêro” sob a batuta de André Conti.
Conti conta que se apaixonou pelo projeto assim que o recebeu. E revela: Cachalote inaugura uma linha de quadrinhos para adultos da editora. Outros títulos virão por aí, juntando bons escritores com quadrinistas.
HQ em alta, parceria de sucesso, ferramenta web
“Dois anos e meio em produção, para testar uma série de técnicas, inúmeras reuniões para definir o roteiro com Galera, muito skype, muita troca de email já que um morava em São Paulo, outro em Porto Alegre”, explica Coutinho cujos desenhos são um show à parte.
É a história de um playboy mimado, alienado da realidade, expulso de casa e enviado à Europa para se virar sozinho. A história de um jovem vendedor de uma loja de ferragens, adepto da dominação sexual que descobre que a linda garota por quem ele se apaixona é frágil e suscetível aos seus fetiches…
Além da trama, da técnica, a continuidade
Assim como no cinema, a continuidade de uma cena para a outra é o maior desafio, sobretudo quando o cenário contém inúmeros itens!
Rafael nos conta mais sobre o processo de trabalho: Dieta escrava de 8 horas por dia, durante mais de 2 anos! Ele comenta que sua grande inspiração foi o americano Robert Crumb, que ele acompanhou com seu traço na última Flip. ”Fui muito influenciado pelo Robert Crumb e por vários de sua geração. Sou fascinado pelo quadrinho underground, depois descobri os franceses, espanhois, os japoneses… Enfim, gosto mesmo dos que fazem quadrinho autoral para adultos” .
Daniel Galera nasceu em São Paulo, em 1979, e vive em Porto Alegre. Atende pelo twitter por @Ranchocarne! É escritor e tradutor. Publicou os livros Mãos de Cavalo, que virou longa de Beto Brant e Cordilheira, finalista do Jabuti, entre outros.
Rafael Coutinho nasceu em São Paulo, em 1980. Suas histórias em quadrinhos foram publicadas nas antologias Bang Bang e Irmãos Grimm. No twitter é @Raffa_Coutinho.
O boom e o embalo da literatura em quadrinhos também entrou em discussão no último dia da Fliporto 2010, em Olinda. Com mediação do jornalista Xico Sá, Daniel Galera e Rafael Coutinho, autores de Cachalote, participaram da mesa ao lado de João Lim, Ragú e Domínio público (Via Lettera e DCL).
Ao descolar seu primeiro emprego, na livraria do Musée du Louvre, o arquiteto franco-brasileiro Gilles Eduar, formado pela FAU-USP, descobriu uma nova vocação: ilustrar e escrever livros infantis. Porque não? Afinal, desenhar, ele sempre desenhou bem, desde criança.
Hoje tem livros publicados no mundo todo, nas mais diversas línguas, em holandês, norueguês, um mais bonito do que o outro. Dos livros lançados aqui no Brasil, o mais recente é o Espetáculo de Números e o Alfabeto de Histórias que ficou entre os finalistas do Jabuti. Ambos foram publicados pela Ática.
Invadimos o ateliê de Gilles para conhecer melhor seu trabalho
Ele não é apenas um ilustrador, escreve as narrativas também: “O que eu gosto mesmo é de contar histórias. Em vez de fazer uma enciclopédia, resolvi contar a história desses dois personagens: Adèle e Zorba (a girafa e a zebra). No primeiro livro, eu fiz um alfabeto e nele Zorba ia apresentar Adèle para a família dele. Eles começam viajando de avião, começa por A, conforme foram avançando ao longo da história vão para o Bar, o Caminhão, viagem de Dromedário… Aqui, é a viagem de núpcias deles.”
Em todos os seus livros, notamos uma constante: a preferência por animais como principais protagonistas. “Desenhar animais é muito fácil, porque você não tem medo de errar. Um ser humano você tem medo de fazê-lo torto, de não ser bonito suficiente. Animal, você tem mais liberdade para desenhar, facilita bastante.”
