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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 Comportamento, Entrevista, Moda, Redes Sociais | 08:00

Moda 100% periferia

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Às vésperas da São Paulo Fashion Week não custa lembrar que o Capão Redondo também faz moda!

Criada pelo rapper e escritor Ferréz, a 1DASUL não está nas passarelas, nos ti-ti-tis dos fashionistas, muito menos na pauta ou editoriais da moda brasileira, apesar de ser a primeira e única grife criada e produzida na periferia de São Paulo. O berço é o Capão Redondo.

“ Universo, galáxia, sistema solar. São Paulo, zona sul, esse é o lugar”. Quem anda pela periferia de São Paulo, ou em festas hip hop pode facilmente encontrar alguém vestindo a camisa da marca da periferia. 1DASUL, com muito orgulho. Ao contrário de outros subúrbios, os habitantes da imensa zona sul de São Paulo não sofrem de baixa auto-estima e nem vestem moletons da Califórnia… 

A marca que surgiu há 11 anos tem até um site multimídia, antenada que só ela. 

É uma moda solidária, cooperativada. Antes o que era apenas uma confecção de roupas, hoje extrapola para outros produtos, conta Ferréz, escritor e agitador cultural, que conseguiu dar voz própria aos habitantes do Capão Redonda e Jardim Ângela. “1DASUL – Todos somos um só pela zona sul é esse o significado. A idéia é divulgar a zona sul como um lugar bacana pra se viver.  É uma marca de autogestão, produzida na periferia, para ser vendida e usada na periferia.  A idéia é que as pessoas se orgulhem daqui e consumam o que é feito aqui mesmo ou em outras periferias”.

A marca valoriza o lugar. Hoje fazemos vários produtos recicláveis, de protetor de tanque, cadernos, a pézinhos de moto, cartão postal, vinho… Começamos com mochilas, bonés, bermudas. “ As camisetas com slogans são a identidade e viraram moda, um must , disputadíssimas por suas mensagens políticas: Mídia mente – Capão pecado – Bom dia Vietnã, Bom dia Capão…..

Além da moda outro canal de expressão é a internet

Quer ler sobre o Itaim Paulista, entra no blog do Alessandro Buzo . Quer ler sobre o cotidiano do Capão?  Entra no do Ferréz . “ É a periferia retratada por ela mesma. A gente falando da gente, de dentro. Isso é uma mudança tremenda. Nós somos o tema. Começamos nos livros, na rua falando poesia, agora estamos na internet “, completa.

Não faltam autores para retratar um dia a dia que não é só violento, como mostra a TV, tem saraus, shows, quermesses, eventos, shows de hip hop e escritores que ninguém vai divulgar… E surge uma nova literatura: “ Há todo um movimento de autores independentes fazendo uma cena diferente da literatura e boas coletâneas como Cenas da favela, de Nelson de Oliveira, Literatura marginal ( Agir ), Nascer 9, de Rondônia…”.

Ferréz comemora os bons números da internet: “ Antigamente a gente fazia fanzine, vendia um a um. Hoje qualquer um pode te ler em Pernambuco, de outro estado, é um meio muito rico pra um cara que tá longe ter acesso a seu texto. Agrega muito! É uma vitória: 317 mil acessos, desde que começou o blog há um ano e meio atrás, 15 mil por dia! “.

Muito além da moda, a marca se tornou uma resposta do Capão Redondo e outras áreas para  a violência que lhes é creditada, fazendo os moradores terem orgulho de onde moram e lutarem para um lugar melhor, com menos violência e mais esperança.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Comportamento, Entrevista, Moda, Redes Sociais Tags: , , , , , , , ,
quarta-feira, 23 de junho de 2010 Comportamento, Entrevista, Moda | 11:46

A arte do chapéu

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A paixão pelo experimento, pela forma e pelas texturas. A ousadia de bancar um chapéu na cabeça, uma incrível quantidade de materiais e muita imaginação transfomaram Silvia Lucchi, na maior designer brasileira de chapéus. Esse acessório que já foi complemento obrigatório no vestuário, e que hoje costuma frequentar a nobreza inglesa em Ascot, em dias de páreo, ou ainda modernos, artistas e criativos que encaram a vida com poesia.

