Visto por mais de 700 mil pessoas e com apresentações em 70 cidades, o espetáculo Simplesmente Eu, Clarice Lispector com Beth Goulart que assina a adaptação do texto e direção retorna em cartaz no Rio de Janeiro, Teatro Fashion Mall de sexta a domingo, onde permanece até julho. O monólogo tem supervisão de Amir Hadad.
Beth Goulart levou, pelo trabalho, quatro Prêmios de melhor atriz: Shell 2009, APTR, Revista Contigo e Qualidade Brasil que premiou também como melhor espetáculo. O espetáculo ainda foi indicado ao Prêmio Shell 2009 de melhor iluminação (criada por Maneco Quinderé) e melhor produção pelo Prêmio APTR.
A escritora atinge a todas as pessoas de todas as idades, com seus personagens, pessoas simples do nosso cotidiano. Talvez por isso na web, multiplicam-se blogs e comunidades que discutem Clarice Lispector, autora mais contemporânea do que nunca; ela foi homenageada na VI Festa Literária Internacional de Pernambuco, a Fliporto. As publicações biográficas sobre a autora vendem como água: o autor americano Benjamim Moser que lançou Clarice, pela Cosac Naify, volta toda hora para o Brasil para falar da autora. Ele debateu com Beth Goulart na Bienal do livro, esteve na Flip e foi a Fliporto, em Olinda que encerrou com apresentação de peça Simplesmente Eu, Clarice Lispector.
Uma de suas fontes, a historiadora Nadia Gotlib, nos deu uma entrevista imperdível contando da linda fotobiografia, lançada pela Imprensa Oficial, e do seu livro mais recente Clarice uma vida que se conta, pela Edusp. Talvez por isso, a delicada interpretação na peça Simplesmente Eu, Clarice Lispector lota com ingressos esgotados por onde passa. Talvez por isso, Beth Goulart agrade tanto.
Sotaque cantado e nordestino. Humor Judaico e amor na obra de Clarice
Nessa parte da entrevista, Beth Goulart não resiste e nos mostra como interpreta a escritora e mais quatro personagens do seu vasto universo. O Amor é o tema presente: ” Amar os outros é a única salvação individual que eu conheço… Ninguém estará perdido se der amor, e às vezes, receber amor, em troca.” No espetáculo, trechos das obras: Perto do Coração Selvagem, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres e os contos Amor e Perdoando Deus.
Espetáculo “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”
Temporada: 17 de maio a 28 de julho de 2013
Dias e Hora: Sexta 21h30 / Sábado 21h30 / Domingo 20h Teatro: Teatro Fashion Mall – Shopping Fashion Mall
Endereço: Estrada da Gávea, 899 / São Conrado / Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2422-9800 / 3322-2495
Vendas On Line: Ingresso.com
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Clarice costumava tomar, banhos de mar, em Olinda, nas primeiras horas da manhã, levada pelo pai, como num ritual de purificação. Lá encontramos sua sobrinha neta Nicole Algranti, que participava da Fliporto e produziu o filme De Corpo Inteiro, exclusivamente para o mercado de DVD e TV. (69 minutos)
Nos anos 60 e 70, Clarice que atuava como jornalista entrevistou dezenas de personalidades para a Revista Manchete e para o Jornal do Brasil, reunidas hoje no livro Entrevistas, lançado em maio de 2007, pela editora Rocco. São conversas de vida com 25 personalidades como Ferreira Gullar, Tônia Carrero, Maria Bonomi, Nélida Pinõn e os falecidos Érico Veríssimo, Fernando Sabino, Helio Pellegrino, Tom Jobim…
De Corpo Inteiro: Uma Clarice simples revelada por Nicole
Inspirada nessas entrevistas, a diretora Nicole Algranti, sobrinha neta de Clarice, filmou De Corpo Inteiro com pitadas de ficção: a personagem principal é Clarice Lispector, em encontros dramatizados com as mais variadas personalidades com quem ela conversou. Clarice dá uma verdadeira aula de jornalismo ao mergulhar poeticamente no mundo de seus entrevistados. “Era uma pessoa simples, agradável, que gostava de crianças e animais” conta Nicole.
Clarice vai se revelando aos poucos, a cada entrevista que realiza
De acordo com a diretora do documentário ficcional, “O filme contextualiza as décadas de 60 e 70, que foram os anos nos quais ela trabalhou como jornalista.” faceta que poucos conhecem…
Três irmãs escritoras
Além de Clarice, Elisa e Tania, avó de Nicole também escreviam.
