Assim tudo começou…
Hoje na segunda edição, Trancoso e arredores ganham um teatro definitivo e um evento que veio pra ficar.
Durante uma semana, a partir sesse sábado 17 até o outro 24 de março, a paisagem paradisíaca de Trancoso será o cenário de um festival inédito e totalmente gratuito, o Música em Trancoso – MeT. Um anfiteatro, montado no alto das falésias, perto do Club Mediterranée, irá acomodar mais de 1.000 pessoas na plateia e cerca de 100 artistas no palco, que se apresentarão sempre ao pôr do sol. Durante o dia estudantes de todo o Brasil que se inscreveram pela internet poderão assistir a workshops com musicistas internacionais de peso.
A iniciativa partiu de um grupo de amigos que tem casa de veraneio na região, entre eles, Sabine Lovatelli, presidente do Mozarteum, com o objetivo de levar a boa música para um lugar pouco acostumado a ver orquestras ao vivo.
“A ideia também é poder dar uma nova possibilidades de desenvolvimento econômico para os habitantes locais, numa região que vive da sazonalidade do turismo. Assim conseguimos estender o movimento dos restaurantes, pousadas, hotéis, serviços de transporte, quase até a Páscoa.” comemora.
A programação que vai invadir os canions de Trancoso
No Festival em Trancoso, grandes clássicos serão apresentados por nomes da música clássica e da MPB, como as irmãs Katia & Marielle Labèque (piano) e os integrantes da Filarmônica de Berlim, Rüdiger Liebermann (violino), Walter Küssner (viola) e o Walter Seyfarth (clarinete) proporcionarão ao público interpretações primorosas de instrumentos de cordas, sopro e metais e canto. As irmãs Katia & Marielle Labèque (piano) e os integrantes da Filarmônica de Berlim, Rüdiger Liebermann (violino), Walter Küssner (viola) e o Walter Seyfarth (clarinete) estão entre eles. Prometem também emocionar a platéia os músicos Andreas Grünkorn (violoncelista), Benoit Fromanger (flauta), Jonathan Williams (trompete) e Richard Galler (fagote). A soprano Julia Thornton, o tenor Tadeusz Szlenkier, o maestro Cesar Camargo Mariano, ao piano, e a cantora Mônica Salmaso compõem os destaques do festival.
Destaque para a apresentação do dia 20, quando a maioria dos solistas convidados, acompanhados das irmãs Labéque, subirão ao palco para juntos executarem O Carnaval dos Animais, a belíssima composição de Camille Saint-Saëns; Conhecidos musicais compõem a programação, com trechos de West Side Story e Porgy and Bess. Todas as apresentações serão acompanhadas pela Orquestra Juvenil da Bahia, com regência do maestro Ricardo Castro.
Além dela, a orquestra imperial e os músicos convidados tocarão um repertório de fácil digestão, pensado especialmente para a formação de platéia; nada de tocar uma peça inteira. Fica claro que essa primeira edição é um teste para o público, a programação destacará clássicos da música erudita e peças de óperas e de musicais consagrados. A MPB será contemplada com uma noite dedicada à Bossa Nova e um jam session com músicas do nosso compositor maior, maestro Antonio Carlos Jobim. Se você ficou animado, desista! Não há mais ingressos disponíveis, nem passagens aéreas. Quem sabe, no ano que vem. Resta esperar que o festival vingue. Vida longa ao Met!
O prêmio principal de literatura brasileira foi concedido em Cuba para o romance “Domingos Sem Deus”, de Luiz Ruffato. De acordo com o UOL, a ata do júri registra que ele “apresenta diversos episódios independentes que se entrelaçam, formando o mosaico de um Brasil essencial, embora esquecido”.
Outro brasileiro, Chico Buarque, por sua vez, recebeu um prêmio honorífico de Narrativa. O Prêmio Casa de las Américas é outorgado anualmente em Havana desde 1960.
