Com filmes e vídeos do acervo do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, EUA, a exposição Warhol TV estabeleceu um novo recorde de público nos centros culturais Oi Futuro Rio de Janeiro e Belo Horizonte com mais de 30 mil visitantes. Depois da temporada em Minas Gerais, a mostra internacional chega hoje, 29/07, a São Paulo graças a uma parceria entre a Oi e o SESC/SP e vai até setembro.
Antes do Brasil, a mostra Warhol TV, que tem curadoria da francesa Judith Benhamou-heut, só foi vista em Lisboa e Paris e mostra uma faceta pouco conhecida do artista pop americano, exclusivamente voltada para suas experimentações com imagens em movimento e produções para a televisão.
Percurso da mostra no OI Futuro-RJ
Saímos do térreo onde três monitores projetam o episódio 2 do programa “Andy Warhol’s Fifteen Minutes” (com Grace Jones, Kenny Scharf, Marc Jacobs e William Burroughs, entre outros). E subimos as escadas; logo de cara, um fragmento do screen test feito por Warhol com o artista Marcel Duchamp, em 1966. Pode se dizer que nesses testes, Warhol antecipa os realities shows, ( simplesmente deixava ligada uma câmera, na frente de um amigo ou convidado em seu ateliê, a famosa Factory) , o screen test com Duchamp aconteceu numa retrospectiva em Pasadena. Na primeira sala, comerciais muito alegres feitos pelo artista para a Coca-Cola.
Nas paredes laterais, imagens gigantes, em câmera lenta, de Andy Warhol correndo; passamos por vários experimentos e pelo Museu das telecomunicações da Oi, até chegar à sala com vídeo de Andy Warhol para o programa “Saturday Night Live”, de 1981. Convidado para para ir pessoalmente, Warhol, preferiu gravar uma impagável participação, onde surge com cabeça decepada. Segundos depois, ela aparece no chão conversando ainda com o espectador.
Antes do controle remoto
Warhol adorava assistir TV e pode até participar como convidado Vip de um seriado. No nível 5, passa o episódio de 49 minutos de “Love Boat”, gravado em 1985, onde ele atua como ele mesmo, passageiro do cruzeiro marítimo. Numa sala, foi recriado o quarto de Warhol, para que o público, deitado numa cama king size, com almofadas e duas TVs de cada lado, sinta como o artista via tevê, na era pré-zapping, antes do controle remoto.
Andy Warhol (1928-1987) experimentou vários meios de expressão: cinema, fotografia, pintura, música e vídeo. Produziu videoclipes para diversas bandas, como The Cars. Da metade dos anos 1960 e nas duas décadas seguintes, Warhol fez uma série de filmes e vídeos para a televisão. Para viabilizar seus programas, em formatos extremamente inovadores para a época, criou sua própria produtora, com Vincent Fremont, que trabalhou com ele até sua morte, em 1987. Fremont que esteve na abertura da mostra criou a Fundação Andy Warhol para as Artes Visuais.
A série de programas “Fashion” (dez episódios sobre moda, criadores e manequins) e “Andy Warhol’s TV” foram vistas em canais a cabo. Neles, Andy Warhol entrevistou celebridades como Steven Spielberg, Cindy Sherman, Keith Haring, Issey Miyake, Divine, Sting. Juntou no mesmo programa ( que pode ser visto na mostra ) uma conversa improvável entre a jovem Paloma Picasso e a sexagenária pintora Georgia O´Keeffe. A recém nascida MTV exibiu de 1986 até a morte do artista, em 1987, o “Andy Warhol’s Fifteen Minutes”, com episódios de 30 minutos cada, centrados sempre em celebridades: Grace Jones, Courtney Love, Halston, Marc Jacobs, Blondie, David Hockney, Kenny Scharf e Basquiat…
O último show, a transmissão da missa fúnebre
Judith Benhamou-Huet que mergulhou no acervo do Museu Andy Warhol, pesquisando filmes e vídeos feitos para a televisão quis retratar Andy Warhol a partir dessa produção: ” A mostra é uma viagem dentro das obsessões do artista. Suas fascinações, seus amores, suas surpresas e seus temores, como a morte”, diz. A curadora comenta que em 1987 a transmissão de sua missa fúnebre acabou por ser a trágica realização de seu desejo de aparecer “no ar”. A mostra exibe a projeção da missa, na Igreja de St Patrick, em Nova York, numa sala com bancos dispostos como num templo de oração. O ambiente é escuro, como convém, para “O último show”.
Um Warhol, produtor, outro ator
Ambos, enfeitiçados pela mídia que simbolizava o moderno naqueles anos: a TV. Nas produções feitas para canais a cabo, nos programas ‘Warhol’s TV’, ‘Warhol’s Fifteen minutes’, ‘Fashion’, aparecem temas recorrentes de seu universo: a beleza, o sexo, os artistas, o desejo de ser famoso e a transformação. Nada mais atual, na era das plásticas excessivas, da busca pela juventude eterna, dos BBBs, de Fazenda e Casa dos Artistas… Para Judith Benhamou, esta fascinação pela celebridade se insere na ambição de Warhol por reconhecimento: “Ele procura ser visto, ao usar a televisão. Nós o vemos, a partir de sua participação em programas de sucesso na época, como “Love Boat” ou “Saturday Night Live”, e nos filmes de publicidade produzidos por ele ”.
