Altair Martins | Mona Dorf

quinta-feira, 24 de maio de 2012 Entrevista, Estreia, Literatura, Prêmios | 11:00

Festival da Mantiqueira reúne na Serra escritores e vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2011

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O Festival da Mantiqueira, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, chega à quinta edição, nesse fim de semana, entre os dias, 25 a 27 de maio (sexta a domingo), em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (138 km de São Paulo). Entre os destaques, autores em processo de criação, e outros, com obras prontas para serem lançadas.
A curadoria de André Sturm, traz também na programação, autores que apresentam novas obras nos próximos meses. João Paulo Cuenca lança, em maio, A última madrugada, coletânea de crônicas publicadas entre 2003 e 2010.

A última mesa do sábado reúne José Castello (Vinicius de Morães: O Poeta da Paixão e Ribamar) e os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2011, Rubens Figueiredo (Passageiro do Fim do Dia) e Marcelo Ferroni (Método Prático da Guerrilha), para falar sobre ficção e realidade e responder à pergunta: Em que medida uma interfere na outra?

Dar visibilidade aos escritores e aos dois grandes vencedores da quarta edição do Prêmio São Paulo de Literatura, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura, e anunciados em 2011 virou o objetivo maior da Secretaria. Em breve, conheceremos os premiados desse ano. Rubens Figueiredo, autor de Passageiro do fim do dia, conquistou o prêmio na categoria Melhor Livro do Ano e Marcelo Ferroni foi o vencedor da categoria Melhor Livro do Ano – Autor Estreante, com Método prático da guerrilha. Na cerimônia, no Museu da Língua Portuguesa, cada escritor recebeu R$ 200 mil. Além da visibilidade: o Ministério das Relações Exteriores vai divulgar os vencedores em outros países.

Ao conceder os prêmios a Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni, Andrea Matarazzo prometeu aumentar o número de cidades incluídas no projeto Viagem literária e comentou os investimentos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, no incentivo à literatura e novos autores: ” Este ano, foram 221 romances concorrentes, contra 217 em 2009 e em 2010, o que mostra como o Prêmio São Paulo de Literatura já está consolidado”

Anúncio Melhor Livro – Autor estreante para Marcelo Ferroni e entrevista

Em maio de 2004, o Departamento de Estado dos EUA libera a transcrição do interrogatório de Paul Neumann, ex-aluno de história da PUC-RS, realizado em 1967, em um hospital militar na Bolívia, por dois renegados cubanos a serviço da CIA. Essa é sumariamente a moldura ficcional deste thriller de espionagem, centrado na figura de um Che Guevara amargo, careca e barrigudo.

Valendo-se de paráfrases da história, através de diários e relatórios, Ferroni apresenta os bastidores da ação, na formação das redes urbanas do movimento da esquerda internacional e as frentes de batalha em Ñancahuazú, recriando os acontecimentos daquela trágica (e por vezes cômica) guerrilha.

Leitura de Método prático da guerrilha, pelo autor Marcelo Ferroni, gravada pela Companhia das Letras

Em Método prático da guerrilha, Ferroni põe à prova, com uma pesquisa minuciosa, os métodos preconizados pelo próprio Guerra de guerrilhas, de Che, e aponta, com algumas doses de ficção, as contradições da prática revolucionária.

O autor

Nasceu em 1974, em São Paulo. Vive atualmente no Rio de Janeiro, com a mulher e um filho. É editor da Alfaguara, selo de literatura da Editora Objetiva. Método prático da guerrilha é seu primeiro romance.

Prêmio de melhor livro do ano

O livro Passageiro do fim do dia (Companhia das Letras) é o quinto romance de Rubens Figueiredo. Assim mesmo ele se mostrou emocionado e surpreso com o prêmio por concorrer com outros 9 finalistas, autores de grande qualidade. Na entrevista, ele comenta que quis falar da opressão social, através do narrador que viaja dentro de um onibus, e se questiona.

Anúncio do Melhor Livro do Ano para Rubens Figueiredo e entrevista

Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora – uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, sua namorada.

De radinho no ouvido, lendo a intervalos, ele observa o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas. No fim da viagem ele não será mais o mesmo: ele revê durante o trajeto, os fatos de sua vida, seus afetos, e o mundo opressivo em que está imerso.

não deixa dúvida sobre a importância de Rubens Figueiredo no cenário literário contemporâneo no Brasil.

O autor

Nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Formado em letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é tradutor e professor de português e tradução literária. Cronista e romancista, é autor de As palavras secretas, Barco a seco, ambos prêmio Jabuti, Contos de Pedro e O livro dos lobos (Companhia das Letras), entre outros.

Premiados nas edições anteriores

Em 2010 os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura foram A minha alma é irmã de Deus, de Raimundo Carrero, como melhor livro do ano e Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre, como melhor obra de autor estreante. Em 2009 venceram Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito e A parede no escuro, de Altair Martins. Na primeira edição, em 2008, os premiados foram O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza e A chave de casa, da estreante Tatiana Salem Levy.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Estreia, Literatura, Prêmios Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
terça-feira, 22 de junho de 2010 Entrevista, Literatura, Prêmios | 10:18

O Brasil é o país do atalho

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O jovem Altair Martins venceu o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria estreante em 2009, mas bem que poderia estar entre os veteranos.

No Festival da Mantiqueira uma conversa com Altair Martins

Seu romance A parede no escuro é forte, construído com densidade e pela expressão de diversas vozes. “ É um romance que trata da questão da paternidade, da crise do patriarcalismo como sustentáculo das relações humanas, sobretudo no Brasil.”

