Reestreia nesse sábado 25 de fevereiro no Teatro Jaraguá, em São Paulo, para curtíssima temporada um espetáculo musical que nos faz voltar no tempo. Delicado e elegante como a bossa nova… e a idealizadora e atriz principal Fernanda Couto. Nara é um musical do tipo ”um banquinho, um violão”. O diretor Márcio Araújo vai além: “é um musical de câmara, genuinamente brasileiro que não busca referências na Broadway e, sim, encontra nosso próprio caminho; mostra a relevância de uma música que nasceu aqui e ganhou o mundo: a bossa nova”.
Peça Nara/ Foto: Lenise Pinheiro
Nara mostra a trajetória musical de Nara Leão, suas várias facetas de mulher, seu envolvimento político, e posições artísticas por meio de uma seleção musical que ilustra mais de 25 anos de carreira.
Nara cumpriu temporada de sucesso no no CCBB-Rio, e pode itinerar pelo país. Conta com Pedro Paulo Bogossian, responsável pela premiada direção musical. No palco, além da protagonista Fernanda, estão em cena Guilherme Terra, Rodrigo Sanches e William Guedes.
Musa da bossa nova
Nara descobriu e ajudou Chico Buarque, Maria Betânia, Fagner e tantos outros artistas. Musa da bossa nova, também flertou com o Tropicalismo, gravou sambas do morro, Roberto & Erasmo e versões de clássicos americanos.
Podem me prender… podem me bater
Três músicos-cantores-atores acompanham Fernanda nos principais acontecimentos da vida da cantora como a peça Opinião, o período da repressão e o auto-exílio. São os amigos da bossa nova, encantados por sua doçura inspiradora.
O musical Nara foi contemplado o Prêmio Contigo de Melhor Musical Nacional e obteve quatro outras indicações: Prêmio Shell (Melhor Música), Prêmio APCA (Melhor Atriz e Direção Musical) e Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro (Projeto Sonoro).
Nara
Reestreia: 25 de fevereiro – sábado – às 21 horas
Até 18/03/12
Local: Teatro Jaraguá
Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista – SP Datas e horários: sábado às 21 horas e domingo às 19 horas Duração: 60 min Classificação etária: 8 anos
Depois de passar por Brasília e Rio de Janeiro, o público paulistano poderá ver até 16 de outubro a exposição Mariko Mori – Oneness no Centro Cultural Banco do Brasil.
Essa é a primeira individual no País de Mariko Mori, considerada a artista japonesa contemporânea de maior visibilidade no ocidente com obras em acervos de importantes instituições como Guggenheim (NY), MoMa (NY), Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, Centro Georges Pompidou (Paris).
Sob a coordenação e curadoria de Nicola Goretti, Mariko Mori utiliza o design e a arte de vanguarda para compor elementos de engenharia de ponta, interativos e de forte impacto físico e visual. Logo na entrada do CCBB, uma grande nave Wave Ufo (1999-2002) convida o espectador a interagir com a obra e com os outros.
Destaques
Reunindo dez trabalhos de alta complexidade tecnológica, a mostra é um passeio pela trajetória da artista, desde seus primeiros trabalhos, realizados em 1995, até os mais atuais entre objetos de grande dimensão, vídeos, fotografias e desenhos.
Oneness (2003), o trabalho que dá nome à exposição, é um círculo com seis figuras confeccionadas em technogel (material novo que fica entre o sólido e o líquido), que interagem ao toque do visitante. Uma alegoria da conectividade. Transcircle (2004) é um anel de nove pedras de vidro coloridas e brilhantes, controlado interativamente, numa fantástica reinterpretação dos círculos de monólitos pré-históricos.
Poesia e Estética
Conhecida internacionalmente desde os anos 90, ela havia participado em 2002 da 25. Bienal de São Paulo, exibindo uma obra. No início realizava fotografias de grandes formatos e vídeos de uma estética “neopop” e performática, colocando-se como personagem de narrativas com misto de imaginário, mitos e seres que se referem à tradição religiosa.
Ainda hoje seu trabalho inspira-se no conceito budista de que todas as coisas do universo estão conectadas e contempla mundos fantásticos e seres espetaculares. Ela mescla temas aparentemente opostos como religião e ciência, natureza e cultura, passado e futuro.
Arte e tecnologia, Budismo e a ideia de uma consciência espiritual universal também estão muito presentes. Desenhando antigos rituais e símbolos, Mori usa tecnologia de ponta e materiais de última geração para criar uma visão bela e surpreendente do século XXI. Poesia e estética revolucionando aspectos do pensamento cultural, moderno e globalizado.
“Um artista vê o mundo, olha para o momento presente, com um ponto de vista especial. Minha missão é expressar o que vejo no meu campo de visão. Tenho que criar o mundo para poder respirar no mundo; eu não existo se não crio”, afirma Mori.
