Além de autora, Wendy Guerra é boa de salsa
Coquette, de óculos Chanel, chapéu e roupas claras de marca, a jovem escritora cubana atrai a atenção por onde passa. Wendy Guerra quer que discutam a sua literatura e não a ditadura castrista. Não conhece a obra da escritora Carola Saavedra, com quem dividiu a mesa Cartas, diários e outras subversões em Paraty, mas ficou brava comigo por eu näo ter lido seu livro até o fim. Esgotada com o assédio da mídia, a cubana performática, que passou 14 anos na TV como apresentadora de programa infantil, mostrou-se cheia de energia, de noite, na festa Buena Vista Social Club que a editora Saraiva fez em Paraty para lançar em grande estilo, seu livro Nunca fui primeira dama.
A literatura é como sexo
Tem que mostrar um pouco e deixar o resto sugerido. Para ela, a poesia começa quando entra o silêncio na literatura… Desde o primeiro livro Todos se van, ela escreve a partir dos seus diários, que reelabora. Quando questiono o que há de ficcional e de autobiográfico na sua obra, ela compara com a arte contemporânea: “ Você não pergunta à um artista o que há de real na sua performance… O real é como posso roubar minha própria vida e exibir-la performaticamente nas letras”.
Há um vazio do poder feminino em Cuba
Wendy pertence à terceira geração de filhos da revolução: “É muito difícil, aonde quer que estejamos, nós cubanos, devemos sustentar nossas mães, mandar dinheiro de Miami, da Espanha – não é meu caso - Mas é uma situação comum, elas que foram mulheres fabulosas, que fizeram a revolução, estão sem funçâo. Voltaram pra casa sem encontrar os filhos que emigraram por razões econômicas…Essa primeira dama então está só, esperando que a ajudem”.
Wendy gostaria de ver um protagonismo maior da mulher em Cuba, mas não gosta de falar de política: “Desconheço as razões reais pelas quais a blogueira Yoani Sanchez – que se opôe ao regime de Fidel - não pode sair de Cuba, para mim é um mistério…” Para sair de Cuba, ela tem de pedir autorização como todo cubano.
Não se dá com Yoani Sanchez, mas é amiga de Pedro Juan Gutierrez
” Gosto muito da literatura de Gutierrez, como vive… Não é meu mundo, mas gosto muito. São livros que vão ficar, pois é um registro histórico.” Wendy comenta que é muito fácil se enrolar em política em Cuba e que suspeita dos políticos. Quanto ao título, ela quis desafiar a superstição a de que quando você começa um livro negando, ele não vai bem. Nele, fala da revolucinária Celia Sanchez: ” a relação dela com a minha familia é a relação de Celia com a família cubana, as pessoas depositam flores em seu túmulo. Ela não foi uma primeira dama mas um canal entre o poder e o povo, poucos políticos estiveram nesse cordão umbilical, Gandhi talvez…”
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Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Festivais Literários, Literatura Tags: Benvirá, Carola Saavedra, Cuba, Editora Saraiva, Festivais Literários, Fidel Castro, João Paulo Cuenca, Nunca fui primeira dama, Paraty, Todos se van, Wendy Guerra, Yoani Sanchez
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