Domingos sem Deus, é o quinto e último volume do Inferno Provisório, projeto que tomou forma de uma denúncia literária, um vasto painel sobre a industrialização em Cataguazes, Minas e o cotidiano do operariado nos últimos 40 anos até a eleição do Lula… Nesta videoentrevista gravada durante o Festival da Mantiqueira, ele conta mais sobre seu processo criativo e fala do último romance.
Demorou 15 anos para escrever a pentalogia Inferno Provisório
No romance, Ruffato dá continuidade às histórias de seus premiados e elogiados livros anteriores, Mamma, son tanto felice, O mundo inimigo, Vista parcial da noite e O livro das impossibilidades. O autor constrói seu texto com tintas políticas fortes e nos apresenta a vida dos miseráveis e invisíveis, traçando um painel das mudanças ocorridas no país por mais de cinco décadas.
O violinista é um nome, uma figura que lembra a pintura de Chagall, onde os personagens parecem flutuar entre a realidade, o sonho e o céu.
” È a possibilidade de você se equilibrar, de você fazer a arte, quando tudo está ruindo ao seu redor, o musical fala de tolerância, convivência… Até que ponto voce pode ceder em relação ao outro”, comenta Charles Möeller.
Baseado nos tradicionais contos judaicos de Sholom Aleichem, ‘Um Violinista no Telhado’ estreou na Broadway em 1964, com música de Jerry Bock e Sheldon Harnick, imortalizando canções com If I were a rich man mundo afora. Depois da bem sucedida temporada carioca, chega aso palcos paulistanos.
A reeinvenção de José Mayer
Atuar em ‘Um Violinista no Telhado’ é uma prova de fogo para qualquer ator, o personagem – o patriarca Tevye - exige um intérprete carismático, que equilibre técnica vocal e carisma. José Mayer já tinha feito antes dois musicais, um deles com Aderbal Filho, o ator tem tido há três anos aula de canto, mas sabia que havia um belo desafio pela frente: ” Obsessão é a marca do meu trabalho, mas ganhei um presente ao poder fazer esse musical, com uma companhia que prima pelo capricho, esmero, acabamento”, falando da Conteúdo Teatral, de Isser Korick e Leo Steinbruck, que produz o musical.
Parece que o ator nasceu talhado para o papel. E como canta!
José Mayer e a tradição…
A história
Tevye (José Mayer) entra em atrito com as três filhas mais velhas, Tzeitel (Rachel Rennhack), Hodel (Malu Rodrigues/Karina Mathias) e Chava (Julia Fajardo), que desafiam a tradição judaica, ao rejeitar os casamentos arranjados e adotar comportamentos “modernos” para o padrão religioso da pequena aldeia onde vivem. Ao lado da esposa Golda, (Soraya Ravenle), ele tenta conciliar os conflitos familiares.
Sem nunca perder o bom humor, Tevye lida à sua maneira com os problemas. Pensa alto, ri de si mesmo e conversas com Deus. O mais duro é driblar a esposa! A cena do sonho com a sogra que está morta, que relata para a mulher, como prenúncio de que o casamento não vai dar certo é impagável.
Além de conciliar a tradição com os novos tempos e a realidade das filhas casadoiras rebeldes, outro problema aflige a pequena comunidade de Anatevka: a hostilidade de grupos russos anti-semitas do Czar que começam a tumultuar o cotidiano das famílias. Os progroms - perseguições ás populações judaicas da Europa oriental – eram muito comuns no começo do século e duraram até as grandes guerras.
A vida em Anatevka podia ser pobre e difícil, mas era muito animada, com muita fofoca nos ghettos, música e dança. A dança da garrafa é hit da coreografia do musical e mostra a influência dos passos russos no repertório judaico.
A dança da garrafa é um tour de force para os atores/dançarinos
Entre rezas e festas tradicionais, celebrações de shabat e de casamentos, uma vitrine dos costumes judaicos
Na fictícia aldeia judaica de Anatevka, no interior da Rússia vivem moradores típicos, como o rabino, a casamenteira, o açougueiro, o mendigo e o forasteiro que chega para revolucionar os costumes seculares da aldeia.
