Bienal De São Paulo | Mona Dorf

quinta-feira, 14 de abril de 2011 Cinema, Exposições, Imagem | 08:00

Willian Kentridge:o vídeo como expressão do desenho

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Willian Kentridge é um dos artista mais representativos da Africa do Sul, já foi visto na Documenta de Kassel e Bienal de Veneza. Ele usa o vídeo como suporte para seus desenhos, sempre em preto e branco e pouca cor. No Brasil, sua produção audiovisual esteve em exposição na Bienal de São Paulo, Bienal do Mercosul e VideoBrasil. Apesar disso, o videoartista é pouco conhecido, mas sua obra chama a atenção!

Até 21 de maio de 2011, a exposição Willian Kentridge pode ser vista no espaço SOSO+ Cultura. Trata-se de uma série de 7 filmes, suas primeiras experiências audiovisuais do artista, onde aborda temas políticos e sociais, e assuntos pessoais. O interessante é que ele é autor e personagem de seus próprios trabalhos.

Esse vídeo resume sua obra, nele dá pra ver a mistura de imagens reais com desenhos, feitos pelo artista.

 

Kentridge utiliza, em seus desenhos, sobretudo o carvão e giz pastel, criando um universo visual particular. A técnica de animação do seu trabalho é singular: diferentemente da animação tradicional em que cada movimento é desenhado em folhas separadas, o artista usa uma mesma folha de papel para realizar todas as cenas de um vídeo.

Kentridge marca o início do Programa Transit, intercâmbio permanente entre a Fundação Sindika Dokolo de arte digital em Luanda e a SOSO+ Cultura.  A ideia é apresentar por aqui obras de diferentes artistas contemporâneos do continente africano que fazem parte da coleção Sindika Dokolo e fazer uma itinerância para várias cidades do Brasil: “um repertório artístico que irá possibilitar uma re-significação de conceitos a respeito da produção, da cultura e da atualidade do continente Africano”, afirma Daniel Rangel, curador do programa junto com Fernando Alvim. 

Um pedaço da Africa no Brasil 

Em fevereiro de 2009, se instalou em São Paulo, no segundo andar do Edifíco das Seguradoras, um prédio projetado por Oscar Niemeyer, na Avenida São João, a Galeria SOSO arte contemporânea africana, criada com o objetivo de ser um ponto de encontro e diálogo entre o que há de melhor na produção atual de artes visuais do Brasil e de países africanos. 

De propriedade do empresário angolano Mário Almeida, a galeria surgiu com o objetivo de apresentar, difundir e comercializar no Brasil obras contemporâneas de africanos, tendo como parceiro conceitual, o também angolano Fernando Alvim, artista, curador e vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo.

Exposição Willian Kentridge
 Até 21 de maio de 2011
Local: Galeria SOSO arte contemporânea africana
Endereço: Av. São João, 284, Centro – São Paulo
Horário: Terça a sexta das 11h às 19h; sábados das 11h às 17h.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011 Exposições, Imagem | 08:00

As pinturas cegas de Tomie Ohtake

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Nos virada dos anos 50 para os anos 60, a pintora que hoje continua na ativa, aos 97 anos, e se recupera de um problema de saúde, fez a experiência de pintar uma série de quadros com os olhos vendados. Inaugurada nesta terça-feira, 12/04,  a mostra reúne um conjunto expressivo dessas pinturas, realizadas entre 1959 e 1962, há mais de meio século, e pequena diante da extensa produção de pintora. São 30 obras de acervos e coleções particulares espalhadas pelo Brasil e exterior, escolhidas pelo curador Paulo Herkenhoff. É uma oportunidade de se contemplar, pela primeira vez, um conjunto expressivo desta série desconhecida do grande público – na Bienal de São Paulo, a de 1998, uma dessas pinturas, toda branca pode ser exibida aos visitantes.

Tomie Ohtake, Sem título, 1960

Tomie Ohtake, Sem título, 1959

Tomie Ohtake, Sem título, 1959

Tomie Ohtake, Sem título, 1959

Tomie Ohtake, Sem título, 1960

Tomie Ohtake, Sem título, 1961

O curador Paulo Herkenhoff comenta o momento em que as telas foram produzidas: “No início da década de 1960, quando a arte brasileira se aprofunda diante do desafio da construção mais densa de uma alternativa não geométrica para a pintura, Tomie Ohtake oferece um novo paradigma para o processo pictórico com as pinturas cegas”.