Exposição Warhol TV
Até 25 de setembro de 2011 Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros- São Paulo – SP
Terça a sábado, das 10h30 às 21h30; domingos e feriados, das 10h30 às 17h30
Livre para todos os públicos
Grátis
Abre hoje para o público até domingo 22 de agosto a 17ª. Edição do Salão de Arte, referência nacional para colecionadores e marchands, com participação de 60 expositores, entre galeristas, antiquários, designers de jóias. A área de 3.500 metros quadrados dentro do clube A Hebraica, onde a exposição tradicionalmente ocorre, transforma o salão numa espécie de museu vivo, obras que traduzem as tendências do mercado de arte nacional e internacional e antiguidades que atraem colecionadores de todo o Brasil. Organizado por Vera Chaccur Chadad, a mostra ocupa posição consolidada no calendário cultural brasileiro, realizada anualmente, sem interrupção.
Além de importantes galerias e antiquários de todo o país, há participantes convidados do exterior, como Luis Alegria, de Portugal, e a Galeria SUR, do Uruguai e ainda, galerias especializadas em arte estrangeira, como o japonês Minoru Nakahashi e a portuguesa Manuela Lírio. Eduardo Bettega Curial, artista contemporâneo holandês, terá seu próprio stand.
Raridades
O público poderá ver por exemplo, obras do período construtivo do renomado artista plástico pernambucano, Cícero Dias, duas pinturas abstratas geométricas da década de 50, vendidas pela Simões de Assis Galeria de Arte, por R$300 mil.
Entre as raridades, destaque para um conjunto de jóias desenhado por Burle Marx, que será leiloado, no dia 20 de agosto, com o lance mínimo de R$ 40 mil. As peças são compostas por 1 colar, 1 pulseira, 1 par de brincos e 1 broche reversível em pingente; tudo em ouro 18 quilates com citrinos. O joalheiro que produziu o conjunto foi francês Lucien Joaillier, o mesmo que fazia as jóias de Di Cavalcanti.
Também serão vendidos dois livros raros, cuja edição foi limitada, do Andy Warhol, autografados pelo autor. Os títulos são The Philosophy of Andy Warhol (1975) que deverá se vendido por R$ 15 mil e Portraits of the 70´s (1979) avaliado em R$ 6 mil. O primeiro, além da assinatura, contém um desenho do Andy Warhol; o segundo teve uma edição de apenas 200 exemplares de tiragem. Outro livro raro, agora do fotógrafo Henri Cartier-Bresson, será vendido por R$4.600,00.Trata-se de Paris à vue d‘oeil (1994), com uma longa dedicatória contendo cenas de Paris.
Sala Especial
A cada ano, um tema diferente. Nesta edição: os 170 anos de fotografia no Brasil, com a curadoria de Max Perlingeiro. Um gabinete de curiosidades fotográficas foi montado, a partir da Coleção Daniel Karp Vasquez, retrata a evolução técnica da fotografia desde os processos geradores de imagens únicas até os dias de hoje na era digital. A sala, um pequeno museu da fotografia com peças originais, ainda conta com álbuns de fotografias do século XIX e catálogos da fotografia como meio de expressão.
Salão de Arte 2010 – 17ª Edição
Até 22 de agosto de 2010
Local: Clube “A Hebraica” – Sala Marc Chagall
Endereço: R. Dr. Alberto Cardoso de Mello Neto, 115 – Jardins São Paulo (SP)
Datas e horários: 17 a 20 (terça a sexta-feira), das 15 às 22 horas e
21 e 22 (sábado e domingo), das 13 às 21 horas
Exposição inédita Nitsche e Tozzi: a Pop Art Brasileira pode ser vista no Espaço Cultural Citi, na Avenida Paulista, até 21 de maio e propõe um diálogo com a mostra Andy Warhol, Mr. America, também em São Paulo na Estação Pinacoteca.
Nascidos em São Paulo, Marcello Nitsche e Claudio Tozzi, são dois representantes paulistanos da estética pop. No início da década de 1960, viveram o impacto da arte da qual Warhol é o mais famoso guardião. A mostra reúne 17 obras de cada artista.
“ A pop arte brasileira é muito diferente da americana, pois tem um caráter crítico, irônico, político e, às vezes, carnavalesco”, diz o curador e crítico Jacob Klintowitz. que recomenda visitar as duas exposições para observar as diferenças. De fato, é uma excelente oportunidade para observar a pop art americana e a brasileira, separadas apenas por alguns quilômetros de distância, na mesma cidade.