Para vivê-los, o elenco participou de um workshop com Michel Gherman, mestre em História Judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém, e o ator e pesquisador Claudio Erlichman.
O produtor Isser Korik, da Conteúdo Teatral, discorreu sobre o significado religioso de cada costume judaico retratado no espetáculo: “O que os mantém juntos é a tradição. Eles poderiam ter desaparecido, mas não aconteceu por causa, do amor maior à família, à tradição e aos rituais. É muito bonito falar disso num musical que é um ícône da cultura. ”
Charles Möeller e Isser Korich falam da riqueza do musical
Canções bem-humoradas como ‘If I Were a Rich Man’, se misturam com outras mais líricas como ‘Do you Love Me?’ e ‘Sunrise, Sunset’, um dos grandes momentos, ainda que estranhamos vê-las cantadas nas versões em português.
É que ‘Um Violinista no Telhado’ tem uma longeva trajetória ao redor do mundo, no palco e no cinema. Na época da estreia, bateu recorde de permanência, ficou quase oito anos em cartaz. Teve dez indicações ao Tony, e venceu em nove categorias. A montagem londrina de 1967 consagrou o ator israelense Chaim Topol como Tevye, personagem que ele viveu também no filme (‘Fiddler on the Roof’, 1971) e até hoje segue em turnê pelos Estados Unidos.
A coreografia original de Jerome Robbins foi recriada aqui por Janice Botelho. O cenário é de Rogério Falcão, os figurinos de Marcelo Pies.
Teatro Alfa
Temporada de 16 de março a 15 de julho
R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro
Quintas, às 21h. Sextas, às 21h30. Sábados, às 17h (a partir de abril) e 21h. Domingos, às 17h.
O segundo romance preocupa sempre um escritor que estreou com grande sucesso como foi o caso de Tatiana Salem Levy.
O livro está entre os 60 finalistas do Prêmio Portugal Telecom, primeira etapa da premiação que incluiu também vários autores com quem conversamos nessa coluna: João Carrascoza, Michel Laub, Eliane Brum, Miguel Sanches Neto, Humberto Werneck e Luiz Ruffato.
Nos Diálogos com a Literatura do Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier, a jovem escritora premiada Tatiana Salem Levy, debateu com Carola Saavedra e Maitê Proença: ” Não existe literatura feminina, como não existe masculina, literatura negra ou de judeu! “, bradou ela logo no início da mesa, que abriu o domingo na serra, A mulher na escrita ao longo dos tempos. Antes na tarde de sábado, ela conversou com o escritor João Paulo Cuenca.
“Não faz mais sentido separar o que ficção, o que é realidade…” Carioca, ela veio a São Paulo lançar Dois rios – seu último romance, no fim de 2011. Na ocasião, Tatiana Salem Levy contou que recebia muitas mensagens pelo Facebook, cobrando um segundo livro.
É muita responsabilidade lançar um segundo romance depois de uma estreia tão triunfal. Tatiana Salem Levy ainda não se recuperou do sucesso da estreia! Seu primeiro livro A chave de casa mereceu todos os elogios da crítica, foi traduzido e publicado em Portugal, França, Espanha, Italia e Turquia. Ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura em 2008 e foi finalista do Jabuti e Zaffari & Bourbon de Literatura.
Nessa entrevista, ela comenta o peso da aclamação precoce e lê um trecho do novo romance pulicado pela Record, Dois Rios.
O Festival da Mantiqueira, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, chega à quinta edição, nesse fim de semana, entre os dias, 25 a 27 de maio (sexta a domingo), em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos (138 km de São Paulo). Entre os destaques, autores em processo de criação, e outros, com obras prontas para serem lançadas.
A curadoria de André Sturm, traz também na programação, autores que apresentam novas obras nos próximos meses. João Paulo Cuenca lança, em maio, A última madrugada, coletânea de crônicas publicadas entre 2003 e 2010.
A última mesa do sábado reúne José Castello (Vinicius de Morães: O Poeta da Paixão e Ribamar) e os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2011, Rubens Figueiredo (Passageiro do Fim do Dia) e Marcelo Ferroni (Método Prático da Guerrilha), para falar sobre ficção e realidade e responder à pergunta: Em que medida uma interfere na outra?