Veja outras exposições realizadas no Instituto Tomie Ohtake:

Caprichosamente engarrafada: rótulo de cachaça

Era na época do bonde…

Miragens

Os desenhos do cineasta Akira Kurosawa

Ponto de Equilíbrio

Viver na Floresta

Concretismo Russo, da publicidade à arte

Visionaire para todos os sentidos

Exposição: Tomie Ohtake – Pinturas Cegas
Até 19 de junho de 2011
Local: Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros, São Paulo
Datas e horários: terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 Exposições | 08:00

O nu e os pelos, a metáfora e a realidade na Casa França-Brasil

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Há um ano Evangelina Seiler assumia a direção da Casa França-Brasil para mudar o perfil da programação. A abertura de Grande - nesse sábado, 18/12, para convidados  e domingo para o público- é acompanhada com grande expectativa: “Laura Lima é um dos maiores talentos da arte contemporânea brasileira. Seus trabalhos são instigantes, desafiadores e nos fazem pensar o papel da arte no nosso tempo”. Ela desaconselha o acesso de menores a algumas das obras.

De fato, a mostra não deverá passar despercebida já que a marca registrada de Laura Lima é usar pessoas, corpos humanos vivos, como parte da obra. Não se trata de uma performance ou happening: ” A presença humana, nas ações propostas que podem ser repetidas infinitamente, é totalmente dissociada do conceito de performance; os corpos-esculturas são a própria matéria da criação.” comenta a artista. Para dar conta, modelos/atores vão se revezar para todos os personagens/esculturas humanas durante a exposição.

Quatro grandes instalações ocupam todos os espaços expositivos da Casa França-Brasil. Obras impactantes, tanto em função do tamanho como em termos conceituais, abrem espaço à imaginação do visitante.

Aqui uma idéia de Pelos + Rede (1997/2010): numa rede de mais de 30 metros, que atravessa todo o vão central da Casa, um casal nu, em atitude contemplativa. A mulher tem seus pelos pubianos alongados e o homem, as sobrancelhas.

Pelos e Redes/ Divulgação

A base de construção poética , segundo a artista, “flerta com a obscuridade da criação”. A obra Pelos+Rede foi concebida dentro do conceito do conjunto Homem=carne/Mulher=carne, que Laura Lima desenvolve há alguns anos, bem como Baixo, outra das quatro obras que compõem a mostra.  

Um imaginário povoado por pessoas-esculturas e metáforas que jogam com opostos que habitam a vida e a arte – organização e caos, razão e loucura, labor e contemplação.   

Mágico Nu/ Divulgação

 

O mágico nu (2010)

Circundado por uma inusitada estante que ocupa o vão central da Casa França-Brasil, um mágico, bem vestido, produz, sem parar, esculturas num torno de argila, fundidas a outros materiais. Ao mesmo tempo, ele organiza e reorganiza objetos e ferramentas na hiper-estante que, à sua frente. A argila, como na Criação, é matéria de tudo o que acontece nesse espaço e cria o contraste entre a elegância do mágico e a aparente “sujeira” da massa.

Destaque da nova safra

A mineira Laura Lima é um dos nomes promissores da arte contemporânea brasileira, tem uma interessante carreira internacional: expôs na Arco Madrid 2008, Bienal de São Paulo (1998 e 2006), duas edições da Bienal do Mercosul (Porto Alegre), To Age (Chapter Art Centre – Cardiff, Inglaterra); A little bit of history repeated (Kunst Werke, Berlim), Alegoria Barroca na arte contemporânea (Centro Cultural Banco do Brasil, RJ), Troca Brasil PNCA(Portland, Oregon, EUA) entre outras.

Grande
Até 20/02/2011
Local: Casa França-Brasil
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro- Rio de Janeiro 
Horário: de terça a domingo, das 10h às 20h
Entrada franca

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 Exposições, Imagem | 11:30

Pioneiro da videoarte Tony Oursler, com Projetor, na Oi Futuro

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O trabalho de um dos mais importantes nomes da videoarte mundial, o artista americano Tony Oursler – presente na Bienal de São Paulo em 1998 -pode ser visto no Oi Futuro no Flamengo, Rio de Janeiro, na exposição individual Projetor, que ocupa todo o prédio.