Entre os vários livros que foram publicados no exterior, ele nos mostra La Planète, traduzido para vários idiomas, com exceção do português. Foi um dos primeiros. Depois vieram as histórias e os desenhos do cachorrinho Nilo. “O Nilo foi o primeiro livro que eu fiz quando eu voltei ao Brasil no ano 2000.
A série editada pela Companhia das Letras começou por Ossos do Ofício. A história é assim: o Nilo vai passeando pela rua e vai reparando que todo mundo trabalha e no fim… na última imagem, ele descobre que seu trabalho é deixar as pessoas felizes. É o melhor trabalho!” Gilles explica que pinta com guache, diferente de outros ilustradores, não usa computador.
Conta que quando fez seu segundo livro Asas do Crocodilo pintava em papel bem vagabundo, porque tinha medo de gastar dinheiro com papel.Asas do Crocodilo é seu único livro publicado na França, reeditado aqui pela Editora Martins Fontes.
A série Nilo se completa com o último livro Poesias do Nilo onde o cachorrinho conta, em poemas, como passa o dia, sozinho em casa: ele lê, desenha, vê televisão, brinca de faz de conta com seus amigos Galileu e Agostinho… ”Como toda criança, o cãozinho se diverte, e vai inventando… o que faz durante o dia todo. “Para fazer esse livro, eu lembrei das coisas que eu fazia quando era pequeno. Adorava fazer ‘croc croc’ pelo chão.”
O que nasce primeiro a história ou os desenhos?
“Primeiro, eu imagino o que vai ser a história. Quando você faz um livro, tem que contar uma história num certo número de páginas. Tem que haver um diálogo entre o desenho e a história. O que a imagem conta você não precisa contar no texto. Então, você já tem uma noção da história e depois vem a ilustração. O texto que está escrito aqui no rascunho tem a ver, mas não é exatamento o que está no livro. É o que você vai mostrar para o editor. A história vai surgindo. Você vai dividindo essa história ao longo das páginas possíveis, escreve, desenha, reescreve… Você começa pelo texto, vai pelo desenho e reescreve o texto para acompanhar o desenho.
Ao falar do bom resultado do seu Alfabeto de Histórias, que resume em estrofes rimadas, o significado de cada letra em pequenas histórias engraçadas, Gilles comenta que o velho Larousse é a sua bíblia: “Eu sento, elaboro a imagem, leio o dicionário para saber o que pode caber… Eu estou tentando adotar o computador para render um pouquinho mais, mas o que eu faço no computador ainda é muito tosco. O meu desenho não adianta, tenho que fazer na guache mesmo. Ficar na frente do computador é meio insano!”
Em todos seus livros, Gilles Eduar abusa de um humor sútil e de poesia. Alguns conversam com os livros de outro arquiteto, craque na ilustração, que se aventurou a escrever para crianças, e que já mostramos aqui: Kiko Farkas.
Destacamos também outro livro que não aparece na reportagem. Em Diálogos Interessantíssimos, conversas travadas por animais, objetos e pessoas, subvertem com muito bom humor o gênero consagrado da filosofia. As conversas são tão surpreendentes que encantam até os adultos. Essa é outra das suas características agradar a todos os públicos.
As ilustrações de Gilles ajudam a compor a atmosfera feérica e a fruição de uma leitura de fina ironia. O desenho é fantástico, com cores e paisagens de fazer inveja ao pintor Gauguin que retratou as belezas do Taiti. Como dá vontade de comprar os originais! Gilles promete uma exposição das pinturas para breve.
O escritor Fernando Morais participou da Tarrafa Literária, encerrada nesse domingo em Santos. Dividiu a mesa A Vida dos Outros com a escritora e historiadora Isabel Lustosa que prepara biografia sobre Lampião. Morais que é um craque no gênero, têm várias no currículo – Chatô, sobre Chateaubriand, Olga, e a última sobre Paulo Coelho - acabou mesmo falando do seu novo livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, lançado pela Companhia das Letras.
Ele entrevistou agentes infiltrados em organizações de extrema direita, mercenários, muitos hoje presos e condenados a prisão perpétua.
