Uma maratona de oito semanas de apresentações de grupos de danças acontece no Centro Cultural São Paulo até 26 de junho. São mais de 100 apresentações, envolvendo 23 companhias e 400 profissionais, entre produção e artistas, nas salas Jardel Filho, Paulo Emílio Salles Gomes e o Espaço Cênico Ademar Guerra.
Veja aqui um pot pourri de coreografias
Semanas de Dança – Públicos é um tradicional programa do Centro Cultural São Paulo que existe desde os anos 90 e é reconhecido pelos profissionais de dança como uma possibilidade de apresentar coreografias, muitas vezes inéditas.
A novidade desse ano é que o projeto articula as temporadas
das companhias com diversificadas ações de mediação, que pretendem atingir gente nova, que não estão necessariamente próximos à linguagem da dança. “O Semanas desse ano recebeu o nome de Públicos, pois a ideia é criar uma oportunidade, tanto para a instituição, quanto para os artistas, de experimentar novos formatos e novas propostas de comunicação entre a dança contemporânea e seus diversos públicos”, explica Leticia Cocciolito, curadora de dança do CCSP.
Destaques
A programação do Semanas de Dança – Públicos reúne profissionais premiados da área e também novos nomes que despontam no cenário da dança.
O bailarino português António Pedro Lopes, em colaboração com o carioca Gustavo Ciriaco, vem a SP com Drifting / Em Deriva. Projeto-espetáculo contextual que leva os artistas a diferentes cidades (Rio de Janeiro,Taipei, São Paulo) para mapear os afetos que correm nessas cidades através de diferentes tipos de encontro.
Resultado de uma parceria entre o CCSP e o 15º Festival Cultura Inglesa, o bailarino Neto Machado estreia Kodak, espetáculo solo inspirado na obra do artista plástico britânico James Stuart Blackton.
O grupo J.Gar.Cia dança contemporânea traz a apresentação de Percursos de área reescrita - “O lugares por onde você passa, de um jeito que você nunca viu”. Uma intervenção que propõe novos olhares e novos percursos a serem descobertos nos espaços do CCSP, conduzindo, ao final, o público até o “porão” ou Espaço Cênico Ademar Guerra.
A Cia. Fragmento de Dança propõe em Ecos uma encenação que reúne a construção estética e dramatúrgica recorrente em seus últimos quatro trabalhos da cia, que se inspiraram em mulheres artistas- de Frida Kahlo a Virginia Woolf.
Em alguns espetáculos dessa edição Semanas, a música surge tão protagonista quanto a dança. Os espetáculos Morena Nascimento e Benjamin Taubkin – um diálogo entre a dança e a música (2010), dos próprios Morena e Benjamin; 6 estudos para flutuar (2010), de Zélia Monteiro e Manuel Pessôa; e Notas Sobre minha mãe – Opus 2, de Paula Pi, mostram a diluição das fronteiras entre as linguagens.
Semaninha
Programação especial para crianças, com apresentação dos espetáculos Dança em Jogo, da Balangandança Cia, Coppélias?!, de Paoli Quito e Um corpo um movimento uma dança, da Escola Municipal de Bailado e bate-papos com bailarinos e educadores do CCSP.
Reportagem: Anapaula Ziglio
Semanas de Dança – Públicos
Até 26 de junho – Salas e espaços do CCSP
Local: Centro Cultural São Paulo
Endereço: Rua Vergueiro, 1.000 – Paraíso – São Paulo – SP
Datas e horários: de terça a domingo, das 10h às 22h
Entrada franca
Legend é um pas-de-deux neoclássico imortalizado por seus intérpretes, os lendários Márcia Haydée e Richard Cragun do Stuttgart Ballet, aborda o amor entre um homem e uma mulher por meio da suavidade dos passos, confiança e entrega. A ideia é fundir os corpos de ambos em tênues movimentos.
Trecho de Legend está presente no filme The Turning Point (Momento de decisão, 1977)
Com coreografia de John Cranko e inspirada na túnica de Galina Ulanova, primeira bailarina do Ballet Bolshoi, a coreografia é acompanhada pela música Legend, op. 17, composta pelo violonista polonês Henryk Wieniawski em homenagem, na época, à sua futura esposa, Isabel Hampton.
Já em Inquieto, com coreografia de Henrique Rodovalho e música de André Abujamra, são apresentadas três formas de desassossego: três personagens marcam a cena revelando aos poucos suas diferentes inquietudes por meio de pequenos gestos aparentemente incontroláveis.
Ao longo da coreografia, o terceiro personagem se desdobra em nove, multiplicam-se então seus movimentos, que passam para os outros intérpretes como se todos fossem apenas um, criando diversas estruturas e facetas da inquietude humana.