Em Exílio, Elisa Lispector contou a saga da família parecida como a de muitos judeus que emigravam daquela região, fugindo dos pogroms, perseguições.
“Eram pobres, mas tinham fome de saber. A necessidade de aprender a português fez com que elas mergulhassem de cabeça na língua”, conta Nicole, cuja avó publicou um livro aos 89 anos, pouco antes de falecer, dois anos atrás.
O filme é uma homenagem aos amigos que foram entrevistados pela escritora. “Ela tinha um toque especial na hora de entrevistar. Procuramos os textos publicados pela artista, as pessoas que ainda estão vivas foram entrevistadas novamente. É um filme interessante para o jornalista ver”, comenta.
A atriz Cássia Kiss participou da Fliporto ontem, 13 de novembro, na mesa Clarice e a descoberta do mundo (o filme) com mediação da professora Teresa Montero.Ela falou sobre sua participação no longa como Clarice Lispector e respondeu perguntas do público sobre a construção da personagem. De acordo com a diretora do filme Taciana de Fátima Oliveira, a escolha de Cássia para o papel foi um grande acerto. Taciana contou que minutos antes da mesa, Cássia teria dito a ela: ”Clarice, sou eu!”. A atriz admitiu que fazer o papel de Clarice Lispector no cinema é um grande presente. Abaixo, assista ao teaser Clarice e a descoberta do mundo exibido durante a palestra.
O filme, parte documental, está em processo de finalização, com previsão de estreia para o segundo semestre de 2011. Estão no elenco também Germano Haiutt como pai de Clarice e Stella Maris que faz Marieta, a mãe. A atriz pernambucana Hermila Guedes também fará parte do projeto, que agora roda a parte ficcional.
A estrutura narrativa do filme se apoia e se reflete no processo criativo da escritora.Também apresenta cartas inéditas dela ao amigo pernambucano Augusto Ferraz. A atriz leu uma dessas cartas durante a mesa e contou que esse foi o primeiro treino dela imitando a língua presa de Clarice. Ela foi aplaudida pela plateia.
Depois da mesa, Cassia Kiss tirou fotos e conversou com alguns espectadores. Ela contou a Mona Dorf que atualmente está mergulhada em Clarice Lispector e lendo todas as biografias sobre a escritora. A última que leu e recomenda foi feita por Alicia Manzo.
Mona Dorf media a primeira mesa de sábado na Fliporto Clarice Lispector: como se constrói uma biografia com Benjamin Moser e Nádia Gotlib.
Foto: Anapaula Ziglio
Durante a mesa, os dois biógrafos de Clarice Lispector leram trechos de seus livros e debateram pela primeira vez em público suas convergências e divergências. Acompanhe abaixo um trecho:
Estrelas internacionais de todos os naipes e escritores que percorreram o circuito das Letras - Flip, Bienal do Livro, Fórum das Letras - se deslocam a partir dessa sexta-feira, 11 de novembro, para o Nordeste brasileiro, num cenário de sonho. Olinda promete realçar ainda mais o brilho dessa VI edição envolvendo toda a comunidade literária de Pernambuco e dos estados vizinhos.
O coordenador do evento, o escritor e advogado Antônio Campos vislumbra, na relação entre Fliporto e Olinda, um encontro que promete ser duradouro. “Assim, a Fliporto transfigura sua marca preservando a essência simbólica do ‘porto’, o espaço em que viajantes (autores) e nativos (público) se misturam, trocando suas riquezas e misturando artefatos. É o maior porto literário do nosso vasto mar cultural que é o Nordeste!”
Entre os nomes da literatura mundial, Camille Paglia, uma das mais influentes intelectuais da atualidade, o escritor sírio Adonis (pseudônimo de Ali Ahmed Said Esber), sempre cotado ao para o Nobel, os argentinos Ricardo Piglia e Alberto Manguel…
A literatura e presença judaica no mundo ibero americano
este ano, é o tema central que serve como norte para as mesas de discussões, como explica o Membro da Academia Pernambucana de Letras (APL). Foi dele a ideia da discussão em torno da literatura judaica e a sugestão da homenageada desse ano, Clarice Lispector. “A escolha de Clarice se deve a própria trajetória da escritora, que da Ucrânia veio para o Brasil e sua importância seminal para a construção da literatura brasileira moderna”, afirma.
