Nos rótulos de cachaça, a memória gráfica da vida privada brasileira
Até 26 de fevereiro, o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa, mostra a memória e a arte gráfica dos rótulos de cachaça.
Na exposição, o público pode ver exemplares de rótulos desde de 1940 do acervo de Egeu Laus, curador da exposição.
Os rótulos de cachaça contam fatos da nossa história, mostrando um Brasil profundo (e nem sempre visível), mas inscrito e enraizado solidamente na cultura popular brasileira.
O espaço é dotado de quatro salas de exposições, auditório e possui um acervo fotográfico referente a Laurinda Santos Lobo. Palestras e degustação de cachaça turbinam a mostra.
Ela foi apresentada anteriormente em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, com a exposição Anônimos e Artistas. Assim como as mostras Miragens e Veja ilustre passageiro: o Atelier Mirga e os cartazes de bonde, já apresentadas aqui no blog.
Como todos sabemos, a cachaça faz parte da cultura brasileira e até hoje atrai todas as classes sociais em um objetivo comum, mas o interessante da exposição fica por conta da estética dos rótulos, que para se comunicar com tanta gente usava uma linguagem simplista e estereotipada, que fazia bem esse papel com todos os segmentos da sociedade.
Os rótulos eram feitos muitas vezes pelos próprios donos dos alambiques de forma amadora e por ser um produto genuinamente brasileiro, conseguiu criar uma estética com características nacionais. No geral, os rótulos continham santos católicos em imagens e a na sua tipografia, quando não, era a sensualidade feminina – pin ups -de forma bastante estereotipada que se destacava.
Veja abaixo o vídeo com alguns dos rótulos expostos e a entrevista com o curador da exposição, Egeu Laus.
Uma outra característica do rótulo, esta compartilhada com uma vasta produção de efêmeros e embalagens no Brasil, é a impressão litográfica, mantida até pelo menos os anos 50/60 do século 20.
“Os rótulos da nossa cachaca tem sido objeto de pesquisa por conta do interesse de historiadores na nova história material, focada nos temas da vida cotidiana, a vida privada. Se por um lado, os rótulos da cachaça contam a própria história do Brasil – não há grande acontecimento que não tenha sido homenageado em alguma marca de cachaça (fundação de Brasília, Copa do Mundo, etc.); por outro, o design contemporâneo tem aprofundado seu olhar para a nossa cultura material popular como reação à uniformidade das estéticas ocidentais transnacionais”, comenta Egeu Laus, gestor cultural, designer e pesquisador de Memória Gráfica Brasileira.
Degustação de cachaça
Dia 16 de fevereiro (quinta), tem palestra com degustação sobre “Como reconhecer e desgustar as melhores cachacas” às 19 horas no auditorio. O evento será conduzido pelo Cachacier Manoel Agostinho Lima Novo – autor do livro Viagem ao Mundo da Cachaça. Após a palestra haverá uma degustação orientada pelo palestrante com cachaças produzidas no Estado do Rio de Janeiro.
Evento grátis. Inscricões por telefone.
Dia 26 de fevereiro (domingo), tem degustação de encerramento da exposição às 19 horas.
Centro Cultural Laurinda Santos Lobo
Rua Monte Alegre 306, Santa Teresa
De 2 de janeiro a 26 de fevereiro
Terça a Domingo, das 10h ás 19h
Classificação: livre – entrada gratuita
Fones: 2215.0618 e 2224.3331
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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Exposições, Imagem Tags: Anônimos e Artistas, Caprichosamente Engarrafara: Rótulos de cachaça, Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, Egeu Laus, Fundação Joaquim Nabuco, Mona Dorf, Santa Isabel, Tomie Ohtake
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