Gabriel García Márquez serviu de pombo-correio entre Bill Clinton e Fidel Castro
Morais teve acesso ao documento levado pelo Nobel colombiano, amigo de Fidel e defensor de seu regime, pedindo que os ataques a Cuba cessassem.
Nos anos 90, com a derrocada da União Soviética, a economia de Cuba passou a depender fortemente do turismo. Foi nessa época que cubanos exilados em Miami, começaram a intimidar o ditador cubano, a partir de ações disparadas em Havana. Os anticastristas colocavam bombas nos hoteis, metralhavam navios de cruzeiro para afugentar os turistas. A reação de Cuba foi enviar um grupo de agentes para a Flórida e infiltrá-los nos lugares certos, nos grupos anticastritas, para que tentassem descobrir a tempo o que era tramado e evitassem os ataques contra Cuba, bem ao estilo guerra fria. Os espiões formavam a Rede Vespa e tentavam ter uma vida anônima, escondida das próprias famílias para não despertar desconfiança.
Entrevistamos nos bastidores do evento, o escritor Fernando Morais para saber como ele teve acesso aos documentos inéditos e conseguiu entrevistar os agentes secretos, nas prisões.
Espécie de embaixador ou porta-voz da ditadura cubana, o escritor Fernando Morais é autor de A Ilha (1976) e sempre manteve boas relações com os irmãos Castro, mesmo quando dissidentes do regime eram perseguidos e colocados na cadeia. Entre as entrevistas, algumas feitas por e-mail através das mulheres dos condenados, ele conseguiu por exemplo ouvir o mercenário Cruz Léon, contratado por U$ 1.500 para colocar bombas e hoteis e restaurantes de Havana. Ele confessa que era fã de Sylvester Stallone e se envolveu no terrorismo para viver emoções parecidas com as do ídolo.
Hoje, 07/07, a programação da 9ª Festa Literária Internacional de Paratycomeça intensa. A mesa Zé Kleber, às 10h, tem entrada gratuita e reúne as francesas Michèle Petit e Dominique Gauzin-Müller, com o objetivo de refletir sobre questões locais. Na segunda mesa do dia, Lírica crítica, às 12h, a poesia está presente, com um debate entre a escocesa Carol Ann Duffy e o brasileiro Paulo Henriques Britto.
Organizadores da Semana de 22
A mesa Marco zero modernista, às 15h, conta com a participação do crítico argentino Gonzalo Aguilar, autor de Poesia concreta brasileira e de ensaios sobre a antropofagia, e da escritora e jornalista Marcia Camargos, autora de mais de 20 livros, entre eles Semana de 22, uma abordagem crítica da Semana de Arte Moderna. Num evento pós-Flip, a mesa Marco zero Modernista vai acontecer também na segunda-feira, 11/07, na Livraria da Vila em SP. “Nossa mesa é basicamente para apresentar Oswald de Andrade ao grande público, mostrar as várias fases dele e a grande importância que teve na Semana de Arte Moderna que no ano que vem completa 90 anos”, revela Márcia.
Segundo ela, a ideia principal da mesa é resgatar a trajetória de Oswald: “ele morreu em 1954, bastante jovem com 64 anos e teve importância fundamental na história da cultura brasileira. Não só literária, mas como um todo, porque ele também era artista plástico”.
Márcia e Gonzalo pretendem retomar todos os aspectos da vida de Oswald desde a Semana de 22, passando por sua ligação com a artista plástica Tarsila do Amaral, sua participação no movimento Pau-Brasil, o lançamento do Manifesto Antropófago até conhecer Pagu quando se tornou um homem mais militante, de esquerda e escreveu O Homem do Povo. Para quem quer conhecer outros aspectos da vida profissional do escritor, Marcia Camargos também vai participar às 10h30 do evento LID&: Literatura + Imprensa + Debate que acontece paralelamente à Flip na conferência Oswald, o jornalista&crítico no Centro de Convenções da Pousada Villas de Paraty,
A quarta mesa da quinta-feira reserva a participação de dois escritores radicados na Grã-Bretanha, mas nascidos em locais com realidades distintas. A paquistanesa Kamila Shamsie e o caribenho Caryl Phillips discutem a ficção a partir da renovação da narrativa inglesa por meio de seus olhares estrangeiros na mesa Ficções da Diáspora, às 17h15.
