Um percurso pela formação de Portinari no MAM-SP
A exposição No ateliê de Portinari (1920-45) que acontece no Museu de Arte Moderna de São Paulo até 18 de setembro aborda o período de formação do ícone da pintura modernista brasileira. São cerca de 90 obras que não mostram uma retrospectiva do pintor, elas destacam alguns recortes no âmbito de sua produção. O mais interessante é ver de perto algumas obras de coleções particulares nunca antes vistas e que foram agregadas à exposição.
”Aqui, é possível acompanhar o trabalho de Portinari desde o período de formação do pintor entre o Rio de Janeiro e Paris, passando pela prática do retrato até a decisão de dedicar-se à criação de grandes telas e a realização de trabalhos de porte monumental tais como as que estão no Ministério da Educação e Saúde e na igreja de São Francisco de Assis da Pampulha. Sem esquecer de algumas experiências com a abstração”, explica Magnólia Costa, relações institucionais do MAM.
Ao lado de trabalhos bastante conhecidos do pintor, como Retrato de Maria (1932), Domingo no morro (1935), Paisagem de Brodowski (1940), Sapateiro de Brodowski (1941), Criança morta (1944), a mostra apresenta obras pouco divulgadas como Meu primeiro trabalho (c. 1920), Retrato do poeta Olegário Mariano (1926), Nu (1930), Roda infantil (1932). Estão ainda expostos três conjuntos significativos de estudos preparatórios para os projetos monumentais, pouco conhecidos pelo grande público.
Passeio Virtual
Dividida em cinco blocos, o percurso da exposição contempla as incursões realizadas por Portinari nas mais diferentes temáticas em busca de um estilo ainda indefinido. O que mostra o ecletismo do artista. O primeiro bloco é o da Escola Nacional de Belas-Artes, onde o pintor estuda de 1919 a 1929, quando ganha o prêmio de viagem ao exterior na 35ª Exposição Geral da instituição e vai à Europa ver de perto as obras dos grandes mestres. Nessa fase predominam os retratos, como os três do poeta Olegário Mariano, que confrontam-se pelas diferenças de estilo.
No segundo bloco, Um modelo constante, a série de retratos que o artista realiza tendo como figura sua mulher, Maria, evidencia a liberdade estilística característica de seu período inicial, trazendo inspirações que remetem a Amedeo Modigliani, ao Pablo Picasso pré-cubista e a Giorgio de Chirico, entre outras várias influências.
Em Cenas brasileiras, surgem as representações pictóricas de elementos, situações e personagens cotidianos de Brodowski e do Brasil em geral. Obras como Domingo no morro (1935), Paisagem de Brodowski (1940) e Estivador (c. 1934) estão dentre as primeiras incursões de Portinari no universo nacionalista que mais tarde torna-se marca registrada de sua pintura. Quando Portinari chega aos limites da representação pictórica na tela, parte naturalmente para a concepção de trabalhos murais, o que está representado no bloco Projetos monumentais. Ali, se encontram diversos estudos para obras de grandes dimensões, como os afrescos do Ministério da Educação e Saúde (1938), no Rio de Janeiro.
Finaliza a exposição uma vertente pouco conhecida e mesmo explorada pelo artista: a abstração. Até mesmo por não acreditar no abstracionismo como expressão eloquente do pensamento do artista, Portinari não se estendeu longamente pelo gênero, mas alguns de seus estudos e trabalhos, como dois da série dos quatro elementos (1945), podem ser vistos pelo público.
Reportagem de Anapaula ZiglioExposição No ateliê de Portinari (1920-45)
Até 18 de setembro de 2011
Museu de Arte Moderna de São Paulo/ Parque do Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3
Horários: Terça a domingo, das 10h às 17h30
Aos sábados e domingos, a entrada é gratuita

Orkut