Ele já fez mostras individuais e coletivas em prestigiosas instituições ao redor do mundo, mas é primeira grande exposição na América Latina.


Tony Oursler inspirou toda uma geração de videoartistas e videomakers brasileiros, muitos dos quais já mostramos aqui: Eder Santos, Lucas Bambozzi, Inês Cardoso… Desde os anos 1980, desenvolveu um original processo de animação que o destaca entre os pioneiros da videoarte e das técnicas multimídia, associadas à instalação, onde a imagem é projetada em outros suportes, nunca em tela plana. As obras de Oursler quase sempre incluem a animação de objetos com o uso de projetores e  fazem uso de bonecos, espécie de marca registrada de seu trabalho.

Destaque para os vídeos do início da carreira de Tony Oursler

Completam a Mostra desenhos, dois trabalhos de uma das séries expostas, neste momento, na Galeria Lehman Maupin, em Nova York, dois trabalhos da última década – Cell phone (2008), e Climaxed (2005) –.

E também duas instalações, incluindo a antológica Judy, de 1994, inspirada na síndrome da múltipla personalidade, em que uma figura vai se transformando em outra.   

O curador Paulo Venancio Filho quer mostrar ao público uma síntese concentrada e atual da obra do artista: “Tony Oursler é um artista que está no mesmo patamar de importância de Bill Viola e Gary Hill, pioneiros da videoarte, e se distingue deles por sua atração e obsessão pela esquizofrênica imagética da cultura visual norte-americana e global, que não se cansa de explorar e revelar”.

A constante absorção de toda evolução técnica da reprodução de imagens, em que utiliza a tecnologia de ponta disponível é característica de seu trabalho. A instalação da obra também é parte fundamental do trabalho, a montagem ficou a cargo da produtora Automática.

Nas instalações, o espectador vê flores animadas, olhos gigantes que piscam, bonecos que falam. O resultado é uma atmosfera fantástica e delirante que nos devolve de forma crítica em relação a todo o entulho de imagens que nos envolve diariamente.

Tony Oursler

Vive e trabalha em Nova York. Formou-se em artes plásticas no Instituto de Arte da Califórnia (Cal Art), em 1979. Sua arte abrange uma gama de meios de trabalho com vídeo, escultura, instalação, performance e pintura; está nas coleções de importantes instituições: MOMA e Whitney Museum of American Art, em Nova York, Centro Georges Pompidou, em Paris, Museu Ludwig de Colónia, Museu Hirshhorn, em Washington e a Tate Modern de Londres.

Outras exposições Oi Futuro:

Copacabana 24 horas nas lentes de Wilton Montenegro

Para ver, ouvir e sentir: multimídia em foco na Oi Futuro

Tony Oursler – Projetor
Até 23 de janeiro de 2011
Local: Oi Futuro Flamengo, Rio
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação etária: Livre

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010 Exposições, Imagem | 09:55

Para ver, ouvir e sentir: multimída em foco na Oi Futuro

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Três exposições simultâneas: Revídeo de Lenora de Barros, Night Painting do fotógrafo Renan Cepeda e Qualia, obra inédita da artista Simone Michelin, feita especialmente para a exposição, prometem mexer com os sentido no Centro Cultural do Flamengo, Rio de Janeiro,  na Oi Futuro.


Revídeo

Lenora de Barros sempre foi moderna. Filha do fotógrafo Geraldo de Barros, não só teve a quem puxar, como também, foi educada numa casa que respirava arte, desde sempre. Pela primeira vez, uma exposição reúne todas as videoperformances dessa artista paulistana; a retrospectiva abrange mais de 25 anos, com trabalhos feitos desde 1984.

O humor é uma característica constante em sua produção. “Me interessa o que surpreende pelo inusitado, situações engraçadas, humor patético, ironia, paradoxos…”, conta Lenora. Os trabalhos sonoros, que tomam como ponto de partida a palavra escrita ou falada, também fazem parte da produção da artista. 

Revídeo, além de reapresentar trabalhos antigos, também sinaliza novos caminhos em sua produção: “Não sou videomaker, e o vídeo me interessa como ‘linguagem suporte’, no seu aspecto ‘documental’, como um meio”.
 