O humano além do humano
As dicotomias e confluências entre ciência, filosofia e arte permeiam a conversa entre o médico neurocientista Miguel Nicolelis e o filósofo Luiz Felipe Pondé na mesa O humano além do humano, às 19h30. Em entrevista, Miguel Nicolelis fala sobre a Flip e seus planos de fazer um tetraplégico dar o chute inicial no jogo de abertura do Brasil na Copa do Mundo de 2014.
“Como escrevi um livro recentemente chamado Muito além do nosso eu (Companhia das Letras), a ideia é que a neurociência faz parte do nosso dia-a-dia. Na Flip, vou contar um pouco das histórias que me levaram a escrever esse livro e explicar como a nossa espécie está chegando a um ponto que vai conseguir libertar o cérebro dos limites físicos do corpo biológico”.
Nicolelis é considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo pela revista Scientific American e Pondé é autor de diversos livros em que discute a modernidade do ponto de vista da filosofia da religião. Os dois encerram as mesas do dia 7.
Escritores como Michel Laub, Ilan Brenman, Nelson Oliveira, Luiz Ruffato, Marcio Souza, Ignácio Loyola e o argentino Federico Andahazi, entre outros circulavam tranquilamente pelas ruas de São Francisco Xavier, entre uma oficina e outra, conversando com o público que subiu a serra em busca de um encontro intimista.
Concerto Duo Siqueira Lima
inaugura a tenda na recepção dos autores na serra, na noite de sábado, foi a vez de Lobão animar a festa.
O bom humor marcou a maior parte das mesas. Destaque para colóquio que colocou a filósofa e ex-saia justa Marcia Tiburi, com o atual calça justa, o jornalista Xico Sá. O embate intítulado Machos Machistas, fêmeas feministas, arrancou aplausos generalizados.
Clima literário intimista na Serra da Mantiqueira
A ausência do jornalista Edney Silvestre que participaria da primeira mesa no sábado foi compensada pelo domingo que juntou dois gigantes: Ignácio de Loyola Brandão e Marcio Souza. Mais do que falar da pópria obra, ambos deleitaram a plateia com a história de uma viagem antológica de escritores brasileiros a Alemanha, junto com Lygia Fagundes Telles e João Ubaldo.
Mostraram que são grandes contadores de histórias. Como você pode conferir no vídeo abaixo onde Loyola até performou…
“Muito obrigada, meu senhor, por ter dançado comigo, nessa manhã”
Falecido no começo do ano, ele esteve na primeira edição do Festival, onde travou com Mario Prata um debate sobre o que é literatura – os dois divergiam quanto à quantidade de diálogos que deve existir num texto literário – o médico e escritor gaúcho recebeu uma justa homenagem, com leitura de trechos de sua obra. Coube a atriz Rosi Campos, a leitura de A majestade do Xingu
Uma história de imigrantes russos, judeus, comunistas e de índios
A mesa que abriu o Festival no sábado colocou lado a lado dois escritores, do Projeto Amores Expressos, de Rodrigo Teixeira, com curadoria de João Paulo Cuenca, que rendeu uma coleção de livros editados pela Companhia das Letras. Amores Expressos enviou autores a várias partes do mundo com a missão de escrever uma história de amor ambientada na cidade escolhida, Ruffato foi p/ Portugal e voltou com o romance Estive em Lisboa e lembrei de você. A história de amor que acontece na Praga de Sant’Anna envolve muito sexo, delírio e fetiche, como dá pra ver, pela leitura que o escritor fez.