Eu estarei mediando a conversa que junta pela primeira vez dois especialistas em Clarice, os biógrafos Nádia Gotlib - cujo mergulho nos acervos da família resultou na linda: Clarice Fotobiografia, publicada pela Imprensa Oficial, que passeia por sua vida, do Recife ao Rio de Janeiro, e pelos anos de casamento com o diplomata - e o americano Benjamin Moser, esse último responsável por Clarice, lançado em 2009 nos EUA e aqui.
A curadoria literária da Fliporto
é do jornalista e escritor Mário Hélio Gomes, doutor em Antropologia pela Universidade Salamanca (Espanha) e coordenador-geral da EditoraMassangana/Fundação Joaquim Nabuco.
Na intensa programação alinhavada por ele com o melhor de nossas letras, tem também espaço para o cinema, artes plásticas, música e tecnologia nos projetos simultâneos: Cine Fliporto, Fliporto Criança, Fliporto Gastronomia e Fliporto Digital. A Festa sedia ainda a I Feira do Livro de Pernambuco onde estará sendo lançado também o Autores e Ideias!
Programação para todos os gostos
Figuram ainda entre as novidades da Fliporto Clarice na Cabeceira, nova coletânea, dessa vez de crônicas, organizada por Teresa Montero; a graphic novel Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho; A Cidade Ilhada, de Milton Hatoum; Traduzindo Hanna, de Ronaldo Wrobel; e Deixa Eu Ir Meu Povo, da pernambucana Luzilá Gonçalves Ferreira.
A sexta edição confirma Ioram Melcer, Michel Sleiman, Geneton Moraes Neto, Edney Silvestre, Marcia Tiburi, Raimundo Carrero, François Jullien, Contardo Calligaris, Adriana Armony, Tatiana Salem Levy, Alberto Dines, Moacyr Scliar e Guilherme Fiúza.
Pernambuco reaviva a profunda relação com Clarice Lispector para adotá-la plenamente – quem sabe um dia veremos a velha casa da onde ela viveu na Praça Maciel Pinheiro como um belo memorial – com essa justa homenagem. No ano em que são celebrados os 90 anos de seu nascimento, a Fliporto dedica a chegada à nova década a uma das autoras mais vanguardistas do País. “A honraria a Clarice se deve à própria trajetória da escritora, que da Ucrânia veio para o Brasil, e a sua importância seminal para a construção da literatura nacional”, define Antônio Campos, coordenador geral da Fliporto.
Diva da moderna literatura brasileira, Clarice Lispector permeia de forma muito especial a Fliporto 2010. Merecidamente homenageada da sexta edição, culmina como ponto alto de diversos caminhos propostos pela Festa Literária Internacional de Pernambuco. Judia, nascida na Ucrânia, passou a infância e adolescência no Recife, e viveu por diversas cidades do mundo. Nossa Kafka de saias é uma mescla única e vigorosa da temática que aqui se propõe: Literatura e presença judaica no mundo ibero-americano.
Definitivamente, este ano, agosto é o mês da literatura. Depois da Flip em Paraty-RJ, e da Bienal internacional do Livro-SP, chegou a vez do interior de São Paulo, receber na cidade de Ourinhos, uma invasão de escritores, ilustradores e livreiros. A segunda edição do A(o) gosto das Letras começou neste domingo, tendo como homenageada Clarice Lispector. A obra da escritora será debatida em várias mesas no Espaço do Professor, e na exposição de caricaturas feitas por alunos da rede pública.
Até o dia 28 de agosto, o público terá uma programação recheada de atividades voltadas ao universo literário. Um dos destaques do o A(o)gosto das Letras é o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor de 1808, um dos livros mais vendidos no Brasil e em Portugal nos últimos três anos e que lança agora novo livro.
Outra presença já confirmada, é o escritor Reinaldo Moraes que esteve na Flip, na mesa Fábulas Contemporâneas, junto com Beatriz Bracher e Ronaldo Correia de Brito. Os leitores poderão bater papo com o autor sobre seu livro Pornopopeia ( 2009), um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2010. O encontro com autor acontece no dia 26, quinta, às 20h, no Auditório do Centro Cultural Tom Jobim. A entrada é franca.
As relações entre Literatura e Suicídio estão no centro de outra mesa: a do escritor Marcimedes Martins da Silva, doutor em Psicologia Social pela PUC-SP, autor de Suicídio: Trama da Comunicação, e Internet como Expressão daIndústria Cultural, além de livros para o público infantil.