Dar visibilidade aos escritores e aos dois grandes vencedores da quarta edição do Prêmio São Paulo de Literatura, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura, e anunciados em 2011 virou o objetivo maior da Secretaria. Em breve, conheceremos os premiados desse ano. Rubens Figueiredo, autor de Passageiro do fim do dia, conquistou o prêmio na categoria Melhor Livro do Ano e Marcelo Ferroni foi o vencedor da categoria Melhor Livro do Ano – Autor Estreante, com Método prático da guerrilha.Na cerimônia, no Museu da Língua Portuguesa, cada escritor recebeu R$ 200 mil. Além da visibilidade: o Ministério das Relações Exteriores vai divulgar os vencedores em outros países.
Ao conceder os prêmios a Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni, Andrea Matarazzo prometeu aumentar o número de cidades incluídas no projeto Viagem literária e comentou os investimentos da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, no incentivo à literatura e novos autores: ” Este ano, foram 221 romances concorrentes, contra 217 em 2009 e em 2010, o que mostra como o Prêmio São Paulo de Literatura já está consolidado”
Anúncio Melhor Livro – Autor estreante para Marcelo Ferroni e entrevista
Em maio de 2004, o Departamento de Estado dos EUA libera a transcrição do interrogatório de Paul Neumann, ex-aluno de história da PUC-RS, realizado em 1967, em um hospital militar na Bolívia, por dois renegados cubanos a serviço da CIA. Essa é sumariamente a moldura ficcional deste thriller de espionagem, centrado na figura de um Che Guevara amargo, careca e barrigudo.
Valendo-se de paráfrases da história, através de diários e relatórios, Ferroni apresenta os bastidores da ação, na formação das redes urbanas do movimento da esquerda internacional e as frentes de batalha em Ñancahuazú, recriando os acontecimentos daquela trágica (e por vezes cômica) guerrilha.
Leitura de Método prático da guerrilha, pelo autor Marcelo Ferroni, gravada pela Companhia das Letras
Em Método prático da guerrilha, Ferroni põe à prova, com uma pesquisa minuciosa, os métodos preconizados pelo próprio Guerra de guerrilhas, de Che, e aponta, com algumas doses de ficção, as contradições da prática revolucionária.
O autor
Nasceu em 1974, em São Paulo. Vive atualmente no Rio de Janeiro, com a mulher e um filho. É editor da Alfaguara, selo de literatura da Editora Objetiva. Método prático da guerrilha é seu primeiro romance.
Prêmio de melhor livro do ano
O livro Passageiro do fim do dia (Companhia das Letras) é o quinto romance de Rubens Figueiredo. Assim mesmo ele se mostrou emocionado e surpreso com o prêmio por concorrer com outros 9 finalistas, autores de grande qualidade. Na entrevista, ele comenta que quis falar da opressão social, através do narrador que viaja dentro de um onibus, e se questiona.
Anúncio do Melhor Livro do Ano para Rubens Figueiredo e entrevista
Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora – uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, sua namorada.
De radinho no ouvido, lendo a intervalos, ele observa o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas. No fim da viagem ele não será mais o mesmo: ele revê durante o trajeto, os fatos de sua vida, seus afetos, e o mundo opressivo em que está imerso.
não deixa dúvida sobre a importância de Rubens Figueiredo no cenário literário contemporâneo no Brasil.
O autor
Nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Formado em letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é tradutor e professor de português e tradução literária. Cronista e romancista, é autor de As palavras secretas, Barco a seco, ambos prêmio Jabuti, Contos de Pedro e O livro dos lobos (Companhia das Letras), entre outros.