O escritor Sérgio Sant’Anna lê trecho do novo O Livro de Praga, lançado pela Companhia das Letras
No último domingo de maio, a Tenda principal da Praça matriz de São Francisco Xavier recebeu a atriz Maitê Proença (Entre Ossos e a Escrita e Uma Vida Inventada), a escritora Carola Saavedra (Paisagem com Dromedário e Flores azuis) e Tatiana Salem Levy, (Prêmio São Paulo de Literatura). As três conversaram sobre A Mulher na Escrita ao Longo dos Tempos. Carola tem uma obra reconhecida e um projeto bem próprio de construção da sua escrita. Já a atriz Maitê aventurou-se nas letras, com uma espécie de autobiografia, não assumida, como ficou claro na entrevista que me deu ao Letras e Leituras.
“Paisagem com Dromedário é meu livro mais otimista”.
“A mesa vai ser bem interessante, o tema – A mulher na escrita ao longo dos tempos – é um assunto que nunca se esgota… Vai ser uma oportunidade para trocar ideias, muitas vezes, trazer autores com trajetórias diferentes é uma ótima forma de enriquecer o debate.” comenta Carola Saavedra.
Currículo invejável
A comunicação ou a falta da comunicação é um tema constante na obra dessa talentosa e criativa escritora, finalista com seus livros anteriores do Jabuti, Portugal Telecom e Prêmio São Paulo de Literatura, entre outros.
Nascida no Chile, mora no Brasil, desde os três anos de idade. Morou na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e Espanha e França, ela vive no Rio de Janeiro onde nos deu a entrevista falando dessa trilogia (Companhia das Letras) que se completa agora depois de Toda Terça e Flores Azuis, premiado pela APCA como melhor romance em 2009.
Autoexilada numa ilha, a artista plástica Érika grava mensagens endereçadas a Alex, seu amado. Mais uma vez, inovando na construção da narrativa, a escritora Carola Saavedra, nos lê um trecho do seu novo romance Paisagem com Dromedário e fala do desafio de encontrar um novo formato. Através de 22 gravações a personagem tenta reconstituir e compreender seu passado.
Em Flores Azuis Carola Saavedra explorou o fluxo de consciência, através do gênero epistolar
Carola Saavedra participou da FLIP 2010, em Paraty, na mesa Cartas, diários e outras subversões com a cubana Wendy Guerra com mediação do escritor João Paulo Cuenca.
Ele é indiscutivelmente uma das mais importantes vozes poéticas contemporâneas do Brasil. Esquimó, seu livro mais recente confirma a qualidade e o vigor dessa poesia vibrante, delicada, ao mesmo tempo suave e desaforada.
São poemas escritos entre 2006 e 2009 – alguns bem curtos – que se articulam e dialogam entre si, de modo a não prescindir uns dos outros. Melancólicos, engraçados, amorosos, os versos agradam a públicos de todas as idades.
Melhor mesmo é ouvir o próprio escritor lendo em voz alta sua poesia! Influenciado por Bob Dylan, ele conta que alterna o tom cético, deprimido com o bom humor. Num dos poemas, ele faz uma homenagem a Angélica Freitas, poeta que ele gosta muito e que também se sobressai no panorama da poesia contemporânea.
Corsaletti publica crônicas sobre São Paulo, quinzenalmente, na nova revista da Folha de São Paulo.
Em 2010, Esquimó de Fabrício Corsaletti levou o prêmio de melhor livro na sexta edição do Prêmio Bravo! Bradesco Prime de Cultura. O evento premiou os destaques do ano nas artes plásticas, dança, cinema, literatura, música e teatro.
O livro de crônicas Esse inferno vai acabar do escritor e jornalista Humberto Werneck, publicado pela Arquipélago Editorial, está entre os 60 finalistas da primeira etapa do Prêmio Portugal Telecom, na categoria Conto/Crônica onde concorrem também Ivan Angelo, com Certos Homens, da Arquipélago Editorial, João Carrascoza, com Amores mínimos, Miguel Sanches Neto, com Então você quer ser escritor? ambos da Record, entre outros nomes prestígiados como Carpinejar e Luis Fernando Veríssimo do gênero adotado pelo Brasil.
