Carola Saavedra | Mona Dorf

segunda-feira, 5 de setembro de 2011 Entrevista, Festivais Literários, Literatura | 09:56

Bom tempo para o escritor Michel Laub

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Michel Laub está entre os 60 finalistas do Prêmio Portugal Telecom, ao lado de Tatiana Salem Levy, Luiz Ruffato, Humberto Werneck e outros… Na última edição do Festival da Mantiqueira, conversamos com Michel Laub sobre sua literatura. Pouco tempo depois, Diário da Queda (Companhia das Letras), de Michel Laub, receberia o Prêmio Bravo de Literatura na categoria Melhor Livro, que também contou com os autores Rubens Figueiredo, com
Passageiro do fim do dia
, e Marcelo Ferroni, com Método prático da guerrilha, ambos vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2011, presentes nessa edição de 2012, na última mesa do sábado, com o escritor José Castello, para falar sobre ficção e realidade e responder à pergunta: Em que medida uma interfere na outra?
Diário da queda
é o quarto romance do escritor gaúcho, foi finalista do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon, e ainda será lançado na Alemanha.

Michel Laub faz parte da nova geração de escritores talentos, perto dos 40 anos, que temos procurado mostrar aqui na coluna. Gaúcho, se divide entre o jornalismo e a literatura, e ultimamente viaja o país para divulgar seu último lançamento: Diário da queda. Michel Laub participou da Bienal do Livro do Rio de Janeiro na mesa O autor entre a busca da expressão justa e a aventura da metáfora com Gonçalo Tavares, e Carola Saavedra, três autores publicados pela Companhia das Letras.  ”Foi uma conversa bem interessante. Apesar das diferenças de estilo e temática, uma mesa bastante homogênea, três autores da mesma geração, e sob muitos aspectos, com visões semelhantes da literatura”, comenta Carola. O escritor português Gonçalo Tavares, premiado aqui com o Portugal Telecom, pelo romance Jerusalem, deu seu recado: “Escrever é cortar, o leitor tem de introduzir as palavras que faltam.”

Michel ressaltou seu interesse atual pela oralidade: ”Antes meus romances eram mais literários. Tenho procurado escrever como se fala, como se tivesse contando uma estória numa roda em volta da lareira.” É isso que se vê no seu último romance Diário da queda.

Diário da queda - livro selecionado pela Bolsa Funarte de Criação Literária  vai virar filme. A versão cinematográfica está nos planos da RT Features, produtora de filmes como Natimorto e O Cheiro do ralo, de Lourenço Mutarelli, que comprou os direitos do livro.

No romance,o tempo escolar, bullying, mal de Alzheimer, referências judaicas… “O escritor sempre fala de si”, comenta Laub sobre a história de um garoto de treze anos se machuca numa festa de aniversário. Já adulto, um de seus colegas vai narrar o episódio e as consequências na sua vida nas décadas seguintes. O protagonista tem um avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário. A história toca  três gerações, cujas lembranças se juntam de maneira fragmentada, como numa lista, que o autor faz questão de enumerar ao longo da narrativa, marcando um estilo próprio no romance, em tom coloquial. Uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda.

Segundo Tempo, 2006

A paixão nacional, o futebol é o centro desse romance, que se passa em dia de final de campeonato. Em 12 de fevereiro de 1989, Grêmio e Internacional entram no gramado do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, para aquele que ficou conhecido como o mais importante confronto da história do esporte gaúcho – o chamado Gre-Nal. Na arquibancada, um garoto de quinze anos divide-se entre a atenção aos lances do campo e um dilema: dar ou não a Bruno, o irmão caçula, a notícia que vai mudar a vida de ambos.

Em Segundo Tempo, Laub usa de uma forma original o futebol para entrar no universo dos afetos. Fala do que aconteceu numa partida real, através da memória, e reflete ficcionalmente sobre uma experiência íntima. As descrições do pique de um centroavante ou do giro de corpo de um ponteiro direito, seguidas das reações dos torcedores, mexem com o protagonista.  Inicialmente acuado pelos segredos terríveis que guarda sobre a desintegração iminente de sua família, decide enfrentá-los, à medida que mudam os rumos da jogada e as expectativas quanto ao resultado final do jogo.