Nos anos 80, Silvia era conhecida entre os descolados, agora sua imensa coleção de pilotos e chapéus, vendidos mundo afora, pode ser vista, numa exposição aberta ao público, no espaço A CASA museu do objeto brasileiro, onde além de suas criações apresenta um vídeo e uma instalação.


Quando você põe um chapéu na cabeça, você tem de segurar!

“Tem a ver com a sua personalidade ou com o seu estado de espírito, naquele momento, com acessar o teu personagem real, não o personagem fictício, aquele de dentro, para poder segurar… Senão você vai se sentir mal com um chapéu. É também é uma questão de uso, costume. Quanto mais você usa, mais acostuma e vai procurando outras possibilidades”.

Lady Di

“Ela tinha um estilo muito próprio de vestir, muito elegante. A Lady Di usava esse acessório de uma maneira maravilhosa, ela aproveitava bastante do chapéu”, explica ela.

Silvia conta que tem mais de 600 peças e que os chapéus estão organizados por fileiras, que ela chama de famílias. A cada estação, ela desenvolvia uma, duas famílias. “Tinha uma feira de acessórios em Paris, onde vendia para department stores como o Barneys em NY, Bon Marché e Printemps, em Paris. Para a Bélgica, Itália. O Japão foi onde eu mais vendi chapéus… Era o cliente mais ousado, sempre pegavam os modelos mais fortes da coleção”.

Os fantásticos modelos gigantes da exposição

Um convite de Paulo Borges rendeu chapéus em escala teatral, formatos enormes: “Eles foram feitos para um desfile. O Look of the Year, que o Paulo Borges me convidou para fazer. Criei chapéus de referência histórica ou de moda e fiz todos muito maiores. Porque eles ficariam num palco, longe, num teatro grande. Então, era uma coisa bastante teatral.”

Já a aula com o famoso designer Bruno Munari foi pra lá de inspiradora e permitiu a Silvia Lucchi realizar criações de peças únicas. Aqui ela aponta as que mais gosta.

Entre elas peças, um divertido chapéu, que parece uma peruca e mimetiza o corte Chanel, bem curto, dos anos 20: ” Acho que chapéus mais ousados precisam de mais personalidade. Existem chapéus mais básicos que as pessoas já seguram. Um boné é um chapéu e todo mundo usa boné! ” E olha só, adivinha qual ela prefere? Aquele tipo de gorro bem peludo, usado para enfrentar um frio polar!

Cada cabeça uma sentença, cada cabeça um chapéu….

As criações da designer não nascem no papel, no desenho, mas sim a partir do material, fios, palhas, lãs que ela encontra. Viram tramas que viram imagem, que viram formato. Ela mesma senta pra fazer junto às costureiras pilotos e mais pilotos até chegar na peça definitiva.

Silvia Lucchi estudou em diversas escolas. Passou cinco anos em Florença. Depois foi para Milão estudar moda na academia Domus, com ninguém menos que Gianfranco Ferré.


“Na Cabeça” exposição de Silvia Lucchi
Até 27 de agosto de 2010
Local: A CASA museu do objeto brasileiro
Rua Cunha Gago, 807 – Pinheiros -Tel. (+5511) 3814-9711
Horário: segunda a sexta – 10h às 19h
Entrada franca

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Comportamento, Entrevista, Moda Tags: , , ,
terça-feira, 15 de junho de 2010 Comportamento, Entrevista, Imagem, Moda | 08:58

Quando a moda encontra a arte

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De vez em quando, a vestimenta pode ser um verdadeiro objeto de arte. E os desfiles verdadeiras performances ou happenings. Ninguém esquece o desfile histórico de Jum Nakao com modelos vestindo roupas de papel, cortado a laser, como se fosse origami. Era usável? Apontava tendência? Pouco importa, era arte; e o criador, um artista de mão cheia.