Dono de um estilo próprio já muito bem revelado no jornalismo, marcado pelo humor e pela mineirice, Werneck é ainda mais engraçado quando atua em mediações de mesas literárias e quando conversa ao vivo, como nessa entrevista que nos deu para falar de sua produção anterior.
No livro, O Espalhador de Passarinhos e outras crônicas, Editora Dubolsinho, Humberto Werneck dá o mesmo tratamento humorístico aos fatos do cotidiano, que costuma dar nos textos saborosos que escreve às sextas no caderno Outlook, do Jornal Brasil Econômico, e aos domingos no site de crônicas www.vidabreve.com. ” Quando posso melhorar a realidade, não deixo de fazê-lo”. As crônicas atravessam várias épocas e registram histórias verdadeiras que ele enfrentou como jornalista. É o caso da crônica sobre um ensaio de JR Duran para a revista Playboy, com ninguém menos do que a filha de Fidel Castro: “Com grande sigilo e contrato milionário, foi montado um grande aparato em Roma, para convencer a filha de Fidel, a posar nua na Playboy. Ela estava meio gordinha… mas, lá fomos nós!” conta Humberto, ao nos deliciar com a leitura do texto e o clima desse encontro.
São todas crônicas muito engraçadas, como a dos casamentos e relações que se dissolvem lentamente, quando os casais se servem através de um copo de requeijão.
Eu poderia ter sido o pai do PAC!
A crônica que não saiu no livro… A candidata do PT, Dilma Roussef foi sua companheira de classe nos anos 6o, em Belo Horizonte e nos bailinhos onde os homens tiravam as mulheres para dançar; elas ficavam ali à espera, perfiladas: “Minha mãe dizia, filho não dance só com as bonitinhas, dance também com as mais feinhas. E como eu não tirei a Dilminha pra dançar, eu escrevi que perdi a chance de me tornar o pai do PAC”.
O pai dos burros, um livro involuntário
Dicionário de lugares-comuns e frases feitas e pérolas sobre o futebol, o livro, da Arquipélago Editorial, é um sucesso tão grande que já vai ganhar uma segunda edição. Ninguém falará e escreverá do mesmo jeito, depois de ver os verbetes juntados, ou melhor, colecionados, em guardanapos, anos a fio, ( ai! perdoa essa Humberto? ) pelo escritor e jornalista. ” São como pilhas gastas, essas palavras ou clichês, que não servem pra nada, mas que por hábito, repetimos o tempo todo sem pensar.”
“Futebol é bola na rede, é ópio do povo, é uma caixa de surpresa… amigo pessoal, agenda positiva, inflação galopante, girar em torno…” Divirta-se!
Biografia de um desonhecido que inspirou artistas e intelectuais
Na biografia O Santo Sujo, publicada pela editora Cosac Naify - sobre a qual Humberto Werneck foi o centro de uma das melhores mesas da Flip em 2008 -, Werneck discorre sobre um personagem criativo e instigante, porém desconhecido:o boêmio Jayme Ovalle. Músico, poeta, grande artista, compositor de Azulão, com letra de Manuel Bandeira, foi amigo de Villa Lobos, Portinari e tantos outros artistas. “Ele costeou as figuras mais importantes da cultura brasileira de seu tempo. Sem ter obra, ele influenciou seus amigos, os intelectuais: Murilo Mendes, Fernando Sabino – o personagem Germano de Sabino é o próprio Jayme Ovalle – Manuel Bandeira, Vinicius de Morais, essa mania de diminutivo do poetinha, veio dele…”
Adjetivos ovallianos – A Nova Gnomonia
“Ovalle não tinha meios de produzir, mas foi um grande artista! Produziu poesia, 33 músicas, mas sua arte vazava no convívio. Era um homem criativo, muito original, seus amigos anotavam tudo que ele falava, nas conversas de bar. Ele inventou por exemplo um modismo, a Nova Gnomonia, para classificar a humanidade e adjetivar as coisas. Ele botou todos os seres humanos em 5 categorias:
- o Exército dos Parás – homenzinhos terríveis s que descem do norte pra vencer na capital da República.