Com formação em design de moda, no Japão, e artes, no Chelsea College of Art & Design, em Londres, e no Whitney Museum of American Art’s Independent Study Program, em Nova York, Mariko Mori tem obras em acervos de importantes instituições. Seus trabalhos fundem arte e tecnologia, Budismo e a ideia de uma consciência espiritual universal.
O interesse atual de Mori se concentra num mundo em que os seres humanos e a natureza são uma coisa só. Seus projetos têm por objetivo celebrar o equilíbrio existente na natureza. Atualmente, Mori está radicada em Nova York.
Escadas e degraus que sobem e descem. Planos que desafiam nosso olhar há décadas… O jogo lúdico que encanta gerações e torna o artista um dos mais populares chega ao fim em São Paulo, até domingo 17 de julho, reinventado em outros suportes, o Mundo Mágico de Escher, para comemorar os 10 anos de atuação do CCBB-SP. Essa é segunda maior mostra da obra do artista holandês já realizada no País, reunindo 95 obras, entre gravuras originais e desenhos, incluindo todos os trabalhos mais conhecidos do artista e suas obras mais enigmáticas.
A exposição bateu todos os recordes de visitação no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília e no Rio de Janeiro onde mais de 800 mil pessoas visitaram as obras e instalações interativas. Apenas em Brasília, passaram pela mostra cerca de 200 mil pessoas. Foi o maior número de visitantes em dez anos do CCBB onde a exposição Aleijadinho, era a recordista até então com 154 mil visitantes.
Projeções em 3D turbinam a viagem
Através delas, o público experimenta a sensação de penetrar nas obras de Escher, e quebra a cabeça para entender como o artista conseguia subverter o plano. Múltiplas sensações…
Lá é possível até entrar em uma das obras de Escher e desvendar algumas de suas técnicas. O quebra-cabeça gigante, que trabalha o branco e o escuro, traço característico e marcante do gravurista; a Sala do Periscópio, com o poço infinito; e a Sala do Impossível, onde uma das janelas mostra tudo em ordem, enquanto na outra, os objetos aparecem flutuando.
O Mundo Mágico de Escher
Até 17 de julho de 2011
Local: CCBB-SP
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112, Centro/ Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Horário: terça a domingo, das 9h às 20h Classificação: Livre
Entrada Franca
Idealizada pela curadora Júlia Peregrino, Cora Coralina – Coração do Brasil ocupa o segundo andar do CCBB e possibilita ao visitante fazer um mergulho visual no universo da poetisa, intelectual, comerciante, sitiante, doceira e militante das causas nobres Cora Coralina.
Correspondência, manuscritos, artigos, fotografias e os mais diversos documentos…
É uma visão sobre o universo da poetisa e intelectual brasileira entre 1889, quando nasceu, e 1985, ano de sua morte, traduzida em fotos, vídeos, documentos e arquivos que nunca haviam saído da Casa de Cora Coralina, hoje, um espaço memorial instalado na casa em que ela viveu na Cidade de Goiás. A cenografia, assinada por Daniela Thomas e Felipe Tassara, ajudam a entender as sensações deixadas por Cora Coralina na nossa literatura, com sua poesia profundamente ligada à terra e à memória de sua região natal.
São quase 200 imagens que fazem ecoar um mundo de histórias, como as que ouvia da bisavó Vicência (vó Dindinha). Elas também mostram os sonhos da adolescente e da aluna considerada uma das mais atrasadas, que só conseguiu aprender devido ao esforço da Mestra Silvina – sua única professora –. Aos14 anos, publicou seu primeiro texto e colaborou, ao longo da vida, com centenas de jornais em Goiás, São Paulo e várias outras cidades brasileiras.
Uma mulher de coragem
Em 1911, Cora decidiu viver com um homem separado e partiu para São Paulo, onde criou cinco filhos, quatro seus e uma do primeiro casamento do marido. A incansável trabalhadora, como se autodefinia, chegou a vender livros da Editora José Olympio de porta em porta na capital paulista e foi comerciante, sitiante, líder de diversas causas, voluntária da Revolução Constitucionalista de 32, batalhou pelo voto feminino e recomeçou a vida aos 67 anos, de volta a Goiás, fazendo doce pra fora para sobreviver.
Seus doces de laranja da terra, banana, figo e mamão, ficaram famosos em toda parte. “Meus doces pode comprar, os livros pode deixar, pois os doces se estragam e os livros não”, brincava ela.
A escritora
Nascida Anna Lins dos Guimarães Peixoto, mais tarde conhecida como Cora Coralina, ela teve de se auto-inventar muito cedo como escritora: “Por medo de que minha glória literária fosse atribuída a outra Ana mais bonita do que eu”. Então, ela decidiu encontrar um nome “que não tivesse xará” e, após muita busca, decidiu-se por Cora. “Mas ainda era pouco para mim”e não descansou até encontrar Coralina. Um nome sonoro como as águas do seu amado Rio Vermelho.
A fama aconteceu ao estrelar uma brilhante e emocionada crônica de Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, em 1980. Depois disso, o país enfim se abriu para a sua obra. Foi amiga de Jorge Amado e chegou a receber um agradecimento oficial do Papa Pio XII pelos doces que lhe enviou, por intermédio do arcebispo de Goiás.