Temporal (inédito, 2010), faz parte da série Lugar de Sempre, trabalho que Lenora de Barros apresenta, em parte, na edição deste ano da exposição Paralela em São Paulo , são novos vídeos que apontam para o campo semântico do “excesso, do acúmulo, da saturação do tempo”.

Night Painting

Na parede do nível 8, as fotos projetadas de Renan Cepeda, imagens feitas em completa escuridão. Apenas com uma lanterna comum e duas câmeras, utilizando eventualmente alguns filtros, Cepeda ilumina as cenas noturnas criando as paisagens e retratos de rara beleza. Além desta exibição, o trabalho de Cepeda está permanentemente disponível na galeria virtual de fotografias do site do Oi Futuro.

Qualia

Também em retrospectiva, os 30 anos de trajetória de Simone Michelin, artista gaúcha, radicada no RJ. O trabalho, que conta com a curadoria do Paulo Herkenhoff, está dividido em dois espaços e reafirma seu interesse pela tecnologia e a imagem.

No primeiro, uma estrutura de acrílico transparente abriga, em cima de uma esteira rolante em látex, três canhões de laser que imprimem marcas diferenciadas em sua superfície. Elas revelam estatísticas sobre mortes, drogas e lavagem de dinheiro. Três mostradores digitais indicam ao público quais dados estão sendo gravados naquele momento. “A história deixa um registro, uma marca, uma memória gravada”.

Na sala ao lado, uma videoinstalação em 3D mostra imagens de moléculas de substâncias entorpecentes, como o THC (encontrada na maconha), cocaína e ecstasy. Espelhos laterais multiplicam as imagens projetadas e causam um efeito hipnótico.  ”Nesse trabalho busco entender essa tecnologia e produzir uma experiência intensa”, conta Simone Michelin.
 
Quando a Bienal de São Paulo elege como tema a relação entre Arte e Política, Simone observa: “Ações de ordem social, baseadas em escolhas individuais me interessam. O que para mim tem de mais político na minha produção é essa escolha. As escolhas feitas por cada um  afetam a comunidade. O coletivo não existe sem o individual e vice-versa”, explica. “Pessoas estão por trás dessas estatísticas presentes em Qualia, têm suas vidas marcadas e se posicionam em relação a elas”.

Revídeo/ Night Paintings (Nível 8)/ Qualia
Oi Futuro Flamengo
Até 17 de outubro de 2010
Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro  21
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação etária: Livre

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010 Entrevista, Exposições | 17:33

Bandeira branca para Nuno Ramos

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Foto: Mila Petrillo

Obra: Bandeira Branca de Nuno Ramos no Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, 2008

Ele ocupa o vão central do Pavilhão, que já foi de Tunga. É impossível não olhar para a instalação de Nuno Ramos, de onde quer que se esteja. Uma rede une os 3 andares do prédio, fechando numa imensa gaiola, urubus e grandes blocos de areia negra compactada, sobre as quais repousam lâminas de granito. Nâo há artista que não sonhe em ocupar esse espaço nobre da Bienal, mas, os urubus confinados ou melhor, a obra, já está despertando a ira dos defensores de animais que estão com um abaixo assinado circulando pela web, com mais de 2000 assinaturas. A Bienal nem abriu para o público e já tem problemas com várias obras. Nuno já tinha apresentado essa mesma instalação, em dimensão bem menor, no CCBB de Brasília. Para ele, a montagem na Bienal ficou muito mais rica pois interage com a arquitetura: os blocos ou colunas dialogam com as formas curvílineas do prédio de Niemayer. Quanto às aves, pertencem ao Parque dos Sertôes, em Sergipe e serão alimentadas por tratador. Já são parceiras de Nuno: são as mesmas 3, que já ficaram engaioladas na última instalação em Brasília. O artista não gosta de falar da obra, mas não resisto em perguntar, ao encontrá-lo na pré-montagem pelos corredores.

“Os urubus têm essa carga intensa, essa relação entre morte e vida que tem a ver com o trabalho” comenta Nuno, ganhador do primeiro lugar do Prêmio Portugal Telecom. Ao falar de vida e morte, a obra dele conversa com a instalação de outro artista, de outra geração: os trabalhos conceituais dos anos 60 e 70 de Antônio Cícero Dias.