- os mozarlescos, os sentimentais que choram no cinema.
- os kernianos, impulsivas , são pessoas de bom coração, mas capazes da maior barbaridade.
- os dantas, os puros de coração.
- os onésimos, pessoas não tão más, mas que fazem baixar uma sombra, um frio onde elas chegam.
A Nova Gnomonia pegou a tal ponto, que a inteletualidade toda se divertia divindo e separando a humanidade nessas 5 categorias. Objetos e eventos da natureza, como um luar também podiam ganhar adjetivos ovallianos: ”Me lembro de Antonio Cândido contar que ele e Sergio Buarque de Hollanda passavam noites classificando e adjetivando as coisas.”
Outros livros
O escritor e jornalista Humberto Werneck tem vários livros publicados e constantemente relançados.
Entre eles, os da Companhia das Letras, Vultos da República , com perfis políticos e O Desatino da Rapaziada, sobre seus conterrâneos de Minas Gerais: Rubem Braga, Drummond, Ivan Ângelo, Otto Lara Resende, Affonso Romano de Sant´Anna e tantos outros escritores que se renderam em algum momento também à paixão do jornalismo.
É programação para ninguém botar defeito. Quem reclama que não consegue viajar para assistir às mesas da Flip, em Paraty, Fórum de Letras de Ouro Preto, ou Fliporto, pode voltar sua atenção para o bairro da Vila Madalena e adjacências onde acontece á partir dessa quinta-feira aBalada Literária, em Pinheiros, São Paulo.
Abrindo a rodada de bate-papos com o público, Lygia Fagundes Telles, homenageada desta edição, cuja obra foi relançada pela Companhia das Letras. Dizem que o autor nunca consegue colocar um ponto final numa história… Veja só o que a escritora conta sobre um novo acréscimo ao romance As Meninas e sobre o livro de contos Antes do Baile Verde.
“Desde o ano passado anunciamos esta celebração à grande Lygia. Ela aceitou com alegria o brinde que, agora, vamos levantar para ela. Mas esta edição presta também homenagem ao editor Massao Ohno, ao poeta Roberto Piva e ao escritor e ator Alberto Guzik, mortos este ano”, lembra o curador, o escritor pernambucano Marcelino Freire.
Em cinco anos, o evento que começou na Livraria da Vila, point literário de São Paulo, expandiu suas fronteiras para outros locais e se consolidou como uma das mais importantes festas do país, cuja marca registrada é a descontração. A ponto dos melhores encontros se darem na Mercearia São Pedro, espécie de sucursal da Livraria da Vila para muitos escritores. Com outros artistas eles conversam, debatem, em mesa de bar, no palco, trocam ideias, celebram as letras com seus lançamentos, em diálogos transversais entre todas as artes.
De 18 a 21 de novembro, passarão na Vila Madalena, Antonio Nóbrega, Alice Ruiz, Augusto de Campos, Beth Goulart, Botika, Cid Campos, Emicida, Eunice Arruda, Jorge Furtado, José Castello, Marcelo Rubens Paiva, Siba e Vitor Ramil, Luiz Antonio de Assis Brasil (que também coordenará uma oficina de criação), entre muitos outros convidados.
O argentino Alberto Manguel que foi uma das estrelas da Fliporto, e encantou a plateia ao falar da função humanizante da literatura. Manguel que lia textos para Borges comentou também que teve a sua relação com a leitura abalada ao descobrir, anos depois, que o professor responsável pela biblioteca, que o formou como leitor na juventude, delatava estudantes durante o regime militar na Argentina.
O autor de Todos os homens são mentirosos, lançado pela Companhia das Letras, merece um pulo ao Sesc – Pinheiros nessa quinta, ás 19h.
Destaque também para a apresentação da peça “Los Críticos También Lloran”, baseada na obra do chileno Roberto Bolaño e encenada por um grupo que reúne autores/atores espanhóis e venezuelanos, e o escritor alemão Ulrich Peltzer, inaugurando a parceria da Balada Literária com o Goethe-Institut.