A semana é da letras! Desde sábado o A(o)gosto das Letras, em Ourinhos está cheio de atrações. Trouxe para bate-papos os escritores Lourenço Mutarelli, Marcelino Freire, Mário Bortolotto, Jefferson Del Rios, entre outros. Nesta noite, é a minha vez defalar sobre meu livro Autores e Ideiase debater com o jornalista e escritor Xico Sá, jornalismo e literatura.
Teatro de mamulengo, oficinas de xilogravura, gastronomia, contação de história por barbante… Vale tudo para despertar o prazer da leitura, como explica a secretária de Cultura Neusa Fleury.
Entrevista ao pé de uma árvore de livros
Lançada ontem no mar de Santos, a Tarrafa Literária , com um show de abertura, um dos eventos culturais mais importantes da baixada santista, sob o comando do livreiro José Luiz Tahan. A programação acontece entre 24 e 28 de agosto, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 10, Centro).
A entrada é gratuita e vale conferir! Cerca de 40 autores participam dos debates, entre eles Fernando Morais, Adriana Carranca, Fabrício Corsaletti e Reinaldo Moraes. Entre os destaques, Laurentino Gomes, historiador e autor de 1808 e 1822, que esteve em Santos na primeira edição, em 2009, da qual também pude participar.
Tarrafa Literária: Lourenço Mutarelli, José Luiz Tahan e Marcelo Mirisola
Volto com alegria esse ano, viajando pra lá no sábado, para um bate-papo sobre literatura com Carpinejar e o autor irlandês Ian Sansom (do irônico A verdade sobre os bebês de A a Z), que vem ao Brasil especialmente para a Tarrafa Literária 2011 .
Veja um pouco do clima da Tarrafa, nesse vídeo que gravei em 2009, na primeira edição onde pude mediar um debate filosófico com o alemão Theo Ross (Novas Vitaminas Filosóficas) e a brasileira Marcia Tiburi.
Completam o programa oficinas literárias gratuitas (sábado e domingo) e o evento infantil Tarrafinha, com atividades lúdicas, contadores de histórias e encontros com autores. Outra novidade é a criação de um espaço dedicado à poesia, que terá uma mesa redonda específica dentro do evento.
Jornada de Passo Fundo – 30 anos
Realizada a cada dois anos, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, atrai milhares de interessados do mundo das letras, por ser um dos mais importantes eventos de incentivo à leitura e à escrita, em debates que incluem a tecnologia, além de literatura e educação.
Acontece entre os dias 22 a 26 de agosto, reunindo nomes consagrados e aproximando autores de todo o planeta e leitores em debates e conversas sobre os mais diversos temas referentes à literatura. O número de participantes em uma mesma edição chegou a 30 mil em 2009, em três décadas, superou 130 mil.
O aumento na premiação do concurso Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, de R$ 100 para R$ 150 mil foi outra novidade. O prêmio destinado ao melhor romance de língua portuguesa publicado entre junho de 2009 e maio de 2011, foi para João Almino (Cidade Livre da Editora Record) é o vencedor do Prêmio Zaffari Bourbon anunciado na abertura oficial da Jornada, dia 22 de agosto.
Para a coordenadora e idealizadora da Jornada, Tânia Rösing, a leitura e a imaginação passam por experiências interpessoais e pela inteligência coletiva: “Na defesa da leitura para todos, propomos refletir sobre a arte em todas suas formas, da oralidade popular às mídias eletrônicas, das estabelecidas nas comunidades orais às distribuídas descontroladamente na sociedade em rede”.
Em 6 anos de existência, mais de 5 mil espectadores puderam assistir a cerca de 80 conferências internacionais no Seminário Fronteiras do Pensamentoque tem a ambição de compreender o século XXI. O debate sobre a identidade da nossa era, marcada por mudanças, velocidade e incertezas, cenários futuros, na visão de intelectuais, pensadores e acadêmicos, tem sido marcado pelo pluralismo das ideias e convidados excepcionais.
Carlo Guinzburg no Fronteiras do Pensamento: a internet e o Google (2010)
Muito do clima do evento, realizado tradicionalmente em Porto Alegre, com extensões em outras cidades e grande repercussão na mídia nacional, será transposto desta vez para São Paulo que ganha uma temporada do curso, ao longo de um ano.