A arte do mineiro Eder Santos presta homenagem ao esporte nacional, no momento em que todas as torcidas do país vestem a mesma camisa da seleção. Em Brasília, a exposição ou videoinstalação no CCBB dialoga com a poesia presente no universo chamado futebol, tão conhecido dos brasileiros.
O videoartista mineiro Eder Santos, mago dos efeitos visuais, e pai de todos os videomakers volta à capital federal com um tema mais do que atual: o futebol, essa paixão nacional. Embaixadas – Planeta Bola é uma imersão nos sonhos, fantasias e memórias, despertados pelo futebol e especialmente pela Copa do Mundo.
Reconhecido e premiado internacionalmente, os trabalhos de Eder fazem parte do acervo permanente de coleções como as do MOMA, Centre George Pompidou, Intermix (New York) e London Electronic Arts.
Um “edifício-tela” transforma o Pavilhão de vidro do CCBB Brasília, integrando-o à paisagem da cidade. Ao entardecer e à noite o efeito é simplesmente mágico.
Dentro da estrutura de vidro, um grande ambiente inflável, em forma de meia esfera, simula uma imensa bola de futebol. Dentro dessa “bola”, são projetadas imagens por estruturas mecânicas que combinam projetores de vídeo e espelhos. O público pode se jogar em pufes e deixar-se levar pelas sensações e estímulos diversos provocados pelas imagens.
Numa referência bem humorada à função diplomática da capital federal e às diversas embaixadas na cidade, imagens trazem pessoas fazendo “embaixadinhas”. São trinta e duas pessoas, usando os uniformes das seleções que participam da Copa.
No pavilhão de vidro, o artista apresenta imagens de futebol de várzea, daquela “pelada” da qual toda criança brasileira, algum dia, já participou, de meninos que sonham com um futuro, espelhado nos dos craques da bola.
Embaixadas- Planeta Bola
Pavilhão de vidro do Centro Cultural Banco do Brasil, SCES Trecho 2, Conj. 22, Brasília, DF.
Até 18 de julho
De terça a domingo, das 9h às 21h.
Entrada franca.
Classificação indicativa: livre
Twitter: @ccbb_df
Até 17 de julho de 2010, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB- SP) abriga a maior retrospectiva já realizada do multiperformático artista paulistano José Roberto Aguilar. São trabalhos produzidos ao longo de cinco décadas de carreira, com curadoria do arquiteto e professor da FAU-USP Haron Cohen, colecionador das obras de Aguilar desde os anos 1960 e produção da Arte 3. A mostra segue uma ordem cronológica e ocupa todos os andares do prédio, exibindo cerca de 75 pinturas do artista e videoarte.
Aguilar, durante muito tempo, foi um nome sinônimo de irreverência com poesia, um dos primeiros adeptos de outros suportes para a arte: da performance ao vídeo, hoje já adotados por muitos artistas.
Logo na chegada já no térreo, a visão é surpreendente. “Estrela Senna” (2001), uma pintura monumental de Aguilar, com mais de 10 metros de comprimento e dois de altura e uma instalação, construída a partir de esculturas de vidro denominadas ‘espadas de luz’, e a inédita “Vestidos de Noiva”, criada especialmente para esta mostra e ocupará o hall central do CCBB.
Os anos 2000 são lembrados no 1º andar, onde além de telas, como “O Circo de Calder” (2000), da série Rio de Poesias, e “Bandeira dos Visionários (Getúlio)” (2003), da série Brasil de Aguilar, há cinco instalações do artista: “Jardim de Alice” e uma série de quatro trabalhos – apresentados pela primeira vez em 2005, no Instituto Tomie Ohtake – com uma figura feminina projetada que interage com objetos reais, como uma ducha e uma poltrona.
No 2º andar, a atividade dos 80 e 90, marcada pela pela criação de sua Banda Performática e mostras no Brasil e exterior. Entre as mais de 20 telas: “Homenagem a Bukowski” (1982), “The Most Beautiful Cup of Tea” (1984), da série Japão, e “Einstein’s Dream’s” (1983) e “O Papa Iluminado” (1992).
No 3º andar estão as obras da década de 60, época em que Aguilar participa da 7ª Bienal Internacional de São Paulo e da mostra Opinião – 65, no MAM do Rio de Janeiro. Desta fase, as telas ”Anima” (1963) e “Conversa” (1965). No mesmo piso, as obras dos anos 70, quando o artista foi morar fora do Brasil e começou a se dedicar à videoarte. Entre os destaques: “Paisagem” (1971), da série Londres, “Macunaíma” (1974), da série Transformação do Tabu em Tókio, e “I Ching” (1975), da série Nova York.
EXPOSIÇÃO “AGUILAR 50 ANOS”
Até 17 de julho – terça a domingo, das 10h às 20h
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: R. Álvares Penteado, 112, Centro
Classificação Indicativa: livre
Ingresso: entrada franca