O autor

Nasceu em Porto Alegre, em 1973. Publicou cinco romances e recebeu o prêmio Erico Verissimo/Revelação, da União Brasileira dos Escritores, e foi finalista dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom, entre outros. Também teve textos publicados na Itália e na Coreia.

Leia também:

Os dois vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2011

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários, Literatura Tags: , , , , , , , , , , ,
segunda-feira, 1 de agosto de 2011 Entrevista, Literatura, Prêmios | 08:00

Miguel Sanches Neto e seu “Ilusões Perdidas” curitibano

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Hoje a noite é de festa no Museu da Língua Portuguesa! A partir das 20h, desta segunda-feira 1/08, serão anunciados os dois vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura que vão ganhar a soma de R$ 200 mil, cada um. Entre os 20 finalistas anunciados no Festival da Mantiqueira, no final de maio, estão Carola Saavedra, Nelson de Oliveira, com quem já conversamos, Joca Reiners Terron, Evandro Affonso Ferreira…  Hoje vamos conhecer o escritor Miguel Sanches Neto, professor universitário e critico literário paranaense. Com seu livro Chá das cinco com o vampiro (Editora Objetiva), ele concorre ao Melhor Livro do Ano, categoria que premia autores veteranos.

Miguel Sanches Neto lê um trecho do romance que também é finalista do Prêmio Portugal Telecom

Miguel Sanches Neto também publica poesia; boa parte dela está reunida em Venho de um país obscuro e outros poemas (Bertrand Brasil). 

Antes ele lançou Chove sobre minha infância (Editora Record), romance com traço mais autobiográfico, Venho de um país obscuro, Um Amor Anarquista e A Primeira Mulher.

O escritor conta que este que foi seu primeiro romance, na verdade, ficou 8 anos na gaveta! Foi escrito em 2002, mas ele recebia conselhos para não se aventurar a publicá-lo, uma vez que mexia com as vaidades do meio literário. ”É uma espécie de Ilusões Perdidas – livro do romancista francês Honoré de Balzac que retrata as agruras de um jovem e provinciano aspirante a poeta e como funcionava o mercado editorial na época-”, conta Miguel Sanches:” Pensava nele não para não ser publicado, mas como um livro para ficar inédito, só que ele se tornou conhecido sem ter sido publicado.” É um romance de formação, com um personagem ficcional que sai da cidade onde eu me criei Peabiru e vai para Curitiba onde passa a conviver com o meio literário.”

A história

Para deixar para trás as brigas com o pai alcoólatra e com a mãe superprotetora, Beto ouve os conselhos de sua tia e se muda para Curitiba. Na capital, ele se torna jornalista e se aproxima de um renomado escritor excêntrico. A amizade dos dois, porém, chega ao fim e a vida de Beto muda novamente. Passado o tempo, entre esperanças, frustrações, mentiras e o êxito como escritor, o encontro com o passado e com seus familiares o faz encarar a morte e encontrar sentido onde não esperava. Miguel Sanches Neto nasceu em Bela Vista do Paraíso (PR) e é Doutor em Letras pela Unicamp.

Melhor Livro do Ano – Autor Estreante 2010

Concorrem nessa categoria que premiou ano passado o jornalista Edney Silvestre, com Se Eu Fechar os Olhos Agora (Record), Andrea Del Fuego, Bráulio Mantovani, Eduardo Gianetti entre outros…

Veja também posts com finalistas dos outros anos:

Os cheiros e as cores de Luanda

Bernardo Carvalho conta amor entre dois soldados

Nova geração: dois autores, dois estilos

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Literatura, Prêmios Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
sábado, 16 de julho de 2011 Entrevista, Literatura, Prêmios | 08:00

BLABLAblogue, a internet como celeiro de talentos literários

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O escritor Cristovão Tezza costuma dizer que a internet jogou novos holofotes sobre a literatura, abriu novos espaços para toda e qualquer pessoa que se aventure a escrever e não conseguia antes publicar e ser lida. Antes de falarmos dos possíveis encontros virtuais, quero convidá-los para um encontro ao vivo nesse sábado, dia 16/07, com 4 escritores da nova geração.