A programação do A(o) gosto das Letras traz ainda conversas com ilustradores, oficina de dinamização de bibliotecas, exposições, atividades para crianças, espetáculos de teatro e música. Autor de uma dezena de livros dedicados à canção brasileira, o músico Luiz Tatit, um dos criadores do Grupo Rumo, faz show no Teatro Municipal Miguel Cury, no dia 27 de agosto às 20h30. Promete encantar a plateia com suas brincadeiras litero-musicais!
No último sábado, o Salão de Idéias da Bienal lotou para ouvir a atriz Beth Goulart e Benjamim Moser, falar sobre uma escritora que atrai multidões: Clarice Lispector. O escritor que acabei encontrando, por acaso, novamente no domingo, me confessou: ” Nunca pensei que passaria tanto tempo falando sobre um livro… ” . A biografia Clarice, (lê-se “Clarice vírgula”), foi lançada há um ano nos EUA, e em seguida aqui no Brasil (Cosac Naify), desde então, o autor americano que mora na Hollanda, não parou. ” Toda hora estou no Brasil! Volto daqui a 3 meses para a Fliporto! ” comemora.
Durante a Flip, tívemos uma boa conversa com ele. Benjamin Moser nos leu um trecho do livro e falou da pesquisa e da viagem à Ucrânia.
Cada um tem a empregada que merece…
(
Obstinado, Benjamim aprendeu português e ficou cinco anos imerso na vida e na obra de Clarice para apresentá-la ao leitor não lusófono. Sua biografia -que teve como tradutor o clariciano, José Geraldo Couto - vem se somar à outras obras, na linha de biografias e memórias, como os da pesquisadora Nadia Gotlib com quem conversamos longamente.
Filiação de Clarice Lispector à tradição literária da mística judaica
Muitos já observaram que sua literatura não parecia “brasileira”, e que até mesmo em português guarda um raro sotaque.
“Para os judeus, tradicionalmente, a experiência mística se dá por meio da escrita, da palavra escrita. Não existe místico judeu que não escreveu livros. Ao escrever, Deus aparece porque, em hebraico, não é apenas a palavra de Deus que é sagrada, o próprio alfabeto é sagrado”. Para Moser, essa matriz judaica é “óbvia”, na literatura dela mas sempre foi relegada a segundo plano.
Neste trecho, Benjamim Moser fala da vida de Clarice no Recife e do seu judaismo. Descreve o lugar de onde veio sua família, terra de peregrinação: ” Era uma regiâo que fervilhava de misticismo, não só de judeus…”
Clarice não era religiosa, mas vinha de uma família que falava com Deus
Benjamim fez questão de viajar para “sentir” de perto as cidades onde a escritora viveu. Numa pesquisa inédita, ele percorreu durante 5 anos, os lugares por onde os Lispector passaram, da agreste Podólia (região da Ucrânia) ao célebre apartamento no Leme onde ela passaria o resto da vida, do Recife da sua infância às cidades onde viveu com o marido diplomata: ” Se eu soubesse quanto dinheiro isso ia custar… mas quando vi, já estava completamente envolvido na minha busca! ”
O ponto alto do seu livro, discutível para alguns, é revelar aspectos desconhecidos da vida da escritora, como um possível estupro da mâe dela, em função do qual, ela viria a contrair a sífilis, doença que a matou. Benjamim desenvolve a tese de que Clarice carregaria a culpa de não ter salvo a mãe a vida toda.
A revelação inédita viria de uma conversa da própria Clarice e de Elisa Lispector, irmã mais velha, também escritora, que permitiu ao biógrafo enxergar os dramáticos episódios vividos pelos Lispector, durante os pogroms - perseguições a judeus-, que assolaram a Ucrânia entre 1910 e 1920.
Benjamin Moser fala também da sua relação com a psicanálise. Desde quando morou em Berna, Clarice teve diferentes terapeutas e psicanalistas; Moser procura reconstituir essas experiências, especialmente importantes numa escritora que fez da subjetividade a principal matéria de sua ficção.
A boemia intelectual do Rio de Janeiro dos anos 50 e 60 –com quem Clarice cultivou sólidas amizades sobretudo com os escritores mineiros: Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos- foi tema do programa Letras&Leituras com os dois biográfos Benjamin Moser e Nadia Gotlib.
A política de estuprar mulheres era uma forma de humilhação do pai, da família
“Como é possível que ninguém fora do Brasil saiba quem é essa mulher?”. O jovem Benjamim Moser é responsável por difundi-la no exterior. Para o leitor brasileiro, é interessante também conhecer a visão de um estrangeiro sobre o Brasil e sobre uma des nossas mais instigantes escritoras.