A edição paulista do projeto cultural Fronteiras do Pensamento começa nesta quarta-feira, dia 25/05, na Sala São Paulo, com Frederic Jameson, crítico literário e pensador político. Hoje, 23/05, Frederic fala para o público gaúcho às 19h30 no Salão de Atos da UFRGS. Aqui em São Paulo, serão ao todo oito conferencistas internacionais -quatro a menos que em Porto Alegre- que irão se apresentar entre os meses de maio e dezembro.
Entre os convidados, Lech Walessa e 4 Prêmios Nobel
Um deles, a iraniana Shirin Ebadi, primeira mulher, em seu país, que conquistou o Prêmio Nobel da Paz, em 2003, e que deve trazer para o debate, 14 de junho, a pauta do fundamentalismo. Em julho, o conceito da Modernidade Líquida, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Em agosto, o polonês Lech Walesa, Prêmio Nobel da Paz em 1983, os filósofo francês Luc Ferry, e suíço Alain de Botton…
Organizado a partir de um curso de altos estudos, dirigido ao grande público, inclui uma série de produtos culturais e educacionais, que traduzem temas contemporâneos através de publicações, livros paradidáticos, mídia digital, filmes de curta-metragem e documentários. O Fronteiras do Pensamento é um projeto cultural múltiplo, que aposta na liberdade de expressão intelectual e na educação de qualidade como ferramentas para o desenvolvimento.
Buscar tendências, de uma maneira plural e interdisciplinar, aceitar a provocação de intelectuais, cientistas e líderes com visões distintas, de regiões diferentes, que estão, na vanguarda em suas áreas de atuação, como explica o curador Fernando Schuler.
Buscar tendências, provocar…
Geração Z discute temas com escritor Carpinejar
Em Porto Alegre, somente, os temas que trazem inquietação serão levantados ou melhor, provocados pelo performático escritor Fabricio Carpinejar. “É um segundo momento, com jovens “, explica Fernando Schüler. “Queremos trazer para o debate temas importantes, dando aos alunos uma visão real dos próximos 10 ou 20 anos, nas diferentes áreas contempladas”.
Completam a lista de conferencistas, o médico neurocientista brasileiro e referência mundial no trabalho com próteses neurais, Miguel Nicolelis, 22 junhoe Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura em 2006, que encerra o ano.
Fernando Schüler comenta o nomes que escolheu para essa edição
Não é possível assistir às palestras separadamente. O passaporte que dá direito às conferências custam R$ 725,00 no Rio Grande do Sul e Sala São Paulo tem preços diferenciados de acordo com o lugar: R$ 1.640,00 balcão mezanino, R$ 1.800,00 plateia elevada e R$ 1.960,00 plateia central. Estudantes, professores e terceira idade tem 50% de desconto. Mais informações telefone pelo (11) 4007.1200.
Rio Grande do Sul
Local: Salão de Atos da UFRGS
Endereço: Av. Paulo Gama 110 – Bairro Farroupilha – Porto Alegre/RS
Horário: 19h30
São Paulo
Local: Sala São Paulo
Endereço: Praça Júlio Prestes, 16 – Luz – São Paulo/SP
Horário: 20h30
O livro de crônicas Esse inferno vai acabar do escritor e jornalista Humberto Werneck, publicado pela Arquipélago Editorial, está entre os 60 finalistas da primeira etapa do Prêmio Portugal Telecom, na categoria Conto/Crônica onde concorrem também Ivan Angelo, com Certos Homens, da Arquipélago Editorial, João Carrascoza, com Amores mínimos, Miguel Sanches Neto, com Então você quer ser escritor? ambos da Record, entre outros nomes prestígiados como Carpinejar e Luis Fernando Veríssimo do gênero adotado pelo Brasil.
Dono de um estilo próprio já muito bem revelado no jornalismo, marcado pelo humor e pela mineirice, Werneck é ainda mais engraçado quando atua em mediações de mesas literárias e quando conversa ao vivo, como nessa entrevista que nos deu para falar de sua produção anterior.