Danielle Jensen, estilista da Maria Bonita foi ao Instituto Moreira Salles no Rio, viu as fotos de Anna Mariani e fez uma coleção inspirada nas Platibandas que a fotógrafa documentou no sertão brasileiro. Convocou Daniela Thomas para fazer a passarela e o cenário por onde passavam as modelos. Às cores das casas nordestinas vieram se juntar a tecidos e bolsas com pedaços de madeira articuláveis, que pareciam verdadeiras esculturas. A iluminação completou o espetáculo, cheio de poesia e brasilidade.

Outro criador, Alexandre Herhcovitch, foi beber na pintura de Mark Rothko And Barnett Newman, do movimento artístico definido como Colorfield Painting, para criar roupas geométricas, ousadas e coloridas como nosso verão.

Perguntamos para quem entende do riscado, o que a arte tem a ver com a moda. Veja as respostas de Erika Palomino, Clô Orosco, Flávia Lafer, Constanza Pascolato, Gloria Khalil, Mariana Weickert, Max Fivelinha.

Veja também:
A arquitetura do sertão nas fachadas de Anna Mariani em livro

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Comportamento, Entrevista, Imagem, Moda Tags: , , , , , , , , , , ,
segunda-feira, 14 de junho de 2010 Entrevista, Imagem, Literatura, Moda | 16:02

30 anos de moda no Brasil

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A roda-gigante dentro do prédio da Bienal que sedia o SP Fashion Week remete ao movimento circular da moda, que vira e mexe revisita looks antigos como os coletes, os micro shorts, os tamancos… Sim, a moda se renova, mas vive de revival, bebe no comportamento, e nada como um pouco de história para saborear melhor as tendências atuais. Atuais?

Das saias curtíssimas às longas, do jeans justinho aos cafetãs, a moda é uma soma de tendências e comportamentos, de estilo, criatividade e atitudes que atravessam as décadas. E voltam de tempos em tempos. Revisitados, atualizados. Mudam os jeitos de usar, mudam os tecidos, muda a tecnologia de fazer roupa. Mudam também as influências, os personagens que ditam tendências e comportamentos.

Um olhar para a história da moda brasileira nos últimos 30 anos, com suas referências culturais, históricas e comportamentais. O livro 30 anos de Moda no Brasil de Marilia Scalzo, editora Livre, traz imagens incríveis com personagens e modelos que marcaram como Gisele Bundchen, Luiza Brunet, Ana Cláudia Michels, Shirley Mallmann, Fernanda Tavares, Ana Paula Arósio,  entre outras  retratadas na obra

Conversamos com Kiko Farkas sobre o projeto gráfico: “O livro é um objeto de design, além do conteúdo. Ele tem que ser também pensado como objeto, a costura, o peso, o acabamento, o tato.”

De fato, o design inovador, – ele não tem refile – as páginas se juntam uma a uma, e o papel utilizado foi o jornal, que dá uma identidade própria. Para contar a história recente da moda brasileira – nas décadas de 1980, 1990 e 2000- a editora Marilia Scalzo,  selecionou 161 fotos de 30 profissionais, entre eles, grandes nomes como Otto Stupakoff, Bob Wolfenson, André Passos, Antonio Guerreiro, Bubby Costa, Cristiano Mascaro, Daniel Klajmic, Fernando Lousa, Isabel Garcia, Klaus Mitteldorf, Luis Crispino, Mari Stockler,  e Vânia Toledo.

Leia mais sobre Kiko Farkas:
Cartazes Musicais

4 anos, 300 cartazes e uma boa convivência com o maestro John Neschling

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Imagem, Literatura, Moda Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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