Não é de hoje que críticos, biógrafos, pesquisadores, jornalistas, artistas tentam decifrar Clarice Lispector. Sem contar os livros de sua autoria, só na Amazon.com são listados 74 itens que contêm “Clarice Lispector” no título; na Livraria Cultura 37. A fotobiografia organizada por Nádia Battella Gotlib, publicada pela Imprensa Oficial, traz oitocentas imagens.
Seu rosto é reproduzido à exaustão na internet, em selos postais, literatura de cordel, é um ícone da cultura brasileira. O mistério estampado no rosto da escritora, no entanto, permanece. Por isso é que, na edição brasileira, Benjamin Moser e a Cosac Naify apostaram não em imagens, mas numa narrativa, para dar conta desse mistério.
Clarice, uma biografia Autor: Benjamin Moser Editora: Cosac Naify Tradução: José Geraldo Couto Quarta capa: Yudith Rosenbaum Foto da capa: Claudia Andujar
O livro contém apenas uma imagem de Clarice. Assim mesmo, seu rosto não aparece na capa, apenas na lombada do livro e numa foto interna, como que para reafirmar que é somente pelas palavras que se pretende capturar sua vida e obra. O título do livro em português – Clarice, – remete à proverbial vírgula que abre Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres.
Na mesa Gilberto Freyre e o século 21 que encerra no domingo, às 11h45 , a homenagem ao sociólogo, três de seus maiores intérpretes analisam a atualidade sua a obra. O escritor americano Benjamim Moser, quase um brasilianista, – ele esteve em Pernambuco para pesquisar a vida de Clarice Lispector – fará a mediação. Pelo tom do texto, que escreveu sobre Freyre há algumas semanas, deve pegar pesado:” Escrevi esse texto que foi publicado nos EUA e depois foi traduzido aqui, ele combateu o racismo, mas apoiou Salazar… Esteve na Africa, pouca gente sabe… Apesar de contraditório, fez muito pelo Brasil”.
Mais tarde às 16h30, na mesa Nacional, estrangeiro, o americano Benjamin Moser, volta à Tenda dos Autores, para uma conversa com o tradutor alemão Berthold Zilly (de Guimarães e Machado), entre outros escritores brasileiros. Ao se aproximarem da cultura brasileira, eles se transformaram em intérpretes da literatura produzida no Brasil e seu papel no exterior: “Nós somos uma espécie de canal, acho um privilégio poder falar de outras cultura, fora do nosso país.”
A atriz Beth Goulart dá uma dica para quem vem a São Paulo nas férias de julho ou já está por aqui: o Museu da Língua Portuguesa. Segundo ela, além de ser um espaço lindo, lá se dá atenção a algo que muitas vezes nos esquecemos: a linguagem.
A mostra temporária Menas: o certo do errado, o errado do certo foi prorrogada até o próximo dia 18 de julho. Com curadoria dos linguistas Ataliba T. de Castilho e Eduardo Calbucci, a exposição discute, de maneira muito didática e bem-humorada, os vários padrões de linguagem. Ela também está repleta de dicas que auxiliam no uso do padrão culto da língua portuguesa, sem, entretanto, discriminar os demais padrões. Vale a vista!
Uma outra dica: quem visita o Museu da Língua Portuguesa durante os finais de semana e feriados tem a oportunidade de mergulhar na história do importante prédio da Estação da Luz. As visitas monitoradas têm em média 50 minutos de duração e percorrem pontos históricos e arquitetônicos da Estação.
Esses passeios são gratuitos e acontecem todos os sábados, domingos e feriados, às 12h e 14h, partindo da entrada de visitantes do Museu.
Acaba de ser relançado o livro Clarice uma vida que se conta, pela Edusp. Depois de sair publicado em espanhol, em Buenos Aires, a professora de literatura Nadia Gotlib, uma das maiores autoridades em Clarice Lispector, atualizou a obra que havia escrito há mais de 15 anos e que serviu de inspiração para o americano Benjamim Moser escrever a biografia dele: Clarice, editada pela Cosac Naify. Os dois divergem sobre a hipótese do estupro da mãe de Clarice.
O mergulho nos acervos da família acabou gerando outro filhote: Clarice Fotobiografia. Publicado pela Imprensa Oficial, o livro traz a vida da autora, do Recife, ao Rio de Janeiro, passando pelo anos de casada com o diplomata.
Aqui Nadia nos lê um trecho de A Cidade Sitiada, que Clarice escreveu em Berna e conta como conseguiu levantar fotos originais e documentos inéditos da autora cultuada em blogs e comunidades da web.