“Não viemos nesse mundo como convidados… Somos criadores, nós criamos nossa vida, nosso próprio mundo. Então, antes de criar, devemos imaginar que tipo de mundo queremos… e depois começar a criá-lo.” As palavras de Muhammad Yunus refletem o sonho ou melhor a realidade de pessoas transformadoras, que fazem acontecer. O que o conhecido banqueiro dos pobres e Joaquim Mello do Banco de Palmas têm em comum com Wellington Nogueira, dos Doutores da Alegria, Rodrigo Bagio do CDI, Comitê de informatização, e Eugenio Scanavino da ONG Saúde e Alegria. Os dois primeiros criaram o microcrédito e conseguiram fazer uma moeda circulante fazer girar a roda dos negócios em comunidades pobres. Os outros assim como o resto dos exemplos do documentário Quem se importa – são 18 casos escolhidos pela cineasta – impactaram comunidades e grupos de pessoas, cada um a seu modo.
Mara Mourão explica que foi difícil escolher os nomes: ” São tantas pessoas fazendo coisas legais pelo mundo… Meu critério foi escolher gente que tivesse causado um impacto grande, em áreas diferentes e diversos países.” Com um currículo de dois longas bem sucedidos, as comédias Alô e Avassaladoras, Mara se lançou no documentário ao registar o dia a dia nos hospitais do grupo Doutores da Alegria, atores profissionais liderados por Wellington Nogueira. Agora ela quer que o seu cinema mude o mundo e possa atingir o coração das pessoas, como o filme Verdade Inconveniente, de Al Gore. ” Quero que as pessoas vejam esses exemplos transformadores, inspiradores e possam sair inspiradas. Não importa onde voc~e esteja no setor público ou privado, você pode fazer a diferença. ”
A Vai-Vai entra no sambódromo hoje ás 2 horas da madrugada, com o tema Mulheres que Brilham. Acompanhar o desempenho dessa escola na avenida equivale a assistir a um Fla-Flu ou a uma final que envolve o Corinthians, para falar de um time paulista. É muita paixão, muita emoção. E tudo começa nos ensaios na rua, à céu aberto, em pleno bairro do Bixiga.
Fernando Capuano e Juliana Cogo retrataram a emoção que envolve os integrantes da escola, num curta que agora percorre os festivais internacionais, a começar pelo de Tribeca, em NYC.
Com apenas um curta-metragem nas costas, o jovem cineasta estreou no documentário e já ganhou um prêmio pelo seu longa de estreia! Nada menos do que o Prêmio de melhor documentário, eleito pelo público da 35 Mostra de Cinema, público cinéfilo, exigente. Quando comento que não é nada fácil fazer um filme sobre escola de samba, pois todos os anos somos inundados por imagens bélissimas de carnaval pelo televisão, ele simplifica o desafio: ” Quis fugir do óbvio, mostrar quem são as pessoas que estão por trás da escola “.
Em Vai-Vai 80 anos nas ruas, Fernando fez muito mais. Consegue depoimentos emocionantes mesclados com momentos fantásticos, como quando os músicos da Vai-Vai se juntam à Orquestra Bachiana de João Carlos Martins, para tocar a quinta sinfonia de Bethovem. Emociona com as imagens vibrantes dos ensaios de rua ou os enquadramentos dos integrantes da velha guarda contando a história a escola. Assim como a combinação inédita do samba com a música erudita, do casamento improvável entre descentes de italianos e negros, nasceu uma nação apaixonada pelo que faz.
Ao terminar o documentário, queremos mais. Fora a vontade de sair no próximo ensaio de rua. Os depoimentos dos integrantes jovens ou velhos são impagáveis: ” É mais fácil eu largar da minha pretinha do que do meu Corinthians, do que da minha Vai-Vai! ” Precisa dizer mais sobre essa paixão? Como diz o samba tradição da escola, do Geraldo Filme: quem nunca viu o samba amanhecer, vai no Bexiga pra ver, vai no Bexiga pra ver…
Autor: Mona Dorf - Categoria(s):Cinema, EstreiaTags:
O escritor Fernando Morais participou da Tarrafa Literária, encerrada nesse domingo em Santos. Dividiu a mesa A Vida dos Outros com a escritora e historiadora Isabel Lustosa que prepara biografia sobre Lampião. Morais que é um craque no gênero, têm várias no currículo – Chatô, sobre Chateaubriand, Olga, e a última sobre Paulo Coelho - acabou mesmo falando do seu novo livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, lançado pela Companhia das Letras.
