sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 Exposições, Imagem | 08:00

Verdade – Fraternidade – Arte no Lasar Segall

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O Museu Lasar Segall traz a mostra Verdade – Fraternidade – Arte. Secessão de Dresden – Grupo 1919 e contemporâneos. São 50 obras de 19 artistas, entre pinturas, aquarelas e gravuras, produzidas entre 1912 e 1933 como a A bestialidade avança, de George Grosz, e que já anunciava a ascensão do nazismo. Tem também um álbum com 12 gravuras editado pelo próprio Grupo 1919, na época de sua fundação.

A exposição apresenta trabalhos dos fundadores do grupo, entre eles Otto Dix, Conrad Felixmüller e o próprio Lasar Segall, além de obras de outros artistas, como Egon Schiele, Max Pechstein, Marc Chagall, Schmidt-Rottluff, Käthe Kollwitz e Paul Klee.


Secessão de Dresden – Grupo 1919 foi um movimento que reuniu artistas plásticos expressionistas interessados numa arte com forte viés social e cujas palavras de ordem eram “verdade”, “fraternidade” e “arte”. O grupo nasceu durante a República de Weimar, que instaurou na Alemanha um novo sistema de governo, logo após a Primeira Guerra Mundial.  Esse período teve  intensa efervescência cultural. Sob o caos do fim do Império, artistas se organizaram em movimentos, ligas e associações em busca de uma completa renovação cultural, revendo valores e apontando novos caminhos artísticos.

Obra inédita de Schiele

Autorretrato/ Egon Schiele

Um autorretrato em aquarela inédito de Egon Schiele (1890-1918) nunca exposto no mundo é o grande destaque da exposição. Durante seis décadas, a obra fez parte da coleção particular de uma família paulistana e, agora,  pode ser vista pelo público. Para o diretor do Museu Lasar Segall, Jorge Schwartz, a obra com assinatura de 1912 é o único trabalho do artista expressionista austríaco que se tem notícia no Brasil.

“Muito provavelmente a obra chegou ao Brasil na bagagem de imigrantes austríacos, que fugiram do nazismo, mas que conseguiram salvar seus pertences. No início da década de 1940, a aquarela foi comprada por uma família paulistana, permanecendo restrita ao ambiente privado até recentemente, quando foi cedida em comodato à Associação Cultural Amigos do Museu Lasar Segall.”, conta Schwartz.

O autorretrato foi autenticado pela especialista na obra de Schiele, a americana Jane Kallir, autora do catálogo raisonné e de outros dois livros sobre o artista. Depois da mostra paulistana, a aquarela que retrata Schiele em nu frontal segue para Viena, onde participará de uma grande exposição de retratos e autorretratos do artista no palácio-galeria Belvedere.

Também fazem parte da mostra livros como “O cavaleiro azul”, editado por Wassily Kandinsky e Franz Marc, e periódicos publicados na Alemanha nas décadas de 1910 e 1920, com referências ao grupo, e que fazem parte do arquivo de Segall. O conjunto apresenta diferentes tendências e influências que atravessaram a produção alemã do período.  “O Grupo 1919 especificamente tinha preocupações claras com a injustiça social testemunhada nas grandes cidades. Eles tinham um olhar voltado para os desfavorecidos, para as vítimas da guerra, de onde vem a ideia de fraternidade, ao mesmo tempo em que falavam de uma arte verdadeira, com mais liberdade e sintonizada com o seu tempo e que anunciava o futuro”, explica a curadora da mostra, Vera d´Horta, coordenadora do setor de Pesquisa em História da Arte do Museu Lasar Segall.

Outros destaques

Jogadores de Cartas/ Otto Dix

 A litografia “Velho”, de Marc Chagall, um álbum de gravuras de Max Beckmann especialmente emprestado pelo MASP, a ponta seca “Jogadores de cartas”, de Otto Dix, e a pintura “Eternos Caminhantes”, de Lasar Segall, de 1919, época em que o pintor vivia na Alemanha, pouco antes de emigrar para o Brasil, em 1923 são pontos fortes da exposição que valem a visita.

A mostra conta ainda com obras de Chaim Soutine, Constantin von Mitschke-Collande, Eugen Hoffmann, George Grosz, Karl Schmidt-Rottluff, Käthe Kollwitz, Kurt Schwitters, Lyonel Feininger, Otto Lange, Peter August Böckstiegel, Walter Jacob e Wilhelm Heckrott. “Esta é a primeira exposição no Brasil que foca especificamente no trabalho do Grupo 1919, mostrando em qual contexto este movimento foi criado e que artistas e idéias inspiraram seus fundadores”, completa a curadora Vera d´Horta.

Outras exposições no Museu Lasar Segall:

A arte da gravura por três mestres no Museu Lasar Segall

VERDADE – FRATERNIDADE – ARTE.
Secessão de Dresden – Grupo 1919 e contemporâneos
Em cartaz até 20 de fevereiro de 2011
Local: Museu Lasar Segall
Endereço: Rua Berta 111, Vila Mariana, São Paulo
Datas e horários: de terça a sábado, das 14h às 19h; domingo e feriados, das 14h às 18h
Entrada Franca

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Exposições, Imagem Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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