No livro, O Espalhador de Passarinhos e outras crônicas, Editora Dubolsinho, Humberto Werneck dá o mesmo tratamento humorístico aos fatos do cotidiano, que costuma dar nos textos saborosos que escreve às sextas no caderno Outlook, do Jornal Brasil Econômico, e aos domingos no site de crônicas www.vidabreve.com. ” Quando posso melhorar a realidade, não deixo de fazê-lo”. As crônicas atravessam várias épocas e registram histórias verdadeiras que ele enfrentou como jornalista. É o caso da crônica sobre um ensaio de JR Duran para a revista Playboy, com ninguém menos do que a filha de Fidel Castro: “Com grande sigilo e contrato milionário, foi montado um grande aparato em Roma, para convencer a filha de Fidel, a posar nua na Playboy. Ela estava meio gordinha… mas, lá fomos nós!” conta Humberto, ao nos deliciar com a leitura do texto e o clima desse encontro.
São todas crônicas muito engraçadas, como a dos casamentos e relações que se dissolvem lentamente, quando os casais se servem através de um copo de requeijão.
Eu poderia ter sido o pai do PAC!
A crônica que não saiu no livro… A candidata do PT, Dilma Roussef foi sua companheira de classe nos anos 6o, em Belo Horizonte e nos bailinhos onde os homens tiravam as mulheres para dançar; elas ficavam ali à espera, perfiladas: “Minha mãe dizia, filho não dance só com as bonitinhas, dance também com as mais feinhas. E como eu não tirei a Dilminha pra dançar, eu escrevi que perdi a chance de me tornar o pai do PAC”.
O pai dos burros, um livro involuntário
Dicionário de lugares-comuns e frases feitas e pérolas sobre o futebol, o livro, da Arquipélago Editorial, é um sucesso tão grande que já vai ganhar uma segunda edição. Ninguém falará e escreverá do mesmo jeito, depois de ver os verbetes juntados, ou melhor, colecionados, em guardanapos, anos a fio, ( ai! perdoa essa Humberto? ) pelo escritor e jornalista. ” São como pilhas gastas, essas palavras ou clichês, que não servem pra nada, mas que por hábito, repetimos o tempo todo sem pensar.”
“Futebol é bola na rede, é ópio do povo, é uma caixa de surpresa… amigo pessoal, agenda positiva, inflação galopante, girar em torno…” Divirta-se!
Biografia de um desonhecido que inspirou artistas e intelectuais
Na biografia O Santo Sujo, publicada pela editora Cosac Naify - sobre a qual Humberto Werneck foi o centro de uma das melhores mesas da Flip em 2008 -, Werneck discorre sobre um personagem criativo e instigante, porém desconhecido:o boêmio Jayme Ovalle. Músico, poeta, grande artista, compositor de Azulão, com letra de Manuel Bandeira, foi amigo de Villa Lobos, Portinari e tantos outros artistas. “Ele costeou as figuras mais importantes da cultura brasileira de seu tempo. Sem ter obra, ele influenciou seus amigos, os intelectuais: Murilo Mendes, Fernando Sabino – o personagem Germano de Sabino é o próprio Jayme Ovalle – Manuel Bandeira, Vinicius de Morais, essa mania de diminutivo do poetinha, veio dele…”
Adjetivos ovallianos – A Nova Gnomonia
“Ovalle não tinha meios de produzir, mas foi um grande artista! Produziu poesia, 33 músicas, mas sua arte vazava no convívio. Era um homem criativo, muito original, seus amigos anotavam tudo que ele falava, nas conversas de bar. Ele inventou por exemplo um modismo, a Nova Gnomonia, para classificar a humanidade e adjetivar as coisas. Ele botou todos os seres humanos em 5 categorias:
- o Exército dos Parás – homenzinhos terríveis s que descem do norte pra vencer na capital da República.
- os mozarlescos, os sentimentais que choram no cinema.
- os kernianos, impulsivas , são pessoas de bom coração, mas capazes da maior barbaridade.
- os dantas, os puros de coração.
- os onésimos, pessoas não tão más, mas que fazem baixar uma sombra, um frio onde elas chegam.
A Nova Gnomonia pegou a tal ponto, que a inteletualidade toda se divertia divindo e separando a humanidade nessas 5 categorias. Objetos e eventos da natureza, como um luar também podiam ganhar adjetivos ovallianos: ”Me lembro de Antonio Cândido contar que ele e Sergio Buarque de Hollanda passavam noites classificando e adjetivando as coisas.”