Ele entrevistou agentes infiltrados em organizações de extrema direita, mercenários, muitos hoje presos e condenados a prisão perpétua.
Gabriel García Márquez serviu de pombo-correio entre Bill Clinton e Fidel Castro
Morais teve acesso ao documento levado pelo Nobel colombiano, amigo de Fidel e defensor de seu regime, pedindo que os ataques a Cuba cessassem.
Nos anos 90, com a derrocada da União Soviética, a economia de Cuba passou a depender fortemente do turismo. Foi nessa época que cubanos exilados em Miami, começaram a intimidar o ditador cubano, a partir de ações disparadas em Havana. Os anticastristas colocavam bombas nos hoteis, metralhavam navios de cruzeiro para afugentar os turistas. A reação de Cuba foi enviar um grupo de agentes para a Flórida e infiltrá-los nos lugares certos, nos grupos anticastritas, para que tentassem descobrir a tempo o que era tramado e evitassem os ataques contra Cuba, bem ao estilo guerra fria. Os espiões formavam a Rede Vespa e tentavam ter uma vida anônima, escondida das próprias famílias para não despertar desconfiança.
Entrevistamos nos bastidores do evento, o escritor Fernando Morais para saber como ele teve acesso aos documentos inéditos e conseguiu entrevistar os agentes secretos, nas prisões.
Espécie de embaixador ou porta-voz da ditadura cubana, o escritor Fernando Morais é autor de A Ilha (1976) e sempre manteve boas relações com os irmãos Castro, mesmo quando dissidentes do regime eram perseguidos e colocados na cadeia. Entre as entrevistas, algumas feitas por e-mail através das mulheres dos condenados, ele conseguiu por exemplo ouvir o mercenário Cruz Léon, contratado por U$ 1.500 para colocar bombas e hoteis e restaurantes de Havana. Ele confessa que era fã de Sylvester Stallone e se envolveu no terrorismo para viver emoções parecidas com as do ídolo.
Após organizar uma mostra de cinema para divulgar a diversidade da produção audiovisual israelense, o Centro da Cultura Judaica em São Paulo traz a exposição fotográfica Bom Retiro e Luz: Um Roteiro, 1976 – 2011, que fica em cartaz até 02 de outubro. Segundo a diretora-geral do Centro da Cultura Judaica, Yael Steiner, toda a programação é voltada para o diálogo da cultura judaica em suas mais diversas linguagens e expressões: “o Centro é uma Torá, os rolos da lei, esse código de ética que o povo judeu segue, inclusive como cultura. É um Centro Cultural aberto areligioso e apolítico”.
Foto: Marlene Bergamo
A mostra tem como ponto de partida a série homônima feita pelo fotógrafo Cristiano Mascaro para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 1976. “É uma parceria com a Pinacoteca, inclusive, nós convidamos o atual curador de fotografia Diógenes Moura”, explica Steiner.
Moura toma como ponto de partida da exposição a série de Cristiano Mascaro, encomendada pela então diretora da Pinacoteca do Estado, Aracy Amaral, e que hoje integra o acervo da Pinacoteca. Constituída de imagens representativas de uma época, as fotografias foram realizadas na década de 70 e retratam a vida cotidiana do bairro, conhecido como judeu. Também foi utilizado o acervo do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro que agrupa as lembranças da comunidade judaica, da Mooca até o Bom Retiro. Ao todo são 90 fotografias que representam diferentes visões do bairro em épocas diversas.
“A gente traz essa exposição de fotos incríveis do Cristiano, que é um grande fotógrafo, de um retrato do Bom Retiro daquela época e propõe um novo olhar. Assim, convidamos a Cia de Foto, o Bob Wolfenson e a Marlene Bergamo para rever, revisitar esse Bom Retiro e essa Luz que sofreu grandes modificações nessas décadas. O que era chamado de bairro de judeus, a gente questiona se não é um bairro de imigrantes, se não é um bairro com particularidades bem ricas”.