Nitsche e Tozzi: a Pop Art Brasileira
Local: Espaço Cultural Citi
Endereço: Av. Paulista, 1111, térreo,
Datas e horários: segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas
Até 21 de maio
Entrada gratuita
A polêmica gerada pelo “achado” da latas fez o nome Andy Warhol, nos conta o canadense Philip Larratt-Smith, curador da exposição Andy Warhol, Mr. America, na Estação Pinacoteca em São Paulo. “Warhol criou muita controvérsia com esse trabalho mas as latas de sopa ajudaram a fazer o nome de Warhol no meio artístico. Com elas, Warhol, visava encontrar um vocabulário próprio e criar algo chocante para obter seu próprio reconhecimento. Foi na exposição na Perris Gallery, em Los Angeles, em 1962 , que ele enfileirou 32 variedades de sabores da sopa, produzidos na época, de uma maneira provocativa. Houve muita controvérsia, não se sabia se era piada, sátira ou insulto. Foi um choque, tanto que uma galeria em frente resolveu comprar as 32 latas no supermercado, colocar na vitrine e escrever: “Compre aqui a original, mais barato por 25 cents”. A exposição acabou causando reações diversas, começou a sair artigos em revistas e na mídia em geral, Warhol conseguiu o que queria. Até então, ele não era conhecido, – havia trabalhado durante 10 anos como ilustrador numa agência de publicidade e tinha o talento de atrair para a compra de um produto oferecido – depois disso, ele se tornou instantaneamente o artista mais icônico e reconhecível no mundo. Foi a tacada certa para uma audiência de massa.
Por que Warhol retratou Mao?
“Ele queria pintar a pessoa mais famosa na época, e Mao era o líder de uma nação de 1 bilhão de pessoas, a maior do mundo. Era a pessoal mais notável que podia haver! Quase todos os chineses tinham o Livro Vermelho com Mao na capa, que muita gente adquiria, e de onde ele tirou esse retrato. Ao artista interessava todos que significassem fama e celebridade, fossem eles de Hollywood como Marilyn Monroe e seu sex appeal, da vida política, como a primeira dama, Jackie Kennedy e seu glamour, ou criminosos notórios que saiam nos jornais e tablóides.
Com a visita de Nixon a China, ele percebeu que as relações políticas com esse país iriam melhorar. Então, era o tempo político perfeito para isso, Mao não era mais um inimigo público como Fidel Castro e estaria sendo introduzido aos poucos ao mundo americano. Ao mesmo tempo, Warhol percebeu que havia um grande apetite de colecionadores poderosos pela arte revolucionária, principalmente na Europa Ocidental e que esse novo estilo poderia ser inédito e atrair muitos compradores”. Mais uma vez, estava certo.
Andy Warhol, Mr. America
Até 23 de Maio
Local:Estação Pinacoteca – Largo General Osório, 66
Datas e horários: de terça a domingo, das 10 às 18 horas
Grátis aos sábados
Um amplo painel da arte pop do artista que adorava gente famosa e “colava” em marcas e celebridades pra deslanchar sua carreira chega à SP, na Estação Pinacoteca.
Estão ali, na mais completa mostra sobre Warhol já vista no Brasil, os célebres ícones de Hollywood em retratos de cores berrantes e lisérgicas juntamente com a crítica ao establishment americano como na série da cadeira elétrica e das latas de sopa Campbell’’s. Ao apropriar-se de elementos da propaganda e dos HQs, Warhol que já despontava como designer gráfico em trabalhos para a Vogue e Harper’s Bazaar, mas não era conhecido, começa a fazer história. “Mais do que artista, ele queria mesmo era ser famoso” conta o curador do museu Andy Warhol de Pittsburgh, o canadense Philip Laratt-Smith com quem conversamos. E sua pintura não hesitava em pegar carona em “famosos” fossem eles do Jet-Set, de Hollywood ou da política. Queria ser famoso e rico, e conseguiu as duas coisas muito antes de morrer.
Quem era Andy Warhol? Os seus vários retratos explicam: uma drag, um fake, um avatar de si mesmo. Com certeza, um homem de comunicação avant la lettre. E sobretudo, um voyeur, um visionário. A internet, com suas redes sociais, com o twitter e facebook , estão aí para confirmar a máxima que cunhou: “ No futuro, todos terão seus 15 minutos de fama ”.
Acompanhe a nossa conversa com o curador da Pinacoteca Ivo Mesquita.
Andy Warhol, Mr. America
Local:Estação Pinacoteca – Largo General Osório, 66
Datas e horários: de terça a domingo, das 10 às 18 horas
Grátis aos sábados
Além de retratar celebridades, Andy Warhol também explorou temas da política e da cultura popular norte-americana. É o que explica Ivo Mesquita, curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
A mostra com 170 trabalhos do artista norte-americano ficará em cartaz até 23 de maio na Estação Pinacoteca em São Paulo. Entre as obras, estão 10 longas, 30 curtas e médias metragens produzidos pelo artista em seu próprio estúdio.
A exibição de todos esses filmes produzidos na Factory por ele e seus discípulos com destaque para Blow Job e Chelsea Girls acontecerá na Estação Pinacoteca.
Andy Warhol, Mr. America
Local:Estação Pinacoteca – Largo General Osório, 66
Datas e horários: de terça a domingo, das 10 às 18 horas
Grátis aos sábados