Bate-papo aberto com finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura

Origens, raízes e busca são o tema da conversa com os que junta numa mesa da Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo, autores como Joca Reiners Terron (São Paulo), Miguel Sanches Neto (Paraná), Carola Saavedra (Rio de Janeiro) e Nelson de Oliveira (São Paulo). Em alguns casos o deslocamento geográfico na literatura é claro, como aconteceu com Joca Terron que foi ao Cairo, pelo projeto Amores Expressos, escrever sua história de amor que resultou no livro Do Fundo do Poço se vê a Lua. Em outros, a viagem é mais sútil, a busca é interna, uma volta às próprias raízes. É comum a tentativa de encontrar a própria essência, resgatar o passado e a história individual, familiar? Como tudo isso resulta na viagem literária de cada um? É o que eu tentarei descobrir, a partir de 11h30 da manhã, nesse bate-papo que tem a minha mediação e para qual todos estão convidados!

Blogues literários que já fazem história

Para Nelson de Oliveira, um dos convidados, blogues são amor e humor, notícia e devaneio, crônica e confissão; provocam dependência, efeitos colaterais, mas não têm contra-indicação!

Ele reuniu na antologia BLABLAblogue, vinte e um blogueiros entre escritorers veteranos e estreantes a caminho de serem reconhecidos.

Carola Saavedra nos deu entrevista para falar de todos seus livros que sempre são finalistas de prêmios prestigiados, como Paisagem com Dromedário, assim como Nelson de Oliveira com quem concorre ao Prêmio São Paulo de Literatura, Poeira: demônios e maldições. Não deixe de conferir os outros vídeos para saber mais sobre os livros deles!

Livraria Cultura – Conjunto Nacional
Mediação: Mona Dorf
Avenida Paulista, 2073- São Paulo
Dia: 16/07/2011

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Literatura, Prêmios Tags: , , , , , , , , ,
quarta-feira, 8 de junho de 2011 Entrevista, Festivais Literários, Festival da Mantiqueira, Literatura | 08:00

Viagem Literária levará escritores para 70 cidades

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Estimular o prazer da leitura e formar novos leitores, valorizar a biblioteca pública dos municípios, por meio do contato direto entre escritores e o público. Com esses objetivos, de junho a novembro, renomados escritores saem em turnê para bate-papos com o público nas bibliotecas das 70 cidades que recebem as atrações do programa Viagem Literária. O escritor Lira Neto, por exemplo, esteve no mesmo dia 1 de junho, quando a viagem iniciou, nas cidades de Pacaembu e Tupi Paulista. 

O Viagem é dividido em cinco módulos mensais. O primeiro, em junho, chama-se Literatura para Todos. Nele, autores que se dedicam aos mais variados gêneros literários conversam com o público sobre sua obra. Ignácio de Loyola Brandão que deslumbrou a plateia no Festival Mantiqueira, visita nesta semana de 6 a 9 de junho, as cidades de Itanhaém, Ilha Comprida, Eldorado, Cananeia, Apiaí e Itapeva. O escritor, nascido em Araraquara, já é freguês; participou inúmeras vezes e conta como foi.

Histórias de Marcio de Souza e Ignácio Loyola do contato com o público

 

Entre os autores que já participaram do Viagem Literária estão Mario Prata, Milton Hatoum, Carola Saavedra, Adélia Prado, Beatriz Bracher, Menalton Braff e Ferreira Gullar, que este ano comparece novamente.

A programação prevê 350 atividades nas bibliotecas e é inteiramente gratuita e aberta ao público de todas as idades. Luiz Ruffato que faz parte dessa quarta edição, também tem histórias pra contar. O escritor percorre, de 27 a 30 de junho, os municípios paulistas de São Pedro, Pratânia, Lençóis Paulista, Macatuba, Pederneiras e Diadema. 

Levar literatura para regiões carentes encanta escritores como Luiz Ruffato

“O Viagem Literária é um dos mais importantes programas de incentivo à leitura do Governo de São Paulo. As bibliotecas ficam cheias de pessoas interessadas em conhecer os autores, ouvir seus depoimentos e conversar com eles”, diz o Secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo.