O livro de contos Enquanto Água sai em 2011. Escreve também um romance sobre a maternidade.

Leitura de trecho do livro premiado junto a Ronaldo Correia

A falta do pai, a carência da interdição

 Ao apontar na sociedade contemporânea, a crise da autoridade, da falta do pai, ele  remete à falta de limites que extravasa da família para a educação: “Nós vivemos uma crise de logus, de ordem, nós não obedecemos mais a ordem como se a ordem fosse contra. Eu noto em sala de aula que os alunos tem uma verdadeira carência da interdição, que se diga não”

Para ele, a ordem social paternal vem se diluindo, com a dissolução da família em todo o mundo ocidental, e com isso se dilui também a palavra de poder. “O  título A Parede no Escuro é uma metáfora das paredes que nos sustentavam e vieram ruindo…”

A desapropriação de conteúdo na internet

Altair vê na internet, uma terra sem dono, sem lei, de  expropriação de direitos: ”As pessoas escrevem texto e colocam como se fosse de determinado autor…  e tem também o fenômeno da apropriação, que é mais antigo, roubar o texto do outro.”

Outro fenômeno brasileiro comum é o de citar tese sem nomear o autor, como se a tese fosse sua: ”É um jeito brasileiro esse do atalho, é o jeito de cortar a filiação, talvez por isso a gente não use o sobrenome, use sempre o nome”. É um problema sério o da filiação.

Veja também:
Festival da Mantiqueira: todos os narradores são grandes mentirosos

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Literatura, Prêmios Tags: , , ,
segunda-feira, 31 de maio de 2010 Festivais Literários, Literatura, Passeios, Prêmios | 11:00

Festival da Mantiqueira: todos os narradores são grandes mentirosos

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Ronaldo Correia de Brito vem de uma família de contadores de histórias. E uma das histórias mais contadas era a história da morte de seu avô. “Eu cresci ouvindo essa história; tinha dia que eu ouvia minha avó contar três vezes a história da morte do meu avô! Até a hora que eu mesmo resolvi escrever e contar a história da morte de meu avô – virou o conto ‘Da morte de Francisco Vieira’ no Livro dos Homens Cosac Naify - Os familiares ficaram todos revoltados. Disseram que eu havia mudado a história do meu avô!”.

Foi com essa delíciosa história que Ronaldo Correia de Brito abriu a primeira mesa do Festival da Mantiqueira junto com outro vencedor do Prêmio SP de literatura 2009, Altair Martins e o compositor e escritor Arnaldo Antunes, convocado para mediar o diálogo. Para ele, todos os narradores são grandes mentirosos! “Eu sempre escutei como eu desejava ouvir. Escrever é trabalhar com a memória inventada, jamais com a história.”  O escritor tem de ser capaz de transformar, explica Ronaldo que assim começa respondendo à pergunta sobre processo de criação, para acrescentar que leu muito na infância e adolescência. Fala especificamente de duas obras:  Ilíada e Odisseia, de Homero, para arrebatar de vez a platéia com outra história. ” Os livros que eu lia eram cheios de buracos de traças, mas eu não me importava, lia-os assim mesmo, eles tinham cada vez mais buracos e eu ficava imaginando o pedaço da história que faltava “. O leitor completa a narrativa, e certamente o escritor Ronaldo Correia de Brito agradece às traças que ajudaram a alimentar sua imaginação. Ano passado, esse médico, cearense de nascimento, pernambucano de coração que já havia publicado anteriormente, recebeu o Prêmio Sâo Paulo de Literatura, com seu romance Galiléia. Ele abriu o III Festival da Mantiqueira lendo um trecho para a plateia, bem ao estilo da Flip.

De fato, é o melhor jeito de conquistar leitores: ouvir o autor ler seu texto, com seu sotaque, suas paradas para respirar, seus pontos de exclamação.


Leitura de trecho do romance Galiléia, Prêmio SP de Literatura 2009

 

A região é bem servida de pousadas e todas as cidadezinhas próximas são encantadoras: Santo Antonio do Pinhal, Monteiro Lobato, mas talvez a mais charmosa da Mantiqueira seja São Francisco Xavier, a 91 km da capital paulista, perto de São José dos Campos. Há três anos ela sedia um encontro literário que traz os grandes autores nacionais para o interior do estado. Na praça central, uma tenda abriga as mesas do Festival, abertas ao público, em geral. Numa outra, os escritores conversam com os estudantes da região, após a leitura do livro deles. Esse ano vieram Walcyr Carrasco, Marina Colasanti, Spacca, entre outros. Carpinejar deu oficinas de prosa poética. Chacal declamou seus poema, Ferreira Gullar contou que prepara um livro de poemas, o primeiro em anos. ” Se você não se inventa, você não existe! ” bradou o escritor diante de Cadão Volpato, editor de Cultura do IG, que atuava como mediador. A mesa seguinte, não menos interessante, falava sobre o tema Desejo… Coube ao português Agualusa e ao diplomata e escritor João Almino debate-lo com a jovem Carola Saavedra. Os autores estão lá para falar de suas obras, dialogar com o público, autografar livros e tudo mais. O Festival é o ponta pé inícial de uma Viagem Literária que os leva para outras cidades para bate-papos em bibliotecas. E como é bom chegar perto dos autores, poder prosear com eles!


Ronaldo Correia de Brito estará na FLIP 2010, em Paraty, na mesa Fábulas contemporâneas com Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes com mediação de Cristiane Costa.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Festivais Literários, Literatura, Passeios, Prêmios Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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