Marcada pelo humor às vezes escrachado, a obra de Angélica também carrega uma dimensão trágica, de tristeza e deslocamento. Nesse volume, ela faz uma releitura da tradição poética que a formou, à qual dedica, uma língua ferina. Ela flerta abertamente com a popularidade e lembra, a alguns, o estilo da poeta portuguesa Adília Lopes, que tem uma Antologia (Cosac Naify).
a pia pinga
Neste ano, o livro foi lançado na Alemanha em edição bilíngue, com tradução da poeta franco-germânica Odile Kennel. A versão alemã de Rilke Shake (Wiesbaden: Luxbooks, 2011) não é apenas uma tradução integral do volume brasileiro, mas inclui ainda poemas da autora gaúcha publicados em revistas e outras edições. Seus poemas foram traduzidos na França pela importante poeta contemporânea Nathalie Quintane, e uma seleção em língua inglesa foi traduzida por Hillary Kaplan para uma revista nos Estados Unidos.
Rilke Shake faz parte da coleção de poesia contemporânea Ás de Colete, coordenada por Carlito Azevedo para a parceria das editoras Cosac Naify e 7Letras. É um dos livros mais conhecidos da coleção. Já está na segunda edição após esgotar a primeira, de 1500 exemplares. Algo extraordinário em termos de publicação de poesia no Brasil.
A autora
Nasceu em 8 de abril de 1973, em Pelotas, Rio Grande do Sul. Estudou jornalismo em Porto Alegre, na UFRGS. Trabalhou como repórter no O Estado de S. Paulo e na revista Informática Hoje, em São Paulo. Atualmente dedica-se à tradução de poesia e ao segundo livro, com pequenos poemas de viagem pela Bolívia. Publicou em diversas revistas como Inimigo Rumor, Diário de Poesía (Argentina) e aguasfurtadas (Portugal). Integra a coletânea Cuatro poetas recientes de Brasil (Buenos Aires, 2006). Rilke shake é seu primeiro livro (coleção Ás de Colete) e está na lista dos 51 títulos que foram aprovados pela comissão do Prêmio Portugal Telecom 2008. Por anos manteve o blog tome uma xícara de chá e é coeditora da Modo de Usar & Co..
A poeta já participou de festivais de poesia contemporânea como o Poesiefestival Berlin na capital alemã, quando este dedicou seu foco à língua portuguesa em 2008, além de festivais no México, Chile, Argentina e Romênia. Seu próximo livro, intitulado Um Útero é do Tamanho de um Punho, será lançado este ano, após receber a bolsa do Programa Petrobras Cultural.
O escritor e artista plástico Nuno Ramos – autor de O Pão e o Corvo e do premiado livro Ó – participa hoje, 21/09, de um bate-papo com o público no projeto Estante Viva do SESC Belenzinho. O encontro acontece na Sala de Expressão Corporal 2, às 20 horas, com entrada franca. A conversa tem como foco cerca de 30 livros que Nuno Ramos selecionou do acervo da biblioteca do SESC Belenzinho para compor, em setembro, a Estante Viva. No bate-papo, o autor vai justificar a escolha das publicações e revelar a importância de cada uma dessas obras literárias em sua vida ou trajetória profissional.
Além de preparar uma exposição no Rio de Janeiro e outra na Bienal de São Paulo, Nuno Ramos acaba de lançar um novo livro, O Mau Vidraceiro (Global). Formado em filosofia, o artista que já era reconhecido nas artes plásticas, conquistou seu espaço também na literatura, ao vencer o Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009, com Ó (Iluminuras), uma reunião de “falsos ensaios” ou ainda “ensaios amalucados”, como ele mesmo qualifica: ”O meu esforço sempre é procurar encontrar uma voz ensaística, mas acho que o Ó, está mais perto do poema, se tivesse de decidir por um genêro.” Se Ó é uma obra inclassificável, O Mau vidraceiro reforça sua incapacidade de ater-se a um gênero só: ” o novo livro é um híbrido, marcado por vários genêros, como tudo que eu faço, são pequenos relatos”, adianta.
Antes, Nuno já havia publicado o livro em prosa Cujo, o livro objeto Balada, o livro de contos, O Pão do Corvo e Ensaio Geral, com artigos sobre literatura, artes plásticas, música popular e futebol.
Com sua criatividade habitual, ele revela um pouco da instalações que fará, para surpreender, mais uma vez… Na Bienal, esculturas de areia com bichos vivos, soltos. No MAM-Rio, já agora em Setembro, bolhas e areia.
A dupla jornada de Nuno Ramos
Incansável, Nuno Ramos também compõe letras de música com o parceiro Romulo Fróes. Como concilia tudo isso?
Com muita disciplina: “Escrevo pela manhã e à noite, à tarde trabalho como artista plástico”. Para ele, pouca coisa mudou depois do Prêmio Portugal Telecom: “aumentam a visibilidade e a responsabilidade, mas sempre produzi muito como artista.”
Aqui as preferências de Nuno Ramos, escritores e artistas prediletos
Anunciados dez finalistas Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2010
A curadoria da oitava edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em língua portuguesa divulgou nesta terça-feira 30 de agosto, o resultado que antecede a última etapa que contempla três vencedores.
Entre eles, dois notáveis poetas cariocas, como apontou um dos curadores, Manoel da Costa Pinto: “São autores relevantes de sua geração, dos anos 80 e 90, Carlito Azevedo, com Monodrama (7Letras), incorpora a violência urbana e o tráfico e Armando Freitas Filho, reflete a geração marginal, da contracultura dos anos 70, com Lar, publicado pela Companhia das Letras, editora com mais 5 autores seus classificados.
Bate-papo: Estante Viva com Nuno Ramos
Dia 21 de setembro – quarta-feira – às 20 horas SESC Belenzinho- Sala de Expressão Corporal 2
Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho/SP
Grátis
Duração: 1h30
Classificação etária: Livre