Antônio Cícero Dias – um clássico da vanguarda

Fotos: Gabriele Basilico e Udo Grabow

Obras: O País Inventado / Dias-de-Deus-dará e Faça Você Mesmo: Território Liberdade de Antônio Cícero Dias

 

Faça Você Mesmo: Território Liberdade (1968), uma experiência com marcações em fitas adesivas colocadas no chão para que os visitantes criem seu próprio itinerário no espaço marcado.

Veja também:

Uma conversa com Agnaldo Farias, curador da Bienal de São Paulo

Paralela 2010, a arte contemporânea brasileira em exibição

29ª Bienal de São Paulo
De 25 de Setembro a 12 de Dezembro, 2010
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera,Portão 3, sem número, São Paulo
Horários de funcionamento:
- De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
- 5ª e 6ª feira: das 9 às 22h (entrada até as 21h)
- Sábado e domingo: das 9 às 19h (entrada até as 18h)
Entrada gratuita

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010 Comportamento, Exposições, Literatura | 08:00

Sergio Marone na Bienal de Celebridades

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O ator Sergio Marone causou sensação no Palco Literário da Bienal que traz a cada noite celebridades para lerem e conversarem com o público.

Antes de começar a leitura, disse que era muito ligado à ecologia e à questão da sustentabilidade do planeta, por isso leria dois textos ecofriendly. Escolheu iniciar pelo conto Inquilinos, que está no livro de Érico Veríssimo, O Mundo é Bárbaro e o que nós temos a ver com isso?. Elogiou o escritor e disse que lê de tudo um pouco. O professor de escola estadual Éderson Mendes Viana estava na platéia e gostou do bate-papo. 

Ipad, Kindle, Cooler, o que é tudo isso?

Outra sensação da Bienal é o Espaço Digital onde o público disputa cada centímetro para ver de perto os diversos leitores de livros digitais e tablets em exposição. O que é mais interessante é a possibilidade de manuseá-los, entender como funcionam. E todo mundo pode mexer com o brinquedo!

Fomos conhecer de perto os vários tablets, e-readers e as maravilhas dos formatos de leitura digitais.  A Maeli de Oliveira é uma das monitoras contratadas para explicar as diferenças dos gadjets.

Luiz Alvaro Salles Aguiar de Menezes, da Imprensa Oficial, comenta que o espaço atrai todas as gerações e que muitos adultos também se interessam pelo formato digital.

Leia também:

Regina Duarte solta a voz no Palco Literário da Bienal

Termina a Flip, começa a Bienal do Livro

Uma Bienal apetitosa

21ª Bienal Internacional do livro de São Paulo
Data: 12 a 22 de agosto de 2010
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi – Av. Olavo Fontoura, 1.209 – São Paulo/SP

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Comportamento, Exposições, Literatura Tags: , , , , , , , , , , ,
segunda-feira, 16 de agosto de 2010 Entrevista, Literatura | 11:27

Uma conversa com Benjamin Moser

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No último sábado, o Salão de Idéias da Bienal lotou para ouvir a atriz Beth Goulart e Benjamim Moser, falar sobre uma escritora que atrai multidões: Clarice Lispector. O escritor que acabei encontrando, por acaso, novamente no domingo, me confessou: ” Nunca pensei que  passaria tanto tempo falando sobre um livro… ” . A biografia Clarice, (lê-se “Clarice vírgula”), foi lançada há um ano nos EUA, e em seguida aqui no Brasil (Cosac Naify), desde então, o autor americano que mora na Hollanda, não parou. ” Toda hora estou no Brasil! Volto daqui a 3 meses para a Fliporto! ” comemora.

Durante a Flip, tívemos uma boa conversa com ele. Benjamin Moser nos leu um  trecho do livro e falou da pesquisa e da viagem à Ucrânia.

Cada um tem a empregada que merece… 

(

Obstinado, Benjamim aprendeu português e ficou cinco anos imerso na vida e na obra de Clarice para apresentá-la ao leitor não lusófono. Sua biografia -que teve como tradutor o clariciano, José Geraldo Couto - vem se somar à outras obras, na linha de biografias e memórias, como os da pesquisadora Nadia Gotlib com quem conversamos longamente

Filiação de Clarice Lispector à tradição literária da mística judaica

Muitos já observaram que sua literatura não parecia “brasileira”, e que até mesmo em português guarda um raro sotaque. 