Confira a programação completa no site: www.cultura.sp.gov.br

Leia também:

Festival da Mantiqueira espalha literatura através de viagem literária

Ecos do Festival da Mantiqueira

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários, Festival da Mantiqueira, Literatura Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010 Entrevista, Festivais Literários, Literatura | 08:00

A Mulher na Escrita, com Carola Saavedra, Tatiana Levy e Maitê Proença

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No último domingo de maio, a Tenda principal da Praça matriz de São Francisco Xavier recebeu a atriz Maitê Proença (Entre Ossos e a Escrita e Uma Vida Inventada), a escritora Carola Saavedra (Paisagem com Dromedário e Flores azuis) e Tatiana Salem Levy, (Prêmio São Paulo de Literatura). As três conversaram sobre A Mulher na Escrita ao Longo dos Tempos. Carola tem uma obra reconhecida e um projeto bem próprio de construção da sua escrita. Já a atriz Maitê aventurou-se nas letras, com uma espécie de autobiografia, não assumida, como ficou claro na entrevista que me deu ao Letras e Leituras.

Paisagem com dromedário
Autor: Carola Saavedra
Editora: Companhia das Letras

Paisagem com Dromedário é meu livro mais otimista”.

“A mesa vai ser bem interessante, o tema – A mulher na escrita ao longo dos tempos – é um assunto que nunca se esgota… Vai ser uma oportunidade para trocar ideias, muitas vezes, trazer autores com trajetórias diferentes é uma ótima forma de enriquecer o debate.” comenta Carola Saavedra.

Currículo invejável
A comunicação ou a falta da comunicação é um tema constante na obra dessa talentosa e criativa escritora, finalista com seus livros anteriores do Jabuti, Portugal Telecom e Prêmio São Paulo de Literatura, entre outros.

Nascida no Chile, mora no Brasil, desde os três anos de idade. Morou na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e Espanha e França, ela vive no Rio de Janeiro onde nos deu a entrevista falando dessa trilogia (Companhia das Letras) que se completa agora depois de Toda Terça e Flores Azuis, premiado pela APCA como melhor romance em 2009.

Autoexilada numa ilha, a artista plástica Érika grava mensagens endereçadas a Alex, seu amado. Mais uma vez, inovando na construção da narrativa, a escritora Carola Saavedra, nos lê um trecho do seu novo romance Paisagem com Dromedário e fala do desafio de encontrar um novo formato. Através de 22 gravações a personagem tenta reconstituir e compreender seu passado.

Em Flores Azuis Carola Saavedra explorou o fluxo de consciência, através do gênero epistolar

Ouça o podcast do programa Letras e Leituras com Carola Saavedra sobre os livros anteriores.

Carola Saavedra participou da FLIP 2010, em Paraty, na mesa Cartas, diários e outras subversões com a cubana Wendy Guerra com mediação do escritor João Paulo Cuenca.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários, Literatura Tags: , , , , , , , , , , ,
sábado, 25 de dezembro de 2010 Entrevista, Festivais Literários, Literatura | 08:00

Além de autora, Wendy Guerra é boa de salsa

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Coquette, de óculos Chanel, chapéu e roupas claras de marca, a jovem escritora cubana atrai a atenção por onde passa. Wendy Guerra quer que discutam a sua literatura e não a ditadura castrista. Não conhece a obra da escritora Carola Saavedra, com quem dividiu a mesa Cartas, diários e outras subversões em Paraty, mas ficou brava comigo por eu näo ter lido seu livro até o fim. Esgotada com o assédio da mídia, a  cubana performática, que passou 14 anos na TV como apresentadora de programa infantil, mostrou-se cheia de energia, de noite, na festa Buena Vista Social Club que a editora Saraiva fez em Paraty para lançar em grande estilo, seu livro Nunca fui primeira dama.

A literatura é como sexo  

Tem que mostrar um pouco e deixar o resto sugerido. Para ela, a poesia começa quando entra o silêncio na literatura… Desde o primeiro livro Todos se van, ela escreve a partir dos seus diários, que reelabora. Quando questiono o que há de ficcional e de autobiográfico na sua obra, ela compara com a arte contemporânea: “ Você não pergunta à um artista o que há de real na sua performance… O real é como posso roubar minha própria vida e exibir-la performaticamente nas letras”.