Outros livros
O escritor e jornalista Humberto Werneck tem vários livros publicados e constantemente relançados.
Entre eles, os da Companhia das Letras, Vultos da República , com perfis políticos e O Desatino da Rapaziada, sobre seus conterrâneos de Minas Gerais: Rubem Braga, Drummond, Ivan Ângelo, Otto Lara Resende, Affonso Romano de Sant´Anna e tantos outros escritores que se renderam em algum momento também à paixão do jornalismo.
Ronaldo Correia de Brito vem de uma família de contadores de histórias. E uma das histórias mais contadas era a história da morte de seu avô. “Eu cresci ouvindo essa história; tinha dia que eu ouvia minha avó contar três vezes a história da morte do meu avô! Até a hora que eu mesmo resolvi escrever e contar a história da morte de meu avô – virou o conto ‘Da morte de Francisco Vieira’ no Livro dos Homens – Cosac Naify - Os familiares ficaram todos revoltados. Disseram que eu havia mudado a história do meu avô!”.
Foi com essa delíciosa história que Ronaldo Correia de Brito abriu a primeira mesa do Festival da Mantiqueira junto com outro vencedor do Prêmio SP de literatura 2009, Altair Martins e o compositor e escritor Arnaldo Antunes, convocado para mediar o diálogo. Para ele, todos os narradores são grandes mentirosos! “Eu sempre escutei como eu desejava ouvir. Escrever é trabalhar com a memória inventada, jamais com a história.” O escritor tem de ser capaz de transformar, explica Ronaldo que assim começa respondendo à pergunta sobre processo de criação, para acrescentar que leu muito na infância e adolescência. Fala especificamente de duas obras: Ilíada e Odisseia, de Homero, para arrebatar de vez a platéia com outra história. ” Os livros que eu lia eram cheios de buracos de traças, mas eu não me importava, lia-os assim mesmo, eles tinham cada vez mais buracos e eu ficava imaginando o pedaço da história que faltava “. O leitor completa a narrativa, e certamente o escritor Ronaldo Correia de Brito agradece às traças que ajudaram a alimentar sua imaginação. Ano passado, esse médico, cearense de nascimento, pernambucano de coração que já havia publicado anteriormente, recebeu o Prêmio Sâo Paulo de Literatura, com seu romance Galiléia. Ele abriu o III Festival da Mantiqueira lendo um trecho para a plateia, bem ao estilo da Flip.
De fato, é o melhor jeito de conquistar leitores: ouvir o autor ler seu texto, com seu sotaque, suas paradas para respirar, seus pontos de exclamação.
Leitura de trecho do romance Galiléia, Prêmio SP de Literatura 2009
A região é bem servida de pousadas e todas as cidadezinhas próximas são encantadoras: Santo Antonio do Pinhal, Monteiro Lobato, mas talvez a mais charmosa da Mantiqueira seja São Francisco Xavier, a 91 km da capital paulista, perto de São José dos Campos. Há três anos ela sedia um encontro literário que traz os grandes autores nacionais para o interior do estado. Na praça central, uma tenda abriga as mesas do Festival, abertas ao público, em geral. Numa outra, os escritores conversam com os estudantes da região, após a leitura do livro deles. Esse ano vieram Walcyr Carrasco, Marina Colasanti, Spacca, entre outros. Carpinejar deu oficinas de prosa poética. Chacal declamou seus poema, Ferreira Gullar contou que prepara um livro de poemas, o primeiro em anos. ” Se você não se inventa, você não existe! ” bradou o escritor diante de Cadão Volpato, editor de Cultura do IG, que atuava como mediador. A mesa seguinte, não menos interessante, falava sobre o tema Desejo… Coube ao português Agualusa e ao diplomata e escritor João Almino debate-lo com a jovem Carola Saavedra. Os autores estão lá para falar de suas obras, dialogar com o público, autografar livros e tudo mais. O Festival é o ponta pé inícial de uma Viagem Literária que os leva para outras cidades para bate-papos em bibliotecas. E como é bom chegar perto dos autores, poder prosear com eles!
Ronaldo Correia de Brito estará na FLIP 2010, em Paraty, na mesa Fábulas contemporâneas com Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes com mediação de Cristiane Costa.