“Para os judeus, tradicionalmente, a experiência mística se dá por meio da escrita, da palavra escrita. Não existe místico judeu que não escreveu livros. Ao escrever, Deus aparece porque, em hebraico, não é apenas a palavra de Deus que é sagrada, o próprio alfabeto é sagrado”. Para Moser, essa matriz judaica é “óbvia”, na literatura dela mas sempre foi relegada a segundo plano.

Neste trecho, Benjamim Moser fala da vida de Clarice no Recife e do seu judaismo. Descreve o lugar de onde veio sua família, terra de peregrinação: ” Era uma regiâo que fervilhava de misticismo, não só de judeus…”

Clarice não era religiosa, mas vinha de uma família que falava com Deus

Benjamim fez questão de viajar para “sentir” de perto as  cidades onde a escritora viveu. Numa pesquisa inédita, ele percorreu durante 5 anos, os lugares por onde os Lispector passaram, da agreste Podólia (região da Ucrânia) ao célebre apartamento no Leme onde ela passaria o resto da vida, do Recife da sua infância às cidades onde viveu com o marido diplomata: ” Se eu soubesse quanto dinheiro isso ia custar… mas quando vi, já estava completamente envolvido na minha busca! ”

O ponto alto do seu  livro, discutível para alguns, é  revelar aspectos desconhecidos da vida da escritora, como um possível estupro da mâe dela, em função do qual, ela viria a contrair a sífilis, doença que a matou. Benjamim desenvolve a tese de que Clarice carregaria a culpa de não ter salvo a mãe a vida toda.

A revelação inédita viria de uma conversa da própria Clarice e de Elisa Lispector, irmã mais velha, também escritora, que permitiu ao biógrafo enxergar os dramáticos episódios vividos pelos Lispector, durante os pogroms - perseguições a judeus-, que assolaram a Ucrânia entre 1910 e 1920.

Benjamin Moser fala também da sua relação com a psicanálise. Desde quando morou em Berna, Clarice teve diferentes terapeutas e psicanalistas; Moser procura reconstituir essas experiências, especialmente importantes numa escritora que fez da subjetividade a principal matéria de sua ficção.

A boemia intelectual do Rio de Janeiro dos anos 50 e 60 –com quem Clarice cultivou sólidas amizades sobretudo com os escritores mineiros: Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos- foi tema do programa Letras&Leituras com os dois biográfos Benjamin Moser e Nadia Gotlib

 A política de estuprar mulheres era uma forma de humilhação do pai, da família

“Como é possível que ninguém fora do Brasil saiba quem é essa mulher?”. O jovem Benjamim Moser é responsável por difundi-la no exterior. Para o leitor brasileiro, é interessante também conhecer a visão de um estrangeiro sobre o Brasil e sobre uma des nossas mais instigantes escritoras.

Não é de hoje que críticos, biógrafos, pesquisadores, jornalistas, artistas tentam decifrar Clarice Lispector. Sem contar os livros de sua autoria, só na Amazon.com são listados 74 itens que contêm “Clarice Lispector” no título; na Livraria Cultura 37. A fotobiografia organizada por Nádia Battella Gotlib, publicada pela Imprensa Oficial, traz oitocentas imagens.

Seu rosto é reproduzido à exaustão na internet, em selos postais, literatura de cordel, é um ícone da cultura brasileira. O mistério estampado no rosto da escritora, no entanto, permanece. Por isso é que, na edição brasileira, Benjamin Moser e a Cosac Naify apostaram não em imagens, mas numa narrativa, para dar conta desse mistério.

Clarice, uma biografia
Autor:
Benjamin Moser
Editora: Cosac Naify
Tradução: José Geraldo Couto
Quarta capa: Yudith Rosenbaum
Foto da capa: Claudia Andujar

O livro contém apenas uma imagem de Clarice. Assim mesmo, seu rosto não aparece na capa, apenas na lombada do livro e numa foto interna, como que para reafirmar que é somente pelas palavras que se pretende capturar  sua vida e obra. O título do livro em português – Clarice, – remete à proverbial vírgula que abre Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres.

Veja também:

Clarice fala da alma humana

Que mistério tem Clarice?

Clarice Lispector: influência nordestina e mudança radical

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Literatura Tags: , , , , , , , , , , , ,

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