Beleza, suavidade e risos?! Isso mesmo, ao contrário do drama, comum às obras de ballet, a São Paulo Companhia de Dança traz para São Paulo o trabalho de Jirí Kylián, Sechs Tänze (1986) ou Seis Danças no Teatro Sérgio Cardoso esse sábado e domingo. E o melhor: os preços são bem acessíveis, R$5 e R$10! Unindo dança e humor, a coreografia é uma crítica de costumes. Outra montagem inédita que a Companhia apresenta a partir de hoje, 09/09, é Prélude à l´Aprés-midi d´un Faune (1994), de Marie Chouinard. Carregada de sensualidade, a coreografia interpretada pela bailarina argentina Irupé Sarmiento é de tirar o fôlego. Aqueles que forem ao espetáculo ainda terão a chance de assistir Theme and Variations (1947), de George Balanchine, que a Companhia estreou em março de 2010. “Hoje nós temos 12 obras no repertório e já dá para fazer uma composição como essa que nós vamos apresentar no Teatro Alfa”, esclarece a diretora-artística da São Paulo Companhia de Dança Inês Bogéa.
Sechs Tänze
Sechs Tänze, de Kylián, reúne seis peças aparentemente sem sentido que dialogam para protestar e fazer uma crítica bem-humorada aos valores da época em que as Seis Danças Alemãs K 571, de Mozart, foram compostas. “Os bailarinos estão se divertindo muito”, conta Bogéa. O clima de descontração é nítido durante o ensaio da peça. Os bailarinos parecem brincar ao som da música e a pequena plateia se diverte.
Essa é a primeira vez que uma Companhia brasileira realiza essa obra no Brasil. A remontagem para a Companhia é assinada por Patrick Delcroix. Com oito bailarinos, a coreografia tem duração de 13 minutos.
Prélude à l´Aprés-midi d´un Faune
Prélude à l´Aprés-midi d´un Faune (1994), da canadense Marie Chouinard, também é inédito. A obra é inspirada na poesia de Stéphane Mallarmé, A Tarde de um Fauno de 1876. Escrita para o teatro, o poema inspirou Claude Debussy a compor Prèlude à l´aprés-midi d´un Faune, em 1894. Em 1912 em Paris, Vaslav Nijinski compôs sua primeira coreografia permeada pelo tom ritualístico e sensual inspirado nos movimentos dos frisos gregos. O Fauno de Marie Chouinard foi criado a partir de fotos da coreografia de Nijinski tiradas por Adolphe Meyer. Ela montou uma peça baseada na horizontalidade, como na coreografia original. Em 1912, a obra causou escândalo por causa da extrema sensualidade. “Com essa releitura vamos surpreender o público novamente”, promete Bogéa. Ela também revela que o figurino do fauno foi especialmente preparado para isso. Quem for ao espetáculo, verá!
O solo tem duração de oito minutos e será realizado pela bailarina argentina Irupé Sarmiento. Com apenas 26 anos de idade, ela admite que interpretar o fauno é uma grande responsabilidade. “Cada dia é uma história diferente, é um cheiro diferente. Tem dia que persigo ninfas, no outro animais”. Depois de intensivos e exaustivos treinamentos físicos, ela explica que teve de trabalhar também o lado espiritual. “Sentir como se conecta com o espaço para deixar de ser algo físico, para ser uma energia e uma totalidade do universo”. Esse não é seu primeiro solo na São Paulo Companhia de Dança, ela já foi solista de Ballo, de Ricardo Scheir e de Serenade, de George Balanchine.
São Paulo Companhia de Dança
A São Paulo Companhia de Dança foi criada em janeiro de 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo e tem como diretoras artísticas Iracity Cardoso e Inês Bogéa. Seu repertório contempla remontagens de obras clássicas e modernas, além de peças inéditas, criadas especificamente para o seu corpo de bailarinos. A Companhia é um lugar de encontro dos mais diversos artistas – como fotógrafos, remontadores, escritores, artistas plásticos, cartunistas, músicos, figurinistas, e outros – para que se possa pensar em um projeto brasileiro de dança.
Nos dias 26 a 28 de novembro, a Companhia volta a se apresentar no Teatro Sérrgio Cardoso com outro repertório: Os Duplos de Maurício Oliveira, Tchaikovsky Pas de Deus e Serenade de George Balanchine.
Reportagem Anapaula Ziglio
São Paulo Companhia de Dança
De 19 a 21 e 26 a 28 de novembro 2010
Local: Teatro Sérgio Cardoso
Endereço: Rua Rui Barbosa, 153- Bela Vista, São Paulo
Datas e horários: sexta, 21h30/ Sábado, 21h/ Domingo, 19h Espetáculo não recomendado para menores de 16 anos
O Grupo Corpo vem aí! Completando 35 anos de atividades, traz uma proposta diferente para a Turnê Brasil 2010: o público poderá escolher pela internet o balé que será apresentada ao lado de Ímã, coreografia de Rodrigo Pederneiras, de 2009, com música do + 2 (trio formado por Moreno, Domenico e Kassin).
Para votar é só entrar no site www.grupocorpo.com.br onde constam todas as coreografias, a minha preferida pode ser vista abaixo. Qual é a sua?
O balé mais votado irá compor o programa das apresentações em São Paulo (Teatro Alfa, 11 a 15 de agosto), Belo Horizonte (Palácio das Artes, 27 a 31 de agosto), Salvador (Teatro Castro Alves, 4 e 5 de setembro), Rio de Janeiro (Theatro Municipal, 9 a 12 de setembro) e Brasília (Teatro Nacional, 17 a 20 de setembro).
Até agora, o resultado parcial mostra que a coreografia Lecuona lidera a pesquisa ao lado de Ongotô.