Nova geração: Cia de Foto, Bob Wolfenson e Marlene Bergamo
O trabalho da Cia de Foto parte da apropriação sobre imagens dos arquivos pessoais doados por famílias judias ao Arquivo Histórico Judaico Brasileiro. São cenas da vida privada ou retratos de álbuns de família trabalhados em recortes, muitos deles intimistas.
Já o fotógrafo Bob Wolfenson nasceu e viveu no Bom Retiro até os 22 anos. Da sacada do apartamento onde morava fez suas primeiras imagens, no início da década de 1970. Conhecedor profundo dos dias e das noites do bairro, na série produzida em 2011, Wolfenson produziu imagens silenciosas, interiorizadas, retratos onde a própria fotografia estanca diante do tempo. Trouxe o seu passado para os dias atuais, para rever o seu tempo de ontem, o seu povo e a si mesmo. Como num único fotograma, Marlene Bergamo fotografou apenas a noite.
Para outubro, Yael Steiner revela a próxima mostra do Centro da Cultura Judaica: “a gente traz uma exposição que é A Arquitetura e o Estrangeiro. Vamos traçar um histórico das influências dos imigrantes passando por alguns arquitetos influentes judeus e de outros culturas”.
Reportagem de Anapaula Ziglio
Bom Retiro e Luz: Um Roteiro, 1976 – 2011
Até 02 de outubro de 2011
Local: Centro da Cultura Judaica– 1º Andar
Endereço: Rua Oscar Freire, 2.500 (ao lado da estação Sumaré do Metrô)
Horário: terça a sábado, das 12h às 19h, e aos domingos e feriados, das 11h às 19h.
Ingresso: gratuito
Classificação: livre
Há 90 anos, o Teatro Municipal sediava o que hoje chamaríamos de um grande happening: a Semana de Arte Moderna de 22, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922. No Teatro Municipal de São Paulo, escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos clamavam por uma nova arte brasileira, afinada com as tendências vanguardistas da Europa. Todo movimento vem para quebrar paradigmas, o principal objetivo aqui era renovar o ambiente artístico e cultural.
O palco desse movimento, o belo teatro municipal passou por 3 anos de reforma, e reabriu em setembro para os festejos do seu centenário. Com estilo eclético, inspirado pela Opera Garnier de Paris, foi construído pelo escritório de Ramos de Azevedo.
Teatro Municipal de SP, década de 20
Nessa que é a terceira reforma do teatro, a fachada e o salão nobre foram restaurados. A arquiteta Lilian Jaha nos guia na visita e conta os cuidados que foram tomados com o patrimônio histórico para devolver à cidade sua primeira casa lírica. No restaurante, admiramos com ela os vitrais e as pinturas murais no teto recuperados. O mobiliário e o espelho do bar são assinados pelos irmãos mais famosos do design brasileiro, os Campana.
A cor vermelha também voltou para as poltronas e paredes da sala de espetáculos, mas o grande ganho está na acústica e na reforma técnica do palco, onde havia pontos “surdos”, lugares onde os músicos não ouviam!
Na véspera da reinauguração conversamos com um entusiasmado diretor artístico, Abel Rocha, regente titular. O concerto de reabertura, celebrou a música, reunindo três dos corpos estáveis da casa em uma homenagem aos maiores cantores líricos do país que passaram pelo palco municipal.
“Os artistas precisavam resgatar o palco do teatro, se sentir donos desse espaço novamente para entregara para a plateia o que elese melhor sabem fazer; sua arte, seu canto e sua música”, vibra.
O Theatro Municipal restaurado merece ser visitado por quem vem de fora e por quem é paulistano! Tem de ser incluído como programa em qualquer roteiro turistíco que contemple o centro. Você também pode ter um preview conosco!
Passeio virtual pelo Theatro Municipal de São Paulo
Theatro Municipal de São Paulo
Local: Theatro Municipal
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/n°, centro- São Paulo
Classificação etária para os concertos: livre, recomenda-se a partir dos sete anos Vendas pela Internet