Há um vazio do poder feminino em Cuba

Wendy pertence à terceira geração de filhos da revolução: “É muito difícil, aonde quer que estejamos, nós cubanos, devemos sustentar nossas mães, mandar dinheiro de Miami, da Espanha – não é  meu caso -  Mas é uma situação comum, elas que foram mulheres fabulosas, que fizeram a revolução, estão sem funçâo. Voltaram pra casa sem encontrar os filhos que emigraram por razões econômicas…Essa primeira dama então está só, esperando que a ajudem”.

Wendy gostaria de ver um protagonismo maior da mulher em Cuba, mas não gosta de falar de política: “Desconheço as razões reais pelas quais a blogueira Yoani Sanchez – que se opôe ao regime de Fidel - não pode sair de Cuba, para mim é um mistério…” Para sair de Cuba, ela tem de pedir autorização como todo cubano.

Não se dá com Yoani Sanchez, mas é amiga de Pedro Juan Gutierrez

” Gosto muito da literatura de Gutierrez, como vive… Não é meu mundo, mas gosto muito. São livros que vão ficar, pois é um registro histórico.” Wendy comenta que é muito fácil se enrolar em política  em Cuba e que suspeita dos políticos. Quanto ao título, ela quis desafiar a superstição a de que quando você começa um livro negando, ele não vai bem. Nele, fala da revolucinária Celia Sanchez: ” a relação dela com a minha familia é a relação de Celia com a família cubana, as pessoas depositam flores em seu túmulo. Ela não foi uma primeira dama mas um canal entre o poder e o povo, poucos políticos estiveram nesse cordão umbilical, Gandhi talvez…”

Saiba mais:

Uma tarde na Flipinha com a escritora Alina Perlman

Terry Eagleton e Robert Crumb, as atrações na Tenda dos autores

Na casa do príncipe, em Paraty

Moacyr Scliar comenta Isabel Allende

“Mulheres sabem fazer política”, por Isabel Allende

Flávio Moura sobre o best-seller Isabel Allende

Isabel Allende por Humberto Werneck

Comentários pós-FHC

FHC inaugura olhar sobre Gilberto Freyre, um pensador do Brasil

FHC antecipa mesa inaugural sobre Gilberto Freyre

A literatura de Beatriz Bracher

Contagem regressiva para a Flip

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários, Literatura Tags: , , , , , , , , , , ,
terça-feira, 27 de julho de 2010 Entrevista, FLIP, Festivais Literários | 12:53

Contagem regressiva para a FLIP

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O cancelamento de última hora da vinda do compositor Lou Reed não abateu os animos dos organizadores da 8ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty que acontece entre 4 e 8 de agosto. A mesa não terá substituto, em compensação a poesia ganhará espaço no sábado com um sarau de peso: Chacal, Antonio Cícero, Eucanaâ Ferraz farão um tibuto a Drummond, lendo poemas de Alguma Poesia. Ferreira Gullar também participa, ele mesmo com homenagem já prevista anteriormente, como explica o curador Flavio Moura. Ele está nessa função, à frente do “conteúdo” das mesas, há 3 anos e nos conta como é programar e pensar o evento, 1 ano antes: “Gullar completa 80 anos e lança um livro, depois de muito tempo sem publicar… É sempre um grande acontecimento um livro dele, recém agraciado com o maior prêmio da literatura – Prêmio Camões”.  

Pergunto sobre os temas: “Mais do que temas, a gente tenta prioriza autores interessantes, gente  que tenha coisa a dizer”. Alguns dos 35 autores, de 14 diferentes países, que estarão reunidos em mesas literárias. A conferência de abertura será comandada por Fernando Henrique Cardoso, sobre Gilberto Freyre, tema de diversos outros debates.

De política e escravidão aos quadrinhos, das fábulas aos thrillers policiais,  do ebook e ipad às letras de música e poesia, da perseguição à intolerância e convivência, das diversas formas de constuir narrativas… nada escapa à programação 2010 da Flip, que tem ainda eventos paralelos como o FlipZona e a Flipinha

O livro ontem, o livro amanhã

O tema das possibilidades da leitura, na era da digitalização estará presente em 2 mesas que já são obrigatórias para o mercado livreiro com grandes nomes das discussões sobre mídia e  futuro dos livros: os historiadores Peter Burke e Robert Darnton, diretor da bilblioteca de Harvard, que negociou com o Google, a digitalização de seu acervo. Sobre esse processo de transformação em que se encontra também o mercado editorial taqmbém estará presente no debate, John Makinson, CEO da Editora Penguin, uma das maiores casas editoriais, associada agora no Brasil, à Companhia das Letras.

Vozes diferentes para contar as fábulas contemporâneas

Universos muito distintos que vão do sertão ao mundo underground paulistano, com narrativas refinadas, devem aparecer numa das mesas da quinta-feira que reúne 3 autores dae uma nova geração que conquista aos poucos seu espaço. Quem debate são os escritores brasileiros Reinaldo Moraes ( Pornopopeia ) , Ronaldo Correia de Brito ( Galileia – Prêmio São Paulo de Literatura ) e Beatriz Bracher ( Antonio ) ampliaram muito seu público, amadureceram e ocupam hoje um espaço importante na literatura brasileira.

A cubana Wendy Guerra, que vive à sombra da ditadura castrista, e a brasileira Carola Saavedra, que escreve em plena democracia, irão partilhar suas experiências ficcionais falando da literatura epistolar que se faz através de diários, blogs, cartas, mensagens, gravações, torpedos. Porque não?

O indiano Salman Rushdie volta à Flip para fazer o lançamento mundial de Luka e o fogo da vida (Companhia das Letras). O retorno de Rushdie - presente na 3ª edição, em 2005 -, reforça sua condição de autor-síntese de uma literatura multicultural.  “É a pluralidade que faz da Flip um dos encontros de literatura mais representativos. A riqueza está no encontro de vozes diferentes, na mistura que faz toda a diferença”, comenta o diretor de programação, Flávio Moura. Essa multiculturalidade aparece também em outra mesa. A do israelense Abraham B. Yehoshua e a iraniana Azar Nafisi, a autora que se recusava a usar burka, virou persona non grata em seu país, depois de escrever Lendo Lolita em Teerã.  Na Tenda dos Autores, certamente também uma conversa sobre a paz entre árabes e israelenses, já que  o escritor Abraham B. Yehoshua é tão militante pacifista, quanto como seus conterrâneos Amós Oz e David Grosman compondo a tríade de frente da literatura de Israel.

Nomes como o do cartunista Robert Crumb, prometem atrair todo tipo de leitor à festa, além de toda a comunidade acadêmica, intelectuais e visitantes que já viraram “habitués”, voltando todos anos a Paraty.

Como todos os anos, o público terá á disposição um cardápio variado. Os fãs da chilena Isabel Allende, esgotaram os ingressos em menos de 10 minutos! A mesa dela terá o jornalista e escritor Humberto Werneck como debatedor; ele nos contou da experiência anterior em que esteve com a escritora para uma entrevista à Playboy. Em breve, vamos postar aqui!  

Da violência dos regimes políticos aos crimes nas páginas dos livros, a paulista Patricia Melo vai dialogar com a americana Lionel Shriver sobre os suspenses psicológicos e a criminalidade presente nas narrativas contemporâneas.

O show de abertura será todo dedicado e inspirado nas obras de Freyre. Com direção artística de Arthur Nestrovski, o Quarteto de Cordas da Academia Osesp e Edu Lobo farão um show único, especialmente produzido para a Flip.

Para acompanhar pela internet:
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Podcasts – http://www.flip.org.br/podcasts/index.php?ano=2010
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Leia mais:

Flip anuncia mudanças na programação

Passeios em Paraty – guia Flip

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, FLIP, Festivais Literários Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
sábado, 19 de junho de 2010 Literatura, Recomendo | 10:00

Um escritora recomenda a outra

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Na hora de escolher um livro, a escritora Beatriz Bracher - Antonio – não titubeou e indicou a colega Carola Saavedra. Ela destaca Flores Azuis que Carola lançou no ano passado. Mas nós também gostamos de Paisagem com dromedário. Veja a entrevista que fizemos com Carola falando de todos os seus livros. Em quatro anos, ela escreveu três livros e todos são ótimos.

Para saber mais:

Os Inquilinos- adaptação do roteiro- parte 1

A dura vida de cineasta no Brasil-parte 2

Os Inquilinos e Cache: dois filmes que conversam-parte 3

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Literatura, Recomendo Tags: , , ,
segunda-feira, 31 de maio de 2010 Festivais Literários, Literatura, Passeios, Prêmios | 11:00

Festival da Mantiqueira: todos os narradores são grandes mentirosos

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Ronaldo Correia de Brito vem de uma família de contadores de histórias. E uma das histórias mais contadas era a história da morte de seu avô. “Eu cresci ouvindo essa história; tinha dia que eu ouvia minha avó contar três vezes a história da morte do meu avô! Até a hora que eu mesmo resolvi escrever e contar a história da morte de meu avô – virou o conto ‘Da morte de Francisco Vieira’ no Livro dos Homens Cosac Naify - Os familiares ficaram todos revoltados. Disseram que eu havia mudado a história do meu avô!”.

Foi com essa delíciosa história que Ronaldo Correia de Brito abriu a primeira mesa do Festival da Mantiqueira junto com outro vencedor do Prêmio SP de literatura 2009, Altair Martins e o compositor e escritor Arnaldo Antunes, convocado para mediar o diálogo. Para ele, todos os narradores são grandes mentirosos! “Eu sempre escutei como eu desejava ouvir. Escrever é trabalhar com a memória inventada, jamais com a história.”  O escritor tem de ser capaz de transformar, explica Ronaldo que assim começa respondendo à pergunta sobre processo de criação, para acrescentar que leu muito na infância e adolescência. Fala especificamente de duas obras:  Ilíada e Odisseia, de Homero, para arrebatar de vez a platéia com outra história. ” Os livros que eu lia eram cheios de buracos de traças, mas eu não me importava, lia-os assim mesmo, eles tinham cada vez mais buracos e eu ficava imaginando o pedaço da história que faltava “. O leitor completa a narrativa, e certamente o escritor Ronaldo Correia de Brito agradece às traças que ajudaram a alimentar sua imaginação. Ano passado, esse médico, cearense de nascimento, pernambucano de coração que já havia publicado anteriormente, recebeu o Prêmio Sâo Paulo de Literatura, com seu romance Galiléia. Ele abriu o III Festival da Mantiqueira lendo um trecho para a plateia, bem ao estilo da Flip.

De fato, é o melhor jeito de conquistar leitores: ouvir o autor ler seu texto, com seu sotaque, suas paradas para respirar, seus pontos de exclamação.


Leitura de trecho do romance Galiléia, Prêmio SP de Literatura 2009

 

A região é bem servida de pousadas e todas as cidadezinhas próximas são encantadoras: Santo Antonio do Pinhal, Monteiro Lobato, mas talvez a mais charmosa da Mantiqueira seja São Francisco Xavier, a 91 km da capital paulista, perto de São José dos Campos. Há três anos ela sedia um encontro literário que traz os grandes autores nacionais para o interior do estado. Na praça central, uma tenda abriga as mesas do Festival, abertas ao público, em geral. Numa outra, os escritores conversam com os estudantes da região, após a leitura do livro deles. Esse ano vieram Walcyr Carrasco, Marina Colasanti, Spacca, entre outros. Carpinejar deu oficinas de prosa poética. Chacal declamou seus poema, Ferreira Gullar contou que prepara um livro de poemas, o primeiro em anos. ” Se você não se inventa, você não existe! ” bradou o escritor diante de Cadão Volpato, editor de Cultura do IG, que atuava como mediador. A mesa seguinte, não menos interessante, falava sobre o tema Desejo… Coube ao português Agualusa e ao diplomata e escritor João Almino debate-lo com a jovem Carola Saavedra. Os autores estão lá para falar de suas obras, dialogar com o público, autografar livros e tudo mais. O Festival é o ponta pé inícial de uma Viagem Literária que os leva para outras cidades para bate-papos em bibliotecas. E como é bom chegar perto dos autores, poder prosear com eles!


Ronaldo Correia de Brito estará na FLIP 2010, em Paraty, na mesa Fábulas contemporâneas com Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes com mediação de Cristiane Costa.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Festivais Literários, Literatura, Passeios, Prêmios Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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